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MARXISMO OBRIGATÓRIO
13/04/00
A Universidade Federal de Goiás, UFGO, propôs em seu vestibular
de História a seguinte questão: "A reforma protestante
(séc. XVI) respondia às necessidades de mudança
ideológica de sua época. Justifique essa afirmativa."
Porca miséria, que raio de coisa será "necessidade
de mudança ideológica de uma época"? Que fantasmagoria
é essa? Inevitavelmente, caminharemos no sentido do marxismo
de botequim: a "burguesia" estava em ascensão, e precisava
de uma justificativa ideológica para suas ações,
e o protestantismo forneceu essa justificativa.
Os sábios autores da pergunta não parecem ver nenhum
problema no fato de que a expansão capitalista só tenha
se dado mesmo alguns séculos depois, nem no fato de que Lutero
tenha se aliado não à burguesia, mas à aristocracia
alemã, nem mesmo no fato de que, se o protestantismo serviu mesmo
para impulsionar o capitalismo, isso tenha acontecido principalmente
na Inglaterra e nos Estados Unidos, países nos quais o surgimento
do protestantismo nada teve a ver com a reforma de Lutero.
Mas o fato de a pergunta ter uma base factual totalmente absurda nem
mesmo é a pior coisa a respeito dela. O pior é que ela
serve para desenvolver nos estudantes o cacoete mental do marxismo.
Esse cacoete consistirá em enxergar na história a preponderância
dos fatos econômicos, das "relações de produção".
Em tudo, eles verão uma ação mágica da economia
para produzir as mudanças culturais, religiosas, intelectuais,
políticas etc.
Se surgiu o protestantismo, foi por causa do capitalismo; se a Igreja
católica condenava a usura, foi por causa de sua "aliança
com a nobreza"; se os jesuítas vieram para as colônias
portuguesas catequizar os índios, foi para "legitimar a
ação do Estado português em busca de metais preciosos";
e assim por diante, em explicações que conhecemos bem.
Não serão oferecidas explicações de nenhum
outro tipo, nenhuma outra visão do movimento da história
chegará ao conhecimento dos estudantes, nada além do reducionismo
economicista do marxismo. Notem que a questão nem mesmo permite
que o estudante discuta a afirmação, devendo simplesmente
"justificá-la". Se isso não é imposição
ideológica, o que o é?
Isso, claro, tem um aspecto demencial, e serve para diminuir radicalmente
a esfera de percepção do estudante, enchendo sua cabeça
de concepções pueris. Essa lavagem cerebral, feita em
grande escala, tornará os estudantes praticamente incapacitados
para entender o que quer que seja na história humana. Mas certamente
os deixará mais predispostos a aceitar a revolução
em nome das "reivindicações populares" e das
"forças econômicas da História".
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Enquanto isso, na Universidade de Michigan, acaba de ser criado o curso
"How to be gay: male homossexuality and initiation" ("Como
ser gay: iniciação e homossexualidade masculina"),
que vai "examinar o tópico geral do papel que a iniciação
desempenha na formação da 'identidade gay' através
da literatura gay, da 'cultura do músculo', dos musicais
da Broadway e da decoração de interiores."
Não é deprimente para a inteligência humana que
a academia esteja preocupada com temas tão baixos, tão
rasteiros, tão tolos?
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