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DEBATE DE BÁRBAROS
28/04/00
A Suprema Corte americana começou a votar, esta semana, a constitucionalidade
de uma lei de Nebraska proibindo os abortos de "parto parcial"
[a decisão saiu algum tempo depois: a lei
foi considerada inconstitucional, em mais uma das decisões judiciais
mais absurdas da história humana. - nota acrescentada
em 2001]. Esses abortos são feitos nos últimos meses
de gravidez - seis, sete meses em diante, até mesmo um dia antes
do eventual parto - e funcionam da seguinte maneira: o bebê é
retirado do útero da mãe até a altura do pescoço,
ficando só a sua cabeça dentro da mãe; o "médico",
então, insere uma tesoura no pescoço do bebê e rompe
a coluna cervical. A cabeça, então, é sugada, com
a destruição do crânio. Se o bebê fosse retirado
inteiro do útero e morto depois, seria infanticídio -
rompendo a coluna cervical, é "apenas" um aborto, e
aí só uns "fascistas homicidas" que põem
bombas em clínicas de aborto se escandalizam, certo?
Bom, pelo menos em Nebraska os legisladores acham que não faz
diferença - é infanticídio de qualquer maneira
e, como tal, proibido. Mas o lobby abortista acha que o Estado não
deve "legislar sobre isso" - engraçado, porque essas
são as mesmas pessoas quem acham que o Estado deve legislar sobre
quantas armas você tem em casa, quantos filhos você pode
ter, o que as escolas vão ensinar, quantos cigarros por dia você
pode fumar e não sei mais quantas coisas, e elas agora vêm
defender o direito à privacidade (nunca é demais lembrar
que, numa das decisões judiciais mais bizarras da história
da humanidade, a Suprema Corte americana disse que o direito ao aborto
é garantido pelo direito à privacidade, que, aliás,
nem é previsto na Constituição americana). O Estado
não deve proibir você de matar seu próprio filho,
mas deve proibir você de educá-lo em casa e não
mandá-lo para a escola. Lógica mui peculiar.
Mesmo assim, há argumentos "médicos" no caso.
Trata-se, dizem alguns, da "integridade corporal" da mulher.
Como se o feto fosse parte do corpo da mulher, e não um corpo
próprio. É inacreditável vermos médicos
que não sabem nem mesmo o que é um organismo. Outros dizem
que o aborto de parto parcial é necessário para a "saúde"
da mulher. Mas eu ouvi na EWTN um padre perguntar ao promotor do caso
(que está tentando barrar a lei) quais os casos de risco para
a saúde da mulher que exigem o parto parcial, e o promotor só
conseguiu titubear e dizer "well...", não apresentando
nenhum caso. E na American Medical News de 20 de novembro de 1995, o
"médico" que mais faz abortos de parto parcial disse
que em 80% dos casos esse tipo de aborto é "puramente opcional".
Já a Planned Parenthood (também conhecida como Abortion
Inc.) diz que não existe aborto de parto parcial, que o médico
simplesmente retira um cadáver de dentro da mãe, porque
a anestesia geral dada à mãe já mata o bebê.
Essa explicação seria apenas cínica, se não
fosse também mentirosa. Como diz o vice-presidente da Sociedade
de Anestesia Obstétrica dos EUA, "a anestesia só
mata um bebê se matar junto a mãe" (World, 13 de janeiro
de 1996). A verdade, segundo dois "médicos" que costumam
praticar esse tipo de aborto (em depoimento publicado na AMN em 05 de
julho de 1993), é que os bebês abortados dessa maneira
ficam vivos até o final do procedimento. Quer dizer: até
que suas cabeças sejam separadas do resto de seus corpos.
Mais nojento do que a prática em si é o motivo pelo qual
ela se tornou tão popular: se os bebês são abortados
dessa maneira, seus órgãos ficam intactos e, portanto,
mais aproveitáveis e, portanto, custam mais caro e, portanto,
dão mais lucros. Coisa de altíssimo nível moral.
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