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Heróis do capitalismoNa União Soviética, a importação de relógios suíços era proibida. Durante a Proibição, no início do século dos Estados Unidos, a produção e a exportação de bebidas alcóolicas era proibida. Na década de 1980, no Brasil, a importação de computadores era proibida.
Em cada uma dessas ocasiões, e em milhares de outras ao longo da história, floresceu uma figura que dizia aos consumidores: "a proibição do Estado é irracional e absurda; eu lhes trarei os produtos proibidos." Essa figura heróica, que está mais interessada em servir aos consumidores do que em atender a determinações irracionais de Estados tirânicos, é o contrabandista. Ele possibilita às pessoas a realização de trocas legítimas que o Estado, por razões moralistas ou de suposto interesse comercial, lhes proibiu. Ele liberta as pessoas de uma imposição tirânica que restringiu sua liberdade de realizar trocas pacíficas e mutuamente benéficas. Ele é um exemplo do triunfo do espírito empreendedor sobre a tirania.
Assim, graças aos contrabandistas era possível ter relógios suíços na União Soviética, era possível tomar whisky no auge do puritanismo americano, era possível ter um computador decente nos tempos de uma das legislações mais cretinas da história brasileira (e olha que a competição é duríssima!), a lei de informática.
É óbvio que o Estado não gosta dos contrabandistas, e a "guerra ao contrabando" é um dos passatempos preferidos daqueles que ganham a vida espoliando a propriedade alheia. A guerra atual é contra os contrabandistas de cigarros. Eles incomodam o governo inglês (como mostrou Andrew McKie em excelente artigo), o governo americano (v. artigo de Joel Miller) e agora o nosso governo tucano, sempre ávido de tomar o dinheiro alheio (a voracidade tributária dos social-democratas é quase insuperável).
Nos três casos, o problema surge da atitude de quase inacreditável hipocrisia dos governos em relação às indústrias de cigarros. Tanto nos EUA quanto na Inglaterra quanto no Brasil, as indústrias de cigarros são as mais difamadas e mais perseguidas pelo Estado. Elas são responsáveis pela má saúde da população, elas são dirigidas por vampiros ambiciosos que desejam viciar os adolescentes no seu produto venenoso, elas são as responsáveis pelo aumento dos gastos estatais na área de saúde, elas usam táticas desonestas para enganar a população, elas são mercadoras da morte... A litania é interminável, e bem conhecida. Acontece que, nos três países, a indústria de cigarro é também uma das maiores fontes de renda do Estado. Por mais que gostariam de fazê-lo, nenhum desses três países jamais proibiria o cigarro, porque eles simplesmente dependem dele para sobreviver.
Isto porque, dentre as inúmeras medidas para reduzir o consumo de cigarros (como as inúmeras campanhas publicitárias do Ministério da Saúde e as restrições à venda e à propaganda), está o aumento extorsivo na taxa de impostos cobrada das indústrias, que acaba resultando no aumento nos preços dos cigarros, e que rende bilhões para o Estado.
Só que esse aumento artificial nos preços favorece a emergência do mercado paralelo, especialmente porque nos países vizinhos é possível comprar cigarros a preços incrivelmente mais baixos. É aí que entra em cena o nosso herói - e vilão dos burocratas - contrabandista.
O Brasil cobra 70% em impostos federais da indústria do tabaco; Paraguai e Uruguai cobram 13%. O cigarro mais barato fabricado no Brasil custa um real; o cigarro mais barato do Paraguai custa trinta centavos. Justamente por cobrar taxas extorsivas, o nosso governo proíbe a importação de cigarros do Paraguai e do Uruguai (e depois ainda falam em Mercosul e em livre mercado...), e recentemente criou impostos abusivos para impedir a exportação das matérias primas nacionais (relativas aos cigarros) para esses países. Não está dando certo, porque ainda assim vale a pena enfrentar os burocratas e tentar atender aos consumidores. Segundo o Jornal do Brasil:
"11 das 13 indústrias de cigarros instaladas no Brasil montaram filiais no Paraguai, que tinha apenas duas fábricas em 1995. Hoje, há 22 e outras sete em instalação no país vizinho. Elas importam o fumo do Brasil, fabricam o cigarro e vendem no mercado brasileiro, apesar de a importação do produto ser proibida pelo governo brasileiro."
A Receita Federal, é claro, está choramingando e destruindo a propriedade alheia. Como ela alega que essas operações de contrabando a fazem perder R$ 1,2 bilhão por ano, a carga apreendida é queimada:
"Neste ano, já foram queimados 46 milhões de maços e outros 40 milhões apreendidos estão nos depósitos da Receita."
