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SERVIÇO DE DESINFORMAÇÃO 09/03/99 Os correspondentes estrangeiros de nossos jornais têm, em geral, uma única função: não deixar que ninguém fique sabendo do que realmente ocorre no mundo. Eles enviam notícias copiadas diretamente da CNN, da Reuters, ou da Associated Press, com ares de quem divulga coisas exclusivas. E essas notícias normalmente vêm truncadas ou modificadas. Existe, claro, um motivo para isso: é que a simples exposição de alguns fatos que ocorrem pelo mundo afora basta para que muitos dos mitos preferidos da mídia brasileira desmoronem. O mais recente exemplo disso foi o sr. Caio Blinder, do jornal O Globo, na edição de 07/03/99. Para falar do político republicano Patrick J. Buchanan, Blinder usa os mesmos adjetivos que sempre caracterizam o que se convencionou chamar de direita: "moralista", "vociferante", "raivoso", "xenófobo" etc. Buchanan, na verdade, é apenas um sujeito de opiniões sinceras e sensatas, não o monstro esquisito que Blinder pinta. É um católico que ataca as políticas de "affirmative action", por considerá-las racistas às avessas (e, portanto, Blinder o chama de racista), ataca o aborto, por ser contra o assassinato de bebês (por isso chamado de moralista), e quer reduzir as taxas de imigração para os Estados Unidos, por considerar o excesso de imigrantes um risco para a manutenção da unidade cultural americana (por isso chamado de xenófobo). E, longe de ser um argumentador raivoso, escreve sempre de forma racional e ponderada. A esquerda brasileira se tem notabilizado por esquecer uma das premissas básicas da democracia: o fato de que os opositores políticos não são casos de polícia, nem devem ser internados em sanatórios; são apenas pessoas que pensam de forma diferente. Abolida essa premissa, toda possibilidade de tolerância democrática some junto, e o debate político é transformado numa disputa maniqueísta que terminará com a abolição do mais fraco. Aqui no Brasil, essa disputa já está tão avançada que qualquer opinião que cheire a conservadorismo - com as opiniões de Buchanan - tornaram-se impensáveis e, no fim das contas, serão casos de polícia, como o racismo, ou sinais de algum problema patológico, como o xenofobismo. A única argumentação cabível, então, é a denunciação do criminoso. Foi precisamente isso o que Blinder fez com Buchanan, impedindo o público brasileiro de tomar conhecimento de um dos políticos mais sensatos do mundo. Existe, ainda, uma outra razão pela qual Buchanan é tão incômodo para nossos correspondentes: é que ele mostra os riscos da globalização para os estados nacionais, e mostra como o admirável mundo novo que se forma é uma ameaça também à soberania americana. Para quem está acostumado a identificar globalização e imperialismo ianque, ver um político conservador americano denunciar esse processo como uma ameaça aos Estados Unidos requer, no mínimo, que se pense um pouco mais sobre o assunto. E isso ninguém quer fazer...
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