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Luzes do verãoEscrevi uma resenha de "Luzes do verão", terceiro filme do diretor do magnífico "O cheiro do papaia verde", em fevereiro deste ano, no fim de semana em que o filme, segundo anúncios da distribuidora, estrearia no Rio. Como o filme só veio a estrear ontem, cinco meses depois, reproduzo aqui a resenha:
Num determinado momento de "Luzes do Verão", filme vietnamita prestes a estrear no Rio de Janeiro, três irmãs se abraçam, chorando: uma delas acaba de descobrir que o marido mantém uma outra família, em outra cidade, há anos; outra acaba de descobrir que o homem com quem se casou recentemente a traiu numa viagem de negócios; e a mais nova acha que está grávida do namorado (depois descobre que não está). E, apesar do dramalhão em que uma cena destas poderia se tornar, o filme nunca é excessivamente sentimental e nunca é triste, porque, de alguma maneira, as três irmãs seguem com suas vidas, com suas ocupações.
"Luzes do verão" é um filme sobre a fragilidade humana e a dificuldade de comunicação entre os seres humanos, sobre a dificuldade de manter vivo um relacionamento - seja amoroso, seja familiar - mas é também um filme sobre o valor da persistência, da paciência e da esperança; o que, de certa forma, é uma excelente metáfora da vida em um país devastado pelo comunismo que, agora, começa a se reerguer.
É curioso como o tema da perseverança em tempos de dureza aparece também em outro filme realizado num país devastado pelo comunismo, "Nenhum a menos", uma obra menor de Zhang Yimou sobre os esforços de uma professora de uma cidadezinha para encontrar um aluno que fugiu para a cidade grande. É por sua obstinação que a menina acaba por recuperar o garoto e por conquistar a simpatia dos burocratas chineses, e é graças a sua obstinação que as mulheres de "Luzes do verão" não se deixam derrubar pelas desgraças de suas vidas sentimentais.
Existe, porém, entre os filmes de Yimou e os de Tran Anh Hung (autor também do ainda melhor "O cheiro do papaia verde") uma diferença essencial na maneira como os cineastas abordam o tempo. Na maior parte dos filmes de Yimou - e isso é uma característica das cinematografias chinesa e japonesa - o tempo é quase estático: a câmera se movimenta muito pouco e a ação transcorre sem nenhuma pressa. Nos filmes de Tran Anh Hung , o tempo é cíclico, exatamente como na vida: não há uma linearidade absoluta, porque diversos elementos se repetem, e não há uma circularidade absoluta, porque não existe uma repetição contínua dos mesmos elementos; há uma combinação de repetição e inovação, de circularidade e linearidade, e é este ritmo que dá a "Luzes do verão" um efeito quase hipnótico, porque, para usar um lugar-comum, é como se a vida falasse. Como na vida, uma moldura essencial permanece, e se repete dia após dia, mas algo muda dentro dessa moldura.
Não à toa, o filme começa numa cerimônia religiosa em que os quatro irmãos (as três irmãs e um irmão) honram seus pais falecidos e termina exatamente na mesma cerimônia, um ano depois.
Ao longo do filme, acompanhamos as mudanças na vida dessas quatro pessoas durante o ano - e o diretor parece dizer que não apenas só somos capazes de perceber as mudanças porque elas aconteceram dentro de um quadro constante, mas que essas personagens só conseguiram suportá-las e aprender com elas porque algo nelas se manteve também constante, porque elas se mantiveram fiéis ao que havia de básico em suas vidas - a religião e a família.
Tudo isso é mostrado com uma sensibilidade notável, uma atenção preciosa aos detalhes e uma trilha sonora belíssima. "Luzes do verão" tem seus defeitos - algumas situações pueris, algumas cenas inúteis - mas traz uma brisa de ar fresco ao cinema contemporâneo.
postado por Alvaro Velloso 11:01 AM
The summit industry sinks to the depthsO artigo de Simon Jenkins sobre esse ridículo simpósio do G8 para discutir a "pobreza no mundo" foi tão na mosca que mereceria ser citado inteiro. Mas o link está aí em cima, e cito apenas dois dos trechos principais:
"We must assume that supreme power renders all men senseless to propriety and immune to ridicule. The three days is costing £80 million to discuss of all things 'world poverty'. That is £10 million per delegate. I do not regard myself as leftwing. But if asked on which side of the Genoa barricade I would be this weekend I have not the slightest doubt.
"The protesters are more than entitled to ask what this £80 million might achieve in irrigation, water desalination, child mortality, schooling or Aids relief. Why indeed are these men not staying at home and persuading their lobbyists to free their domestic markets to Third World trade, by far the most constructive form of poverty relief. The G8 meetings was begun 25 years ago as a 'fireside chat', so that leaders of the world’s richest nations could talk informally without teams of advisers or hangers-on. It has inflated beyond all sense. Last year’s junket saw the Japanese in Okinawa blow $500 million on a weekend of wining, dining and protecting themselves. That too was to discuss world poverty. In 1998 the same group spent £10 million on world poverty in Birmingham. Now it is world poverty in Genoa. It is like the Hellfire Club meeting to proclaim its commitment to godliness. These fiascos embrace the International Monetary Fund, the World Bank, the World Trade Organisation and any UN body that can cobble together an agenda, a host and a budget.
"The European Union holds summits every six months, of increasing acrimony and expense. In previous eras, such extravaganzas were paid for by their participants."
(...)
"The protesters are like the slaves who ran behind a triumphant Roman general, reminding him of his mortality. Mr Blair calls them 'hooligans and anarchists' as he huddles in his stateroom. Mr Bush calls them 'no friends of the poor' as he summons the US Sixth Fleet to Genoa to protect him. What good are they to the poor? Among the nonsense that greeted the advent of the Internet was the theory that it would promote something called 'e-diplomacy'. It would obviate the need for personal meetings. Summits could be replaced with conference calls and virtual summits online. It has not happened.
"The summitry industry is booming as never before. World leaders are captivated by a vested interest of diplomats, hoteliers, media freeloaders and nationalist self-promotion. The global security industry has terrorised them into a degree of personal protection that has been reduced to absurdity in Genoa. It merely invites every crackpot on Earth to challenge it. If those gathering today in Italy are truly at risk from nuclear, biological or germ warfare, they should stay at home and talk on the phone. Why put the lives of thousands of Italian citizens at risk?