Não ocorre aos burocratas que o "problema" é criado por suas taxas extorsivas (aposto que Paraguai e Uruguai não têm problemas de contrabando de cigarros...), e não lhes ocorre que em vez de mobilizar um crescente aparato policial para atacar cidadãos que estão simplesmente tentando facilitar a vida alheia (no extremo oposto dos funcionários da Receita), bastaria reduzir os impostos (e cortar proporcionalmente os gastos estatais; que tal, por exemplo, abrir mão do "Estado terapêutico" e abolir o financiamento estatal ao tratamento de doenças provocadas por cigarro?). Não: sua idéia é procurar a "colaboração" dos países vizinhos - ou tentar globalizar a tirania. Exigiremos, então, que Paraguai e Uruguai ataquem um problema nosso, ou exigiremos que eles aumentem seus impostos para as mesmas taxas da República Socialista do Tucanato.
Qualquer pessoa normal percebe que as duas opões são imorais, assim como qualquer pessoa normal deve perceber que é imoral que uma indústria arrecade 6 bilhões de reais por ano e seja obrigada a "ceder" 2,4 bilhões dessa grana ao governo federal - e que esse governo ainda reclame de que não está extorquindo tudo o que pode extorquir!
A socialização da medicina, ao mesmo tempo que fornece os "benefícios" do sistema público de saúde, deu ao Estado o direito de intrometer-se em decisões privadas que possam interferir nos gastos do sistema de saúde; daí a guerra aos cigarros, que supostamente causam um número imenso de doenças e aumentam os gastos estatais para tratar essas doenças. No meio dessa guerra, o Estado descobriu uma excelente fonte de renda (e, afinal de contas, quem poderia defender empresas que ganham dinheiro vendendo cigarros?), mas, como se diz em inglês, "they got greedy". O Estado ficou ganancioso demais. A imposição de taxas abusivas é um convite ao contrabando, e o Estado acaba deixando de arrecadar tudo o que gostaria. Isso, obviamente, só é um problema para os funcionários da Receita, que dependem de maximizar a arrecadação para sobreviver (e estão tão inebriados com o próprio poder que nem cogitam as soluções mais óbvias para o "problema", e só conseguem pensar naquelas que representam um aumento no próprio poder). Para as pessoas comuns, o contrabando permite acesso a bens que de outra maneira seriam inacessíveis, e é um alívio das amarras da tirania socialista.
No caso dos cigarros, como nos inúmeros casos que o antecederam, o contrabandista é um herói do capitalismo na luta contra os altos impostos e o protecionismo, instrumentos extorsivos tão amados de socialistas de esquerda e direita.
postado por Alvaro Velloso 1:38 PM
Stealing Our WordsIlana Mercer, excelente, sobre a transmutação do conceito clássico - restrito e bem definido - de direitos humanos (direitos negativos) para os direitos positivos (ambíguos, indefinidos e intermináveis) dos social-democratas do atual (e aparentemente imbatível, ao menos a médio prazo) welfare-warfare state, que encarna o semitotalitarismo do bravo mundo novo em que vivemos:
"Perhaps the largest counterfeit perpetrated by the crypto-socialistic, cum-fascistic liberal is to have transformed the meaning of rights. A liberal in the classical sense would reject the laundry list of rights that forms the bedrock of the contemporary social democracy. He would recognize only the right of a limited government to prevent the violation of life, liberty, and property. People must be protected from being murdered, robbed, raped, cheated, stolen from. Hence, the term 'negative rights'.
"A positive right, the list of which is still under construction, is defined by Harvard scholar Richard Pipes as 'the right to the necessities of life at public expense, i.e., the right to something that was not one's own.' Housing, food, education, health care, child benefits, emotional well-being, enriching employment, ad infintum, are positive, and hence bogus, rights. A need or a desire is not a human right.
"All rights create obligations: my right to life means you must not kill me; my right to liberty means you must not enslave me. Negative rights do not infringe on another person's rights. My right to be free doesn't diminish your right to the same liberty. This is why these are genuine human rights.
"Not so the newly minted positive rights. If I have a right to food, someone must work to feed me; if I have a right to meaningful employment, someone must sponsor my dream job. A so-called right that violates someone else's right to be free of enslavement is no right at all.
"Positive rights, above all, are a means through which the State can control people. Recognize the right to a guaranteed income, for instance, and you also recognize the right of a central planner to enslave some and garnish the property of others to fulfill this need, while simultaneously buying votes."
postado por Alvaro Velloso 10:23 PM
Jornal da GloboPreciso retirar publicamente os elogios que fiz alguns tempos atrás ao jornal apresentado pela bela Ana Paula Padrão. Não o via há muito tempo, e me bastou ver dois minutos ontem para decidir nunca mais vê-lo de novo.
