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Surpresa!No Swann, hoje:
"A crise tem levado alguns empresários a pensar besteira. Após a antiética maquiagem de produtos, há indústrias graúdas cogitando reduzir drasticamente a produção, diante do controle de preços do governo."
Bom, talvez agora reaprendamos uma lição básica de economia: controle de preços leva a escassez. (Duh!)
A nota tem a vantagem de reconhecer que a proibição às mudanças nas embalagens não tem absolutamente nada a ver com fraude ao consumidor, mas é um controle de preços disfarçado (e quem está cometendo fraude, repito, é o próprio Governo). Resta saber por que os jornalistas que a escreveram pensam que isso é "besteira": se não podem passar seu aumento nos gastos para os preços, o que é que os empresários devem fazer? Ir à falência.
Pior ainda é o título da nota: "Alô, Malan!". Por que o apelo ao ministro? Será que os jornalistas querem que o ministro obrigue as empresas a ter prejuízo? Ou estarão alertando o ministro para os efeitos maléficos do controle de preços?
A primeira possibilidade é uma sugestão bizarra, mas a outra é sensata demais para a imprensa brasileira. Sim, eles querem o prejuízo forçado, talvez porque pensem que as empresas pretendem reduzir a produção porque são malignas e querem sacanear o "consumidor" - que em breve não poderá consumir muito...
postado por Alvaro Velloso 7:38 PM
Abuso de empresas apressa a criação de superagência do consumidorLembram quando o Fernando Henrique disse que o Brasil era um país fácil de governar? Realmente, é fácil dirigir um governo social-democrata no Brasil: você não tem trabalho nenhum em convencer a população da necessidade de mais tirania; a imprensa faz todo o trabalho.
Basta uma pequena denúncia, uma campanha de não mais de uma semana, alegações de que empresas malignas estão explorando pobres e indefesos consumidores, e pronto: o clamor por uma nova legislação e por uma nova "agência reguladora" (o instrumento tirânico preferido dos social-democratas, e que o tucanato tem usado com freqüência de fazer inveja a FDR) está nas ruas, e está pavimentado o caminho para mais burocracia, mais violação de direitos de propriedade e mais intrusão na vida das empresas.
Já comentei aqui a "denúncia" do Globo e da Época sobre a "fraude" que não é fraude: algumas empresas simplesmente reduziram a quantidade de produtos em suas embalagens, mantendo o preço - isto é, aumentaram o preço de outra forma. Mas, embora obviamente não haja nenhuma fraude (porque a embalagem diz expressamente a quantidade que contém, e ninguém está alegando que as informações são falsas), para os socialistas de plantão, isso é um crime contra a "economia popular". Por que alguém teria direito a comprar sempre os mesmos produtos com os mesmos preços, especialmente quando houve um aumento no dólar e nos gastos com energia, que certamente refletiram nos custos das empresas, é pergunta a que eles não podem e não querem responder. Não esperem, pois, argumentação de social-democratas. Eles preferem o sentimentalismo.
Então, lá estava O Globo, na segunda-feira, trazendo uma entrevista com uma pobre dona de casa que está tendo de gastar dois reais a mais em fraldas. Isso é o suficiente: o Estado precisa intervir para "proteger" a consumidora (e violar os direitos de propriedade alheios e prejudicar ainda mais a atividade empresarial no Brasil). Pronto: está prestes a nascer uma nova agência reguladora!
"O governo estuda antecipar, por medida provisória (MP), a criação de uma superagência nacional do consumidor e da concorrência, para combater os crescentes abusos à ordem econômica, informou ontem uma graduada fonte da área econômica. A expectativa é de que a MP saia nos próximos dias."
Mas não é só isso. O governo admite que as ações das empresas foram legais, mas isso não é motivo para deixar de puni-las: o governo vai criar uma nova lei, punindo essa prática de redução das embalagens, e pretende punir as empresas com base nela!
"Além disso, amanhã deverão ser anunciadas novas medidas, provavelmente via alterações na legislação, para prevenir e punir os casos de redução de pesos e volumes de produtos sem a correspondente redução de preços."
