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Quinta-feira, Setembro 06, 2001

Robin Hood de saias

"Luciana dos Santos Souza, de 24 anos, a Jenifer, namorada do seqüestrador Fernando Dutra Pinto, apresentou ontem uma nova versão para o crime. Um dia depois de afirmar que revolucionara o país para o mal, ela anunciou uma suposta causa social para o seqüestro de Patrícia Abravanel, em entrevista na Superintendência da Polícia Civil de Salvador, para onde foi transferida depois de se entregar em Bom Jesus da Lapa, a 902 km da capital."

Deixe-me tentar entender uma coisa sobre o noticiário em torno dessa declaração: todos parecem dizer que a menina estava tentando fazer seu crime parecer simpático, que a sua justificativa "social", se fosse verdadeira, tornaria o crime menos reprovável. Quer dizer que seqüestro com "causa social" vale? Seqüestrar para distribuir cestas básicas para os pobres pode; o que não pode é querer ficar com o dinheiro do resgate?

Depois de a seqüestrada ter atribuído seu seqüestro às injustiças sociais, esse novo detalhe da história acrescenta mais uma pitada de demênciam a um caso significativo de um país enlouquecido pelo esquerdismo.
postado por Alvaro Velloso 4:18 PM

Caçar para preservar

Os ecologistas podem não gostar da idéia de fazendas particulares de caça, mas se eles estivessem mesmo preocupados com a preservação de certas espécies de animais, e não em promover sua própria espécie de neocomunismo, eles as apoiariam, porque elas são a única maneira eficiente de garantir a preservação.

Se animais ficam numa determinada fazenda e o dono lucra com a entrada lá de pessoas que desejam caçá-lo, existe um incentivo econômico para que esses animais sejam preservados. Por outro lado, se eles estão intocáveis, em áreas protegidas por funcionários públicos, eles são efetivamente inúteis para os demais seres humanos, e a tendência será que eles desapareçam.

Como diz Humberto Fontova:

"And by the way, 'Wildlife management' has nothing to do with any of these animals success stories. Oh, I always get in trouble with my hunting chums when I start slamming government wildlife management. But look, state and federal game departments are nothing but government welfare agencies(with the attendant parasitic bureaucracies) for animals. Turns out, most animals proliferate very well on their own thank you – the ones worth having around that is. Others do ten times better under private game management.

"A Blackbuck is a little antelope once common in India which a few Texas ranchers brought over to stock on their land back in the 1960s. At one point in the 70s Texas had more of them than India. Indian wildlife wizards actually asked for a few back to restock their own herds! Why? Because the creatures had more value in Texas than in India. American hunters payed through the nose for a chance to whack one. So those ranchers made sure they always had a bunch in stock. In India they were 'protected,' which is to say worthless."
postado por Alvaro Velloso 4:08 PM

Terça-feira, Setembro 04, 2001

White is right

No debate sobre reparações raciais, existe um detalhe a respeito da posição peculiar que os países ocidentais ocupam em relação à escravidão do qual absolutamente ninguém se lembrou. Diz Andrew Kenny [grifos meus]:

"Europe has indeed played a unique role in the history of slavery. Slavery has been a universal feature of all societies throughout most of history. Blacks and whites; Africans, Asians and Europeans; Christians, Muslims and pagans — all of them kept slaves. Every person alive today has ancestors who were slaves or slave owners. What makes Europe unique is that it ended slavery. Western civilisation alone — the white man alone — decided that slavery was wrong."

Ele ainda recorda as circunstâncias históricas:

"For thousands of years black Africans had been enslaving other black Africans. Then black Africans began selling black Africans to Arab slave dealers. The black slaves were force-marched across the Sahara Desert to North Africa and the Middle East. Black male slaves were castrated to work in Arab harems. Much later the white man arrived, wanting slaves for the American colonies. The black slave traders in West Africa were delighted to oblige. It meant a lucrative expansion of their traditional business. An African chief explained the deal as follows: ‘We want three things: powder, ball and brandy; and we have three things to sell: men, women and children.’ West African nations prospered mightily under the slave trade.

"Then something most strange happened. Prompted by Christian conscience, beginning towards the end of the 17th century, white men in Europe began to campaign against the notion of slavery. Nothing like this had ever happened before. In Africa blacks who were enslaved did not like it, but blacks who were not enslaved had no objection to it. Both accepted it as part of African culture. In the United States many of the blacks were free men and some of them owned black slaves; they, too, had no objection to the concept of slavery. Asians and Africans alike continued to think that slavery was perfectly normal and perfectly acceptable. It was only among white Europeans that opposition to slavery grew.

