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Quarta-feira, Outubro 10, 2001

Observação importante sobre o imperialismo

É certamente animador que os americanos não estejam falando em "construir uma nova nação" no Afeganistão, e que estejam se esforçando para se distanciar da "Aliança do Norte", o grupo de oposição aos talibãs (oposição para disputar o controle das plantações de papoula...), embora haja vozes na administração Bush (especialmente Paul Wolfowitz, que Jude Wanniski corretamente classificou de "um dos homens mais perigosos do mundo", por seus insanos planos de guerra contra todo o mundo árabe) clamando por um novo esforço imperialista na Ásia, e apesar dos planos de Tony Blair para uma imposição mundial da social-democracia.

O fato é que a tendência dos povos, diante do imperialismo, é unir-se em torno de seus governantes, por mais cretinos e tirânicos. A ditadura de Milosevic na Sérvia estava prestes a ruir por força da oposição interna, mas os bombardeios da OTAN deram novo vigor a seu governo, que demorou mais a cair. As sanções econômicas certamente ajudam a manter outros tiranos como Saddam Hussein e Fidel Castro no poder, porque permitem que eles idenfiquem um inimigo externo como responsável por todas as mazelas de seus países. Daí a importante observação de Joseph Stromberg, numa frase de seu excelente ensaio sobre a Guerra de Independência do Sul americano (em PDF):

"Parece ser uma regra da história moderna que revoluções burguesas derrotadas e postergadas tendem a reemergir em formas distorcidas, racistas e 'fascistas'; o imperialismo tipicamente leva suas vítimas a apegar-se a más instituições e más idéias (muito mais do que o mero interesse levaria)."

Eis uma lição a ser lembrada no curso da atual guerra, como um motivo para resistir à tentação de "criar instituições democráticas" - através de bombardeios! - no Afeganistão. Ou no Paquistão, ou no Iraque, ou onde quer que seja. Justin Raimondo sintetiza bem a questão:

"In an ideal world, the US would go in, get Osama, and get the h*ll out. For even a pacifist will have to admit that future acts of terrorism, such as the 9/11 atrocity, must be deterred – and justice must be served. The 6,000-plus victims of the 9/11 attacks must be avenged, and that's what the American people want: vengeance exacted from the perpetrators, not the military occupation of Afghanistan, not the equivalent of a new cold war, not a holy war against Islam and its nearly one-billion adherents worldwide."
postado por Alvaro Velloso 8:39 PM

Mercadorias são apreendidas por apologia de droga

"O promotor da infância Márcio Mothé comandou uma operação para apreender mercadorias que fariam apologia à maconha de quatro filiais de loja Osklen. As apreensões, por uma equipe da 2 Vara da Infância e Juventude e da Força-Tarefa da Secretaria de Segurança Pública, foram feitas nos shoppings Rio Sul, BarraShopping, Fashion Mall e Iguatemi. Mais de 600 peças, entre camisetas, calças, bonés e bolsas com a imagem da erva foram retirados das lojas.

"— A equipe médica que atende jovens viciados ligada ao MP recebeu uma denúncia anônima e chegou a comprar uma mercadoria dessa marca. A partir daí, foi montada a operação. Já foi constatada apologia ao crime — disse o promotor.

"Algumas peças são feitas de cânhamo, que será levado para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli para análise. Os produtos fazem parte de uma coleção chamada 'Hemp Products'. O MP ainda vai estudar qual punição sofrerá a loja."

Porca miséria, essa gente não tem o que fazer?!

Essas perigosíssimas roupas estão à venda há mais de um ano, e ninguém tinha reclamado; aí vem um cretino (provavelmente uma "mãe preocupada" ou um daqueles sujeitos com vocação para bisbilhotar a vida alheia) e faz a "denúncia" desse crime temível; pronto, está armado o circo para a intervenção dos "protetores da sociedade".

Uma dúvida: minha irmã tem uma camisa dessas; será que, se ela voltar a sair com ela nas ruas, também será presa por "apologia do crime" (pena de detenção de 3 a 6 meses)? Ou só sua camisa será apreendida? E, ficando sem camisa, ela será então presa por "ato obsceno" (pena de detenção de 3 meses a 1 ano)?

