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Sábado, Setembro 01, 2001

Social-democratas contra a propriedade privada

Esta semana viu a conclusão do insano caso da "maquiagem de produtos" - empresas de papel higiênico, entre outras, foram multadas em milhões de reais pelo governo federal por terem aumentado o preço ao mesmo tempo. Isso é um "crime contra a economia popular" (uma das noções mais bizarras do nosso ordenamento jurídico) e um "abuso de poder econômico".

Esta última expressão me fascina, porque ela pode significar qualquer coisa, especialmente à luz da "legislação antitruste". Se uma empresa cobra preços iguais aos do concorrente - formação de cartel! Se põe os preços abaixo dos do concorrente - "dumping"! Se põe os preços acima dos do concorrente - preços predatórios, violação dos direitos do consumidor!

Não há escapatória: tudo é "abuso de poder econômico". O governo deveria ser mais honesto, e revelar logo as duas noções implícitas na legislação antitruste (legislação de "proteção da concorrência"!): cobrar para fornecer um produto ou um serviço é abuso de poder econômico, e a propriedade é um roubo.

É por isso, aliás, que nada me causa mais desânimo do que ver autoproclamados liberais defendendo essas leis, o instrumento preferido do Estado social-democrata para violar os direitos de propriedade.
postado por Alvaro Velloso 1:27 PM

Museu dos ditadores

"A mansão do ex-ditador do Zaire Mobuto Sese Seko, em Genebra, foi invadida ontem por jovens da ONG Smala, que prega a 'mundialização alternativa'.

"O grupo quer instalar no rico palacete o Museu das Ditaduras."

Até que enfim uma ação de uma ONG com a qual eu posso concordar. A mansão de Mobuto não é uma propriedade privada legítima, porque comprada com dinheiro roubado do povo que ele oprimiu, então deve ser considerada sem dono, como uma terra virgem - a ser apropriada pelo primeiro que chegar e fizer alguma coisa com ela (pelo princípio do "homesteading"). Não há, pois, nada de errado com a invasão.

E a idéia de um museu das ditaduras é muito boa, para nos lembrar que, desde o início do século XX, estamos em tempos anormais, os tempos de Lenin, Hitler, Mao, Pol Pot, Mugabe, Mobuto, Fidel, tempos em que o genocídio recebe legitimação "científica".
postado por Alvaro Velloso 1:17 PM

Lula defende a legalização do bicho

Lula causou desconforto no PT ao defender a legalização do bicho. Segundo ele, isso serviria para "aumentar a arrecadação de impostos."

A justificativa está errada - embora condizente com o estatismo petista - mas a idéia é certa. Não há nenhum bom motivo para ainda temos, na nossa legislação, essa relíquia puritana, a proibição do jogo. Mas ela é mantida porque o Estado odeia concorrência.

Os únicos "jogos de azar" legais no Brasil são aqueles que o próprio Estado patrocina. Assim, as pessoas não pode ir a um cassino apostar que a bolinha na roleta parará num determinado número; mas todos podem comprar um bilhete de loteria e apostar que tais e tais números serão sorteados. A única diferença é que a loteria é promovida pelo Estado, que tem nela uma espécie de "imposto voluntário", uma fonte de renda da qual não pretende abrir mão.

Quanto ao bicho, especificamente, a proibição é tão obsoleta, tão inútil, que não entendo como ainda pode ser discutida. Ainda mais com o argumento que o "especialista" do PT no assunto, o ex-procurador geral de justiça Antonio Carlos Biscaia, usou para refutar o Lula:

"'O jogo inofensivo criado pelo barão de Drumond no início do século se transformou num forte aparato do crime organizado. Todos os banqueiros já mandaram matar, por isso não concordo com a legalização do jogo do bicho', disse Biscaia."

Esse argumento também é muito utilizado pelos defensores da proibição das drogas, mas ele me deixa meio confuso, porque é um non sequitur: o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Se os bicheiros ou os traficantes mataram alguém - e todos sabemos que eles o fizeram - por que não investigar esses crimes (nos quais realmente houve vítimas) e tentar puni-los por eles, em vez de puni-los por "crimes" sem vítimas, como a venda de um bilhete de jogo do bicho?
postado por Alvaro Velloso 1:08 PM

De volta ao pó

Há uma afirmação bizarra na - de resto, interessante - resenha de Moacyr Scliar do novo livro de Norbert Elias, "A solidão dos moribundos":

"Para muitas pessoas, a morte é apenas o começo da eternidade, e o que vai acontecer na eternidade é algo de que só a religião pode se ocupar. De qualquer modo, é uma idéia consoladora; a existência prolonga-se, sim, para sempre e, dependendo da conduta terrena da pessoa, de forma gratificante. Para outros, a morte é mesmo o fim. Do ponto de vista científico, racional, esta é a evidência mais concreta - e mais perturbadora."