"The answer is that the G8 leaders are only too happy to gather wherever the photographers will greet them. This is an event. They like the status that hyper-security gives them. They never protest. Genoa must be the ultimate in 'bodyguard status syndrome'.
"Any debate protected by so much armour must be important, must be taken seriously by the public. I have been to these occasions. The United Nations and the European Union hold them all the time. They are pure conspicuous consumption, make-work for the 'rich white trash' of international diplomacy. They yield vacuous communiqués and mountains of unread paper. Their only substantive conclusion is 'to meet again'. If local or national governments behaved like this they would be thrown out of office. Nobody does that to the UN or the World Bank because they float in an orbit beyond the magnetic pull of democratic accountability. They are like the Olympic Committee. They go on for ever."
postado por Alvaro Velloso 10:54 AM
Million Moms Morph Into Billion Moms for U.N. Assault on Gun RightsA Marcha de um Milhão de Mães, sempre citada por Rubem César Fernandes como o exemplo mais admirável de protestos contra as armas e que em seu último protesto em Washington reuniu a impressionante soma de 300 pessoas (é trezentas, você leu certo), está passando por uma metamorfose, sob o patrocínio da ONU: tornar-se-á a Marcha de um Bilhão de Mães, a organizar protestos no mundo inteiro. Quem comenta é Wendy McElroy:
"In early May, just such an organization was launched at the United Nations headquarters in New York. The stated goal is the 'worldwide year-round mobilization of a billion mothers' against guns. A press conference announcing its formation was chaired by Under-Secretary-General Jayantha Dhanapala, head of the U.N. Department of Disarmament; Donna Dees Thomases and Mindy Finklestein of MMM; and Elvi Ruottinen of the new anti-gun organization."
O grupo surgiu na recente conferência da ONU sobre armas - que acabou sem nenhuma proposta concreta, mas deixou muitas sementes para a tirania futura. E certamente ainda ouviremos mais sobre as "mães" preocupadas com as armas.
McElroy nota que as propostas da ONU para proibição das armas vêm embelezadas em retórica pró mulheres e crianças - e não mencionam que, se adequadamente instruídas, as mulheres podem ser as maiores beneficiadas com a utilização das armas.
"Added Noeleen Heyzer, executive director of the U.N. Development Fund for Women: 'During armed conflict, women and girls are continually threatened by rape, domestic violence, sexual exploitation, trafficking, sexual humiliation and mutilation.'
"Thus, private gun-ownership is linked to every evil a woman can face. No mention is made of how women use guns to protect themselves and their children against violence every day. No mention is made of how most armed violence against innocents is committed by governments, to whom the U.N. would give a monopoly on gun-ownership.
"The MMM hopes the U.N. will introduce through a side door what it failed so miserably to achieve on the political center-stage of America: namely, the abolition of private gun-ownership. The conference is not merely people talking to each other. It aims at producing a legally binding agreement between nations that would require the marking, registration, confiscation, and destruction of all guns not used the military or the police."
Ainda bem que, graças à oposição americana (e russa e chinesa), a conferência acabou não produzindo um acordo obrigatório. Mas tentativas de abolir o porte de armas ao redor do mundo continuarão - com a retórica tola e sentimentalóide das "mães" (ponho entre aspas porque a maior parte das organizadoras da marcha não eram mães de ninguém) ajudando os tiranos.
postado por Alvaro Velloso 11:15 AM
Grupo de direitos humanos exige indenização por escravidãoDemorou, mas aconteceu: o Human Rights Watch, a principal das ONGs politicamente corretas que vivem "fiscalizando" os "direitos humanos" no mundo e que sempre têm legislações esquerdistas prontas para "sugerir" aos governos dos países que fiscalizam (i.e., todos), incluiu o Brasil na sua exigência de reparações raciais (uma idéia cuja crescente adoção pelo mainstream esquerdista não pára de me espantar).
"O grupo, com sede em Nova York, propôs a criação de painéis em países multirraciais como o Brasil, os Estados Unidos e a África do Sul para identificar os efeitos ligados ao tráfico de escravos e para desenvolver modos de compensar os grupos por abusos no passado.
"O pedido de reparação do grupo de direitos humanos foi feito antes de uma conferência sobre racismo das Nações Unidas em Durban, na África do Sul, de 31 de agosto a 7 de setembro. O grupo disse ainda que as indenizações deveriam ser entregues primeiro aos grupos que continuam a sofrer da miséria.
"'Grupos que hoje sofrem porque no passado foram escravos ou porque sofreram práticas racistas deveriam ser compensados por governos responsáveis por essas práticas', disse Kenneth Roth, diretor-executivo do Human Rights Watch. 'Aqueles que foram mais seriamente vitimizados por erros do passado deveriam ter prioridade para a compensação'."
O pior é que, dado o nível quase sub-humano do debate político brasileiro e dada a nossa disposição a aplaudir qualquer iniciativa globalista absurda, poderemos acabar enviando representantes para a Conferência da ONU que argumentarão a favor de que paguemos reparações raciais. Seria o equivalente a cuspirmos em nossa própria face - mas alguém duvida de que temos grande propensão a fazê-lo?
postado por Alvaro Velloso 11:03 AM
Falta cinto e sobra celular no trânsito carioca"Não é preciso perder muito tempo para ver motoristas desrespeitando as leis do Código Brasileiro de Trânsito na cidade. Ontem à tarde — dois dias depois de O GLOBO flagrar uma motorista falando em dois celulares enquanto dirigia — bastaram 45 minutos de observação, no sinal do cruzamento entre a Rua Mário Ribeiro e a Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, para se contar 20 motoristas sem o cinto de segurança ou falando ao celular. Em média uma infração a cada dois minutos."
Eu sempre fico espantado quando leio esse tipo de matéria. A repórter reclama de que não havia nenhum guarda no local para multar os perigosíssimos infratores que estavam sem cinto e com celular. Mas não aponta nenhuma imprudência cometida pelos motoristas e não diz ter presenciado nenhum acidente. Que diferença, então, faria a presença de policiais no local? Haveria apenas mais retenções no trânsito (porque os carros seriam parados pelo policial), mais aporrinhação aos motoristas e pessoas seriam punidas por atitudes inteiramente inócuas que não causaram dano a absolutamente ninguém. O que me espanta é que fico imaginando qual será o prazer mórbido que a repórter sente em bisbilhotar os motoristas na Lagoa e pedir punições policiais para eles; deve ser o mesmo prazer que sente o menininho CDF ao contar para a professora que um colega estava colando na prova. Mas não consigo pensar em nenhuma pessoa normal e sã que sinta esse prazer de bisbilhotar e denunciar atos alheios que não prejudicaram ninguém.