Comentando a aprovação do novo Código Civil pela Câmara, Ana Paula deu, como exemplo do quão antiquado é o Código vigente, o fato de o adultério ser crime. Sim, ela estava falando do Código Civil...
Logo depois, houve uma matéria sobre o Barbalho e foram mostrados alguns trechos de seu discurso em defesa de si próprio na tribuna do Senado. Digo logo: nada sei do assunto e realmente não quero saber. São denúncias demais, os assuntos são chatos demais, e nunca teremos elementos para verificar a vericidade de todas elas. O sujeito é um trombadinha de profissão, como todo político, e isso para mim é o suficiente para não precisar perder meu tempo prestando atenção a outras denúncias. Ademais, parece que várias delas são de fraude ao fisco e, se ele realmente o fez, temos mais é que aplaudi-lo. Mas isso não interessa: lá estava o jornal mostrando trechos do discurso, com uma trilha sonora. Sim, uma daquelas musiquinhas de filme de suspense sublinhava as sinistras e horripilantes palavras do senador de sobrancelhas demoníacas. Achei isso indigno de jornalistas com mais de doze anos de idade, e mudei o canal.
Falando nisso, uma questão que cada vez mais me intriga é por que diabos as pessoas assistem a telejornais. Eu jamais consiguiria assistir a um deles inteiro, sem mudar de canal pelo menos umas dez vezes. Os telejornais são chatos, são manipuladores, seus repórteres e âncoras têm um ar arrogante de pessoas que se julgam infinitamente mais importanes do que são, e dão cobertura a assuntos que não interessam a absolutamente ninguém. O pior é que, se você sabe que eles tratarão de algum assunto interessante, ainda tem de agüentar toda a chatice anterior para assistir à matéria esperada - não vale a pena. Melhor acessar a internet ou esperar pelo jornal do dia seguinte, porque nesses meios é possível ir direto ao que interessa.
Num jornal ou num site você só lê o que quer. Num telejornal, a única maneira de selecionar as notícias é mudar o canal - correndo o risco de perder a única matéria que interessava. A TV é o pior meio de obtenção de notícias, e me espanta que as pessoas ainda dependam dela para isso.
postado por Alvaro Velloso 10:18 PM
A democracia em baixa"Em nome da conquista do poder prevalecem malabarismos retóricos que simplificam a dimensão dos problemas reais. Candidatos proclamam, com empáfia insciente, que os desequilíbrios estruturais da economia e as graves assimetrias sociais só persistem por falta de vontade política. É claro que há reformas que muito podem contribuir para a correção de distorções. Mas nenhuma mágica porá fim às carências básicas de parte da população. Como, nas palavras de Nelson Rodrigues, o subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos, a administração séria coloca um olho no estrutural e outro no conjuntural. Sempre com a consciência de que o atropelo das miudezas circunstanciais não espera pela superação dos desafios permanentes. Não escapa de ser simplória a visão, típica do demagogo profissional, que desdenha da complexidade dos processos sociais, criando perigosamente uma demanda irrealista por soluções fáceis."
Essa é uma excelente observação de Alberto Oliva sobre as promessas de políticos e economistas. Não conheço nenhum outro indicador tão grave da arrogância e da insana ilusão de poder dessas pessoas do que os planos para "acabar com a pobreza", como se essa fosse exclusivamente uma questão de vontade política, a ser resolvida por decreto.
Essa "complexidade dos processos sociais" a que Oliva se refere é sempre ignorada, porque os planejadores centrais de plantão não concebem a existência de instâncias da vida social nas quais eles não podem intervir, áreas que não podem ser planejadas, que não podem ser controladas por leis ou determinações etatais. Eles não concebem a existência de fatores culturais e psicológicos que o Estado é inteiramente impotente para mudar - por mais que a ambição totalitária faça que ele tente mudá-los.
O que se sabe, sim, é que o papel do Estado no desenvolvimento e na prosperidade deve ser negativo: quanto menos ele atrapalhar o setor produtivo, quanto menos ele interferir na vida dos empresários, empreendedores, poupadores, investidores e trabalhadores; quanto mais ele restringir sua atuação à proteção dos direitos de propriedade, mais chances de florescimento e crescimento desse setor surgirão.