O primeiro problema é a noção de que a idéia religiosa é "consoladora", quando, na verdade, é o que existe de mais angustiante. Ou alguém acha que a possibilidade de ir para o inferno é consoladora? Consolo por consolo, é muito mais "consolador" - e certamente causa menos preocupações - achar que as ações realizadas durante a vida não terão nenhuma conseqüencia depois da morte.

Mas o segundo ponto é ainda mais bizarro. Tomemos o ponto de vista "científico, racional" na mesma acepção de Scliar - o equivalente da visão materialista. Qual é a evidência, desse ponto de vista, que se tem do que há depois da morte?? A única resposta honesta é dizer - não temos nenhuma. Nem num sentido, nem no outro. Não há absolutamente nada de mais "científico" ou mais "racional" em acreditar que a morte é o fim absoluto. Trata-se de um puramente de um ato de crença.

Mas essa crença no nada não tem exatamente o mesmo sentido da crença religiosa, porque esta é a crença na palavra Deus, com todo o peso das evidências trazidas pela revelação. A crença no nada é apenas uma recusa de aceitar essas evidências.
postado por Alvaro Velloso 12:54 PM

Sexta-feira, Agosto 31, 2001

African rift over calls for slavery reparations

Tudo o que cercou a realização da conferência da ONU sobre racismo, que começa hoje, nega o próprio slogan da conferência, e mostra como é absurda a idéia de que é possível governar e homogeneizar o mundo. Enquanto a ONU diz que a humanidade "é uma única família, rica em diversidade", os diversos povos demonstraram que as diferenças regionais persistem e que as divergências entre os diversos países não desaparecerão diante de apelos de uma entidade global.

Como diz Anton LaGuardia, até agora não há nenhum sobre o texto final da conferência, e o rascunho ainda provoca polêmicas: "After three rounds of preparatory talks, most paragraphs in the 100-odd pages of draft declaration and programme of action are in dispute."

Os EUA se retiraram porque o documento diz que Israel é racista; grupos muçulmanos se esforçam para que o documento não trate da discriminação das mulheres em seus países; grupos hindus se esforçam para que não se discuta o tratamento desigual das castas na Índia; os países europeus rejeitam a noção de reparações pela escravidão...

Os europeus, aliás, são as principais vítimas do documento, e certamente ouviremos pesadas recriminações sobre "a culpa do homem branco" nas próximas semanas. O documento chega ao absurdo de pôr entre as vítimas da escravidão e do colonialismo europeu os "árabes e muçulmanos" - que escravizaram gente na África séculos antes dos europeus!

Aliás, o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, expressou recentemente sua oposição às reparações:

"Mr Wade, a descendant of slave-owning African kings, said hardly anybody was free of the taint of slavery.

"He declared: 'If one can claim reparations for slavery, the slaves of my ancestors, or their descendants, can also claim money from me. Slavery has been practised by all people in the world'."

Exatamente: todos pecaram. Fazer recriminações, a esta altura, é pura hipocrisia, e a proposta da ONU nada mais é do que extorsão.
postado por Alvaro Velloso 12:22 PM

Que monopólio?

Miriam Leitão dedica sua coluna de hoje à discussão entre "educadores" sobre a decisão do Governo Federal de obrigar as empresas que apresentarão suas propostas na licitação para distribuição de computadores nas escolas públicas a usar o Windows como sistema operacional:

"O edital estabelece que serão três tipos de máquinas: o tipo A, servidor, o tipo B, máquinas clientes que usam o servidor, e o tipo C, que pode ser máquina do tipo computador popular. Mas diz o edital que nos tipos A e B só pode ser usado o sistema operacional Windows. O C (20% das máquinas) poderá usar outro sistema."

Não tenho nada a dizer sobre a discussão, porque sou contra o próprio programa de informática, como, aliás, sou contra a própria idéia de ensino público financiado pelo Estado. Mas isso é assunto para outra ocasião. O que me chama a atenção, no caso presente, são alguns dos argumentos apresentados pelos opositores da decisão do governo, e pela própria colunista.

Por exemplo, Sérgio Campos, da UFMG, que desenvolveu o famoso "computador popular", bem mais barato, comentou:

"— O que me deixa triste é ver que o Ministério da Educação, e eu sou do Ministério, prefere confirmar um monopólio a acreditar na nossa capacidade de desenvolver soluções."

E, depois de relatar as diversas posições, a colunista conclui:

"Mas foi uma opção por uma única empresa, uma única solução, e justamente a da empresa que até em seu país de origem é acusada de práticas monopolistas."