Uma nota ainda sobre a obrigatoriedade do cinto de segurança (a proibição do celular é tão ridícula que prefiro não voltar ao assunto): se eu sofro um acidente e não estou usando o cinto, o prejudicado sou eu mesmo; a ausência do cinto sequer ameaça (muito menos ofende) a integridade física de ninguém. Temos, então, mais um daqueles bizarros "crimes" inventados pelo Estado babá: aqueles em que o autor e a vítima são a mesma pessoa!
postado por Alvaro Velloso 10:52 AM
Brinde levanta suspeita de juiz"Substantivo masculino líquido e certo, o champanhe saiu da garrafa e entrou na polêmica da fria letra da lei ontem, quando o juiz Siro Darlan, da 1 Vara da Infância e da Juventude, baseado em foto publicada na coluna 'Retratos da vida', do jornal 'Extra', queria abrir inquérito criminal para investigar a churrascaria Porcão, acusada de ter servido bebida alcoólica à modelo Daniella Sarahyba, uma menor de 17 anos e 1,78 metro de altura. No dia 8 passado, data de seu aniversário, comemorado no Porcão de Ipanema, ela posou para fotografias segurando uma taça que conteria champanhe. Mas a mãe, Mara; a avó Adeli; e Sérgio Matos, diretor da agência de modelos Mega, juram que aquilo era guaraná."
Precisamos dizer alguma coisa, além de notar que não existem limites para o ridículo não apenas do juiz Darlan como - principalmente - das leis que ele é obrigado a cumprir?
postado por Alvaro Velloso 10:40 AM
E nós com isso?Há uma propaganda gigantesca do Governo Federal nos jornais de hoje, proclamando que os sete anos do Plano Real representam uma mudança na concepção de Estado - do Estado empresário para Estado regulador - e exibindo como grandes conquistas a criação de uma série de monstrengos burocráticos, as tais agências reguladoras (uma coleção de siglas de fazer inveja ao pai da idéia, o monstro Franklin Roosevelt).
A pergunta é: e nós com isso? O que nós ganhamos com essa "mudança", para além do típico papo vazio social-democrata? Os serviços melhoraram, é certo, mas também é certo que não melhoraram tanto quanto poderiam se houvesse menos burocracia, menos regulação, menos controle de preços, menos restrições à concorrência, menos exigências "sociais" cujo único efeito é pôr mais dinheiro no bolso dos burocratas. E, o que é pior, essa mudança no Estado não foi de maneira alguma uma redução do Estado: pelo contrário, a carga tributária não pára de aumentar e leis e regulamentos intrusivos e intervencionistas não param de surgir.
Mudaram as justificativas para a opressão, mudaram as áreas de atuação dos opressores, mas a vampirização da iniciativa privada e dos trabalhadores honestos por políticos e burocratas inúteis continua; pior: vestida do manto da eficiência e da modernização, ela conseguiu embelezar-se e parecer ainda mais legítima aos olhos de suas vítimas.
postado por Alvaro Velloso 1:59 PM
Canonizing St. SloboAlguns me pedem uma opinião sobre o julgamento de Milosevic; respondo que não escrevo nada sobre o caso porque outros, como Justin Raimondo, o fazem com muito mais conhecimento de causa e com muito mais brilho.
Em artigo recente, Raimondo comentou o ridículo total dos dois lados em oposição: os defensores da corte imperialista (que desrespeita todas as garantias dos réus adotadas nos tribunais do mundo civilizado há séculos) e os defensores de Milosevic, que defendem o ditador de todas as acusações e ainda chamam o ex-ditador de grande líder do povo sérvio.
"Yes, we have indeed been hearing about mass graves and 'genocide' for quite a long time, all through the Kosovo war. Yet nothing on the scale we were led to believe was ever discovered in Kosovo proper, where a total of about 3,000 bodies were found, including hundreds of slain Serbs, Gypsies, and others. As the war wound down, so did the claims of the War Party about the number of Kosovar casualties: first it was 100,000, then 50,000, and finally this was reduced, in the war's aftermath, to 10,000. Unable to back up their hyperbolic accusations of 'genocide,' the Tribunal had to settle, in the end, for an indictment accusing Milosevic of ordering the deaths of some 340 people. It was a big letdown, a stunning anticlimax to years of expectations that he would be charged with genocide. While there is talk that the charges may be expanded, this is easier said than done, and, in any case, this radical scaling down of the charges against a man who was supposed to be the 21st century equivalent of Hitler has made the Tribunal and its Anglo-American amen-corner look a little silly.
"Unfortunately, this is matched if not surpassed by the silliness of Slobo's defenders, whose denialist rhetoric makes the 'human rights' imperialists look like paragons of logic and reason. According to the denialists, Milosevic is entirely innocent, not a typical Balkan gangster but a hero whose only crime was to defend his country against NATO, and they demand his immediate release – not to be tried for the various crimes he is accused of in Serbia, but to be freed, and, perhaps, reinstated as the true President of Yugoslavia. (Kostunica 'stole' the election, according to Mr. Black, just like George W. Bush 'stole' the election from Al Gore.)"
Vale lembrar, inclusive, que a esquerda brasileira, na época, foi contra o bombardeio da OTAN, não porque se opusesse em princípio a "bombardeios humanitários" (uma contradição de termos se alguma vez houve uma), mas porque era - e é - a favor de Milosevic, o último de seus adorados ditadores stalinistas no Leste Europeu. Por outro lado, nunca é demais lembrar o ridículo dos defensores do tribunal (como os editorialistas do Globo) que não apenas apoiaram a ação assassina da OTAN, como crêem que um tribunal em que não há direito de defesa e em que os réus são selecionados por pessoas que poderiam perfeitamente ser também consideradas criminosas de guerra pode trazer uma nova era de justiça e paz para a humanidade. Trará, sim, uma era de imperialismo arrogante, hipocrisia, cara-de-pau e mentiras. Citando, novamente, Raimondo, num trecho que tem o subtítulo "uma farsa surreal":
"If the prosecution and the Tribunal – they are one and the same – doesn't come off all that well, what with their secret evidence, masked witnesses, and ready admission of hearsay evidence, then the defense is even less sympathetic. With Christopher Black and the ICDSM thrown into the picture for comic relief, claiming that Milosevic didn't touch a single hair on an Albanian head, the scene is set for a real farce in The Hague. As the last Stalinists in the world – Ramsey Clark and his American Commie co-thinkers, Christopher Black and the Communist Party of Canada, and old-fashioned dupes like the surrealist playwright Harold Pinter – rally around the last Stalinist in Europe, the trial of Slobodan Milosevic takes on the air of one of Pinter's surrealist plays, in which the actors utter gibberish against a forbidding backdrop of stark unreality."
postado por Alvaro Velloso 1:49 PM
Bribery on whaling admitted by Japan"JAPAN has admitted for the first time that it bribed poor nations to support its pro-whaling stance.