"In 1772 slavery was abolished on English soil, and in 1833 it was outlawed throughout the British empire. France followed suit. The West Africans were horrified. Their centuries-old enterprise was threatened. Countries such as the Gambia, the Congo and Dahomey sent delegations to London and Paris to protest strongly against the abolition of slavery."
postado por Alvaro Velloso 4:16 PM

O melhor de dois mundos

Pergunta do site do Globo de hoje: "Você acha justo o Governo aumentar a taxação sobre o consumo para compensar as perdas com a correção da tabela do IR?"

5% dos leitores (funcionários públicos, provavelmente) responderam que "sim, o Governo não pode ficar sem essa verba".

Os outros 95% disseram que "não, ele deveria reduzir os seus gastos e não aumentar a tributação".

Tomada por si só, a pesquisa seria um bom sinal. Mas seria interessante perguntar a esses 95% que gastos são esses que eles desejam que o Governo reduza. Gastos com a "cultura" (mamata para cineastas de quinta categoria), com a "educação" (leia-se doutrinação), com a "saúde" (no eficientíssimo sistema estatal), com "investimentos sociais"?

Ora, é claro que nenhuma pessoa normal quer pagar impostos e nenhuma pessoa normal gosta de aumento de impostos; mas estamos num país em que existe um consenso estatista - todos querem um ou outro programa estatal, todos estão convictos da santidade do welfare state, todos aplaudem as infinitas regulamentações inventadas pelo Estado-babá, agora existe até um apoio da maioria à reestatização de empresas e ao fim do tímido processo privatista. Como é que depois podem reclamar da carga tributária extorsiva?

Eis a lição que os brasileiros se recusam a aprender: não dá para comer o bolo e guardar o bolo ao mesmo tempo. Estado gigante = alta carga tributária. Sorry, mas é assim que funciona. O socialismo custa caro. Aliás, como ele provoca retração do setor produtivo e sempre inventa uma regulamentação nova, a tendência é que ele custe cada vez mais caro.
postado por Alvaro Velloso 4:11 PM

Medo da violência gera "condomínio-favela"

Sensacional: a segurança privada chega às favelas. A matéria de Mário César Carvalho, do O Dia, é uma excelente resposta àqueles que defendem a segurança estatizada porque essa é a "única maneira de proteger os mais pobres":

"Bem-vindo ao Jardim Pernambuco, um loteamento encravado numa das áreas mais miseráveis e violentas da zona leste da cidade de São Paulo, que adotou a mesma estratégia de defesa dos seus congêneres de classe média alta e de milionários. Não é o único da cidade. No Jardim Ângela, região da zona sul que sempre ocupa o topo dos rankings de homicídio, há outros dois 'condomínios de pobre', como os próprios moradores os definem, com uma certa ironia.

"O condomínio do Jardim Pernambuco é o maior deles nessa categoria. Guarita, portão e seguranças voluntários guardam a única entrada de uma área onde vivem 2.000 famílias. A primeira impressão é que portão e guarita formam uma cidadela contra ordens de desocupação, já que há litígio sobre a posse da terra.

"Não é bem assim, segundo Eliana de Fátima Carolino, 49, presidente da Associação dos Moradores do Jardim Pernambuco. 'Nós temos de nos proteger dos bandidos e da polícia. A polícia trabalha para os grileiros da terra.'

"O sistema de segurança do Jardim Pernambuco nasceu com o loteamento, há três anos. No início, funcionava como barreira aos marginais das favelas do Jardim da Conquista e da Terceira Divisão. 'Colocamos a portaria para não desovarem carro nem cadáver aqui', conta Admilson dos Santos, 37. A portaria era também um entrave aos ladrões de carro que usavam a estrada de terra como ponto de fuga. Eliana diz que a primeira providência foi pedir a ajuda da polícia. Não funcionou. 'Os policiais tratavam a gente como bandidos.' A disputa pela posse da terra no Jardim Pernambuco, segundo Márcio Ricci, 29, criou um segundo tipo de atrito com a polícia: 'Por mais de 20 vezes, os policiais entraram aqui ameaçando despejar a gente. Depois, descobrimos que eles não estavam em serviço. Não temos provas, mas sabemos que eles trabalham para um grileiro da área', afirma Ricci."