O Estado, a rigor, nada pode fazer para ajudar a reduzir a pobreza, mas pode fazer muito para ajudar a aumentá-la. Ele é um monstro destrutivo, não um benfeitor construtivo. A única coisa que se pode esperar e pedir, portanto, é que ele não atrapalhe - mas essa constatação é politicamente incorreta, porque se fosse aceita muitos economistas cortesãos perderiam seus empregos, então é mais rentável para eles continuar a fazer equações mirabolantes e planos miraculosos para justificar sua contínua intervenção na redução da (própria) pobreza.
postado por Alvaro Velloso 4:30 PM
Retorno à natureza?!"Properly speaking, of course, there is no such thing as a return to nature, because there is no such thing as a departure from it. The phrase reminds one of the slightly intoxicated gentleman who gets up in his own dining room and declares firmly that he must be getting home." (G. K. Chesterton)
postado por Alvaro Velloso 4:14 PM
Equivalência moralA respeito do enauseante artigo de ontem de Ronald Radosh, Justin Raimondo faz uma observação interessante: a reverência que certos intelectuais da direita americana têm para com o Estado de Israel é a mesma que os intelectuais da esquerda (em muitos casos, como o de Radosh, os mesmos intelectuais) tinham para com a União Soviética e os demais "paraísos" socialistas.
Radosh conta em "Commies", seu livro de memórias, que em sua viagem a Cuba, em companhia de vários outros comunas, ele foi visitar o hospício local. Era um prédio enorme, com arquitetura clássica e muito espaço para os loucos internados. Notando que os pacientes eram todos muito comportados e pareciam estar em grande paz de consciência, um dos membros da comitiva perguntou ao psiquiatra local como eles conseguiam um resultado tão bom.
"Nós somos o país que realiza a maior quantidade de lobotomias no mundo", ele respondeu, provocando revolta num dos comunas americanos, que Radosh descreve como "um psiquiatra radical" (querendo provavelmente dizer defensor da antipsiquiatria): "É contra isso que nós lutamos nos EUA!"
Ao que a líder da excursão respondeu: "Você tem de entender que existem lobotomias capitalistas e lobotomias socialistas."
Embora na época ainda fosse comunista, Radosh achou a reação absurda. Mas é o mesmíssimo raciocínio que ele e seus companheiros de Front Page Mag (que ainda são mais comedidos do que os loucos do WorldNetDaily) aplicam a Israel.
Parece também haver atentados terroristas de palestinos e atentados de israelenses. Como diz Raimondo:
"This is what the partisans of every ideology are invariably required to do: defend the indefensible. They inevitably take refuge in contradictions: when they do it, it's an atrocity, but when we do it, it's not only okay but an act of heroism. This is what Radosh – a scholar of high intelligence and great sensitivity, as evidenced by his books – is, in the end, reduced to, as he tries to prove the moral superiority of one brand of terrorism over another. Doing this requires a kind of do-it-yourself lobotomy, the destruction of all critical thought and adherence to a strict party line – and, in Radosh's case, that is a sad sight, indeed."
postado por Alvaro Velloso 4:11 PM
Feinstein should learn her limitAcha chata a proibição de cigarros em aviões? Pois a senadora comuna americana Diane Feinstein propõe coisa pior: limite para bebidas que se pode consumir. Dois drinks, e só. Nada mais.
Ela enviou uma mensagem aos presidentes das companhias aéreas americanas ameaçando criar uma lei nesse sentido, a não ser que eles se enquadrem "voluntariamente" (!):
"California Democratic Sen. Dianne Feinstein recently wrote to the chief executives of seven major airlines and said she was preparing legislation that would limit each passenger to two drinks, regardless of the alcoholic beverage served. Unless the airlines -- American, United, Delta, Continental, Northwest, US Airways and Southwest -- acted voluntarily to set stricter alcohol guidelines, Feinstein warned in the letters, 'Congress may well step in.'
"Feinstein believes limiting the number of drinks served to passengers would help reduce the number of incidents involving verbal and physical abuse of flight crews by passengers -- otherwise known as air rage.
"'I don't think we should wait for a plane to go down from an incident before we do something about it,' she said. 'Every airline CEO has a personal responsibility for the safety of everyone on that plane'."
O incrível na história não é só a cara-de-pau da carta-ameaça; é como ela é significativa do modo de pensar e agir dos políticos socialistas e das babás oficiais.
Para essa gente, se existe um problema, qualquer que seja ele, o Estado precisa urgentemente intervir. Não importa que ele, com isso, viole direitos ou ultrapasse seus limites constitucionais; não importa nem mesmo que a ação proposta seja ineficaz para solucionar o problema: importa é "agir", é mostrar que os políticos estão "atentos" aos problemas sociais.
No caso específico da proposta da senadora Feinstein, a colunista Debra Saunders lembra dois pontos importantes: primeiro, não existe uma relação comprovada entre os casos de "air rage" e o álcool; segundo, o número de casos de "air rage", em comparação com o número de passageiros, é insignificante. (Mesmo que não houvesse esses dois dados, a proposta ainda seria absurda, porque viola os direitos de propriedade das companhias aéreas; mas esses dois pontos a tornam ainda mais ridícula.)