"Anti-whalers have alleged for years that Japan uses its aid budget to persuade other nations to vote for a return to commercial whaling.
"In an interview with the Australian Broadcasting Corporation, Maseyuki Komatsu, the head of Japan's fishery agency, confirmed the suspicions. He said: 'Japan does not have military powers. Our means are diplomatic communication and overseas development aid. To get appreciation of Japan's position it is natural we resort to those two major tools. I think there is nothing wrong with that'."
O sr. Komatsu tem toda razão, e o Japão não tem absolutamente nada do que se envergonhar: a proibição da caça às baleias é um capricho ridículo de países ocidentais e entidades ambientalistas comunistas; a alegação do risco de extinção é absurda, porque é do interesse dos próprios pescadores que exista uma quantidade razoável de peixes a fim de não extinguir sua própria atividade econômica; mas não é do interesse de ninguém que se proíba uma atividade econômica que não apenas garante o sustento de inúmeras pessoas como garante que outras pessoas tenham acesso à carne de baleia - que testemunhas consideram excelente (hum...).
Os japoneses ainda acrescentam - com razão, novamente - que a proibição é um imperialismo cultural:
"Japanese whalers say the population of minke whales has recovered since the moratorium to more than a million, enough, they argue, to allow the resumption of limited hunts of the species.
"In his interview, Mr Komatsu called minke whales the 'cockroaches of the ocean'. Japan says it is cultural imperialism to prevent the Japanese from hunting and eating whales just because Westerners regard them as beautiful and intelligent creatures."
A boa notícia é que, para desespero do Greepeace, a pesca de baleias continua, apesar das proibições.
postado por Alvaro Velloso 1:38 PM
Computer nags drowsy driversSolução estatal para problemas no trânsito? Esqueça. As proibições draconianas dos códigos em geral não têm efeito algum além de estigmatizar pessoas inocentes, interferir nas nossas liberdades individuais e encher a nossa paciência. Mas, como sempre acontece enquanto os burocratas dormem, a iniciativa privada produziu uma solução para uma das principais causas de acidentes: os motoristas sonolentos.
"A COMPUTERISED backseat driver that chatters, nags and even throws water in your face could soon be keeping motorists awake on long journeys.
"The Artificial Passenger, which could be fitted to some cars within three years, sits in the dashboard and looks for signs that a driver is dropping off at the wheel. If a motorist is getting drowsy it can open a window, turn up the stereo or release a blast of cold air or water.
"An estimated 30 per cent of road traffic accidents are caused by drivers falling asleep. The prototype Artificial Passenger has been designed by Wlodek Wlodzimierz and Dimitri Kanevsky at IBM's research centre, New York, to make journeys stimulating."
postado por Alvaro Velloso 1:29 PM
And He’s Taxing the Stairway to Heaven ...Excelente artigo de Vin Suprynowicz sobre a mais recente proposta de taxação maluca, a de um burocrata em Los Angeles de cobrar impostos de satélites que uma empresa sediada na cidade mantém (sim, satélites, no espaço; oito ao todo):
"The eight satellites, launched from either Cape Canaveral or French Guyana, serve a multitude of functions, from beaming HBO movies into American homes to speeding up credit card processing for motorists who pay at unmanned gas pumps."
Suprynowicz comenta bem o insaciável apetite dos burocratas por taxações (o nosso secretário geral da Receita seria um caso interessante para estudo...):
"The combination of a booming economy and confiscatory tax rates have combined to saddle governments everywhere with the kind of problem politicians love – finding ever more black holes into which they can shovel the embarrassing surpluses that otherwise keep piling up in excess of inflation and population growth, combined.
"In this context, one wonders why the taxmen would continue to seek out new things to tax. But in the end, that’s like asking why the scorpion stung the frog – it was just in his nature.
"When Popeye the Sailorman came ashore at Sweethaven, he wanted to ask a question about all the port and docking fees he was being required to pay. The response was that he was welcome to ask his question – as soon as he paid the question tax."
Curiosa é a justificativa que os advogados da prefeitura local deram para a criação do imposto:
"'Though never done before in California, the move is legal, say state and county tax attorneys. That’s because, they say, nobody else is taxing the satellites. ...'
"One might want to take a moment to savor that logic. If it’s legal and appropriate to tax something just because no one else is taxing it, does that mean it’s OK to steal a car from a dealership as long as no one else has bought it yet? To rape a woman as long as she’s a virgin?"
postado por Alvaro Velloso 1:14 PM
Virginity test for Turkish students"Midwife and nursing students in Turkey must be virgins and may be tested to prove it, the nation's Health Minister has ruled.
"The code, with expulsion as the penalty, applies to entrants at specialised medical schools, which have students aged 13 to 17. It was issued by Osman Durmus from the far-right nationalist wing of Prime Minister Bulent Ecevit's three-way coalition."
Fico me perguntando se os "conservadores", especialmente os de inspiração religiosa, que, movidos pelas melhores intenções, desejam que o Estado seja responsável pela moralidade, que o Estado tenha papel pedagógico e moralizante, apoiariam uma medida como essa.
A acusação preferia desses conservadores aos liberais e libertários é que estes são também libertinos, que querem instituir o "vale tudo" e o desrespeito aos princípios morais. Se somos contra a proibição das drogas, por exemplo, eles logo afirmam que fazemos apologia das drogas. Imagino que também creiam que, se somos contra a imposição estatal de uma obrigação à virgindade para as estudantes de enfermagem, somos a favor da promiscuidade sexual - e assim por diante.
