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AGOSTO/1998 Não sei o que é pior nessa história sobre o desenho South Park: se a cegueira da imprensa nacional ou se as mensagens do desenho... O fato é que algum idiota semeou no Brasil a história de que se tratava de um desenho “politicamente incorreto”. O motivo: os personagens falam palavrão. No início, parecia apenas uma estratéga de marketing, mas logo virou unanimidade, repetida em toda a imprensa nacional. Parece até que ninguém viu o desenho. Eu vi. O primeiro episódio traçava uma longa história para, no fim, ensinar que ter armas em casa é muito feio e que ninguém devia ter o direito à auto-defesa armada, entremeado por longos apelos ecológicos e elogios à legislação democrata contra caça. Um personagem chegava a dizer: oh, só agora eu percebo a loucura das armas! Eu nunca mais usarei uma arma! O segundo era ainda mais engraçado: um dos garotos tinha um cachorro gay. Diante do preconceito manifestado por todos, o pobre cachorrinho viado fugiu pelas florestas. O dono foi atrás e descobriu que ele estava refugiado numa espécie de boate rosa, dirigida pelo sr. Big Gay Al, onde todos os animais do terceiro sexo podiam ficar, sem preconceitos. O garoto chega lá e o gerente o leva para um daqueles passeios de barco típicos de parques de diversões. No passeio, o menino vai aprendendo como os homossexuais são uma gente legal, como são mais bonitos, mais sensíveis, mais inteligentes, e como os padres e pastores evangélicos são uma gente horrorosa que só quer atacar os pobres viadinhos. Mais: ainda num momento os nazistas aparecem como grandes inimigos dos gays (quando todo mundo sabe que a maior parte da cúpula do Partido Nazista era homossexual), isto é, subrepticiamente são identificados os inimigos dos gays com os nazistas. Depois disso, o menino volta pra cidade e faz um discurso com o lema: It's Okay to be gay!, sob os aplausos da cidade inteira, e os animais da boate são soltos, para voltarem para seus donos, agora livres de preconceitos. E o Big Gay Al aparece para dizer ao menino, com ar de guru de guerreiro Jedi, que sua missão ali já estava completa, isto é, que ele agora podia semear as delícias da pederastia em outros lugares. Poderia contar outros episódios, mas acho que não precisa. O ataque à posse de armas e o endeusamento da prática homossexual são dois dos temas preferidos do que, nos EUA, se chama “liberal agenda”. Esta consiste naqueles temas que os esquerdistas radicais americanos tomam como suas bandeiras, e que a mídia dita liberal não pára de propagar (liberal, nos EUA, ganhou o sentido oposto do original). É, em outras palavras, o “politicamente correto”. Mas aqui no Brasil ninguém parece saber o que é esse tal de politicamente correto. Acham que é só uma luta pelo controle do vocabulário, quando, na verdade, é muito mais. Aos interessados em conhecer as origens do movimento, e seus temas principais, sugiro o livro de Christopher Lasch, “The new radicalism in America”(a favor da esquerda) e a auto-biografia de David Horowitz, "Radical Son" (Horowitz é um ex-esquerdista arrependido), ambos encontráveis em qualquer livraria virtual. Lá qualquer um pode observar a gênese de feminismo, multiculturalismo, ecologismo, defesa do homossexualismo etc. A nova moda politicamente correta é a idéia de que a livre posse de armas é responsável por aumento na violência. O único trabalho universitário que pretendia afirmar isso já foi devidamente refutado, e vários outros, mais sérios, já provaram o contrário. Mas nem precisa tanto, o elementar bom senso já mostra que o discurso é vazio. Em primeiro lugar, bandidos têm acesso a armas, não importa se elas são proibidas ou liberadas. Isso não faz a menor diferença para eles. Logo, a posse ou não de armas só faz diferenças para o cidadão comum. Agora, pensemos um pouco: se o bandido tem uma arma, e ele vai atacar o cidadão comum, por que é que este não tem direito a se defender? Ora, se alguém armado ataca uma casa de família, e o pai não tem armas, na melhor das hipóteses a casa inteira será roubada. Se o pai tem como se defender, na melhor das hipóteses o bandido morre. Em ambos os casos, na pior das hipóteses alguém da família morre. É uma equação muito simples. Mas é possível ir ainda mais fundo: quais podem ser os interesses por trás da negação do livre acesso às armas? O cidadão que não tem direito nem mesmo à auto-defesa foi privado de alguns de seus direitos mais básicos. Mais ainda: foi colocado em situação de inferioridade em relação à bandidagem, e está permanentemente inseguro. Mais do que inseguro: está nas mãos do Estado, porque só este pode defendê-lo da bandidagem. E aí a trama se revela: a proibição do porte de armas é mais um capítulo na saga da tomada da vida privada pelo Estado, mais um capítulo da escravidão consentida. É a fragilização dos indivíduos, imediatamente remediada pela “proteção” estatal. E todos nós achamos lindo. Aqui no Brasil, a coisa toda aconteceu sem que ninguém reclamasse (1), mas nos EUA as mentiras esquerdistas ainda não dominaram tudo, e muitos debatem a questão(2). Daí a insistência dos “politicamente corretos” em defender mais esse capítulo da fragilização da integridade individual - e daí o desenho. Que a imprensa nacional não se tenha dado conta disso é simplesmente um escândalo, suficiente para desmoralizá-la inteira. É óbvio que o tal “South Park” tem a função de difundir as mensagens politicamente corretas, a partir de uma roupagem aparentemente transgressora. Os próprios autores do desenho o confessaram, em matéria da Revista da TV, do jornal O Globo (a repórter, num surto de caipirice, achou que eles estavam sendo dissimulados). Disseram até mesmo que o desenho do Big Gay Al era seu favorito. E a imprensa continua insistindo em dizer que o desenho é “politicamente incorreto”. Como é possível tanta cegueira? Ou ninguém viu o desenho, ou ninguém sabe o que é politicamente correto. E uma terceira hipótese, pior ainda: quem fez as matérias viu o desenho, sabe o que é politicamente correto, mas não foi minimamente inteligente a ponto de perceber que a temática de South Park era politicamente correta, porque estava mais preocupado em ver como as crianças do desenho falavam palavrão. Seja como for, esse caso é muito significativo. Primeiro, porque mostra que os PC estão usando até desenho animado para aniquilar os valores tradicionais e para instaurar o domínio estatal sobre todos. Segundo, porque mostra como a nossa imprensa é caipira, fechada dentro de si mesma, incapaz de analisar minimamente uma questão, dando credibilidade imediata a qualquer julgamento que um de seus membros faça. Tanta arrogância, acompanhada da mais cabal estupidez, basta para mostrar como há algo de muito errado com nossos jornalistas... NOTAS: (2) Leia, por exemplo, o artigo do grande jornalista conservador americano Charley Reese, “American citizens have the right to bear arms”.
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