"The Air Transport Association, the lobbyist group for the major carriers, says that there were 610 million domestic passengers last year. According to the Federal Aviation Administration, 314 of their passengers were cited for unruly conduct.
"This year, perhaps because of increased attention to the issue, there have been fewer citations -- 100 as of June 15. The FAA doesn't know how many were alcohol-related.
"As Michael Wascom of the Air Transport Association noted, 'We don't think that the hundreds of millions of law-abiding, cooperative passengers should be unilaterally penalized for the disruptive actions of a few'."
Essa, no entanto, tem sido a tendência das legislações estilo Estado babá: os cidadãos honestos e ordeiros são penalizados pela conduta dos desonestos e desordeiros. Tentando abolir os riscos e imperfeições normais na vida social, burocratas e políticos como a senadora americana criam uma tirania paternalista, em que a autonomia humana é abolida em nome de restrições médicas ou ambientais.
Por isso Debra Saunders propõe, em vez de um limite para as bebidas no avião, um limite para as leis que os políticos podem criar:
"Which leaves us with the question about what to do about politicians who are drunk with power? Hmmmm. Maybe a limit to two laws and two heavy-handed threats per year."
O ideal seria que eles calassem a boca para sempre e nos deixassem em paz, mas isso aí já é um começo.
postado por Alvaro Velloso 1:53 PM
Zimbabwe Lawlessness Prompts White ExodusTendo suas terras invadidas pela versão africana do MST, e sabendo que qualquer reação traria uma aliança entre os ditadores africanos e uma choradeira na mídia mundial contra eles, o fazendeiros brancos do Zimbábue estão deixando o país.
"Amid claims that Zimbabwe is 'on the brink of anarchy,' representatives of embattled white farmers have urged police to stop turning a blind eye to rampaging mobs intent on seizing their farms.
"But the police are also under pressure from President Robert Mugabe's government to give the land-grabbers free rein.
"The government suspended three senior police officers for trying to make arrested farmers being held in freezing police cells more comfortable by bringing them extra prison clothing. The farmers were arrested last week after clashing with marauding gangs of Mugabe loyalists trying to occupy their farms.
"An exodus of white farmers - or in some cases their wives and children - is reported from various parts of the troubled southern African country."
O aumento dos ataques às fazendas nas últimas semanas têm sido vistas como provocações: se os fazendeiros reagirem (o que está inteiramente dentro de seus direitos), Mugabe terá um pretexto para decretar um estado de sítio e impedir a realização de eleições, nas quais ele provavelmente seria derrotado. Os fazendeiros, portanto, estão mantendo a calma diante da invasão de suas propriedades e de ameaças a suas vidas e a suas famílias - ou saindo do país. Essa é a situação infernal criada pelo monstro do Zimbábue.
postado por Alvaro Velloso 1:34 PM
Are Fishing Regulations Causing Shark Attacks?Os ambientalistas estão conseguindo o que desejam: depois que aumentaram as restrições à caça a tubarões, houve, obviamente, um aumento no número de ataques de tubarões a pessoas:
"In Florida, for instance, where the majority of attacks occur, federal and state protections for sharks led to a more than 80 percent decrease in the number of sharks taken during the 1990s, and state restrictions have created what amounts to shark sanctuaries in waters closest to shore, where attacks are most likely to occur. Florida averaged 10 attacks annually in the four years leading up to federal involvement in managing the shark fishery; in the years since the state has averaged 25 attacks a year (including a record 34 last year), representing a 150 percent increase."
Lembre-se disso na próxima vez que ouvir falar de direitos dos animais.
postado por Alvaro Velloso 1:19 PM
Are First World Fears Causing the Third World to go Hungry?Como sempre em relatórios da ONU e em entrevistas de economistas que trabalham nesses relatórios, há muito nonsense e muito linguajar de burocratas com ambições de planificar a economia mundial. Mas - e isto é novidade - há observações importantes na mais recente publicação do Programa de Desenvolvimento da ONU.
A argumentação central do relatório é que os temores e frescuras dos ambientalistas no Primeiro Mundo em relação à modificação genética da comida estão condenando grande parte do Terceiro à fome. Como já escrevi antes, os países ricos podem até ceder às extravagâncias dos ambientalistas, porque têm dinheiro para tal; no mundo subdesenvolvido, essas políticas são catastróficas. No que diz respeito aos "transgênicos":
"The creation of genetically modified foods — like drought-resistant corn, for example, or super-nutritional rice — holds enormous promise for developing nations. But even as scientists develop GM crops with ever-increasing precision and skill, there is growing concern that first world disquiet over food safety and genetic engineering may slow or even stop the dissemination of bountiful GM crops to the countries where they are most needed.