Eu entendo que tenhamos o crime de "incitação ao crime", desde que a incitação seja eficiente para levar ao crime - isto é, um maluco berrando em praça pública que o presidente deve ser assassinado é bem diferente de um líder de movimento político pregando para os membros do movimento o assassinato dos "latifundiários" - até porque as "tropas de linchamento" costumam começar dessa maneira. Mas já não passa da hora de abolirmos do Código Penal essa excrescência de "apologia do crime", que não protege nenhum bem relevante (a não ser o conforto dos políticos consigo mesmos), não põe a vida nem a propriedade de ninguém em risco, e ainda viola o direito de livre expressão?

Notem a que situação ridícula poderíamos chegar: se um cientista americano que estuda os efeitos médicos do consumo de maconha - em vários casos um eficiente redutor das dores provocadas por doenças graves - viesse ao Brasil, ele seria preso. Se o Alan Bock viesse ao Brasil fazer uma palestra sobre seu livro "Waiting to Inhale", sobre a maconha medicinal, ele também seria preso!

É óbvio que numa sociedade sã fumar (ou vender) um cigarro de maconha também não deveria ser crime, mas, sem chegar a isso, podemos pelo menos começar a restaurar a sanidade, deixando de considerar crime o simples ato de defender o consumo de maconha - ou de defender qualquer crime. É o cúmulo do paternalismo socialista desejar que o Estado nos proteja contra opiniões e idéias.
postado por Alvaro Velloso 8:22 PM

Viva o Brasil politicamente incorreto!

Ancelmo Góis não gostou (tanto que intitulou sua nota "O lado escuro"), mas é impossível não vibrar com a notícia:

"O Brasil cresce como exportador de produtos politicamente incorretos.

"A venda de fumo aumentou 11% este ano: a receita deve beirar a casa de US$ 1 bilhão [isso sem contar o que é contrabandeado - isto é, atravessa o país sem servir para enriquecer parasitas na Alfândega - que segundo a Receita Federal soma 1,85 bilhão de maços!].

"As exportações de madeira - US$ 1,6 bilhão no ano passado - já superavam a de café."
postado por Alvaro Velloso 8:00 PM

Cigarros contrabandeados: apreensão dobra

"A Receita Federal conseguiu ampliar em mais de 100% o número de apreensões e destruições de maços de cigarro contrabandeados no país entre 1999 e 2001. Até agosto deste ano, já foram destruídos 61,4 milhões de maços contra os 24,5 milhões destruídos em 1999."

Essa é a má notícia. A boa notícia é que o Estado nunca conseguirá acompanhar o dinamismo do mercado e, portanto:

"o número atual [de apreensões] representa somente 5,7% do total de embalagens que são contrabandeadas no mercado brasileiro a cada ano."

A outra boa notícia é que os brasileiros não confiam nas campanhas "educacionais" do Ministério da Saúde (o desperdício de dinheiro por excelência) - que chegou a proibir a propaganda de cigarro - e o consumo de cigarros no país tem aumentado. Segundo Ancelmo Góis:

"De janeiro a setembro subiu 6% o consumo de cigarros no país. Traduzindo o índice em miúdos, ele corresponde à venda de mais 5 bilhões de unidades sobre igual período do ano passado. O setor pode fechar 2001 comercializando algo em torno de 114 bilhões de cigarros."
postado por Alvaro Velloso 7:55 PM

Terça-feira, Outubro 09, 2001

National Review Cans Columnist Ann Coulter

Algumas observações sobre a demissão de Ann Coulter da National Review.

Primeiro, essa demissão não significa muito para Coulter - sua coluna é sindicalizada, i.e., é distribuída por uma empresa (Creators) para os órgãos de imprensa dispostos a reproduzi-la. Como diz a própria Coulter, ela ganhava cinco dólares por mês da National Review. Não se trata, portanto, de caso análogo à demissão de Joseph Sobran da NR, porque Sobran era um dos editores da revista (e foi vítima da caça às bruxas que vitima quem quer que discorde da linha oficial neoconservadora em relação a Israel; agora, aliás, estamos vendo as conseqüências dessa "linha oficial", embora a presente "linha oficial" dos neoconservadores seja dizer, em contradição com toda evidência, que os atentados terroristas não têm nada a ver com Israel).