Não vou nem dizer que a lei nova infringe direitos de propriedade e pune uma ação que não viola direito de ninguém. O problema é anterior: o governo não pretende apenas punir infrações futuras; pretende já usar a lei nova contra as empresas de papel higiênico. Ora, quando se fala em "Estado de direito", entende-se que, no mínimo ("no mínimo" porque essa é uma garantia formal do cidadão contra o Estado, e é óbvio que garantias formais não bastam), os cidadãos têm o direito de conhecer quais são as regras a que devem obedecer, para que não fiquem sujeitos ao arbítrio estatal. E cá estamos, criando uma exceção: você tem direito a conhecer antecipadamente as regras, exceto se você for um empresário malvado e ganacioso que faz pobres donas de casa gastar mais em fraldas e em papel higiênico; neste caso, o Estado pode criar uma lei depois da sua ação, especificamente para punir você. Esse é a exceção social-democrata ao Estado de direito.
E se tudo isso parece pouco, vem mais por aí: "o secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, disse que o governo estuda a criação uma política de padronização de embalagens." É claro que, exatamente como não precisamos de um ministro do planejamento, não precisamos de um "secretário de acompanhamento econômico". A única função desse sujeito é atrapalhar a vida alheia - e aí está ele, cumprindo muito bem essa função. (Padronizar emabalagens... pfffffui, diria o Paulo Francis.)
Uma nota final: o que mais me incomoda neste caso não são as denúncias da imprensa. Tudo bem que ela noticiasse que alguns produtos tiveram sua embalagem reduzida sem redução proporcional no preço, e alertassem o consumidor para isso. Esse realmente é o seu papel. O que é deprimente é que, neste como em todos os outros casos, ela toma este incidente como ponto de partida para exigir mais intervenção estatal, mais violação de direitos de propriedade, mais ódio aos empresários; em vez de cumprir seu papel de informar o público, ela cumpre o papel de cortesã do Estado, de apologista do Leviatã. (Exatamente como, há alguns meses, o mesmo O Globo pressionou o Governo para introduzir normais mais rígidas na Alfândega - dando origem a algumas normas patentemente ilegais e a outras que simplesmente tornaram a alfândega ainda mais intrusiva e abusada do que já era.)
postado por Alvaro Velloso 5:20 PM
Ignorando o HolocaustoÉ realmente preocupante a notícia que Osias Wurman divulga em seu artigo de hoje, a de que, segundo pesquisa do Ibope, 77% dos brasileiros desconhecem o termo "holocausto" e que apenas 4% sabem definir corretamente o significado da palavra.
Resta esclarecer, porém, um ponto importante, do qual o autor não parece ter cogitado: as pessoas que ignoram a palavra também ignoram o fato histórico? É sabido, embora dizê-lo seja politicamente incorreto, que os brasileiros são, em sua grande maioria, ignorantes e de vocabulário limitado. Talvez esses 77% achem "holocausto" uma palavra demasiado complicada, mas quantos deles realmente ignoram que houve uma perseguição sistemática e um genocídio de 6 milhões de judeus na Alemanha nazista? Essa não foi a pergunta da pesquisa - que é mais lingüística do que histórica, à semelhança de um quadro que, alguns anos atrás, havia no "Fantástico", que tomava uma palavra de um discurso de algum político e perguntava às pessoas na rua se sabiam seu significado - mas Wurman reage e comenta a pesquisa como se tivesse sido.
Vale acrescentar que, na medida que o resultado reflete alguma ignorância histórica, essa certamente não é uma ignorância localizada. Tenho certeza de que porcentagens ainda menores saberiam dizer o que eram os "gulags", quem foi Joseph Stálin, ou o que foi a Revolução Cultural chinesa. Não é que os brasileiros desconheçam apenas as atrocidades nazistas: eles desconhecem a história, de uma maneira geral, e certamente conhecem menos as atrocidades comunistas do que as nazistas, porque estas são retratadas o tempo todo na TV e no cinema, enquanto quem ouse falar daquelas vai, mais cedo ou mais tarde, ser chamado de... nazista!
Pior ainda é a tentativa de Wurman de ver no resultado da pesquisa um sinal do racismo geral brasileiro, atribuído por ele à "propaganda racista" e a sites de "extrema direita". Desculpem a falta de respeito, mas não vejo como como caracterizar essa opinião senão como um delírio esclerótico. Que sites tão perigosos são esses dos quais nunca ouvi falar?
