CIÊNCIA OU MACAQUICE?

07/02/99 

Estamos em tempos chamados "científicos". Hoje em dia, para que um discurso tenha credibilidade instantânea e imediata, basta que ele se apresente como representativo da opinião da "comunidade científica".

Na cabeça de muitos – e inclusive na dos próprios cientistas – a simples apresentação de uma idéia como sendo aprovada pela comunidade científica basta para que essa idéia seja imediatamente tomada como verdadeira. "Verdade científica" é vista como uma expressão quase pleonástica.

Acontece que, ao mesmo tempo que a credibilidade do discurso científico foi aumentando para a opinião pública, a qualidade da ciência foi decaindo de forma progressiva, ao ponto de hoje em dia a "comunidade" acreditar em idiotices como as teorias de determinismo genético (discutidas em outro artigo).

Desta forma, coisas cuja falta de fundamento salta aos olhos são acreditadas piamente por todos. Resultado: o poder social dos cientistas aumenta, e leis são criadas com base em teses evidentemente erradas (o que os americanos chamam de "junk science").

Até mesmo a Igreja Católica caiu na patacoada de dar credibilidade instantânea às descobertas científicas, como mostra a edição do novo rito de exorcismo, destinada a "adequar-se às descobertas da ciência moderna sobre o mal" – como se a ciência moderna pudesse, até mesmo em hipótese, ter o grau de certeza da ciência teológica; ou como se a revelação devesse se curvar a alguma idiotice provisória.

Um jornalista palpiteiro, inclusive, noticiando esse novo ritual, afirmou, em tom de deboche, que "nenhum cientista moderno tenta medir o diabo num tubo de ensaio": eis uma frase que elucida com perfeição essa credibilidade automática de que trato aqui. A medida no tubo de ensaio não é, de forma alguma, o critério supremo para a obtenção da verdade, muito menos em assuntos de ordem metafísica.

Ora, a comunidade científica não pode ser a instância superior a julgar suas próprias ações; aquilo que a comunidade científica aceita como verdade pode – e deve – ser julgado pelo indivíduo pensante, dotado de lógica e bom senso. A ciência precisa atender a determinados requisitos lógicos para que seja realmente ciência, e não ideologia ou instrumento de controle social.

Se os métodos usados para a obtenção de um conhecimento dito científico são claramente falhos; se as condições necessárias são confundidas com acidentes; se o cientista faz uma transposição de gêneros, tirando conclusões sobre um objeto a partir do conhecimento de outros – se qualquer dessas coisas acontece, o conhecimento obtido não tem nada de científico.

Essa sutileza é freqüentemente ocultada da opinião pública, até porque a imprensa não tem a menor noção de que ela exista. Isso ocorre principalmente em assuntos que digam respeito a alguma aplicação política, e em que grandes quantias de dinheiro estão envolvidas.

Um belo exemplo é o tal de "aquecimento global": enquanto o vice-presidente americano Al Gore anda pelo mundo recomendando que se façam leis para preveni-lo, ou defendendo o aborto de crianças nos países pobres para impedir maior aquecimento da Terra, o que ele está fazendo é simplesmente usar "junk science" para defender suas próprias propostas globalistas. Isso porque medições recentes mostra que não há aquecimento global nenhum, ao menos não causado por humanos.

Pois bem: nenhum outro tema científico desperta tanta atenção midática, tanto barulho de tantas organizações e – principalmente – tanto dinheiro quanto as pesquisas sobre AIDS.

Num contexto desses, é compreensível que os cientistas que estudam a doença apareçam com uma "nova descoberta" periodicamente. No mínimo, é como um comerciante fazendo propaganda de seu negócio.