Segundo, a análise de Howard Kurtz está errada: Coulter não foi demitida por causa de seu primeiro artigo em reação aos atentados, um artigo repugnante no qual ela recomendava que os EUA invadissem os países árabes, matassem seus presidentes e convertessem todos os habitantes à força. O artigo gerou inúmeros protestos, mas a National Review o publicou sem problemas, e tem publicado coisas semelhantes, assinadas por autores mais respeitáveis como John Derbyshire e Paul Johnson. O que irritou a National Review foi seu artigo seguinte - que o site se recusou a publicar - no qual ela repetia sua pregação imperialista, mas acrescentava algumas observações interessantes, em seu habitual estilo franco, sobre a inutilidade das novas "propostas de segurança" nos aeroportos:

"Just as I predicted, the new 'security procedures' adopted by the U.S. Department of Transportation in response to the most deadly hijackings in history will be incredibly burdensome for millions of American travelers but, at the same time, will do absolutely nothing to deter hijackers.

"The government's logical calculus on flight security has long been: Really Annoying equals Safe Plane. (Say you were a tribesman from a distant island and had never in your entire life seen a seat belt before. Don't you think you could figure it out?)

"The FAA's new hijacker repellant is this: Passengers will now have to show boarding passes to get to the gates. This wily stratagem will stop cold any hijackers on suicide missions who forgot to buy airline tickets.

"It's times like this that I get down on my knees and thank God we have a federal Department of Transportation.

"The genius security procedures laboriously implemented by the government over the past decade certainly served this country well on Bloody Tuesday. The real puzzler is how the hijackers managed to evade the 'Did you pack your own bags?' trap. Only further investigation will solve that mystery.

"Last week a CNN anchor raised the 'Did you pack your own bags?" dragnet and somberly remarked -- this is a quote -- "No one will answer those questions so cavalierly again.' We certainly won't. We will all remember: If those asinine questions hadn't been asked of millions of travelers day in day out year after year, enragingly stupid every time, it might have been possible for 19 murderous hijackers to board four separate commercial jets in America almost simultaneously one Tuesday morning."

Foi isso que deu nos nervos da National Review, especialmente porque o editor do site, o ridículo Jonah Goldberg, recentemente se casou com a principal assessora (e "speechwriter") de John Ashcroft, o homem por trás das novas "medidas de segurança", e Goldberg não toleraria em seu site críticas tão francas a Ashcroft e suas propostas fascistóides - que ele mesmo admite que não seriam suficientes para evitar os atentados. Claro que Coulter faz outras propostas fascistóides, mas a questão não é essa - a questão é que a NR resolveu abolir de suas páginas qualquer crítica ao governo atual.

Aliás, como ressaltou Jacob Sullum, essas propostas formam uma espécie de "wish list" do governo americano. São idéias antigas, que já foram rejeitadas inúmeras vezes pelo Congresso; os burocratas aproveitaram a histeria e a paranóia pós-atentados para reciclá-las e apresentá-las como "propostas de emergência".

Demitindo Coulter, a NR mais uma vez cumpriu seu papel de servir fielmente ao governo republicano e de impedir a dissensão nos batalhões da direita. Foi para isso que Bill Buckley fundou a revista: para expurgar direita as "opiniões inadequadas", os "hereges". Claro que entre Buckley e seus sucessores Golberg e Lowry existe mais ou menos a distância que existe entre Chopin e Sandy e Júnior; mas a função inquisitorial desempenhada é a mesma.
postado por Alvaro Velloso 1:43 PM

O perigo que vem da terra

Um dos aspectos desesperadores de tempos de crise é que, neles, os sociopatas saem do armário e se põem a pontificar. Veja-se, por exemplo, o artigo de J. S. Nunes, que "O Globo" publica hoje, e que normalmente só encontraria abrigo em um ou outro folhetim fascista.

O autor do artigo, citando um caso de um maluco que tentou seqüestrar um avião da Vasp e fazê-lo chocar-se contra o Palácio do Planalto (de minha parte, não chegaria a derramar lágrimas se o atentado fosse bem-sucedido, especialmente se o prédio fosse, antes, evacuado de secretárias e motoristas e ficassem só os políticos e burocratas - mas isso não vem ao caso), argumenta que o Brasil é comodista e passivo, sofre de uma ingênua "cultura da paz" e não entende que precisa estar pronto para as terríveis ameaças à "nossa soberania". Sabe como é, temos muitas tropas na Arábia Saudita, somos os principais defensores dos israelenses, bombardeamos o Iraque toda semana, somos a "nação indispensável", um grande poder unilateral... estamos despertando a ira de bin Laden e demais terroristas...