Talvez seja ingenuidade minha, e talvez haja nazistas pululando na internet brasileira, mas, em mais de cinco anos de acesso, só vi UM site racista brasileiro, uma única vez, e nem me lembro do endereço. Era escrito em português lamentável e tinha design paupérrimo. Duvido que o site receba mais de dez visitas por dia, e ele certamente não influencia a "opinião pública" brasileira!
Pior ainda é a sugestão de que exista "propaganda racista" por outros meios que não a intenet (jornais? revistas? televisão??). Onde diabos está essa propaganda, que ninguém nunca a viu, só o sr. Wurman?
É certo que existe racismo no Brasil. Existe racismo em todo lugar. Mas as opiniões citadas por Wurman, de pessoas que não gostariam de morar ao lado de árabes, judeus, ou ciganos, são meramente isso - opiniões. Nunca se ouviu falar de um movimento de massa para expulsar judeus, árabes ou ciganos de onde quer que seja, em lugar nenhum do Brasil. Será que isso não basta para mostrar que, apesar de ter idéias racistas, ninguém por aqui é maluco ou demente a ponto de pô-las em prática?
Agora, o sr. Wurman proporia que fizéssemos contra idéias racistas? Lavagem cerebral coletiva? Na sua ânsia de atribuí-las a fatores que simplesmente não existem, ele esquece a origem mais óbvia: o simples caipirismo, o medo do diferente, do outro, que se manifesta numa desconfiança e num ódio irracional - mas que, no caso brasileiro, nunca foi tão grave a ponto de causar conflitos raciais.
Voltando à pesquisa, vale lembrar o seguinte: a pesquisa não está dizendo que os brasileiros não acreditam que o Holocausto aconteceu; está dizendo que eles não sabem o que é o Holocausto. Essa distinção é crucial, mas Wurman argumenta como se as duas fossem a mesma coisa. Não saber o que é o holocausto não é anti-semitismo; é ignorância.
(Falando, aliás, em ignorância, Wurman dá a lista das vítimas do nazismo, a mesma de sempre: "judeus, testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais e deficientes físicos". Há um outro grupo que também foi perseguido e que está sempre ausente das listas de vítimas oficiais: os católicos. Certamente Wurman ignora esse fato. Direi, então, que ele é um anticlericalista, ou um anticatólico??)
Por fim, devo dizer que concordo com a proposta de Wurman: que se enfatize o horror nazista na educação, que se faça uma "ampla campanha de divulgação de obras literárias como as do sobrevivente de campo de concentração Primo Levi, que emociona seus leitores quando relata a fidelidade judaica às tradições milenares no personagem Mendel, um prisioneiro que, mesmo doente e faminto, fazia questão de jejuar no dia de Yom Kippur — o dia do perdão religioso."
Mas também seria bom que o nazismo não fosse retratado, como sempre é no ensino brasileiro, como um radicalismo "de direita", o ponto culminante do capitalismo, e sim como o progressismo socialista e darwinista que realmente é. Seria melhor ainda que, junto com a campanha de divulgação dos crimes nazistas, se divulgassem os crimes comunistas (inclusive contra judeus, que foram mortos aos milhares por Stálin), com "ampla campanha de divulgação das obras literárias" como as de Armando Valladares e Aleksander Solzhenitsyn...
postado por Alvaro Velloso 4:51 PM
Fome de cidadania ou fome de dados concretos?"A globalização e a aplicação das idéias neoliberais não têm conseguido diminuir a pobreza e a fome no mundo. Muito pelo contrário, a concentração de renda e a fome têm aumentado, e já prevalece a idéia de que o 'mercado' não é capaz de solucionar tais problemas, sendo necessária a intervenção do estado e importante a efetividade de suas leis."
Não me canso de ler afirmações semelhantes, em toda a imprensa esquerdista. Mas nunca vi ninguém apresentar dados concretos. Para demonstrar essa opinião - que já virou um lugar-comum - seria necessário provar que aqueles países em que a economia é menos regulada, em que o mercado é mais livre, são os países mais pobres e em que há mais fome.