Como de costume - e exatamente ao contrário da segurança estatal - o sistema funciona, e não é sustentado na base do roubo legalizado, mas das contribuições voluntárias, já que ninguém sofrerá nenhuma retaliação se não pagar:

"'Isso aqui parece uma cidade do interior. As crianças podem brincar na rua até de noite', diz Ricci. Em três anos, o loteamento registrou um único homicídio. Era um segurança, que barrou a entrada de um motorista que não queria se identificar na portaria. Levou um tiro no rosto, à queima-roupa.

"Mais surpreendente ainda é o caráter social do esquema. Os seguranças são todos voluntários. Desempregados são os preferidos. Não recebem salário. Ganham uma cesta básica por mês, comprada com a contribuição mensal de R$ 10 de cada morador.

"Uma linguagem típica do tráfico de drogas, o espocar de rojões anunciando a chegada de novos carregamentos, ganhou outro significado no Jardim Pernambuco. Todo morador tem um rojão em casa. Serve para avisar que algo de extraordinário está acontecendo, seja uma briga de rua ou a chegada da polícia. Domingo retrasado, um estourou à noite -era uma briga de faca entre moradores. 'Entregamos os dois para a polícia', relata Ricci.

"Em outro extremo da cidade, na zona sul, portões de ferro e guarita criaram ilhas de tranquilidade na região mais violenta de São Paulo - o Jardim Ângela. 'Antes do portão, isso aqui era uma bagunça medonha', conta o mestre-de-obras Maurício Peixoto, 50, morador do Conjunto Residencial Ana Rosa. Construídos há quatro anos, o portão e a guarita interromperam um ciclo de assaltos, segundo Marco Antonio de Souza Coelho, 38, presidente da associação de moradores da região. Foram quatro assaltos em três meses. Num deles, levaram tudo que o morador tinha em casa. Depois que seguranças passaram a cuidar da área, não se tem notícia de novos casos. São quatro seguranças - dois se revezam em turnos de 12 horas na portaria e os outros na ronda, também em jornadas de 12 horas. Cada um recebe R$ 350 por mês.

"No loteamento Três Marias, a pouco mais de cem metros do Ana Rosa, há uma sofisticação adicional: um muro cerca as 150 casas encravadas na encosta de um morro. O vigia Nilson Francisco da Silva, 46, que trabalha há cinco anos no loteamento, diz que houve uma única ocorrência nesse período: um morador de lá furtou a casa do vizinho.

"'Antes de ter segurança, roubavam televisão, som, rádio. Era um inferno', afirma Anchieta Mariano da Silva, 35, presidente da Associação dos Moradores do loteamento Três Marias. 'Hoje, nossa segurança é igual à de condomínio fechado', diz. Segundo Mariano da Silva, os moradores contrataram vigilantes porque 'não dá para contar com a polícia'.

"Em frente a esses dois condomínios fica o Morro do Índio, que ficou famoso por concentrar o maior número de homicídios da zona sul de São Paulo. 'A bandidagem de lá não se atreve a entrar aqui', afirma Juraci Conceição dos Santos, 23, vigia do conjunto residencial Ana Paula. 'A guarita e o portão impõem respeito'."
postado por Alvaro Velloso 3:59 PM

Segunda-feira, Setembro 03, 2001

Disaster feared as black farm workers are forced to flee

Não é só contra os fazendeiros brancos que se volta a fúria dos "sem-terra" comandados pelo presidente do Zimbábue: agora os trabalhadores negros dessas fazendas também estão sendo atacados, por estarem "colaborando" com o regime "injusto". Na linguagem marxista, esses são os "vendidos", os "cúmplices da burguesia", aqueles que têm "falsa consciência" e não conhecem seus "verdadeiros interesses de classe" (não me peçam para explicar a contradição entre os tais interesses de "classe" que contrastam com os interesses do próprio indivíduo que supostamente pertence a ela; perguntem aos marxistas!).

"The Commercial Farmers' Union (CFU), which represents mainly white farmers, estimates that 70,000 black farm workers have been thrown out of their homes on white farms. 'The numbers have been rising since last year. It's a really big disaster,' said one union official.