O que me intriga é o seguinte: o governo tomou uma decisão de não usar o Linux, nem o Unix, e sim o Windows. Alguém o obrigou a fazê-lo? Haveria alguma sanção caso ele não o fizesse? Existe alguma legislação mundial proibindo o uso dos outros sistemas operacionais? Claro que não. Então, onde diabos está o monopólio?

Claro que, agora, o governo criou um monopólio para o Windows nas escolas públicas brasileiras; nenhuma escola poderá optar por outro sistema operacional. Mas é isso é uma prerrogativa de governos, e é isso que eles fazem: criar monopólios, via coerção. O que a Microsoft fez foi simplesmente oferecer uma opção melhor para os consumidores - e, apesar todos os seus problemas, qualquer um de nós que deseja que os computadores facilitem e não compliquem nossas vidas continua a preferir o Windows ao Linux e ao Unix.
postado por Alvaro Velloso 12:04 PM

Controlando as escolas

O artigo de José Antônio Teixeira sobre as escolas particulares, hoje no Globo, não está muito bom, mas tem o grande mérito de mostrar o absurdo intervencionismo do governo federal nas escolas.

Teixeira não trata do problema principal (até porque discuti-lo é politicamente incorreto), que é a obrigatoriedade de currículos, disciplinas e horários imposta pelo Estado, que destrói toda a autonomia educacional das escolas, mas trata de outra questão absurda, a proibição ao cancelamento das matrículas dos alunos caloteiros. Diz Teixeira:

"Essa liberdade não pode ser apenas retórica e refletida num espelho turvo. A liberdade deve pressupor também a liberdade econômica, e este ponto é o centro de toda a controvérsia. Por quatro décadas, ficamos submissos aos controles de preços, e, hoje, submissos à lei do calote. Não existem escolas iguais pedagógica, administrativa e funcionalmente. A essência da escola particular está no pluralismo de seus projetos pedagógicos, educacionais e sociais. No entanto, o Estado brasileiro continua sórdido e perverso. Validar a inadimplência é vilania demagógica, que atesta o fracasso de uma política federal injusta e desigual.

"O que se vê é o uso de mecanismos de pressão econômica, como um dos instrumentos perversos da política governamental para o setor educacional privado. Temos a certeza de que a liberdade da inadimplência é um discurso de falácia para a continuação da tutela sobre os serviços privados de ensino. Com fátuo respaldo legal, constitui-se uma prática deliberada de regulamentação travestida, objetivando manter, nas escolas particulares, uma sensível parcela dos estudantes, aquela que a rede pública não consegue absorver ou atender satisfatoriamente."
postado por Alvaro Velloso 11:49 AM

Quarta-feira, Agosto 29, 2001

Ideologias e táticas da opressão

Excelentes observações de Brian Masters, em brilhante resenha de livro de Peter Walker sobre alguns dos protagonistas do brutal ataque inglês aos Maoris, quando da "conquista" da Nova Zelândia:

"The Maori were an admittedly primitive people. Unlettered and untravelled, they had seen no mammal larger than a dog and fled in bewilderment at their first sight of a cow. But they lived on the land which the English wanted, and after piously promising that the two peoples — native and colonial — would co-operate in a venture unparalleled in the modern world, the English proceeded to trick the Maoris into ceding their land, and if that would not work, then they stole it. Nothing would stand in their way, not even a band of ‘rebellious enemies’ which turned out to be prepubescent boys and girls; they were ruthlessly slaughtered. Walker makes the valid point that there is much in this small history which has larger implications for universal truths. The slaughter of the innocents, he says, was made possible by the sanction of higher authority, which historically can be relied upon to turn pacific individuals into gangs of monsters, as would happen later in Nazi Germany (and, one might add, in Vietnam).

"Again, the policy of confiscating land, then calling the confiscators ‘settlers’ while those sent forth into wilderness are trouble-makers, finds its echo today in Israel and the Palestinians. The way in which the Maoris resisted their persecutors by relentlessly planting crops at night where, by day, the colonists had swept the land clear for road-building, sometimes for weeks on end, is heart-warming to read. Superior might must eventually prevail, but superior spirit often resides with the oppressed.

"Another universal truth: the English were justified by scientific wisdom which cloaked itself in Darwinian theory and determined that the Maoris were beneath humanity and must give way to the ‘civilised’ life for their own good; their demise was inevitable, and no guilt need be felt at giving it a push."
postado por Alvaro Velloso 4:23 PM

Grana estatal para apologistas do genocídio

Ricardo Boechat lamenta, em sua coluna de hoje, a redução na tiragem da "história do Partido Comunista Brasileiro", financiada pelo Ministério da Cultura:

"O livro sobre os 80 anos do Partido Comunista Brasileiro não será mais lançado com a megatiragem prevista de 50 mil exemplares.

"O Ministério da Cultura reduziu a edição, coordenada por Rubim de Aquino, para 5.000 volumes.

"Alegou falta de verba."