Seria preciso mostrar que as pessoas estão morrendo de fome em países horríveis como Hong Kong e Suíça, enquanto paraísos na Terra como Albânia, Cuba, Congo, África do Sul e Coréia do Norte são exemplos de invejável prosperidade. Seria, ainda, preciso explicar por que o Zimbábue, governado por um comunista que até criou uma versão dos "sem-terra", vive na miséria, enquanto Botsuana, que tem um governo minimamente intrusivo, é o talvez o país africano com melhor padrão de vida. Seria preciso explicar por que a integração das duas Alemanhas foi tão traumática, dada a disparidade de nível de vida entre o lado comunista e o lado capitalista. Seria preciso explicar a brutal diferença de prosperidade na China depois da abertura econômica de Deng Xiaoping - mesmo limitada - em relação ao período de Mao.
A lista de coisas inexplicáveis poderia continuar. Mas não é nem preciso pensar nela. Basta notar que a frase em questão foi usada para apoiar a argumentação de um artigo do presidente do sindicato fluminense dos fiscais de renda, em favor de controle mais rígido da cobrança de impostos. O nosso amigo está, obviamente, advogando em causa própria, defendendo um "interesse de classe". Mais intervencionismo, mais burocracia, mais impostos, mais controles... mais renda para os fiscais de renda. E a fome do povo brasileiro entra na história como belo pretexto.
postado por Alvaro Velloso 2:21 PM
Coronel: as pessoas precisam cheirar menosO comandante da Polícia Militar, em declaração na 1 Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul, descobriu o óbvio: não adianta tentar suprimir a oferta se existe demanda. Enquanto for lucrativo fazê-lo, haverá produção e venda de drogas. Mas em vez de daí partir para a conclusão igualmente óbvia, ao menos numa sociedade livre - a de que a guerra às drogas é uma guerra perdida e que as "inovações tecnológicas" divulgadas na conferência são um imenso e criminoso desperdício do dinheiro do contribuinte (não apenas porque a guerra é perdida, mas também porque, não custa lembrar, ela é ilegítima; torná-la mais eficiente é tornar a polícia mais eficiente em violar direitos) - o coronel caminhou na direção oposta, a da sociedade totalitária. Para ele, a solução, então, é pôr na cadeia todos os usuários.
A "guerra às drogas", chega, assim, à sua conclusão inevitável na lógica tirânica: para proteger as pessoas de si mesmas, vamos pô-las na cadeia - onde elas serão sodomizadas, torturadas e viverão em condições sub-humanas. Essa é a "solução" para o problema das drogas apresentada pelo coronel; a mesma, aliás, que se põe em prática nos EUA e que fez a população carcerária daquele país aumentar assustadoramente.
Recentemente, esteve em todos os jornais o caso do cabeleireiro gay que foi torturado na prisão, onde estava porque a polícia invadiu a sua casa e encontrou três cigarros de maconha. O sujeito virou um herói do movimento gay, que viu no caso dele um exemplo da discriminação que sofrem os gays. Se esse movimento ainda fosse - como era na origem - um movimento em prol da privacidade e dos direitos individuais, e não um movimento histérico e de tendência tirânica que deseja obter benesses estatais, eles teriam aproveitado a oportunidade não para protestar contra a discriminação dos gays - que não tem absolutamente nada a ver com a história - mas contra a ilegal guerra às drogas. Não foi por discriminação que a polícia pôde invadir a casa do sujeito com base numa denúncia de um vizinho; foi por causa da guerra às drogas. Não foi por causa da discriminação que o cabeleireiro foi preso; foi por causa da absurda criminalização de um comportamento que não faz a absolutamente ninguém além do próprio indivíduo que realiza.
Perdeu-se, aí, uma ótima oportunidade de mostrar a face tirânica dessa criminalização, e de tirar o debate da mão de apologistas das drogas de um lado e brucutus com vocação ditatorial do outro (não estou igualando os dois lados; é óbvio que estes são infinitamente mais perigosos do que aqueles; apenas digo que o fato de gente como Gabeira e Zuenir Ventura serem os críticos da guerra às drogas no Brasil serve mais para desmoralizar essa crítica do que para desmoralizar a proibição).
postado por Alvaro Velloso 2:02 PM
Fur flies over invasion of the dead catsA turma dos "direitos dos animais" está nervosinha com um brinquedo que está se tornando muito popular na Inglaterra: gatos de mentira que parecem verdadeiros, porque cobertos com pêlo verdadeiro de coelhos mortos.