O erro fundamental está em raciocinar que se algo deve ser feito isso significa que ele deve ser feito pelo Estado. Isso significa atribuir ao Estado funções de guardião da moralidade, permitindo que ele interfira nos corpos e mentes de cidadãos que não cometeram ofensa nenhuma a ninguém, em que nenhum direito foi violado - como nos casos da proibição das drogas (v. excelente artigo de Myles Kantor publicado hoje) e no caso das estudantes de enfermagem da Turquia. Significa, em outras palavras, impor a moralidade com a força das armas. Mas, ora bolas, se eu pratico uma virtude não porque desejo fazê-lo, mas porque se não o fizer o Estado me porá na cadeia ou me multará ou me obrigará a submeter-me a um tratamento médico, qual é o meu mérito?! O Estado, portanto, é inteiramente impotente para impor virtudes, porque as virtudes têm de ser voluntárias, têm de ser frutos da livre escolha do indivíduo - ou estaremos criando, em nome da virtude, uma sociedade de escravos e hipócritas. E é justamente isso que esses "conservadores" (a rigor, fascistas) - que, repito, são inspirados pelas melhores intenções - estão propondo.
Com um problema adicional: se o Estado assume a função das igrejas e das comunidades - de formar o indivíduo e de lhe ensinar e, até certo ponto e certamente sem o amparo do aparato policial, impor valores morais - logo o Estado estará se substituindo a essas entidades, que são as verdadeiras guardiãs dos valores morais, e a ação dos conservadores em favor da religião e da moral resultará na sua abolição - e no crescimento da tirania.
postado por Alvaro Velloso 1:27 PM
Journalists and the BombNormalmente, a oposição à bomba atômica é considerada uma extravagância de comunistas, pacifistas, hippies e participantes de manifestações nos anos 60.
Esse artigo de dois estudantes de história americana mostra que não é bem assim, citando opiniões de jornalistas americanos da época do bombardeio de Hisoshima e Nagasaki. Algumas dessas opiniões:
"David Lawrence, the conservative editor of U.S. News & World Report, wrote within days of the Hiroshima bombing that Japanese surrender had appeared inevitable for weeks. The claim of 'military necessity,' he argued, rang hollow. Official justifications would 'never erase from our minds the simple truth that we . . . did not hesitate to employ the most destructive weapon of all times indiscriminately against men, women and children.'
"A few months later, one of the most popular radio commentators during the war years, Raymond Swing, declared in an ABC broadcast that the Japanese had been 'looking for an opportunity to surrender, and the testimony of various Japanese leaders indicates that some other excuses would have been found at an early date even if the atomic bomb had not been dropped.'
"Henry Luce, the owner of Time, Life, and Fortune magazines, raised critical questions about the atomic bombings in the late 1940s. In a 1948 speech Luce stated: 'If, instead of our doctrine of "unconditional surrender," we had all along made our conditions clear, I have little doubt that the war with Japan would have ended soon without the bomb explosion which so jarred the Christian conscience'."
Posteriormente, o militarismo assumiu condição quase dogmática no pensamento tanto da direita quanto da esquerda americanas, especialmente depois do advento dos "neoconservadores", e questionamentos desse tipo tornaram-se mais raros, a ponto de até autoproclamados católicos declararem seu apoio ao bombardeio. Num artigo mais antigo, Joseph Stromberg ressaltava o mesmo ponto, citando um comentário que apareceu na Human Events na época:
"Many conservatives believe that to mention these things is entirely out of order. War is Hell, kill 'em all and let God sort 'em out, and so on. Very pat, I suppose, but there's not much thinking in there. Left-liberals sometimes complain that US use of the bomb was 'racist.' I guess they'd be happier if Dresden had gotten one, instead of merely being annihilated the slow way. It is interesting to contrast the reaction of today's Establishment conservatives with that of Felix Morley, who wrote in Human Events that the atomic bomb represented 'the return to nothingness' – a repudiation of the entire Western, Christian heritage. Further: 'The measurement of our [moral] loss may be seen, for instance, in the miserable farce put on by those who tried to reconcile mass murder of "enemy children" with lip service to the doctrine that God created all men in his image'."
Curiosamente, essa redução do oponente a um animal, essa total despreocupação com os custos em vidas humanas das ações militares tornou-se regra geral no século XX, com a banalização dos bombardeios de populações civis e do instrumento "político" de guerra, as sanções econômicas. O bombardeio das ilhas japonesas foi o apogeu dessa tendência que, como dizia Morley, representou a traição a toda a herança cristã ocidental (que, aliás, incluía o conceito de "guerra justa", hoje uma relíquia de um passado mais civilizado).
postado por Alvaro Velloso 1:04 PM
FedEx sued for dreadlocks discriminationO exemplo é americano, mas poderia ser de qualquer outro país do mundo dito civilizado: a conclusão inevitável é que o direito de propriedade acabou, ou só subsiste sob a débil forma de "concessão estatal". Uma empresa não pode nem decidir sua política de emprego, não pode nem fazer exigências a seus funcionários, não pode nem decidir quem deseja e quem não deseja contratar - resta-lhe, pois, muito pouca margem de ação.
Recentemente, um restaurante americano recusou-se a contratar uma candidata a garçonete porque ela era surda - foi processado por ofensa aos deficientes físicos.
O caso do FedEx é menos gritante e menos ridículo, mas é o mesmo princípio em ação: uma infração, em nome de suscetibilidades politicamente corretas, do direito da empresa de contratar livremente. O FedEx tem certas normas de boa aparência para seus entregadores - o que é mais do que normal e esperado, dada a natureza do trabalho - e demitiu certos funcionários "rastafaris" que usavam "dreadlocks" no cabelo. Resultado: processo por discriminação religiosa (aparentemente, os "dreadlocks" têm significado religioso para os rastafaris).
"FedEx, the national delivery company, is being sued by the state of New York for allegedly violating anti-discrimination laws for firing employees, most of them Rastafarians, who wear dreadlocks for religious reasons."
Todos sabem que eu não sou politicamente correto, e sim um católico reacionário, mas vou, por um instante e só por hipótese, comparar a "religião" em questão com a minha. Suponhamos que eu fosse trabalhar numa empresa que não admite católicos, por qualquer motivo (por exemplo, seu dono pode ser maçom). Por que diabos eu desejaria trabalhar num lugar que não me aceita?! Mas, pior ainda, mesmo que ainda assim eu quisesse trabalhar lá, é óbvio que eu não tenho o "direito de ser aceito", o direito de não ser discriminado, porque a empresa não é minha! Só uma mente perversa e acostumada a apoiar-se no Leviatã para sobreviver pode pensar em exigir que a empresa o aceite. Mas essa é a mentalidade geral dos "direitos das minorias". Vejam a frase lapidar do promotor do caso:
"'We live in a diverse and pluralistic society,' New York Attorney General Spitzer said. 'Employers must understand that federal and state laws require that religious practices be accommodated whenever possible'."
