PERIGOS REAIS E OVINHOS DE
CODORNA
20-30/03/98
A hipocrisia dessa nossa mídia esquerdista
não pára de me espantar.
Vejam vocês: meia dúzia de garotos,
em Porto Alegre, responderam a uma revista do colégio que admiravam
Hitler. Qualquer pessoa sensata reduziria o caso a duas hipóteses:
ou os garotos estavam simplesmente brincando, ou se trata do fascínio
que figuras malévolas exercem sobre a mente infantil e adolescente
(e, neste caso, os garotos disseram Hitler como poderia ter dito conde
Drácula). Mas os cordovis jornalistas cariocas já foram
logo pondo nas manchetes: conspiração nazista em
Porto Alegre! Escândalo! Estado de sítio! Ameaça
ao Estado de direito! Ovo da serpente!
O único órgão de imprensa que
reduziu o fenômeno a suas devidas proporções foi
a revista República, que tratou o caso como uma simples brincadeira
de adolescentes inconseqüentes.
O preocupante, porém, dessa história
toda é justamente o tom da matéria do sr. Augusto Nunes
na República. O jornalista passa a matéria inteira defendendo
o colégio da acusação de conservadorismo, querendo
provar que a escola está "aberta a ventos liberais".
O que está implícito nisso é
a proibição ao pensamento conservador. Quer dizer, o
colégio não pode ser de direita, não pode dar
lições conservadoras aos alunos, mesmo sendo um colégio
militar. É isso também que está implícito
em tudo o que se faz sob o título de "imprensa cultural"
aqui em Pindorama, e é isso que deveria chamar mais a atenção
no episódio, por evidenciar o estágio a que chegou a
lavagem cerebral marxista.
Vamos dar uma olhada de perto em alguns aspectos
dessa lavagem.
Cito a seguir algumas passagens de livros adotados
em escolas de Segundo Grau no Rio de Janeiro, escolas onde a maioria
dos estudantes vem de classe média alta ou de classe alta:
"A economia de livre mercado, que é legitimada
pela ideologia liberal, aumentou a distância entre ricos e pobres,
ampliou a exploração de uma classe por outra e conduziu
à construção de uma sociedade injusta e violenta.
Além disso, o livre mercado oferece oportunidade para grupos
minoritários nacionais, em muitos casos associados ao capital
estrangeiro, possam se enriquecer às custas dos interesses
dos setores populares."
(Ricardo, Ademar e Flávio - História
- vol. 3, ed. Lê)
"Na verdade, o que a ideologia neoliberal prega
é a venda de estatais lucrativas para favorecer os interesses
das grandes potências internacionais."
(Florival Cáceres - História do Brasil
- ed. Moderna)
"Os coronéis baianos, descritos nos romances
de Jorge Amado, se enriqueceram às custas do suor do trabalhador
rural.
"Foi no sertão da Bahia, numa área
abandonada. Primeiro, uma rocinha aqui, um barraco lá. Nas
vilas da região, pregava o beato Antônio Conselheiro.
Ensinava que, em breve, Jesus Cristo retornaria para queimar os homens
maus ( os latifundiários ) em enxofre. O movimento era de revolta
social, mas tinha a aparência de religioso ( é o que
os sociólogos chamam de messianismo ). Os salvos seriam os
que vivessem no reino cristão. Ele estava sendo construído
ali perto. No arraial de Canudos, a terra pertencia a todas as famílias,
e as pessoas eram socialmente iguais. Comunismo primitivo. Como no
tempo dos primeiros cristãos.( Atos 2:44-5, 4:34-5 )."
"Canudos se defendeu do jeito do povo: com guerrilha."
"No sertão nordestino, atuavam grupos
de bandidos chamados cangaceiros. Até hoje, na literatura de
cordel, a gente ouve falar bem deles. Como é que pode? É
que eles constituíam o que o historiador Eric Hobsbawn chamou
de banditismo social. Gente pobre e corajosa, farta de ser
humilhada, atacava e roubava os fazendeiros. A sede de vingança
fazia-os cruéis. Com os pobres que colaboravam sabiam ser generosos.
Eram os Robin Hoods da caatinga."
"As classes dominantes são vingativas.
Na calada, esperaram tudo voltar ao normal e pegaram os marinheiros
desprevenidos e desarmados. Centenas foram mandados embora ou enviados
para trabalhos forçados no Acre. Vários, fuzilados (mas
a chibata acabou).
Contam que o fantasma de João Cândido
até hoje ronda o cais do porto, esperando o dia de uma nova
revolta dos trabalhadores. Os opressores sentem calafrios na espinha..."
(Mário Schmidt, "Nova história crítica
do Brasil")
Bom, é fácil encontrar os elementos
definidores dos fragmentos acima (e a lista poderia continuar para
sempre): mentiras sobre a ideologia liberal, concepção
da História como produto das lutas de classes, exaltação
dos movimentos violentos, desde que comprometidos com a causa da esquerda.
Em suma, a concepção histórica típica
do regime que deixou um rastro de pesadelo em todos os lugares por
onde passou, neste nosso século XX.
A cada ano, nossas escolas de Segundo Grau formam
milhares de alunos pela cartilha stalinista, e todos acham a coisa
mais normal e aceitável do mundo.
Ah, poderiam argumentar, mas o professor é
livre para ensinar como quiser. Mentira. O professor de segundo grau
tem em vista uma coisa chamada vestibular. Sabem quem faz as provas?
Gente como os autores dos livros acima.
Este ano, no vestibular de Geografia da UERJ, uma
pergunta se referia à "falta de necessidade das reformas
da Providência, cujo problema poderia ser solucionado por uma
política de combate ao desemprego".