"The idea of producing a cardboard cat covered with old rabbit pelts was the brainchild of Lynn Lewis, a former presenter of the BBC's Nationwide programme. 'What always gives away a stuffed toy is the eyes, which never look real,' said Lewis, who now runs a company called Nauticalia. 'But if you just close them and have it curled up, it looks as though it is a sleeping cat'.
"That, however, does not assuage the ire of cat lovers. 'There's something sick about people wanting to buy a stuffed cat made with real fur,' said Sue Parslow, editor of Your Cat magazine. 'It's even worse in Germany where they use real cats' fur for some toys'.
"Lord Hattersley, the old Labour dog-lover who recently described the word feline as meaning "sleekly treacherous, smooth yet untrustworthy", was nevertheless disgusted by the treatment meted out to the dummy cats. 'You don't have to like animals to look after them properly,' he said. 'I don't think it promotes proper respect for animals'."
Como sempre, muito barulho por nada. Ninguém vai passar a maltratar gatos porque se acostumou a maltratar um gato de pelúcia, porque a diferença essencial entre bichos de verdade e bichos de mentira não foi revogada; pelo raciocínio do político inglês, todos os bichos de pelúcia deveriam ser abolidos. Ademais, se a própria noção de "direitos dos animais" é absurda, é ainda mais absurda a noção de direitos dos bichos de pelúcia!
É óbvio que não há nenhum direito sendo violado pela produção e venda do falso gato.
É menos óbvio que haja tanta gente interessada nele, mas parece que realmente há. Além das crianças que os usam como frisbees ou para assustar seus avós (sentando em cima do "gato", por exemplo), há quem diga que ter um deles é como ter um gato de verdade, sem ter o mesmo trabalho:
"'I used to have a real cat and this one gives me the same feeling,' said Stephan Lambert, a London employment consultant working with the United Nations. 'You feel you have to walk carefully around it so as not to disturb it'.
"That, however, has not stopped Lambert and other owners from taking advantage of the mock moggies' shock value. 'I left it by the telephone recently when a BT engineer came to test the line,' said Lambert. 'He asked me to move the cat. I said "no problem" and gave it a kick. He was horrified until he realised it wasn't real'."
E ainda há propriedades terapêuticas:
"Workers at the Samaritans have used them to comfort distressed clients, while elderly and sick people have been keen buyers. 'They are a great comfort to our residents as they can't have real cats,' said Annie Finlay, of The Cosby convalescent home in Ballycastle, Co Antrim, who has bought 12 of the 'pets'."
postado por Alvaro Velloso 1:33 PM
Propaganda do anoOutdoor do jornal "O Povo":
"Crime passional ou chifrudo vingativo? Depende do jornal que você lê."
postado por Alvaro Velloso 1:17 PM
Movimento Pró-ConsciênciaCada vez mais penso que não há limites para a demência humana. O que há de movimentos New Age com pregações idiotas é de assustar qualquer um. Vejam esse MPVEC, que descobri por acaso, e que é uma boa ilustração do que eu dizia no artigo de sexta-feira sobre a "religião" modernista: tudo é paz e amor, não há dogmas, não há mandamentos - em suma, não há Revelação; há apenas um sentimento difuso e indefinido de "amar", um subjetivismo beirando a doença mental, e algumas exortações banais à "libertação".
É curioso que um movimento "pró-consciência" comece por buscar "libertar" o homem do mundo real e fazê-lo "redescobrir" o "mundo interior" - isto é, aprisioná-lo ainda mais às próprias ilusões, que não terão mais de sofrer a confrontação do mundo real:
"Não, não somos e nem pretendemos ser uma religião, mas religar o homem a Deus. Esta religação favorece a ampliação da consciência, conduzindo ao mundo interno e nos libertando dos cárceres da religião que tanto nos oprimiu durante muito tempo."