"Government supporters accuse the black farm workers of emulating their white employers in supporting the opposition Movement for Democratic Change (MDC). The situation has become acute in Mashonaland Central Province, where an estimated 30,000 black farm workers were this week driven off the farms."

A matéria do Independent traz um exemplo de como os terroristas de Mugabe operam - qualquer semelhança com os nossos "sem-terra" não é mera coincidência, embora os do Zimbábue sejam reconhecidamente mais brutais. E notem o último parágrafo, que mostra que a questão do Zimbábue não é exclusivamente racial, e sim de diferenças raciais sendo usadas como pretexto para a luta de classes, no velho sentido leninista:

"The latest warning came as details emerged of a particularly brutal assault on a 72-year-old white farmer, his wife, aged 66, and their six black farm workers in a fresh wave of violence. Wessel Weller, a Dutch national, and his wife, Lockie were assaulted by the ruling party supporters occupying his farm in Mvurwi, 60 kilometers north of the capital Harare, on Wednesday night.

"Mr Weller said that his ordeal started when he tried to stop war veterans who have occupied his property from pegging vegetable gardens in his cattle paddocks.

"'I calmly urged about five war veterans to stop digging in the paddocks but to my surprise they reported to their colleagues that I had assaulted them,' said Weller. He said a group of 50, wielding axes, stones and hatchets burst into his house and assaulted him and his wife. His workers were also assaulted, two seriously.

"Mr Weller said he had sustained deep cuts on the hands, legs and back. He said his wife, who was trying to shield him from sticks directed at him, had also suffered wounds all over her body. 'I can't believe that we are still alive in view of what happened ... we are recovering well,' he said.

"Last night Mr Weller, a Dutch national, returned to the farm which is still occupied by the war veterans: 'We will just hang on ... we are an old couple and cannot think of starting a new life elsewhere all over again.' He said he had been held hostage for seven hours after the beatings and was barred from seeking treatment.

"A black worker at the farm said his six colleagues had been beaten for 'behaving as if they were children of whites'."
postado por Alvaro Velloso 5:29 PM

UK to keep a permanent force in Macedonia

"BRITAIN has already decided to keep a permanent force in Macedonia long after the current weapons-collection mission is wound up, but has yet to make the decision public, sources in London have told The Scotsman.

"Comments by the Foreign Secretary, Jack Straw, during a visit to the Macedonian capital, Skopje, last week, that the NATO mission 'could change' are seen as preparing the ground for Britain’s third Balkan deployment."

A relutância do governo britânico em divulgar a notícia se deve ao crescente ceticismo da opinião pública a respeito do envolvimento britânico na Macedônia, especialmente após a recente morte de um soldado. O ingleses se perguntam por que diabos soldados britânicos devem morrer numa intervenção num país distante que de maneira nenhuma ameaça a segurança inglesa.

A esperança do resto do mundo é que esse ceticismo cresça e pressione a OTAN.

Porque notem bem o precedente que essa "missão" na Macedônia cria: desta vez, a OTAN nem mesmo se deu o trabalho de inventar histórias sobre "genocídios" de albaneses; nem mesmo alegou que os direitos humanos dos albaneses estavam sendo violados. A única reclamação dos albaneses é não ter representação "suficiente" no Parlamento da Macedônia - o que equivale a dizer que eles desejam tomar o poder à força! Com a escalada das pressões e dos atentados da guerrilha albanesa, e com a natural reação do governo macedônio, a OTAN resolveu intervir - nominalmente, para "pacificar o país"; realmente, para ajudar nessa tomada de poder.

Em suma: a OTAN simplesmente invadiu um país para impedi-lo de defender-se contra forças terroristas internas - e agora prepara-se para transformar esse país numa espécie de colônia!

Dá para perceber a gravidade do precedente criado?
postado por Alvaro Velloso 5:20 PM

Web opinion and gossip

Essa é a lista de links de mídia na internet do site esquerdista Slate, mantido pela Microsoft. Na seção de "jornais estrangeiros", há cinco jornais das "Américas": os dois principais canadenses (Globe and Mail e National Post); "El Financeiro", do México; "The Buenos Aires Herald" e... "O Povo"! Esse é o jornal brasileiro que os autores do site escolheram - proavavelmente por imaginarem ser o mais representativo da nossa imprensa.

Espero que ninguém na Slate fale português, e tudo seja simplesmente devido à ignorância.
postado por Alvaro Velloso 5:10 PM