"(...) Consumed by privileged worry over the long-term safety of GM crops (and, in some cases, actively slowing the development of new technology) the West has shackled the autonomy of developing nations. The UNDP believes those nations should be permitted to evaluate GM technology independently of Western political tensions."
A Time publica uma entrevista com uma das autoras do relatório, Kate Raworth. Ela defende o financiamento pelo Estado das pesquisas genéticas com alimentos, o que é uma sugestão desastrosa. A questão é simples: essas pesquisas e as plantações subseqüentes podem ser uma mina de ouro para empresas interessadas em desenvolvê-las; como elas estão sendo limitadas ou até proibidas nos países ricos, sua liberação pelos países pobres será um grande incentivo a que essas empresas invistam nesses países. Como de costume, pois, o Estado só precisa não atrapalhar, isto é, liberar as pesquisas e as plantações, e tentar conter sua sanha legislativa. Isso seria simples se o mundo pobre não fosse pobre justamente porque sofre nas mãos de tiranetes que não sabem conter a própria sanha legislativa e regulamentadora (e a ONU tem grande parcela de culpa nisso, ao incentivar intervenções estatais na economia). A proposta da economista da ONU é o contrário: aumentar o intervencionismo estatal e fazer o Estado tomar ainda mais dinheiro das populações locais para investir em pesquisas arriscadas que podem até não dar resultado nenhum.
Pior ainda é a justificativa que a sra. Raworth dá para essa proposta: "We're calling for greater public investment so that GM technology is not used just to pursue commercial interests but to meet human needs." Alguém que se diz economista deveria ter vergonha de dizer esse tipo de besteira em público. É impossível dissociar interesses comerciais do atendimento a necessidades humanas; uma coisa está intimamente ligada à outra. Eu só planto determinado produto porque creio que existe uma demanda para ele - isto é, porque ele atende a "necessidades humanas" - e eu só vou ganhar dinheiro com isso se esse meu julgamento estiver correto - isto é, se o produto realmente atender a "necessidades humanas". É impossível ganhar dinheiro com um produto que não atende às necessidades ou aos desejos de ninguém: a produção simplesmente se acumulará sem que ninguém a compre.
A vantagem da modificação genética é que ela pode permitir plantações mais eficientes, que fornecerão mais produtos a preços mais baixos; por isso elas são importantes para combater a fome nos países pobres:
"The potential is to develop crops that have better drought tolerance, greater pest resistance, higher yields and greater nutritional content — and all of those characteristics are important in improving the food security of poor rural communities."
Mas não dá para, numa fantasia stalinista, imaginar que "investimentos" estatais garantirão comida de graça para todos; primeiro porque esses "investimentos" surgiriam às custas do setor produtivo dos próprios países pobres, que ou sofreriam com um aumento na carga tributária ou com a impressão de dinheiro pelo governo (inflação); segundo porque pesquisas financiadas pelo Estado simplesmente não têm o mesmo controle de qualidade que as pesquisas do mercado (afinal, ter lucro ou prejuízo dá rigorosamete na mesma), e a tendência será o desperdício e a perda de recursos preciosos em pesquisas inúteis.
Tudo isso mostra que a ONU, mesmo quando acerta, o faz a custos pesados: sua defesa da inovação tecnológica na agricultura vem acompanhada de uma defesa do socialismo. Seria bom que os países ouvissem apenas a primeira parte.
postado por Alvaro Velloso 1:13 PM
Organic food isn't good for youNão é apenas que os defensores da comida orgânica sustentam sua crença com mentiras (as supostas "ameças" dos produtos químicos à saúde geral) e pseudociência; é que sua proeminência midiática é uma verdadeira ameaça à saúde pública.
Isto porque, argumenta o bioquímico Anthony Trewavas, como as pessoas estão acreditando que só a comida orgânica lhes faz bem, sua tendência é comprar produtos orgânicos - mas, como esses produtos são bem mais caros que os outros (e continuarão a sê-lo, porque os custos são muito mais elevados; o que, aliás, significa que, se houver, como há em alguns supermercados, exclusivamente vendas de orgânicos, ou se houver, como o governo britânico ameaça fazer, decretos governamentais obrigando a venda e produção de orgânicos, há o sério risco de uma escassez de alimentos nas prateleiras), as pessoas comprarão menos, e comerão menos frutas e legumes do que deveriam.
Existem, diz o professor Trewavas, dois tipos de compradores de alimentos orgânicos: os esnobes e os tolos:
"The public perception is that food is a pristine commodity and farmers then add nasty man-made chemicals to it. That's why quite a large number of people say they prefer organic food. Then there's another coterie who like it because it's more expensive. You know: 'conventional food for the proles, but organic for the middle class'."