Não há aprisionamento maior para a consciência do que esse subjetivismo radical pregado pela seita em questão. Piores ainda são seus objetivos práticos:
"[Seu propósito final é] que o indivíduo se torne auto-consciente, auto-conduzido e auto-realizado sem precisar de nenhum mestre externo, guru, pastor etc. Objetiva a prática das virtudes, uma alimentação equilibrada, sem ingerir carne animal, tendo a meditação diária como canal de expressão de intuição e juntamente com outros da mesma frequência, formar as bases de uma nova civilização de paz, compreensão, fraternidade e amor."
Gostei do termo "freqüência": imagino todos estarão sintonizados na mesma freqüência, comunicando-se telepaticamente e formando uma "nova civilização". Porca miséria, já repararam que nenhuma seita New Age se satisfaz em garantir a paz interior de seus próprios membros? Não, elas estão sempre lançando as bases para uma "nova civilização" em escala planetária. Mas civilização não é coisa que se crie em uma semana, e algo que diz que o surgimento de uma civilização com as bases defendidas pelo movimento em questão ("virtudes" nunca definidas, "meditação" levando ao subjetivismo radical, comunicação por via telepática, ausência de hierarquias de conhecimento e virtude, e "alimentação equilibrada"!) não é questão de tempo, mas de impossibilidade ontológica.
postado por Alvaro Velloso 1:15 PM
Diferentes "liberdades"Passando rapidamente pelos canais ontem à noite, vi que um sujeito (um "cientista político", imagino) estava sendo entrevistado no Manhattan Connection. Não tenho paciência para assistir ao programa, e acabei nem descobrindo o nome do entrevistado, mas quando passei pelo canal ele estava desenvolvendo um argumento curioso: segundo ele, a diferença entre liberal-democratas e marxistas radicais é que os marxistas querem, primeiro, a "liberdade econômica", e depois as demais liberdades, enquanto os liberal-democratas priorizam a liberdade política. Ele acrescentou que, todas as vezes que se tentou primeiro dar a liberdade econômica para depois implantar as liberdades políticas o resultado foi desastroso.
É impossível entender literalmente a afirmação do entrevistado. Ou o termo "liberdade" ou o termo "marxista" está sendo usado de forma figurada, pelo fato simples de que nenhum marxista no mundo algum dia pregou a liberdade econômica (entendida, como só pode ser entendida, como um sistema baseado no direito de propriedade e livre de intervenções estatais). O marxismo prega a igualdade econômica, aquele sistema do qual disse o romancista James Fennimore Cooper: "Equality of condition is incompatible with
civilization, and is found only to exist in those communities that are
but slightly removed from the savage state. In practice, it can only
mean a common misery", o que é extensamente comprovado pela experiência comunista ao redor do mundo. (Resta o insolúvel mistério de por que diabos o entrevistado disse liberdade em vez de igualdade - termos antitéticos, uma vez que só é possível implantar um sistema de igualdade econômica à força, isto é, à custa da liberdade!)Ou então o cientista político usava o termo marxista em sentido figurado, querendo dizer, simplesmente, liberais - o que transformaria sua distinção de uma distinção entre duas correntes esquerdistas para uma distinção entre uma corrente esquerdista e uma corrente direitista. É conhecida, por exemplo, a argumentação de F. A. Hayek sobre o "caminho da servidão", ao qual o intervencionismo estatal na área econômica inevitavelmente levaria. Estaria o entrevistado tentando refutar esse tipo de argumentação?
Se era essa sua intenção, seu posicionamento é ainda mais absurdo, porque a liberdade política pressupõe a liberdade econômica, e é absolutamente impossível sem ela. Teríamos, segundo ele, de primeiro garantir os direitos políticos, mas ainda preservando o estatismo econômico - sem direitos de propriedade, deduz-se. Acontece que, se não têm direitos de propriedade, as pessoas não têm meios próprios de sobrevivência - como poderiam, então, sustentar a própria oposição ao Estado? Se toda a minha renda depende do Estado, que é o proprietário coletivo dos bens, como é que eu poderia desafiar o Estado, ou o partido político que controla temporariamente o Estado?