Não vai aqui uma crítica geral às pesquisas sobre AIDS – pelo menos não por enquanto. Vai, sim, uma crítica à descoberta anunciada esta semana, com ampla divulgação na mídia. Eis como a versão eletrônica do London Telegraph deu a notícia, em 01/02/99:

"A AIDS começou com os humanos comendo chimpanzés (manchete). Cientistas descobriram que HIV-1, o vírus que causa AIDS nos seres humanos, se origina numa espécie ameaçada de chimpanzés encontrada na floresta tropical da África central."

Até aí, tudo bem – ou quase. É verdade que, há muito tempo, os cientistas acreditam que o HIV-1 pode ter sido transmitido dos chimpanzés para os seres humanos. No início da década de 80, entre 400 chimpanzés testados pelo SIV cpz (Simian Immune Virus, que seria o similar simiesco do HIV-1), somente três chimpanzés o tinham, e um deles tinha um vírus tão diferente do HIV-1 que os cientistas quase jogaram a hipótese fora.

Pouco depois, a Dra. Beatrice Hahn provou que fazer isso seria jogar o bebê fora com a água do banho. Ela usou a técnica de reação em cadeia de polimerase (PCR) para recuperar os vírus contidos em tecidos congelados de um chimpanzé morto há algum tempo. Assim, conseguiu identificar naquele chimpanzé um vírus bastante similar ao HIV-1, e também ao vírus dos outros dois chimpanzés.

Todos os três chimpanzés eram membros da subespécie Pan troglodites troglodites, normalmente encontrada no mesmo lugar em que o HIV-1 fora identificado em seres humanos.

Interessante, mas... como tirar uma conclusão definitiva disso aí? Eu respondo: não é possível. Que três chimpanzés tenham um vírus semelhante ao HIV, e que eles tenham sido encontrados na mesma região do HIV, não prova que o HIV tenha necessariamente sido transmitido dos chimpanzés para os homens. Isso é, no máximo, um indício, não uma prova conclusiva. Faltam mais experiências e falta uma explicação para o seguinte fato: como diabos a transmissão pode ter sido feita dos chimpanzés para os seres humanos?

A explicação oferecida pelos cientistas é idiota de dar dó. Na verdade, eles parecem estar meio em dúvida, e as matérias a respeito são meio dúbias, oferecendo duas explicações, uma mais risível que a outra.

No título da matéria, lemos que a transmissão se deu porque os africanos comiam os chimpanzés (no sentido gastronômico do termo, por favor). Restaria explicar por que diabos a AIDS só teria surgido agora, já que os africanos comem macacos há milênios.

Alguns argumentaram que, com a caça, o número de macacos mortos aumentou. Sim, mas o aumento da matança de macacos pela caça não se dá com o objetivo de aumentar o consumo de macacos per capita. Pelo contrário, mais macacos são mortos justamente pela razão oposta: para que sejam vendidos.

Até aí, portanto, nem mesmo uma vaga explicação de como o HIV foi parar dos macacos nos homens. Vejamos a outra explicação, diretamente da dra. Hahn (a fonte é a mesma, London Telegraph de 01/02):

"A dra. Hahn acredita que o HIV-1 foi introduzido na população humana através da exposição ao sangue enquanto caçavam os animais, e pode ter ocorrido ao longo da História. A destruição dos estilos de vida tradicionais, a urbanização crescente, a agitação civil e a promiscuidade sexual após a Segunda Guerra Mundial provavelmente aumentaram a velocidade de transmissão do vírus e lançaram a epidemia."

Percebem a bobagem? Vou tornar as coisas mais explícitas:

1) Como diabos a possibilidade de exposição ao vírus pode ser maior pelo contato com sangue do animal durante a caça do que comendo o animal? Quer dizer que se eu encostar no sangue de um aidético, vou pegar AIDS também? Claro que não, e o motivo é simples: você tocar no sangue do macaco, ou do aidético, não garante que o vírus contido no sangue vá penetrar na sua corrente sangüínea e infectá-la.