Portanto, para garantir a "pluralidade" e para atender às frágeis sensibilidades das vítimas oficiais, obriga-se a empresa a aceitar funcionários que não atendem às naturais exigências do emprego (que, no caso do serviço de entregas, incluem a boa aparência).
Há, ainda, uma observação adicional a fazer. Numa sociedade que valoriza a pluralidade, como diz o promotor nova-iorquino, os mecanismos normais do mercado farão que as empresas adotem políticas para garanti-la, sem nenhuma necessidade de interferência estatal. Por exemplo, suponhamos que, em vez de recorrer ao Leviatã, os rastafaris organizassem um protesto contra o FedEx. A empresa seria pintada, aos olhos do público, como uma empresa que discrimina rastafaris; se o público realmente valoriza a diversidade, isso será má publicidade para a FedEx, e a empresa se sentirá compelida a mudar suas regras, sob pena de perder dinheiro - mas por exigência dos consumidores, e não de burocratas intervencionistas.
Da mesma maneira, a minha empresa hipotética que discrimina católicos pode acabar concluindo que católicos são, em média, mais inteligentes ou mais trabalhadores, e concluir que está perdendo dinheiro em não ter funcionários católicos; ou pode perceber que está perdendo a possibilidade de ter consumidores católicos - isso acontece porque as discriminações irracionais são ineficientes e, num mercado competitivo, tendem a desaparecer.
Em princípio, a discriminação dos rastafaris me parece justificada; mas, se não o for, os consumidores naturalmente mostrariam que ela não é, sem a necessidade da intervenção estatal. Por outro lado, duvido que algum dia surjam pressões dos consumidores para que os restaurantes contratem garçonetes surdas, ou analfabetas, ou cegas...
postado por Alvaro Velloso 12:03 PM
À Votre SantéAlgumas afirmações de publicações médicas sobre os benefícios do álcool:
"Most of the coronary benefits come from alcohol, not other components of various drinks." --British Medical Journal (epidemiological review), Vol. 312; 1996
"Something in wine in addition to alcohol may reduce the overall death rate for moderate wine drinkers." --Annals of Internal Medicine (study of nearly 25,000 Danes), Vol. 133, No. 6; 2000
"Growing evidence suggests that alcohol wards off heart disease by boosting levels of high-density lipoprotein cholesterol, thinning the blood or reducing insulin resistance." --Journal of the American Medical Association (editorial), April 18, 2001
"The major risk for moderate drinking is a 10 percent increase in the likelihood of breast cancer for women, which might be negated through increased folate intake." --Meir J. Stampfer, New York Academy of Sciences conference, April 2001
As pesquisas sobre os efeitos benéficos do álcool para o coração, segundo a matéria da Scientific American, surgiram do "paradoxo francês": "the observation of a low incidence of heart disease in France, despite a grande bouffe of foie gras and other fatty Gallic foods. Researchers suggested that this may be attributable to high wine consumption. And the theory brought renewed vigor to the debate about the benefits of moderate alcohol intake.
"The bickering continues. The 60-plus studies that establish links between moderate drinking and reduced heart disease have led some experts to claim that the weight of evidence is enough for physicians--on a case-by-case basis--to advise some teetotalers to drink moderately. This is a departure from previous medical counsel, which ran along the lines of: if you don't drink, don't start."
A matéria cita algumas pesquisas recentes interessantes, e traz uma conclusão pronta para irritar os puritanos: poderemos, em breve, ver médios sugerir a seus pacientes abstêmios que comecem a beber.
postado por Alvaro Velloso 11:41 AM
Israel provokes storm with approval of new settlementsA política de Israel com relação às terras ocupadas é antiga e não dá nenhum sinal de mudar: o governo envia vários israelenses para elas, cria povoamentos e, na hora das negociações, afirma ser impossível devolver as terras porque isso implicaria tirar os cidadãos de suas casas (claro que não há o mesmo pudor em demolir casas de palestinos, mesmo que eles sejam cidadãos israelenses). Às vezes há o povoamento até mesmo de terras devolvidas aos palestinos, o que torna esses "acordos de paz" uma piada macabra. E quando os palestinos recusam acordos que lhes prometem devolver "a maior parte" de suas próprias terras, e acordos que não prevêem o fim dos povoamentos, eles são acusados de não saber negociar e de querer a guerra!
Eis o episódio mais recente, cortesia do criminoso de guerra Ariel Sharon:
"Israel's Cabinet has approved the building of Jewish communities in an area that had originally been offered to the Palestinians as part of a comprehensive peace treaty.
"Critics of the plan say it is another sign that the Israeli Government of Mr Ariel Sharon is attempting to destroy any future prospects for reaching a lasting agreement with the Palestinians.
"Under the decision, five new villages will be established in the empty Halutza Dunes region of the Negev Desert inside Israel, close to the Gaza Strip. The move effectively kills off any chance of reviving a proposal made to the Palestinians by the previous Israeli prime minister, Mr Ehud Barak. Under Mr Barak's plan, the Halutza dunes would have been given to the Palestinians to extend the Gaza Strip eastward. In exchange, the Palestinians would have to give up at least 5 per cent of the West Bank, in order for Israel to annex large Jewish settlements, particularly around Jerusalem."
postado por Alvaro Velloso 11:30 AM
US Committee Told Congo Needs 100,000 TroopsOs EUA e a ONU estão sempre procurando problemas insolúveis para resolver, mas suas tentativas no Congo podem ficar custosas de mais: o problema não é apenas enviar cem mil soldados - que já é um número absurdo - mas que eles terão de ficar lá para sempre, porque os ódios regionais não serão resolvidos com uma simples intervenção militar; eles acabarão tendo de instaurar um governo ditatorial, como o que instauraram na Bósnia (mas não na Iugoslávia, graças à liderança brilhante de Kostunica), o que certamente gostarão muito de fazer. Ou talvez os imperialistas cheguem à conclusão de que é melhor adotar a política da terra arrasada, matar milhões de africanos e repovoar o Congo com "peacekeepers". Anyway, isso são especulações. De concreto, há o seguinte:
"The number of international troops needed for effective peacekeeping in Africa is much larger than anything being considered now, the US House of Representatives' Subcommittee on Africa was told on Thursday. 'A serious mission in Congo could easily require 100,000 troops itself,' Michael O'Hanlon of the Brookings Institution was quoted as saying. Studies of past counterinsurgency efforts indicate that in 'difficult missions', military intervention requires at least several troops, 'and possibly even 10 or more for every 1,000 members of a country's civilian population,' O'Hanlon said during a hearing on the African Crisis Response Initiative (ACRI). Using this criterion, a 'tenfold expansion' of the ACRI was needed, according to O'Hanlon. 'Possible operations in Angola and Sudan, to say nothing of a more effective mission in Sierra Leone, could push the total up further. Counting ongoing missions as well as hypothetical ones, total deployed troops could again quite easily reach 200,000'."