Sandices à parte, o sr. Nunes comenta a decisão do presidente americano de dar a dois generais o poder de abater aviões no espaço aéreo americano, dizendo que se trata da "prerrogativa para autorizar a destruição de incursores aéreos não identificados". Ele está mal informado; permissão para abater aviões inimigos no espaço aéreo americano é notícia velha. Não é disso que se trata. Trata-se do poder de abater aviões em vôos domésticos que tenham sido seqüestrados - como os dos atentados terroristas. O sr. Nunes afirma que essas medidas - que ele não sabe bem quais são - serão adotadas por outros países, e isto "será uma evolução".

Notem o seguinte: o governo americano reafirmou a proibição a armas a bordo de aviões, confirmando que as empresas de aviões não tem direito de defender sua propriedade e seus passageiros. É óbvio que armar e treinar a tripulação dos aviões é a única maneira eficiente de evitar que os vôos sejam seqüestrados; nos atentados aos EUA, dois homens com facas foram suficientes para dominar o avião inteiro, o que seria impossível se houvesse uma única pessoa com uma arma de fogo. Mas, não: as tripulações continuarão desarmadas, por determinação governamental. E, no entanto, ao mesmo tempo que proíbe as armas a bordo, o governo dá permissão a dois generais para que ordenem a destruição dos aviões - conseqüentemente matando todos os que estiverem a bordo.

Esse é um quadro tão anormal, tão absurdo, que é preciso ser um sociopata para considerá-lo "uma evolução".
postado por Alvaro Velloso 1:13 PM

Segunda-feira, Outubro 08, 2001

Guerra limitada

Agora que começaram os bombardeios, vale esperar que o bom senso pravaleça e a guerra justa não se torne guerra total, e que o combate aos autores do atentado terrorista não se transforme numa guerra contra todos os inimigos de Israel. Como diz Justin Raimondo:

"In the coming weeks and months, the Israeli lobby in the US will make a concerted effort to expand the scope of the US anti-terrorist campaign, agitating for an attack on Iraq, demanding an incursion against the Syrians, and even envisioning the invasion and military occupation of Iran. While the Israelis seek to widen the war, so that the result will be the elimination of all their enemies, the US has sought to narrow its scope, at least initially. Forget those few thousand pacifist protesters in the streets: right now, the American secretary of state is the de facto leader of the peace party. Whether the President will listen to his wise counsel, or else heed the Rumsfeld-Wolfowitz faction, is an open question. Right now, Colin Powell, who has consistently argued for a policy of restraint, is all that stands between us and World War III – that and the common sense and ordinary decency one likes to imagine is possessed by our President."
postado por Alvaro Velloso 5:01 PM

Afghan Rebels Dominate Opium Growing

Um dos detalhes mais curiosos da guerra dos EUA contra o Afeganistão é que apenas quatro meses atrás, mesmo tendo bin Laden na lista dos criminosos mais procurados e mesmo sabendo que o Taliban o abrigava, os americanos enviaram 43 milhões de dólares para o Afeganistão, para que eles destruíssem as plantações de papoula.

Acontece que a maior parte dessas plantações não está nas mãos dos talibans, mas nas mãos dos novos aliados dos americanos - os "heróicos" membros da Aliança do Norte. (Como se sabe, sua classificação em "herói" ou "terrorista" na mídia ocidental depende exclusivamente da posição que você ocupa em relação aos EUA; assim, o herói de ontem - que ainda anteontem ajudou os americanos a derrotar sérvios em nome dos muçulmanos do Kosovo - é o terrorista de hoje; e os terroristas da Aliança do Norte são os heróis de hoje.)

"Most opium produced in Afghanistan is now in areas controlled by the northern alliance, the rebel group whose battle against the ruling Taliban is encouraged by the United States and its Western allies, U.N. officials said Friday.

"The rebels, who control a tiny sliver of northern Afghanistan, dominate opium harvests this year because the Taliban appear to be enforcing their ban on growing the poppy. Opium is the raw material in heroin and other drugs.

