|
Mais sobre a baderna na UFRJ, um episódio muito elucidativo do estado do ensino universitário brasileiro: Opção preferencial pela incoerência e Juventude manipulada
|
LEVIATÃ MOSTRA O RABO 07/08/00 Mesmo correndo o risco de me tornar repetitivo, volto a tratar do caso UFRJ, dessa vez sob outro ponto de vista. Vejam só a cartinha que o sr. Carlos Nelson Coutinho publicou dia 07 de Agosto de 98, na Folha de São Paulo: "Os editoriais da Folha, com muita frequência, entram em aberta contradição com a realidade dos fatos registrados pelos repórteres e colunistas desse mesmo jornal. Para confirmar isso, basta comparar, na edição de 29/7, o pífio editorial "Estudantada grosseira' com o excelente artigo "Ivo vê a uva. Vilhena, a Vigibrás', do jornalista Elio Gaspari.Ambos tratam da crise que o governo FHC introduziu na UFRJ, ao nomear para a sua reitoria um professor repudiado por 90% do seu corpo acadêmico. Mas, enquanto o editorial deforma os fatos, o artigo de Gaspari constata a realidade. A Folha, aliás, não é o único órgão de imprensa a incidir nessa esquizofrenia - que deveria, de resto, ser tema da ombudsman do jornal." Carlos Nelson Coutinho, professor titular da UFRJ -Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ) A Folha ainda colocou essa nota:Nota da Redação - Os colunistas da Folha são livres para expressar suas idéias, opiniões e interpretações dos fatos. Como se vê, o sr. Carlos Nelson Coutinho, notório difusor das idéias gramscianas por estas terras, e velho apologista do regime cubano, resolveu pregar ostensivamente o controle da imprensa e a uniformização. Para uma mente esquerdista radical, liberdade de imprensa só pode mesmo ser “esquizofrenia”. Agora, veja o leitor: se o sr. Coutinho quer controlar a imprensa, que está longe dele, imagine o que ele não quer fazer (e, efetivamente, faz) na Universidade onde dá aula? Alguém que quer controlar até a casa alheia, não será um déspota em casa? Está aí, mais uma vez, comprovado o óbvio: a crise na UFRJ nada tem a ver com democracia ou liberdade acadêmica. Tem a ver com controle das verbas estatais e com a dominação ideológica das mentes universitárias. Já há muito, as universidades deixaram de ser centros de ensino ou de busca de conhecimento para tornar-se celeiros de militantes. A dominação exercida sobre mentes frágeis de adolescentes por seus professores tem em vista torná-los subservientes e receptivos às sugestões mais absurdas, às idéias mais contraditórias. Um belo exemplo dessa contradição são trechos de um livro publicados na mesma Folha, no mesmo dia. É o livro de memórias de Ariel Dorfman, militante comunista célebre por sua peça “A Morte e a Donzela” e por sua explicação paranóica das histórias de Walt Disney, “Para ler o Pato Donald”, em que o tal pato era identificado como agente do imperialismo americano. Dorfman, justificando sua militância, escreve a seguinte coisa: “Não há nada mais forte, extraordinário e humano do que as pessoas estarem livres”. E logo vem um séquito aplaudir a grande pregação libertária. E ninguém se dá conta de que o regime preconizado por Dorfman e por Carlos Nelson Coutinho é incompatível com a liberdade, de que essa pretensa defesa da liberdade é uma mentira pura e simples, feita para enganar trouxas e comover adolescentes idiotizados. Ninguém se dá conta de que um sistema onde o Estado controle toda a economia só pode degenerar em totalitarismo, pelo simples fato de que quem for contra o Estado não terá como se sustentar. Esse tipo de obviedade passa desapercebido, assim como a extrema contradição entre a defesa da universidade estatal e da liberdade acadêmica. Como é que uma universidade pode ser livre, se ela funciona com dinheiro do contribuinte? É um contra-senso. E todos os dias somos bombardeados por contra-sensos desse tipo. Todo dia a imprensa nos apresenta espetáculos de desinformação e mistificação, onde as palavras acabam querendo dizer o oposto do que dizem, onde a realidade fica encoberta por um véu propositadamente colocado para impedir-nos de enxergar por trás da escuridão. Mas o mentiroso sempre acaba tirando a máscara. Leviatã sempre mostra o pedacinho do rabo. É a esses instantes que as pessoas lúcidas têm de se agarrar, se querem entender o que está por trás de tanto discurso inflamado, de tanta boa intenção. A baderna de uns meninotes na UFRJ, seguida pela carta do prof. Coutinho, é um desses instantes. Só não vê quem não quer. E até entendo quem não quer: o que há para ver é, para dizer o mínimo, horrível.
|