DE: ALVARO VELLOSO
DE CARVALHO
PARA: O GLOBO, SEÇÃO
DE CARTAS
ASSUNTO: ADORNO,
MARCUSE E KONDER
DATA: 03/02/98
"O GLOBO" de 25 de janeiro publica uma carta de uma
leitora a respeito do artigo do prof. Leandro Konder sobre a escola
de Frankfurt.
Embora demonstre não conhecer bem a dita escola
e peque um pouco na forma da carta, a leitora chama a atenção
pelo seu extremo bom senso, artigo tão em falta hoje em dia.
É muito estranho que 90% dos articulistas que
escrevem na imprensa hoje em dia sejam destacados figurões
da esquerda, que fazem constante apelo para o sentimentalismo e sempre
prometem 'um mundo melhor', guiado pela utopia marxista.
Ora, não há UM lugar do mundo em que
o comunismo, quando implantado, não tenha deixado atrás
de si um rastro de morticínio, de totalitarismo, de terror.
Essa 'utopia' fez mais de 150 milhões de vítimas ao
longo de um único século - o nosso, o século
das ideologias. Esse número deve ser mais do que bastante para
demonstrar que o comunismo não é assassino por acidente,
mas por essência. O fator que o diferencia de tudo o que já
se viu na história da humanidade é justamente o número
de vítimas que deixou - um número que apavoraria Gengis
Khan, Átila, o huno, e até Adolph Hitler.
Apesar disso, quem quer que falasse sobre essas três
últimas figuras seria imediatamente crucificado pela mídia
inteira. Por que é que o comunismo, ao contrário, é
considerado uma posição política e intelectual
respeitável - como prova a admiração que provoca
o prof. Konder em nossos meios intelectuais? Será que não
percebem que o marxismo é tão sangüinário
e totalitário quanto o hitlerismo? Que são faces de
uma mesma moeda, como bem mostrou François Furet em "O passado
de uma ilusão"? Será que não lembram que Hitler
sempre declarou que Lênin era seu mestre inspirador? Não
percebem que qualquer tipo de ideologia que pregue a submissão
do indivíduo ao poder estatal tem em si o germe do morticínio?
Aproveito para notar que o prof. Luiz Pinguelli Rosa,
em seu artigo de 28/01, pretende que seja um argumento economicamente
válido dizer que não é justo tirar da
Petrobrás áreas que ela conquistou com tanto esforço.
Parece que a esquerda perdeu o senso do ridículo.
Atenciosamente,
Alvaro Rosário Velloso de Carvalho