"Growers in northern alliance areas harvested about 150 tons of the opium poppy this year, said Mohammad Amirkhizi, senior policy adviser at the U.N. Office for Drug Control and Crime Prevention, based in Vienna.

"That's about the same as northern alliance harvests in the past few years, and pales compared to the 3,300 tons harvested last year, before the Taliban banned production in the 90 percent of Afghanistan they controlled."

E logo os traficantes emergentes estarão controlando o país.

Numa nota à parte: o tráfico de heróina é considerada a principal fonte de renda dos talibans. Qualquer estudante de economia sabe (ou deveria saber) que as restrições de mercado da guerra às drogas faz subir absurdamente o preço das drogas; não é difícil concluir que a "guerra às drogas" é, no fim das contas, um importante elemento de suporte financeiro dos terroristas. O único suporte financeiro ainda melhor, como mostrou George Reisman, é o ambientalismo, que, impedindo a extração de óleo em certas áreas dos EUA, reforça o poder da OPEC. Ambientalistas e opositores da legalização das drogas: o terrorismo os saúda.
postado por Alvaro Velloso 4:57 PM

Babá dos motoristas

Ancelmo Góis (ou seu interino Ronaldo Herdy) está muito, muito bravo com os motoristas de ônibus. Como podem desrespeitar tantas leis de trânsito!, diz ele, cheio de indignação. E ele tem uma certa razão: os motoristas de ônibus são uma ameaça à vida de pedestres e demais motoristas, ignorando sinais vermelhos, trocando de pista sem nem olhar, e assim por diante. Mas o que irrita Góis/Herdy não são essas infrações realmente graves; e isso torna sua irritação absolutamente ridícula. Vejamos:

"Os motoristas de ônibus no Rio se julgam uma casta acima da lei. É comum desrespeitarem regras do trânsito, como só apanhar passageiros nos pontos e não avançar o sinal vermelho. A última novidade da categoria é ignorar o cinto de segurança. Nove entre dez profissionais do ramo guiam pela cidade sem o equipamento, como se ele não fosse capaz de salvar vidas."

Sim, sim. Furar sinais vermelhos? Notícia velha, sem muita causa de preocupação... O que realmente preocupa é que eles não estão cintos, coitadinhos, e isso pode custar suas vidas!

Ora, quem dá a mínima?! Isso é problema deles e simplesmente não nos diz respeito. É essa incapacidade de distinguir entre normas que realmente garantem a segurança alheia e normas imbecis do Estado babá que torna ridículo esse tipo de "denúncia".
postado por Alvaro Velloso 4:42 PM

Coliformes fecais

Será que existem pré-requisitos de estupidez e desonestidade para ser repórter do Globo?

A matéria de capa de ontem não foi a primeira e certamente não será a última vez que a principal notícia da edição de domingo traz uma distorção grave.

Vejam: na primeira página estava uma lista de águas minerais que não passaram em testes realizados pelo laboratório Noel Nutels - a primeira página dava a entender que as águas em questão estariam contaminadas. Na matéria, nas páginas de dentro, havia um quadrinho [não consegui encontrar nada disso na internet; o site do Globo continua sendo, como é desde o começo, o pior dos sites de jornais brasileiros do eixo Rio-São Paulo, e é quase impossível achar nele qualquer coisa das edições anteriores] com as infrações encontradas na água. A vasta maioria realmente continha coliformes fecais, mas uma delas, a água Prata, simplesmente não tinha determinadas informações em seu rótulo.

Porca miséria, quão cretino é preciso ser para pôr no mesmo saco águas contaminadas e uma água cujo rótulo não dá todas as informações que o pesquisador do Noel Nutels deseja?!

Quem, aliás, além de parasitas do Ministério da Saúde e idiotas das redações da imprensa esquerdista, dá a mínima para informações minuciosas nos rótulos de água? Claro, todos queremos que sejam realizados testes como o do Noel Nutels, testes que garantam que as águas não representam risco para nossa saúde; é muito bom que o jornal tenha resolvido divulgar um deles. Mas tratar contaminação da água e falta de detalhes no rótulo (notem: ninguém disse que o rótulo da água Prata trazia informações falsas, nem que a água representava um risco para a saúde; apenas que o rótulo não atende às "regras" do laboratório!) como infrações semelhantes é uma desonestidade.
postado por Alvaro Velloso 4:28 PM