Eu fico curioso de saber se os políticos americanos têm tanto desprezo pela vida dos soldados americanos a ponto de enviar centenas de milhares deles para uma missão impossível num lugar em que os EUA não têm absolutamente nenhum interesse objetivo em intervir (sim, há tropas americanas, inglesas e "multinacionais" na África, mas nada nessa quantidade). Esperemos para ver.
postado por Alvaro Velloso 11:24 AM
Ódio à MicrosoftCora Rónai, colunista de informática do Globo, volta esta semana a uma de suas atividades prediletas: criticar a Microsoft e defender o processo contra a empresa por "práticas monopolistas".
As acusações levantadas contra a empresa de Bill Gates são sempre as mesmas: ela oferece "vantagens demais" para o consumidor, e prejudica as outras empresas. Eu gostaria de que pudéssemos simplesmente rir desse tipo de acusação ridícula e passarmos para o próximo assunto. É por isso que faço parte do grupo daqueles que, como disse recentemente Greg Davis, "favor free markets and limited government, the struggle for such things as a true gold standard and a political discourse where the participants understand, at a minimum, the lessons of Henry Hazlitt's classic, Economics in One Lesson." Aliás, como sugeri, mas não disse explicitamente, em meu último artigo, acho até que quem não conheça nem entenda o que está exposto no livro de Hazlitt (mesmo que não o tenha lido) deveria ser proibido de participar de qualquer discussão sobre políticas públicas.
Porque esses analfabetos econômicos acabam defendendo coisas como um processo que tem por fim dar uma ajuda estatal a determinadas empresas que foram rejeitadas pelos consumidores, e prejudicar, com isso, os próprios consumidores. Porque esses analfabetos acabam disseminando a idéia de que o mercado deve ser regulado para favorecer suas empresas preferidas, para garantir que elas continuem existindo apesar de ninguém desejar seus produtos, para evitar que os consumidores tenham "vantagens injustas". Essa gente, afinal, ignora o básico do básico: que o sistema econômico não existe para garantir a sobrevivência desta ou daquela empresa que agrade a burocratas e à imprensa de informática, mas para garantir a satisfação dos consumidores.
postado por Alvaro Velloso 12:06 PM
Serrando os próprios pésOs brasileiros estão tão desacostumados a argumentar logicamente que, quando tentam fazê-lo, às vezes nem percebem que suas premissas contradizem suas conclusões.
O sr. Leonardo Alves Deserto, na seção de cartas do Globo de hoje, diz-se "revoltado" com a argumentação de um outro leitor a favor do porte de armas, e critica esse leitor por ter usado, em sua argumentação, o exemplo dos Estados americanos - nos quais as pesquisas do dr. John Lott demonstram que quanto mais fácil é o acesso às armas, menor é o nível de criminalidade. Segundo o sr. Deserto, a comparação "chega a ser patética", porque nos EUA "vemos milhões de portadores de armas, mas vemos também uma população bem alimentada, com moradia digna, sistemas de saúde e educação incomparáveis, além de leis severas que são efetivamente aplicadas" - fatores que diminuem a violência e que não existem no Brasil.
Porca miséria, o leitor está, então, admitindo que o porte de armas NÃO é um fator de aumento da criminalidade. Afinal, se com boa alimentação, boa educação, bons sistemas de moradia e de saúde, e leis severas, a criminalidade diminui, apesar da existência do porte de armas, então por que diabos devemos proibir as armas?! Se ele mesmo afirma que a criminalidade brasileira se deve a problemas econômicos e problemas jurídicos, então admite que a proibição das armas não teria efeito nenhum, porque nada faria para solucionar esses problemas.
Discordo da análise do leitor quanto às causas do crime, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que ele mesmo discorda da própria análise das causas, ou discorda das próprias conclusões. Mas estão tão "revoltado" que não é capaz nem de perceber as contradições.
NOTA: as pesquisas de John Lott não demonstram apenas uma relação negativa entre armas e crimes (a proibição de armas não reduz o número de crimes), mas também uma relação positiva: o acesso da população às armas é um fator importantíssimo de redução da crime; quanto mais as pessoas são capazes de defender sua vida e sua propriedade, menor a incidência de crimes contra a vida e a propriedade. Isso independe de fatores econômicos ou sociais, mas certamente depende de que, ao contrário do que acontece em países socialistas, o ordenamento jurídico não criminalize a defesa da própria vida e da própria propriedade.
postado por Alvaro Velloso 11:49 AM
"Racismo brasileiro"O Globo de hoje publica uma carta criticando as observações de outros leitores sobre o "combate ao racismo no Brasil", que citei segunda-feira passada. O curioso é que o leitor, ao criticar essas observações, afirma que o autor de uma delas, "parece não ser um brasileiro", por não aceitar a existência, aqui, de horríveis discriminações racistas.
O argumento é incrivelmente tosco (por que diabos alguém precisa ser brasileiro para perceber esse "fato", se ele é tão gritante?), mas lembra um detalhe importante: a esmagadora maioria dos observadores estrangeiros que vêm ao Brasil notam que aqui não existe racismo em escala socialmente significativa. Estarão eles delirando?
Muito pelo contrário: eles estão apenas comparando o nosso país com o seu país de origem, ou com outros países que conheçam. Sua observação é mais objetiva do que a nossa, porque seu padrão de comparações é mais amplo do que o nosso.