Mas eis a verdadeira pergunta a ser feita: por que diabos o Estado brasileiro está financiando um livro sobre os 80 anos do Partido Comunista Brasileiro?!?!

Aliás, por que diabos o Estado brasileiro, com tantos problemas de déficit, tem um penduricalho inútil, uma fonte de mamatas chamada "ministério da cultura"?! Alguém é cretino o suficiente para pensar que é uma função essencial do Estado garantir financiamento para cineastas de quinta categoria e editar livros sobre apologistas da tirania (e que, não custa lembrar, foram financiados por Stálin para transformar o Brasil em Cuba)?
postado por Alvaro Velloso 4:17 PM

Black power

Diz a jornalista Flávia Oliveira, depois de dizer que os negros estão numa maratona contra os brancos e já saem dois quilômetros atrasados:

"É, sobretudo, injusto exigir dos negros inteligência, esforço e talento superiores à média para ter acesso a oportunidades que deveriam existir igualmente para todos. É essa desigualdade que será combatida com a política de cotas para negros e mestiços nas universidades públicas — proposta que será levada pelo governo brasileiro à III Conferência Internacional contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, que começa nesta sexta-feira na África do Sul."

Errado. Não se exige mais dos negros - exige-se igual. Não há testes raciais em nenhuma escola brasileira, não há limitações raciais nas inscrições dos vestibulares, nada disso. Basta fazer o curso secundário e passar na prova - que é igual para todos.

O que não é justo é exigir MENOS dos negros, é garantir-lhes a obtenção do mesmo resultado que os outros com menos esforço. Não é justo com os brancos e não é justo com os próprios negros - que, com a adoção das quotas, passarão a ser tratados como membros de uma raça inferior, necessitados de privilégios paternalistas garantidos pelo Estado.
postado por Alvaro Velloso 4:08 PM

Cultura para o povo?

Hildegard Angel lamenta nestes termos o fechamento temporário de um espaço cultural carioca, o SESC/Rio Arte:

"O espaço era de primeira, a programação estava especial, e vinha muita coisa boa ainda por aí. Aí uma briguinha política daqui, um desentendimento de lá, e lá vai o tal espaço ficar fechado de novo, por quanto tempo? E o povo, sem cultura barata e de qualidade..."

É o supra-sumo do elitismo esquerdista: imaginar que o "povo" freqüenta esse tipo de espaço cultural, e que, por isso, ele deve ser financiado pelo Estado!

Não é o "povo" que freqüenta espaços culturais e se beneficia de "cultura" gratuita: são os próprios membros da esquerda caviar, os filhotes revoltados da alta burguesia, prontos a exigir financiamento estatal para manter seus caprichos.
postado por Alvaro Velloso 4:01 PM

Paraíso vermelho gaúcho

Nota no "Informe JB" de hoje:

"O PT pediu ao Ibope uma pesquisa sobre o desempenho de seus governadores. Mas preferiu esconder os resultados.

"Os números foram bons para Jorge Viana, no Acre, e Zeca do PT, no Mato Grosso do Sul.

"Já Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul, fez feio.

"Muito feio."
postado por Alvaro Velloso 3:53 PM

Terça-feira, Agosto 28, 2001

Bush, Krugman, and the Market

Boa observação de Steve Piraino sobre impostos:

"Taxes transfer the command over resources from the private sector to the public sector. This is costly from the standpoint of individual wants. In the private sector, waste is minimized through the discipline of profits and losses. In the public sector, however, politicians acquire resources based on their ability to speak in public, smear opponents, and reward well-organized pressure groups. As a result, the spending projects financed by taxation generally bear little, if any, relation to the desires of consumers. Value-productive private ventures are starved of capital so that a whole host of useless or nearly useless 'public goods' can be (over)produced."
postado por Alvaro Velloso 5:14 PM

E como disse o Dr. Armínio Fraga Neto,

Não tenho acompanhado as colunas do Millôr no JB, e acho que ele está ficando um pouco chato e repetitivo, mas sua charge de hoje é magnífica, com o Armínio Fraga dizendo:

"Temos que acabar com esses paraísos fiscais. Só assim preservaremos nosso inferno fiscal."

Perfeito! Essa é a razão por trás dos ataques aos "paraísos fiscais": a preservação dos infernos fiscais socialistas e a imposição ao mundo inteiro de altas cargas tributárias ao estilo social-democrata.
postado por Alvaro Velloso 4:52 PM

Mestrado em enfermagem

Falei ontem de alguns cursos bizarros das universidades americanas, mas não é preciso ir tão longe para observar a demência politicamente correta e o dadaísmo desconstrucionista em ação no meio universitário. Transcrevo abaixo o resumo - enviado a mim por um amigo - de uma tese de mestrado defendida na escola de enfermagem da USP. Vou apenas transcrever, porque o texto ultrapassa minha capacidade de comentário e argumentação.

