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IDEOLOGIA GLOBAL
11/01/99
O que mais impressiona na nova ordem mundial é que muito poucos
estão acordados o suficiente para perceber os sinais de sua chegada,
menos ainda os valores que ela traz consigo.
Não é de hoje que pilares da esquerda nacional vão
às revistas denunciar a "globalização",
ao mesmo tempo que tudo o que fazem contribui para essa mesma globalização
que tanto odeiam.
Por exemplo, o geógrafo Milton Santos, verdadeiro ídolo
dos nossos esquerdistas. Da boca para fora, ele não se cansa
de dizer que defende a "soberania nacional" contra as temíveis
pretensões globalizantes. No entanto, que políticas ele
defende? Exatamente as mesmas dos negros americanos: affirmative
action, controle cultural etc.
É essa unificação dos propósitos esquerdistas
em todo o mundo uma das características mais evidentes e, ao
mesmo tempo, menos assinaladas da nova ordem. E ela não é
pouco assinalada por acidente, ou apenas porque nossos esquerdistas
são zumbis inconscientes; mais do que isso, é parte de
sua própria estratégia que assim seja.
O objetivo do movimento politicamente correto é transformar
o vocabulário de tal forma que as mentes fiquem paralisadas e
não consigam mais pensar de outro jeito que não os estabelecidos
pelos cânones desse movimento. Como diria um dos principais teóricos
deles, Richard Rorty, o objetivo é inculcar o próprio
modo de falar na cabeça do adversário para que, em
pouco tempo, ele seja obrigado a pensar segundo as categorias e conceitos
do politicamente correto.
Desta forma, somos constantemente bombardeados com informações
de um determinado tipo para que moldemos segundo elas nossos valores
e nossos hábitos – tudo isso feito sem que ninguém perceba
nada.
É nesse contexto que a proibição de certas palavras
e certas expressões deve ser entendida. É também
nesse contexto que deve ser entendido o estímulo à suscetibilidade,
de forma que qualquer coisa que pareça ligeiramente ofensiva
a quem quer que seja se torna imediatamente proibida – e, assim, vão
aos poucos proibindo praticamente tudo.
Por exemplo, é comprovado historicamente que a maior parte dos
integrantes do Partido Nazista eram gays. O nazismo não
pode, pois, de maneira nenhuma ser chamado de anti-gay. E o que fazem
os histéricos militantes do movimento gay? Acusam quem quer que
se lhes oponha de nazista – de tal forma que, daqui a algum tempo, ninguém
mais vai ousar pensar o que quer que seja contra os gays, para não
ser acusado (ou em público ou pela própria consciência)
de nazista.
Da mesma forma, certos valores vão sendo inculcados pela mídia,
pela propaganda, pelos filmes, até que se torne impossível
questioná-los.
Como, por exemplo, questionar hoje em dia a idéia da "democracia
universal"? A idéia de que a democratização
deve ter limites e que certas coisas não podem ser democratizadas,
sob o pretexto de desaparecerem, se torna praticamente impensável
– e o resultado é que vemos sucessivos apelos para que a Igreja
respeite igualmente a opinião de todos os seus membros (não
importa quão herética), ou ainda para que o funk
seja tomado em pé de igualdade com Bach.
Como questionar a "verdade" estabelecida de que todas as
culturas são iguais e igualmente respeitáveis – seja uma
tribo canibal africana, seja a Grécia de Platão e Aristóteles?
Como mostrar que "fé" Ba’hai e islamismo não
estão no mesmo plano, mas em planos infinitamente diferentes,
quando tudo em volta "prova" que religião é
apenas uma questão de opinião, de sentimento, e que, no
fim das contas, todas elas devem se submeter ao Estado – principalmente
ao Estado mundial nascente?
É difícil, principalmente porque, se posto em prática
o "direito penal cultural", que Olavo de Carvalho analisou
em seu livro O futuro do pensamento brasileiro, afirmar todas
essas coisas em breve será crime.
Mas enquanto ainda não são crimes em sentido estrito,
em sentido lato já o são há muito tempo. Qualquer
um que ouse dizer coisas fora dessas regras da polícia do pensamento
politicamente correto estará imediatamente condenado perante
o público e perante a mídia. Será chamado de intolerante,
de xenófobo, e, numa palavra-valise: reacionário.
Aqui no Brasil, para instalar e manter esse cenário, a Rede
Globo não tem poupado esforços. Nas novelas, o Brasil
é sempre mostrado como um país horrível, povoado
por empresários gananciosos e por pessoas racistas. Nas minisséries,
as heroínas são sempre feministas, que "ousaram"
enfrentar a "sociedade conservadora" (v. "Hilda Furacão"
e "Chiquinha Gonzaga"). Dos jornais, é melhor nem falar.
Mas... o que dizer de um programa para crianças? O que dizer
dos tais "Teletubbies"?
Em nenhum dos outros casos, a manipulação das consciências
é feita de forma tão agressiva e, provavelmente, tão
eficaz. Afinal, o período da infância é precisamente
aquele em que moldamos nossos valores fundamentais, é quando
formamos nossa consciência. É nesse período que
estamos mais receptivos a interferências externas, em que opomos
menos resistência às opiniões alheias. Nada mais
lógico, pois, que a lavagem cerebral comece nesse estágio.
Os teletubbies estão chegando!
E já era mesmo de se esperar. Nesses tempos globalistas, é
normal que surja um programa infantil para ser veiculado no mundo todo,
com o intuito de uniformizar as cabeças infantis por toda a parte.
Os valores a ser implantados são, claro, os politicamente corretos,
sob as alcunhas de "tolerância" e "solidariedade".
A trilha sonora, claro, é New Age, usando técnicas neurolingüísticas
de lavagem cerebral sem nenhum pudor.
Estamos, com efeito, assistindo ao surgimento de uma terrível
tirania, nascendo sob os pretextos mais belos possíveis: a democracia
eterna, a paz perpétua, a fraternidade universal, etc. etc.,
e sem que nos demos conta disso. Afinal, o poder nascente não
usa as técnicas antigas de poder: usa técnicas novas de
lavagem cerebral, de moldagem do imaginário coletivo, de manipulação
vernacular.
Assim, as cabeças infantis já estão sendo moldadas
nos parâmetros politicamente corretos desde cedo, até que
fiquem impossibilitadas de pensar qualquer coisa fora deles. E o reino
da ONU dá mais um passo adiante...
NOTA:
É costume da BBC enviar e-mails a todos os sites que contenham fotos
dos Teletubbies e sejam contrários aos mesmos, pedindo aos autores dos
sites que retirem as fotos. Acredito que eles não usarão essa política
com "O Indivíduo", porque, afinal, o site é em português. Que fique
bem claro que não endosso NENHUMA teoria da conspiração envolvendo a
BBC, e MUITO MENOS as teses malucas de que os teletubbies existam realmente.
Isso não impede que eu ache um absurdo essa tentativa de censura a certos
sites.
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