Quase todos os defensores da tese do "racismo brasileiro" comparam nossa sociedade não com sociedades reais, existentes na história, mas com uma utopia absurda, um mundo ideal em que ninguém tivesse o menor sentimento racista. Esse mundo é ideal porque o racismo é uma espécie de caipirice, é um desconforto - que pode chegar à hostilidade - ao diferente, ao novo, e essa caipirice é natural no ser humano. Mas, numa sociedade mestiça, ela é enormemente minimizada, porque já estamos acostumados à diferença, porque ela vive no nosso próprio sangue. É inteiramente absurdo comparar uma sociedade histórica real com um modelo impossível, e condená-la em nome dele. É mais absurdo ainda fugir da comparação dessa sociedade real com outras sociedades reais.
Ora, nessas outras sociedades reais em que existe racismo socialmente relevante, ninguém precisa inventar dados estatísticos ou defender argumentos econômicos absurdos para afirmar a existência do racismo. Ou alguém poderia deixar de notar a existência do racismo na África do Sul, ou nos Estados Unidos?
O que quer que se pense de Elie Wiesel, é certo que ele conhece sociedades racistas. O homem, afinal, viveu na Alemanha nazista, e faz campanhas contra o racismo no mundo inteiro. E, numa palestra no Brasil (aliás diante de representantes ligados ao movimento negro), ele afirmou que o Brasil era um país abençoado, porque nunca conviveu "com a chaga do racismo". Com isso, ele obviamente não queria dizer que vivemos num paraíso racial em que nenhum branco olha feio para um preto; queria apenas dizer que aqui nunca tivemos pogroms, nunca tivemos Ku Klux Klan, nunca tivemos bairros em que só membros de uma determinada raça podem morar, nunca tivemos conflitos raciais. Enfim: que qualquer racismo que exista no Brasil não é socialmente significativo, não é tão amplamente difundido quanto em quase todo o resto do mundo, que os "sentimentos racistas" de alguns indivíduos não são postos em prática e não se traduzem em ações.
É a partir dessa comparação que se percebe que o "mito" da democracia racial (que o leitor do Globo "acusa" os outros leitores de aceitar "inconscientemente"!) é uma descrição objetiva de um país em que a tolerância é a virtude mais amplamente praticada.
postado por Alvaro Velloso 11:32 AM
Darlan e o trabalho infantilÀs vezes é preciso que aconteça um episódio ridículo para que as pessoas enxerguem o óbvio. Ninguém em sã consciência pode concordar com as atividades do juiz Siro Darlan no desfile de moda do Barra Shopping, mas é preciso lembrar que o ridículo do episódio é uma expressão do ridículo das leis que permitem que ele aconteça.
Para os que vivem na lua, uma breve recapitulação: o juiz em questão é a Xuxa do Judiciário brasileiro, um sujeito obcecado por autopromoção e que não perde nenhuma oportunidade para aparecer nas manchetes. Ele proibiu todas as modelos menores de 18 anos que não estejam matriculadas numa escola de desfilar na "semana de estilo" do Barra Shopping, acusando suas mães de "explorar financeiramente" as filhas, e já fala até em processar as mães por essa suposta exploração.
A atitude do juiz é perfeitamente condizente com nossa legislação e com as campanhas mundiais contra o "trabalho infantil". E justamente por isso é uma atitude ridícula.
Essas leis e essas campanhas partem do pressuposto de que todas as "crianças" (se assim devemos chamar meninas de 13, 14, 15 anos) têm a obrigação de estudar e que seus pais têm a obrigação de garantir que elas estudem (embora não possam eles mesmos, pais, educá-las; ah, não, isso seria equivalente a dizer que o laço familiar é mais importante que o laço estatal, e nós não podemos promover essa idéia absurda, certo?). Mas sejamos sinceros quanto a esses pressupostos: a maior parte do que se ensina nas escolas é besteira, e besteira inútil. Ensina-se um português do qual a gramática foi extirpada, porque era mera "convenção burguesa"; ensina-se uma história que nada mais é do que a repetição de chavões marxistas; ensina-se uma geografia que de geografia não tem nada e que se resume a sociologia de botequim; ensinam-se versões compactadas e infantis de física e química, porque o aparato matemático necessário para a compreensão dessas ciências não é ensinado - e assim por diante. O segundo grau ou é uma repetição de mitos para fins de doutrinação política ou é uma exibição de "trailers" de ciências que estão além da compreensão dos alunos e, freqüentemente, dos próprios professores, fazendo que o ensino científico seja mera repetição mecânica de formuletas.
E, ainda que não fosse assim, quem disse que todos são obrigados a estudar essas matérias?! Que mente pervertida pode acreditar sinceramente que todos os seres humanos devem ser obrigados pelo Estado a saber química, geografia, história e biologia?!
O normal, o são, o condizente com uma sociedade livre de pessoas responsáveis pelo próprio destino, é que cada indivíduo, em conjunção com sua família, ou sua comunidade (religiosa ou não), aprenda aquilo que lhe interessa, aquilo que condiz com seu projeto de vida. E, com freqüência, isso significará que o sujeito avançará pouco nos estudos além do aprendizado da aritmética básica e da alfabetização - às vezes nem isso - e começará a trabalhar cedo. Se, no futuro, ele sentir necessidade de aprender mais, dependerá de seus esforços para fazê-lo, mas de maneira alguma o Estado pode dar por pressuposto que ele precisa aprender mais, que ele precisa ser obrigado a ficar preso numa sala de aula à qual ele só comparece com sua má vontade. E, como com freqüência diz o prof. Olavo de Carvalho, pessoas que levam o pior de si mesmas para o aprendizado - a má vontade, a irritação, o desinteresse - não aprenderão nunca. Por que diabos, então, obrigá-las a fazê-lo?!
As meninas em questão estão fazendo aquilo que querem, e têm óbvios incentivos familiares pelo simples fato de que seus salários ajudarão a aumentar a renda familiar. Cada mãe sabe se sua filha deve ou não estudar outras coisas, se deve ou não dedicar-se à carreira de modelo. Imaginar o contrário é imaginar que o sr. Siro Darlan, do seu gabinete, é mais capaz de cuidar das meninas do que suas próprias mães. E, se imaginamos isso, é melhor tirarmos logo as meninas do cuidado das mães e deixá-las aos cuidados do Judiciário. Ih, caramba, acabei deixando escapar uma sugestão que, em tempos normais, seria considerada absurda, mas que, tratando-se da República Socialista do Brasil e de Siro Darlan, pode acabar sendo adotada! É melhor fingirmos que não sugeri nada, e pararmos a conversa por aqui.
postado por Alvaro Velloso 11:07 AM