PEREIRA, Wilza Rocha. Poder, violência e dominação simbólicos em um serviço público de saúde que atende a mulheres em situação de gestação, parto e puérperio. - Profª Drª Lucila Scavone (Orientadora).

Esta pesquisa teve por finalidade apreender os processos de construção, instalação e banalização do poder, da violência e da dominação simbólicos dentro de um serviço público hospitalar que atende mulheres em situação de gestação, parto e puerpério. Seus objetivos foram a compreensão desses mesmos processos nas vivências das mulheres pacientes e nas experiências das trabalhadoras da saúde, bem como a apreensão da sua constituição nos aspectos relacionados à organização do espaço físico e burocrático no contexto hospitalar estudado. O referencial teórico-metodológico utilizado foi inspirado na teorização de Pierre Bourdieu sobre poder, violência e dominação simbólicos, cujas foram, neste trabalho, adaptadas para o estudo das relações que ocorrem entre os (as) trabalhadores (as) e as mulheres usuárias de serviços de saúde. Foram incorporados à teorização de Bourdieu as referências conceituais de gênero e etologia, todas muito imbricadas no processo de análise. A análise temática foi a técnica que orientou o tratamento do material empírico. Com base na análise do material coletado através de entrevistas com as usuárias e profissionais de saúde, observação participante, análise de prontuários e filmagem do espaço hospitalar, define três unidades de significado. As duas primeiras unidades se concentram na análise do poder, da violência e da dominação simbólicos nas ações e práticas de saúde da medicina e da enfermagem. A terceira foi reservada ao estudo desses elementos na forma como eles estão impressos no ambiente físico e organizacional do serviço estudado. O quadro analítico da pesquisa apontou, inicialmente, para os processos de construção, banalização e naturalização do poder, da violência e da dominação simbólicos nas práticas de saúde e no espaço físico do serviço estudado. Em sincronia com esse processos, emergiram as diferenças impressas pela aprendizagem de gênero entre as práticas médica e de enfermagem, no que diz respeito ao processo de assistir e se relacionar no hospital. Junto à análise das duas primeiras unidades, evidenciou-se a aguda consciência das mulheres sobre a fragilidade da sua condição de pacientes nos serviços públicos, indicando também as resistências e a rejeição dessas á já naturalizada objetificação de suas pessoas pelas práticas de saúde dentro do serviço estudado. Os dados também revelaram, na análise etológica as muitas adaptações, concessões e mesmo os arranjos feitos pelas mulheres clientes dos serviços públicos para se ajustar ao ambiente hospitalar e a quase inexistente contrapartida do serviço neste mesmo sentido. Portanto, pude concluir que a dominação simbólica, por ser sempre ratificada a partir do olhar dominante, por evidências que podem ser atestadas pela precariedade tanto de seu espaço físico quanto simbólico nos serviços de saúde e por já estar inscrita nas disposições corporais dos indivíduos, bem traduz o valor e a importância da clientela.
postado por Alvaro Velloso 4:39 PM

Inca: Lei que proíbe fumo nas escolas tem que ser cumprida

Poucas coisas ilustram tão bem o crescente poder da classe médica na formação das leis do que a atuação do Inca na legislação antitabagista. Não apenas o instituto está na liderança dos ataques aos heróicos contrabandistas de cigarros (v. minha nota de 18 de agosto), como sempre faz campanhas em prol de leis tolas, como a que proíbe o fumo nas escolas (ameaçando penalizar até com expulsão o professor que violar esse sagrado mandamento).

Diz O Globo:

"Desde 1995, o Inca desenvolve o programa 'Saber Saúde' para levar informação a alunos e professores sobre os danos que o cigarro pode causar. É feita uma capacitação de professores para que eles desenvolvam um trabalho de conscientização entre os alunos. São dinâmicas de grupo e palestras para repensar a posição do jovem em relação ao cigarro. O programa já funciona em 36 escolas de todo o estado e atende a mais de treze mil alunos."

Até aí, tudo bem. Ninguém questiona o direito - e o dever - das entidades médicas de procurar instruir a população, de divulgar suas descobertas (embora isso devesse ser feito com um pouco mais de honestidade do que é feito atualmente, sem que meras conjeturas fossem apresentadas como conclusões apodícticas.) O problema surge quando os médicos deixam seu papel de aconselhar e educar e assumem o papel de legisladores, prontos a interferir na liberdade alheia em nome de uma utopia sanitária que iguala a "vida saudável" à vida virtuosa, e pretende criminalizar todos os comportamentos que não correspondam a essa vida saudável ideal.