Ele diz mais, sobre as campanhas de desinformação dos defensores dos orgânicos:
"Trewavas is concerned that without a broadly educated public, charlatans will be able to play on public fears. He stops short of putting the prince [Charles] in that category but is clearly concerned at the huge influence the heir to the throne has had on the debate. (...)
"He adds that there appears to be a growing belief that we are 'slowly poisoned by pesticides', yet the facts show we are living longer. There is also a reduction in overall rates of cancer and a substantial drop in cancers among young people. (...)
"But it is the high premium charged by organic producers and suppliers that is his greatest source of frustration. 'A diet high in fruit and vegetables can cut cancer rates in half - many medical investigations have established this fact.
"'My fear is that claims that organic food is superior will lead people - especially those on low incomes - to buy organic food thinking it is better for them. But price will actually mean they will buy and consume less and the detrimental effects will be seen in 10-20 years on the cancer rate.
"'Studies by Sir Richard Doll [an Imperial Cancer Research consultant] showed that as much as a third of cancers are diet related, yet only 25% of the population actually eats five pieces of fresh fruit or vegetables a day, which means that three-quarters of us are at unnecessary risk of cancer. Because of lower yields per hectare, organic produce is bound to cost more'."
Ele refuta os argumentos sobre os supostos malefícios dos produtos químicos, com dados de "Good Nutrition and the Prevention of Cancer - a Global Perspective", uma publicação do World Cancer Research Fund:
"This is all about the value of fresh fruit and vegetables produced, incidentally, with the synthetic pesticides that the organic community thinks are poisonous," he says. "The critical thing is that eating what they say is poisonous food actually makes us better, so their argument is wrong. The more you eat of these conventionally produced foods the less cancer you actually get."
E acrescenta que o suposto "gosto superior" dos produtos orgânicos é uma mentira:
"He adds that while people might 'talk up' the benefits of organic produce, blind taste tests showed they were invariably unable to distinguish between that and conventionally farmed food."
O fato, em suma, é que, enquanto não existe nenhuma prova de que a comida modificada geneticamente ou com aditivos químicos é prejudicial à saúde, as plantações orgânicas são ineficientes e caras. O ataque ao primeiro tipo e a defesa do segundo tipo por grupos ambientalistas é mais uma prova de que esses grupos estão mais preocupados com o bem-estar de plantas e animais do que com a sobrevivência da espécie humana.
postado por Alvaro Velloso 8:29 PM
Nem Deus escapou - 12/08/2001Eu tinha decidido que não faria mais, nesta página, críticas a integrantes da Igreja Católica, porque vejo que, sempre que as faço, acontece a mesma incompreensão: as críticas a membros da Igreja são tomadas como críticas à própria Igreja, e os inimigos da Igreja as utilizam como armas em seu combate contra o catolicismo em geral, enquanto outros as utilizam para justificar uma fantasmagórica "religião sem igreja", numa versão "cristã" do "deus interior" New Age. Isso me fez concluir que o único fórum apropriado para discussões sobre os problemas que a Igreja enfrenta são os próprios meios católicos, nos quais talvez fosse possível criticar posturas, opiniões e práticas dos membros (vários deles proeminentes) da Igreja sem jogar o bebê fora junto com a água do banho.
Mas o fórum que tenho para opinar é este, e creio que, feitas essas advertências, talvez eu possa voltar ao assunto sem me preocupar com interpretações equivocadas. E a tentação de fazê-lo é irresistível, porque cá estamos diante de mais um ataque de demência de alguns padres, sempre dispostos a ceder a qualquer capricho midiático, a satisfazer qualquer frescura politicamente correta - mesmo contra disposição expressa do Vaticano. Este, aliás, é outro dos inúmeros efeitos nefastos do Vaticano II: depois dele, a Igreja virou uma espécie de monarquia parlamentarista, em que o Papa tem poderes muito reduzidos (os quais, no que depender da conferência dos bispos que está por vir, serão ainda mais reduzidos), e os bispos e padres fazem o que querem, sem nenhuma punição.
Eis que, alguns meses depois de o Vaticano criticar expressamente as traduções modernistas da missa e da Bíblia, a Vozes - esse antro de comunas - prepara uma edição politicamente correta da Bíblia. Cito a matéria do JB:
"Deus dizia: 'Façamos o homem à nossa imagem e semelhança'. Na nova edição da Bíblia sagrada, lançada este mês pela editora Vozes, Deus passa a dizer: 'Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança.' Na mesma edição, uma nota de pé de página esclarece que Adão foi a primeira pessoa, e não o primeiro homem a ser criado por Deus. A mudança pode até ser impressionante para alguns fiéis, mas nada surpreende mais do que a constatação de que nem mesmo o mais importante livro do mundo ocidental está imune à sanha politicamente correta."
