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SEMANA DE DEMÊNCIA RACISTA
Estamos em tempos politicamente corretos, e sempre há um grupo
de vítimas em evidência. Na semana que está começando,
serão os negros. Dia 20 de novembro é dia de Zumbi, e
o movimento negro aproveita para celebrar a "semana de consciência
negra".
Agora, eu pergunto: seria absurdo fazer uma "semana de consciência
judaica"? É claro que não. A resposta é óbvia,
porque os judeus têm uma unidade cultural, podem celebrar uma
história comum, uma origem comum. Embora tenham se dispersado
pelo mundo e se inserido em diversas culturas diferentes, permanecem
certas características culturais que permitem que se fale em
uma unidade do povo judaico.
O que, no entanto, os negros celebrarão? Uma cultura comum?
Qual é a cultura comum do "povo negro"? Existe algum
tipo de identidade cultural entre os feiticeiros animistas no Sudão,
os protestantes nos Estados Unidos, os praticantes do candomblé
na Bahia, os muçulmanos no Marrocos?
A única coisa em comum é a raça - e por raça
entenda-se a cor da pele. Agora, por que diabos a cor da pele é
motivo de celebração? Ela é um mérito, um
motivo de orgulho? Normalmente, entende-se por motivo de orgulho aquilo
que o indivíduo conquistou com esforços próprios,
aquilo que ele conseguiu realizar na sua vida. Por que orgulhar-se de
algo que lhe veio de nascimento, algo que independe da sua vontade?
Os próprios líderes do movimento negro percebem que a
celebração exclusivamente da raça é um pretexto
muito frágil para um movimento político, e falam em celebração
da cultura negra. Mas não se sabe exatamente o que é essa
cultura negra. Ela, normalmente, é entendida como a cultura "da
África", mas nunca existiu uma unidade cultural africana.
E, aqui, aparece o paradoxo maior das celebrações do movimento
negro: ao mesmo tempo que pretendem celebrar uma fictícia cultura
africana, eles pretendem conquistar novos direitos nas sociedades industrializadas
e democráticas modernas. E é certo que, desses direitos,
o primeiro - e mais importante - que conquistaram foi o de não
ser escravizados.
Ora, alguém aí, por favor, me diga como se diz "dignidade
da pessoa humana" em banto? Como, na cultura yoruba, se desenvolveu
a noção de "direitos humanos"? Qual a tribo
africana que aboliu a prática de escravizar os inimigos vencidos?
Nada disso é possível, e a razão é muito
simples: a noção de pessoa humana é produto da
cultura cristã. Foi o cristianismo, com sua mensagem de salvação
universal, com sua celebração do Deus que se oferece em
sacrifício pela humanidade inteira, que desenvolveu a noção
de que cada vida humana é valorosa e de que existe uma igualdade
fundamental entre os seres humanos. Foi sob esta influência que
o mundo ocidental aboliu a escravidão, e a considerou uma prática
odiosa.
O historiador português Jorge Couto, no seu recente livro sobre
a formação brasileira, conta os vários conflitos
que se desenrolaram entre os senhores de escravos e os jesuítas,
porque estes não admitiam o tratamento que alguns daqueles davam
a seus escravos, e aqueles buscaram frustrar os esforços dos
jesuítas para converter os escravos. Isto porque, convertidos,
eles estariam numa religião que não admite uma diferença
de espécie entre os seres humanos, que não admite que
o senhor é naturalmente superior ao escravo e, portanto, afirma
que todos têm direitos fundamentais - direitos decorrentes da
"dignidade da pessoa humana".
No entanto, os líderes negros atuais não querem saber
de cultura ocidental ou de cristianismo. Eles não querem celebrar
a cultura que os libertou, mas sim a que aprisionava seus antepassados.
Recentemente, em entrevista à revista "Raça",
um desses líderes pregava que as escolas deveriam ensinar história
africana às crianças negras, deveriam enfatizar a cultura
tribal afro.
Essa opinião secessionista é característica do
movimento negro. Eles querem um Brasil próprio, querem se livrar
de uma cultura que, segundo eles, lhes foi imposta. Mas se houve alguma
imposição, é importante não esquecer que
os próprios membros das culturas tribais contribuíram
para ela. Agora, eles querem se separar de uma cultura que nunca os
rejeitou, que começou por escravizá-los mas acabou por
libertá-los, e voltar para uma que não só os escravizou
como os expatriou, a "cultura" de um continente de várias
culturas, algumas das quais adotam a escravidão até hoje
e outras das quais ficaram reféns de tiranos marxistas financiados
pelas potências ocidentais.
Não faz sentido nenhum tentar criar uma "nação
negra" à parte do resto do Brasil, porque a cultura brasileira
se fundou na união e na tolerância entre as raças.
Os negros não têm, aqui, o progresso econômico que
tiveram os negros americanos, mas, primeiro, ninguém no Brasil
teve o progresso econômico dos americanos e, segundo, em compensação,
nunca criamos guetos para negros, nunca criamos mundos raciais separados.
Existe muito a se fazer pela unidade nacional, existe muito a se fazer
pelo desenvolvimento econômico e cultural do Brasil, mas essa
é uma tarefa de todos e que nunca se fará através
do acirramento de ódios raciais.
Esse acirramento só terá o efeito oposto: servirá
para nos dividir, para jogar brasileiros contra brasileiros, para enfraquecer
nosso país e torná-lo mais suscetível à
dominação dos novos senhores do mundo e seu ódio
às nações.
Vale, agora, fazer algumas distinções necessárias.
É ridículo chamar de racista um artigo que critica a exaltação
de uma raça em relação às outras. Mais do
que isso: é inteiramente diferente criticar a raça negra
e criticar seus auto-proclamados líderes. Esses líderes
não são líderes de coisa nenhuma; como diz Thomas
Sowell, eles são tão amigos dos negros quanto Iago era
amigo de Otelo. Embora não tenham as mesmas intenções
maliciosas de Iago, o resultado de suas ações é
tão destrutivo quanto o das ações de Iago. Ao incentivar
o ressentimento, incentivar a dependência do paternalismo estatal,
eles estão prejudicando os negros - e não admitem contestações,
porque querem ter o monopólio do anti-racismo, querem ser considerados
os únicos beneméritos da raça negra. Para eles,
vale o seguinte recado: eu gosto dos negros, mas eu não gosto
nem um pouquinho de vocês, e acho que a melhor coisa que eles
fariam é esquecer vocês. Digo mais: vocês se enquadram
perfeitamente no que disse o herói negro americano Booker T.
Washington: "Há uma classe de pessoas de cor cuja ocupação
na vida é manter os problemas e as dificuldades da raça
negra diante do público. Algumas dessas pessoas não querem
que a vida dos negros melhore, porque elas não querem perder
seus empregos." No caso de vocês, aliás, empregos
financiados por ONGs e fundações pilantrópicas
internacionais.
Alguns poderão aproveitar a acusação de racismo
para lançá-la sobre a distinção que fiz
entre a cultura cristã ocidental e a (inexistente) cultura afro.
A resposta, mais do que óbvia, é a seguinte: ou vocês
querem igualdade racial ou querem igualdade cultural. A igualdade racial
só pode existir dentro da cultura que a admite. Só na
cultura cristã, que proclama a igualdade fundamental entre os
indivíduos, há igualdade racial. É impossível
a convivência de uma cultura escravagista e com outra igualitária
- e, portanto, é impossível admitimos a igualdade racial
e a igualdade cultural ao mesmo tempo. Façam sua escolha. Eu
já fiz a minha.
16/11/00
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