As leis antitabaco são frutos dessa socialização da medicina, que transforma o tratamento médico em imposição estatal (especialmente através da "medicina preventiva"), e cria "crimes" absurdos, que penalizam ações que não prejudicam ninguém além de seu próprio autor, interferindo indevidamente na liberdade individual.
postado por Alvaro Velloso 4:31 PM

Lolitas e feministas

Lúcia Rito escreve na página de opinião de hoje do Globo sobre o alerta para os pais dado por uma minissérie da Globo chamada "A presença de Anita”. Segundo ela:

"Entre as várias leituras sugeridas, podem-se encarar a ousadia e a precocidade da personagem vivida no vídeo como um sinal de alerta para os pais com filhas na idade de Mel. No sentido de refletirem não só sobre como lidar com a sexualidade delas quando o crescimento se torna evidente como sobre o desafio que é passar a noção do que é liberdade e do que é permissividade nas relações amorosas."

Não vi a minissérie, e imagino que ela seja formada pela combinação de péssimos atores, diálogos absurdos e pornografia que normalmente formam a "dramaturgia" televisiva brasileira, mas a jornalista informa que ela trata de uma relação amorosa entre uma adolescente e um sujeito de meia-idade. Lúcia Rito aponta para a banalização desse tipo de relações e para a sexualização da adolescência, e atribui isso à permissividade dos pais e sua dificuldade em lidar com a sexualidade das filhas.

Tudo bem, mas acho que Carol Iannone, algumas semanas atrás, foi mais diretamente ao ponto, ao mostrar como o feminismo e a feminização dos jovens são responsáveis pela crescente atração de meninas por homens mais velhos. Dizia ela:

"Feminism and the individualistic liberalism out of which it arose also denied the primary importance of the larger social whole that gives human existence its full meaning. There is no such thing as one sex being independent of the other; even monks and nuns have to deal with the existence of the opposite sex. Men and women are locked into a complementariness that they cannot escape in this world, and that normally leads to an even wider web of connection to family and community. In place of this deep-rooted interrelatedness, our hyper-individualistic culture substitutes romantic or sexual exploration devoid of moral and social supports. While feminists may insist that women can have sex as men (purportedly) do, with no strings attached, women’s longing for attachment persists. Without good ground in which to thrive, however, this longing can take stunted and perverted forms.

"Ironically, the attraction of young women to older and often married men may actually be a misguided attempt to capture some degree of this male-female complementariness. Women have always had a tendency to be drawn to men significantly older than themselves, of course, as attested to by certain famous literary couples such as Emma and Mr. Knightley, Kitty and Levin, Scarlett and Rhett. But now the age gap seems to be widening dramatically, and women consort with men old enough to be their fathers and even their grandfathers. What was once a joke in medieval literature is apparently becoming more common in the late modern era.

"If so, this is really not surprising. Under several decades of the feminist dispensation, boys have been tutored not to grow into good men but to become more like women. As a result of this unnatural education, younger men today can appear altogether unformed–crass, callow, unappealingly androgynous, afraid of responsibility and prone to wearing baseball caps backwards. Popular entertainment and advertising show women acting aggressively, seizing control and possessing superior wisdom to men, yet in reality many women want men to be dominant, to take charge and to direct their mutual life. Though women nowadays scarcely dare admit such desires to themselves, they nevertheless may seek to satisfy them by joining themselves to older men who possess a more seasoned masculinity."
postado por Alvaro Velloso 4:17 PM

Segunda-feira, Agosto 27, 2001

Mercado paga até 60% menos a negro

Os cientistas sociais estão em festa: com a proximidade da conferência da ONU sobre racismo, está aberta a temporada para a pseudociência socialista, e até mesmo pesquisas velhas podem ser desengavetadas.

O Ipea já apresenta a sua: "O Perfil da Discriminação no Mercado de Trabalho". A argumentação é que "homens e mulheres negros recebem salários até 60% inferiores aos pagos a brancos do sexo masculino."

Vamos ao óbvio: uma pesquisa dessas só faz algum sentido se demonstrar que, trabalhando na mesma empresa, no mesmo cargo, com as mesmas qualificações e a mesma produtividade, negros recebem salários menores do que brancos. Só neste caso é possível (e mesmo assim não é absolutamente correto, podendo ser certo em alguns casos e errado em outros) atribuir essa diferença salarial ao racismo. Qualquer outra argumentação é puro charlatanismo - e é óbvio que este é o caso da pesquisa do Ipea.

A pesquisa tirar a média dos salários de brancos e negros e atribui a diferença ao racismo - isto é, um neurocirurgião branco ganha mais do que um porteiro negro por efeito do racismo brasileiro. Puro charlatanismo.