O responsável pela "tradução", frei Ludovico (com aquela cara de debilóide bobo alegre que os integrantes da igreja modernista sempre têm) diz que seu objetivo foi tornar a leitura mais "atraente" e tornar a linguagem mais "inclusiva" - modificando o "papel da mulher". O que causa espanto não é apenas que essa nova tradução impede o acesso de seus leitores ao simbolismo da diferença dos sexos que permeia o Gênesis e deturpa o relato histórico das relações entre os sexos no restante do Antigo Testamento; é que ela ainda admite alguma legitimidade na absurda crítica feminista de que a Bíblia cristã é machista - restando saber que outro livro na história do mundo valoriza tanto a mulher quanto o Novo Testamento. Não creio, por exemplo, que precisemos de "linguagem inclusiva" para ressaltar a importância de Nossa Senhora na vida do Cristo e, portanto, na vida dos cristãos em geral.
Temos, então, uma tradução feita não para que os cristãos tenham acesso aos textos sagrados da própria religião; mas uma deturpação desses textos sagrados para agradar aos inimigos da Igreja. Isto é um escândalo, no sentido bíblico do termo (se é que a nova tradução não incluiu em suas frescuras excluir as palavras "duras" e "intolerantes" como escândalo...).
O curioso é que, como já escrevi várias vezes, essas concessões aos inimigos da Igreja são inúteis, porque eles nunca se dão por satisfeitos. Nenhuma feminista vai comemorar a mudança na linguagem da Bíblia, porque para elas o problema não é a linguagem da Bíblia - é a própria Bíblia; elas só ficarão felizes quando o próprio texto sagrado for inteiramente abandonado pelos cristãos. Isso fica claríssimo na reação de uma professora de Teoria da Comunicação (por que diabos esta senhora virou especialista a ser consultada sobre este assunto é questão inteiramente misteriosa - especialmente porque a matéria não consultou nenhum outro padre além de frei Ludovico):
"Beatriz Jaguaribe destaca que não basta trocar os pronomes ou os sujeitos das orações para recriar a mensagem de submissão de alguns livros, entre eles o Gênesis."
Frei Ludovico, porém, nega ter cedido a pressões feministas. Mas admite ter cedido a pressões de ambientalistas - é, esses mesmos que dizem que escavar para retirar petróleo é "estuprar a Terra", que não existem diferenças entre as espécies, que a espécie humana é uma terrível ameaça para a vida no planeta, em direta contradição com o ensinamento judaico-cristão de que Deus fez o mundo para o homem e de que o homem é a "jóia da Criação". Como se não bastasse ceder às feministas (mesmo negando-o), ele cedeu também aos defensores do neopaganismo, os adoradores da "mãe Gaia", a turba mais desprezível e mais ameaçadora à sobrevivência humana no planeta que existe, essa gente que prefere ver tubarões matar crianças a permitir a caça de tubarões:
"Frei Ludovico, coordenador da tradução, nega que tenha sido pressionado pelas feministas, mas reconhece que cedeu aos apelos dos ambientalistas. 'Há quase três décadas, diversos grupos acusam o cristianismo por todos os desastres ecológicos. Tudo por causa de uma passagem do Gênesis segundo a qual o homem foi criado para dominar a Terra', diz ele. Para silenciar as reclamações, uma nota põe os pingos nos 'is'. 'Dominar, na verdade, significa cuidar'."
Pronto: as pessoas não aprenderão mais cristianismo em suas bíblias. Aprenderão um credo neopagão ecológico, igualitário e feminista. Repito: isso é um escândalo, e se ainda restam católicos com um pingo de consciência, eles deveriam mobilizar-se imediatamente contra a publicação dessa falsa bíblia.
postado por Alvaro Velloso 8:14 PM
Propaganda imoralDo Informe JB (agora assinado por Ricardo Boechat):
"A Prefeitura do Rio lançou, ontem, a primeira concorrência pública do governo Cesar Maia. Seu objetivo é contratar agências de propaganda. Segundo o edital, o prefeito gastará R$ 4 milhões anuais nessa área. Mas o mercado estima quatro vezes isso."
Não é óbvio que é uma imoralidade, uma indecência, um governante tomar dinheiro dos outros para fazer propaganda de si próprio?! Vale lembrar: não existe "dinheiro público", porque o Estado não gera sua própria renda; existe dinheiro tomado dos particulares pelos representantes desse monstro voraz chamado "poder público". E as pessoas não apenas têm seu dinheiro tomado à força, como são enganadas e manipuladas com propagandas feitas com esse dinheiro! Se isso não é uma imoralidade, não sei o que o é.
postado por Alvaro Velloso 7:38 PM