2) "Urbanização crescente"? Na África central? A grosso modo, os países da África Central são Quênia, Tanzânia, Uganda e Ruanda – nenhum deles conhecido especialmente pela sua modernização, pelo seu progresso econômico, pela sua agitação social e muito menos pela sua mobilidade social. Como se vê, a dra. Hahn leva um zero em sociologia.

3) Mesmo que as duas outras objeções não existissem, mesmo que fosse plausível que o simples contato com o sangue dos macacos fosse suficiente para contaminar os caçadores, e que na África central realmente a sexualidade fosse tão promíscua quanto, digamos, em San Francisco, restaria explicar como diabos a contaminação de alguns caçadores causaria uma "epidemia" mundial. Afinal, a caça com fins lucrativos é uma atividade restrita, praticada por apenas alguns membros da sociedade – e não necessariamente os membros mais ativos socialmente. Imaginem a probabilidade de, digamos, uma centena de africanos caçadores contaminados espalharem essa contaminação pelo mundo inteiro: cada um deles teria que ter relações com um grande número de mulheres e/ou homens, os quais, por sua vez, teriam de ter relações com muitos americanos, os quais, por sua vez, ao retornar aos EUA, teriam de ser muito ativos sexualmente. A probabilidade dessa reação em cadeia é muito baixa, para dizer o mínimo.

De tal forma que é leviano mostrar essas suposições como um fato científico comprovado. São apenas especulações – e de nível bastante baixo.

Agora, vamos levar nosso questionamento do establishment "científico" da AIDS um pouco mais longe. Suponhamos que, realmente, ficasse provado que os macacos transmitiram o SIV dpz para os africanos e que daí tenha surgido o HIV-1, embora tudo isso seja, ao menos no estágio atual das investigações, altamente improvável. Restaria explicar o seguinte fato, conhecido por qualquer microbiologista: em todos os casos conhecidos de vírus que migram de uma espécie para outra, o vírus se torna menos patogênico, não mais. É com base nesse princípio que as vacinas operam e funcionam. No caso dos macacos, os próprios não tinham AIDS, não tinham nenhum sintoma; o vírus simplesmente não fazia mal aos seus organismos na mesma medida que faz a um organismo humano. Por que, então, o HIV-1 seria o único vírus com o qual o contrário aconteceria? Por que essa exclusividade?

Mistério. E as coisas se tornam mais misteriosas ainda quando lemos um texto do Prêmio Nobel de Química de 1993, Kary Mullis, o homem que inventou o método PCR usado pela dra. Hahn, em que ele conta simplesmente o seguinte: não existe nenhum trabalho que correlacione HIV e AIDS. Ninguém nunca fez uma prova dessa correlação – e eu não estou brincando.

Qual a solução desse mistério (e de muitos outros que cercam a questão AIDS/HIV)? Eu não sei. Mas no mínimo fica óbvio que não existem tantas certezas nesse assunto quanto o establishment científico quer nos fazer acreditar. É preciso lembrar que bilhões são gastos em pesquisas que partem do pressuposto de que o HIV causa AIDS, sem jamais questioná-lo ou procurar a comprovação científica dele. Não é de espantar que cheguem a conclusões fantasiosas como a pesquisa da dra. Hahn.

É de espantar, sim, que ninguém tenha coragem de berrar que o rei está nu. É de espantar que só uns poucos ousem desafiar a arrogância da "comunidade científica" e seu desejo de nos impingir bobagens como se fossem ciência. O resultado disso, em vários casos (aquecimento global, cigarros), será um decréscimo significativo na nossa liberdade. No caso da AIDS, será mais grave: a morte de milhões de pessoas, graças a um erro básico no estudo da doença, e à pretensiosa arrogância de alguns pseudo-cientistas.

 

APÊNDICE:

Quem quiser se aprofundar na discussão deste assunto (apenas arranhado aqui), deve recorrer ao site do dr. Peter Duesberg (http://www.duesberg.com), onde estão disponíveis inúmeros artigos sobre AIDS/HIV, inclusive o supracitado texto de Kary Mullis.