Reconhecendo que, exposto dessa maneira, o estudo é absurdo, os pesquisadores tentaram sofisticá-lo um pouco mais, e introduziram a comparação entre brancos e negros com o mesmo grau de escolaridade:

"Para comprovar a discriminação racial, o pesquisador fez também uma comparação entre o rendimento de pessoas de mesmo nível educacional e idade, mas de diferente sexo e cor. 'É a evidência que a sociedade brasileira não aceita que negros ocupem posições favoráveis na estrutura de rendimentos e que quanto mais os negros avançam, mais são discriminados', declara."

É um pouquinho menos rudimentar, mas ainda é charlatanismo. Mesmo grau de escolaridade não significa absolutamente nada, porque a posse de um diploma não garante o acesso a um emprego, genericamente, e, especificamente, a posse de um determinado diploma não garante o acesso a um determinado emprego.

Suponha que um empregador entreviste, para o mesmo cargo, um branco e um negro, ambos formados na mesma faculdade no mesmo ano (pressuposto que não é feito pelo pesquisador e que tornaria a pesquisa um pouco menos absurda). O que o pesquisador está dizendo é que, se o empregador opta pelo branco, não importa quais são seus motivos reais - ele está sendo racista. Não é levada em conta nem mesmo a possibilidade de existência de outros motivos que não a discriminação racial.

Não é nem mesmo levado em conta o fato de que o mercado oferece um incentivo contrário ao racismo, porque preterir um funcionário mais eficiente em favor de um menos eficiente, por um fator irracional (racismo), prejudica a própria empresa!

É óbvio que a pesquisa não consegue provar o racismo do mercado. Ela só prova que existem mais negros pobres do que brancos pobres no Brasil - o que não precisávamos do Ipea para saber - mas não consegue estabelecer uma relação causal entre esse fato e o racismo. E dificilmente conseguiria, porque essa diferença se deve a fatores históricos e econômicos (a escravidão, a forma injusta com que ela foi extinta sem que se pagassem reparações aos negros escravizados, e a industrialização tardia do Brasil), não à megaconspiração racista imaginada pelos autores da pesquisa - e por seus companheiros na imprensa, no Governo, nas ONGs, que certamente passarão a semana inteira repetindo enchendo nossa paciência com a repetição obsessiva de dados igualmente falaciosos.
postado por Alvaro Velloso 5:51 PM

Dividir para governar

Outro exemplo da tirania burocrática globalista é a conferência sobre racismo, para a qual o Brasil está levando diversas propostas "progressistas" - até porque se não o fizesse não seria bem-vindo na conferência.

A pesquisa sobre quotas raciais no site do Globo hoje dá duas opções para os votantes - "as quotas são uma boa forma de reduzir a desigualdade" ou "não é justo usar a cor da pele como critério de admissão". Mais 85% deles escolheram a segunda opção, e resultados semelhantes certamente seriam obtidos em outras pesquisas. Até hoje há protestos na UERJ contra a lei que garante uma quota de vagas para os estudantes de escolas públicas.

Essa oposição popular acontece porque a idéia de quotas é instintivamente repulsiva, porque é obviamente injusta e introduz privilégios num sistema que se pretende meritocrático. Mas nada disso influirá no curso de ação do Governo - nem mesmo os protestos das próprias faculdades. Mais importante é agradar à ONU e tomar "ações afirmativas" contra o "racismo" - mesmo imaginário.

De minha parte, repito a opinião que dei sobre a reserva de vagas na UERJ: espero que as quotas se restrinjam às universidades públicas e, portanto, não interfiram nos direitos de propriedade privada. O resultado será uma decadência no ensino público, de tal forma que nem "provões" calculados para humilhar as escolas privadas e exaltar as públicas poderão negar o óbvio, e surgirá um bem-vindo incentivo à qualidade de ensino no setor privado.

O único motivo pelo qual certas faculdades públicas ainda têm uma certa superioridade no ensino em relação às privadas é o fato de seus vestibulares serem mais concorridos e atraírem os melhores alunos. Rejeitados para atender a pressões raciais, esses alunos tenderão a engrossar as fileiras do setor privado - que, se hoje tem como interesse comercial legítimo permitir a entrada de qualquer semi-analfabeto nas suas faculdades, breve terá de criar sistemas mais rígidos de controle de entrada para atrair esses alunos melhores que passarão a evitar as faculdades públicas. Isso tudo é positivo porque, apesar do controle do MEC (criado para evitar isso), há sempre maiores possibilidades de desenvolvimento de opiniões independentes e de questionamento da ortodoxia socialista no ensino privado do que no ensino público.