No seu belíssimo livro sobre os "Catholic Martyrs of the XXth Century", Robert Royal mostra que uma das formas de controle usadas pelo regime chinês sobre os dissidentes católicos (que se recusavam a adotar a igreja nacional e cortar seus laços com Roma) era impossibilitá-los de arrumar um emprego. Afinal, se a economia é inteiramente controlada pelo Estado, se ele é o proprietário de todos os bens, os dissidentes simplesmente morrerão de fome. É isso que acontece quando não há "liberdade econômica". Falar em liberdade política e em "conquistas sociais" num contexto desses é uma piada de péssimo gosto.
postado por Alvaro Velloso 5:27 PM
As armadilhas das gôndolasConfie sempre na imprensa para inventar e "denunciar" um plano maligno de empresas para enganar os consumidores. O Globo passou a semana inteira tratando do assunto, e agora a Época o repercute: segundo esses órgãos, os fabricantes de papel higiênico, detergente, sabão em pó, caldo de galinha, sabonete, e muitos outros estão "enganando" o consumidor. Por quê?
Porque aumentaram seus preços.
É verdade que não houve uma simples remarcação dos preços; o preço marcado continua o mesmo, foi o conteúdo das embalagens que diminuiu. Mas - atenção a isto - as empresas não mentiram na embalagem; basta lê-las para identificar a diminuição na quantidade.
Onde, por favor, está a fraude? Onde está a enganação? Onde está aquilo que os comunas do Procon estão chamando de "atentado ao bolso e ao direito do consumidor", se as embalagens, segundo admite o próprio Procon, não são fraudulentas?
Que direito do consumidor é esse a que eles se referem, já que o único de que se poderia cogitar - o de não ser vítima de fraude - não está sendo violado? O "direito" de pagar sempre o mesmo preço pelo mesmo produto? Então eles não estão defendendo direitos do consumidor, mas sim o congelamento dos preços. Aí, tudo bem: é uma posição economicamente indefensável e de constitucionalidade questionável, mas, se eles a defendessem abertamente, seria uma tomada legítima de posição e poderíamos debater o assunto.
Mas eles não têm a mínima honestidade de dizer que é isto que estão defendendo, que estão indignados não por uma fraude inexistente, mas porque os preços aumentaram. Não: eles tentam fazer uma defesa do congelamento e do tabelamento passar por uma defesa de direitos do consumidor; tentam maquiar um argumento econômico como sendo uma denúncia de fraude - quando a única coisa fraudulenta em questão é a própria denúncia. O que podemos fazer, então? Denunciar a Época e o Globo ao Procon? Denunciar o próprio Procon ao Procon?
postado por Alvaro Velloso 2:37 PM
Cheques e desconfiançaHá uma mensagem circulando por todos os cantos como parte de uma campanha em prol da "segurança" da população, com várias recomendações para que os cidadãos protejam o próprio patrimônio.
A principal das recomendações diz respeito aos cheques e à colocação do telefone no verso. A campanha afirma que "ninguém pode obrigar o consumidor a colocar o telefone" - mas curiosamente não acrescenta que o consumidor também não pode obrigar ninguém a aceitar seu cheque.
Essa paranóia com o telefone atrás do cheque é típica da nossa sociedade de desconfiança: os consumidores, seguindo as informações da imprensa e de seus "protetores", são levados a crer que os empresários têm motivos obscuros para pedir seus telefones ("você nem sabe que destino será dado ao seu cheque", diz a campanha; eu sei: será descontado no banco! Por quem? Isso não é problema meu, e se isso me preocupa tanto, que eu use dinheiro!), não considerando o fato óbvio de que, caso o cheque esteja sem fundos ou não tenha sido desbloqueado ou tenha algum defeito de preenchimento, o vendedor é quem terá prejuízos.
A campanha diz ainda que "no caso de assalto ao posto [ou estabelecimento para o qual você passou o cheque], as informaçoes pessoais podem ser usadas para ameaças, especialmente contra mulheres."
Mas nenhum bandido precisa roubar seu cheque e olhar o verso para descobrir seus dados pessoais: basta acessar a página da Embratel na internet, ou abrir o catálogo telefônico! Lá estão nome, endereço e telefone - o que torna ainda mais absurda a recomendação da campanha de que "você não precisa ter seu telefone exposto". Se esse é o problema, é mais importante fazer uma campanha contra as listas telefônicas do que contra os comerciantes que, tentando proteger seus negócios, solicitam aos clientes que ponham seu telefone atrás dos cheques...
postado por Alvaro Velloso 2:15 PM