E se o aluno tivesse tido um professor com algumas
noções mínimas de economia, que lhe tivesse dito
que não adianta nada querer acabar com o desemprego por decreto?
Ou um outro que lhe dissesse que os países
que adotaram o livre mercado são aqueles que têm os menores
índices de pobreza?
Ou alguém que questionasse a idéia
das lutas de classe, e pretendesse afirmar a importância da
ação individual no curso da História?
Professores que dissessem isso seriam imediatamente
tratados como perigosas ameaças. Seriam enquadrados como "conservadores",
o que quer dizer imediatamente "fascista" e "nazista".
E como ninguém mais sabe o que as palavras significam mesmo,
as nossas esquerdas já tacham de "extrema direita"
qualquer neoliberal. Fica a pergunta: e Plínio Corrêa
de Oliveira, é o quê?
É que o debate político brasileiro
está tão dominado pelo discurso esquerdista, que qualquer
outro que se lhe oponha vem carregado de termos cujo sentido falseado
e distorcido já foi dado pela esquerda. De tanto ouvir o mesmo
locutor, o auditório já assimilou todos os conceitos
forçados que ele passa e não entende nenhum outro. Os
ouvintes acabam pensando e falando em categorias marxistas, mesmo
sem saber.
Ao contrário do que pensaria o inefável
dr. Emir Sader, não estou dizendo isso porque sou de direita.
Não tenho nenhuma posição política definida
e não estou muito preocupado com isso. Claro que defendo uma
economia liberal, mas defender uma economia liberal não implica
defender uma ideologia liberal. Já disse aqui que todas as
ideologias são odiosas e é no mínimo ridículo
pretender que a simples liberdade econômica vai garantir todas
as outras.
Digo isso porque sou testemunha da dificuldade que
foi, quando saí da escola, conseguir pensar as coisas com parâmetros
não marxistas. Só consegui após esforço
tremendo, pelo qual acredito que muitos do que estão saindo
agora do segundo grau também terão que passar.
O ensino médio se transformou numa fábrica
de fantoches socialistas e coletivistas (sem falar do ensino universitário,
que comento daqui a alguns meses porque minha paciência é
pouca), que tira todo pensamento verdadeiramente crítico do
indivíduo, que pretende suprimir a individualidade.
A descrição mais branda que encontro
para isso é que se trata de um estupro de mentes virgens, seguido
de aborto de todas as potencialidades latentes.
E até uma escola militar é obrigada
a ensinar história marxista, sob pena de ser execrada nas primeiras
páginas de todos os jornais e revistas do país.
É claro que a coisa nem sempre funciona muito
bem, porque há jovens muito mais inteligentes que seus professores,
que percebem que aquilo tudo é uma empulhação
e vão surfar ou ver novela, mandando o professor de Geografia
ou de História às favas.
Mas o ensino médio molda o imaginário
do jovem, até desse jovem relapso. Ele pode não se lembrar
de mais nada do que os professores disseram, mas o esquema mental
se instala na sua mente. Para isso contribui todo o resto da mídia,
a novela inclusive.
Essa estratégia de educar os jovens no cânone
marxista é uma estratégia revolucionária pregada
pelo ídolo da esquerda tupiniquim, santo Antonio Gramsci (cuja
encarnação nativa é o prof. Leandro Konder).
Gramsci, ídolo igualmente de João Pedro
Stédile e Fernando Henrique Cardoso, percebeu que, ao contrário
do que achava Lênin, não basta tomar o poder político
para fazer a Revolução. Antes, é necessário
instaurar a ideologia esquerdista no imaginário popular, através
da propaganda, da mídia e da educação. Essa produção
do imaginário visa a criar o que ele chamava hegemonia
cultural. Essa hegemonia cria as condições necessárias
para a conquista final, a tomada do poder político.
Algo como uma lubrificação reforçada:
depois, é só colocar, que ninguém vai nem perceber.
(Não é à toa que ele foi apelidado de Antonio
só-a-cabecinha Gramsci...)
Pois bem: toda essa massa de professorezinhos secundários
não está fazendo nada além de seguir as diretrizes
de seu mestre Gramsci. E, junto deles, todos os cordovis jornalistas,
todos os autores de novelas, os professores universitários,
etc.
É por isso que olho com muita pena para os
movimentos estudantis: eles não passam de massa de manobra
nas mãos da esquerda gramsciana, não passam de produtos
primários e grosseiros que ajudarão a instalar neste
país o Estado totalitário.
Porque enquanto Zuenir Ventura denuncia os meninos
de Porto Alegre como graves ameaças, mais mentes são
embotadas, mais apóstolos da uniformização e
da coletivização são formados. E o Governo toma
posse de nossos órgãos, determina em que lugar da rua
podemos andar, escolhe o que devemos calçar para dirigir, controla
a direção dos nossos olhares, toma de nós a possibilidade
de autodefesa, bloqueia contas e bens sem justificativa, quebra sigilo
bancário... - e nós achamos lindo e democrático,
com apoio de todos os fiéis de sto. Gramsci, conscientes ou
inconscientes.
Há um tom muito fingido nessa mania denuncista.
É o tom dos que pretendem mascarar perigos reais, desviando
a atenção para detalhes irrelevantes e criando grandes
espetáculos midiáticos sem substância, fingindo
confundir codornas com serpentes. É o tom da mentira maquiavelicamente
calculada (Maquiavel era um dos ídolos de Gramsci), do fingimento
proposital dos que pretendem, colhendo os cacos do Muro, reinstaurar
entre nós o culto a Papai Stálin.