Mas não há motivos para animar-nos. A tendência é que surjam novas pesquisas mostrando o "racismo" nas escolas privadas e que as quotas sejam estendidas para todos. Essa intromissão no direito de propriedade, com o subseqüente aumento da margem de interferência estatal na autonomia individual (agora em escala mundial) está na essência das políticas raciais. Como disse Hans-Herman Hoppe:

"Almost by definition, a state’s territory extends over several ethno-culturally heterogeneous communities, and dependent on recurring popular elections, a state-government will predictably engage in redistributive policies. In an ethno-culturally mixed territory this means playing one race, tribe, linguistic or religious group against another; one class within anyone of these groups against another (the rich vs. the poor, the capitalists vs. the workers, etc.); and finally, mothers against fathers and children against parents. The resulting income and wealth redistribution is complex and varied. There are simple transfer payments from one group to another, for instance. However, redistribution also has a spatial aspect. In the realm of spatial relations it finds expression in an ever more pervasive network of non-disciminatory 'affirmative action' policies imposed on private property owners.

"An owner’s right to exclude others from his property is the means by which he can avoid 'bads' from happening: events that will lower the value of his property to him. By means of an unceasing flood of redistributive legislation, the democratic state has worked relentlessly not only to strip its citizens of all arms (weapons) but also to strip domestic property owners of their right of exclusion, thereby robbing them of much of their personal and physical protection. Commercial property owners such as stores, hotels, and restaurants are no longer free to exclude or restrict access as they see fit. Employers can no longer hire or fire who they wish. In the housing market, landlords are no longer free to exclude unwanted tenants. Furthermore, restrictive covenants are compelled to accept members and actions in violation of their very own rules and regulations. In short, forced integration is ubiquitous, making all aspects of life increasingly unpleasant."
postado por Alvaro Velloso 5:26 PM

Conheça seus "líderes"

Viviane Senna, Angela Amin, Yeda Crusius, Aspásia Camargo, Rosiska Darcy, Gabeira, Luiz Pinguelli Rosa, Marcos Sá Correa, Rubem César Fernandes, Denise Frossard, Fábio Feldman.

O que essa legião de comunistas e social-democratas fazia reunida na Fundação Getúlio Vargas, semana passada? Tentava influir no destino do mundo. Eles formam a "Comissão sobre Globalização" e foram convocados pela famosa ONG globalista State of the World Forum, que faz reuniões no mundo inteiro para promover o governo mundial e é liderada por Gorbachev e financiada por George Soros, para debater a reforma da OMC, do FMI e do Banco Mundial.

Eu sempre tenho a impressão de não ser capaz de comunicar a gravidade de determinadas questões, e é por isso que preciso voltar a esta: são essas pessoas que estão representando a opinião brasileira na definição de regras que governarão o mundo inteiro. Era disso que eu tentava falar no meu artigo de sexta: todos aqueles que falam em aumentar o poder das organizações transnacionais para "controlar o capital" e tornar a globalização mais igualitária estão defendendo o aumento de poder para comissões como essas, um conjunto de burocratas "iluminados" que ninguém elegeu, que não respondem por nada a ninguém e que conduzem suas reuniões a portas fechadas, sem que ninguém saiba o que realmente se discutiu nelas e quais serão seus efeitos no mundo real (felizmente, no caso de reuniões brasileiras, esses efeitos serão poucos). É essa tirania burocrática que ONGs globalistas promovem, e essa - e não a expansão do comércio no mundo - é a verdadeira ameaça da "globalização".
postado por Alvaro Velloso 5:01 PM

The Dirty Dozen 2001-2002

"The dirty dozen" é uma lista de doze dos mais bizarros cursos politicamente corretos das universidades americanas, extraída do livro "Comedy & Tragedy: College Course Descriptions and what They Tell Us about Higher Education Today", publicado anualmente pela organização conservadora Young America's Foundation. Eis os meus preferidos:

"Some universities use the guise of multiculturalism to study sex. At the University of Chicago, students study The Kamasutra and The Laws of Manu. In this class, students use these texts to 'discuss religion, sex and politics in ancient India'.

"Columbia University students can enroll in Pirates, Boys, and Capitalism. Using the image of a pirate, this course 'aims at introducing students to key problems in anthropological and cultural theory concerning colonialism, violence, homosexuality, rebellion, and the importance of the child's imagination'.

"Religion students will take Multicultural Biblical Criticism at Harvard University. This course attacks conventional readings of the Bible. It claims, 'African, Asian, Indigenous, Latin American, Aboriginal, American Indian, Latina/o-Hispanic, and Australian studies as well as, ethnicity, feminist, womanist, black, queer, liberation theological, postcolonial, and third World studies, have begun to de-center the hegemonic paradigm of biblical studies'.

"Villanova University offers Eco Feminism which explores 'the role of ecofeminist thought in the development of a "postmodern" societal paradigm and in a radical reconsideration of destructive and unquestioned beliefs concerning justice, peace and community'.

"The University of California-Irvine teaches feminist propaganda in the course Sexism and Power. This course teaches that 'males and females are objects constructed in powered language dominated and controlled by males to their positional and distributional advantage'."
postado por Alvaro Velloso 4:47 PM