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O que sobra do comunismoA Rússia tem oito dos homens mais ricos do mundo, todos ligados ao setor energético, e o mais interessante é notar que sete deles têm um traço em comum: todos tiveram ligações íntimas com o Estado soviético. Vale a pena ler toda a (breve) matéria da Forbes, mas eis os homens e suas ligações:
- Viktor Chernomyrdin, ex-primeiro ministro durante o Governo Yeltsin e ministro do gás durante o Governo Gorbachev. Como monopólios são sempre criados pelo Estado, ele se aproveitou do monopólio soviético do gás: "[he] was founder and the first chief executive of Gazprom, Russia's natural gas monopoly."
- Mikhail Fridman pelo menos não se beneficiou do Estado comunista, mas tinha íntima ligação com Yeltsin, cuja reeleição em 1996 ele ajudou a financiar. "[He] is the founder of the massive Alfa Group, whose holdings include a bank, a chain of grocery stores and about half of Tyumen Oil, Russia's fourth-largest oil producer."
- A revista não explica quais são as conexões políticas de Vagit Alekperov, dono da maior companhia de óleo da Rússia, mas deixa claro que foi graças a elas que sua companhia chegou aonde está: "Alekperov has exploited political connections to be involved in nearly every major Russian oil deal."
- Rem Viakhirev também ficou rico graças ao monopólio de gás natural: "It is impossible to understand modern Russia without understanding its natural gas monopoly, Gazprom. It is the world's biggest natural gas company, and pumps nearly six times more gas than its nearest rival, Royal Dutch Shell ." Viakhirev ocupou o cargo de diretor executivo da empresa por nove anos, até ser recentemente demitido por Putin, que pôs outro burocrata em seu lugar.
- Vladimir Bogdanov simplesmente manteve, com muita cautela, uma posição que lhe foi "concedida" pelo Estado comunista: "Having run Russia's third-largest oil concern, Surgutneftegaz, since the Soviet years, Bogdonov is known for running a conservative shop."
- Vladimir Potanin, funcionário durante o período comunista do Ministério do Comércio Exterior e alto funcionário durante o governo Yeltsin, foi beneficiado com a "privatização" dos bancos soviéticos: "Potanin took over two state-owned banks in the early 1990s, and followed that with a takeover of Norilsk Nickel, the Siberian metals mining operation that is now the crown jewel of an empire he controls through a holding company called Interros."
- Mikhail Khodorkovsky, hoje também dono de banco, era um líder de alto escalão da juventude comunista, e sua descrição da situação russa é curiosa: "It's difficult to explain the benefits of being honest to people after 70 years of communism and stealing from the state." Peraí: eram as pessoas que estavam roubando do Estado, ou foi o Estado que institucionalizou o roubo, e tomou das pessoas tudo que elas tinham? Ele parece disposto a convencer o mundo de que é um novo homem, mas seu raciocínio ainda é típico dos comunistas.
E essa, no fim das contas, é a moral da história e a razão pela qual chamo a atenção para estes homens: eis aí o resultado final do comunismo, o produto final da "grande utopia" da abolição da propriedade privada. O regime comunista matou cem milhões de pessoas e reduziu a população que sobrou à miséria; e, ao abolir a propriedade privada e confiscar os bens da população, produziu uma gigantesca concentração de capital. Terminado o comunismo, esse capital concentrado foi agora distribuído para pessoas com ligações íntimas com o Estado - em nome do igualitarismo, criaram-se fortunas gigantescas. Eis aí a redistribuição de renda adorada pelos marxistas.
O escândalo maior é que não apenas ainda há quem defenda essa utopia, mas que estamos em processo de implantá-la por aqui (v. "Tentando enxergar", artigo de hoje de Olavo de Carvalho no Globo). Então, daqui a uns oitenta anos, depois da ascensão e queda do comunismo brasileiro, depois de banhos de sangue, miséria e tirania, será a vez de a Forbes retratar os novos bilionários brasileiros, que se terão beneficiado com a distribuição da pilhagem estatal.
postado por Alvaro Velloso 3:26 PM
Swann"Vem aí uma campanha publicitária para a qual os brasileiros devem dar a maior atenção.
"Prevista para ir ao ar em outubro, ela enfatizará a importância de se acomodar corretamente crianças e gestantes em veículos."
É esse tipo de nota idiota e politicamente correta que agora enche aquela que já foi a coluna mais lida e mais interessante do Globo. Os autores ainda conseguem a façanha de cometer um erro gramatical grosseiro ("importância de se acomodar crianças"?!) e um pecado estilístico ("dar atenção para a campanha"?!) em duas simples frases.
postado por Alvaro Velloso 2:42 PM
Mais socialismo na União EuropéiaAs medidas liberais prometidas para reduzir o grau e interferência estatal nas economias européias foram rejeitadas pelo Parlamento europeu, ao mesmo tempo que novas regulamentações socializantes foram criadas. Essa é a rotina da União das Repúblicas Socialistas da Europa: mais imposições dos burocratas sobre as economias dos países-membros.
"The European Parliament once again blocked a key law aimed at liberalising the EU's economy. This is becoming wearily familiar. The latest setback dealt with a takeover directive that would have broken down investment barriers. It follows similar votes on post office privatisation and financial services reform.
"Under the Amsterdam Treaty, the parliament can veto 87 per cent of all EU legislation - most of the new law affecting Britain.
"It is using this enormous power in a lopsided way that is distorting public policy. Free market reforms agreed last year at Lisbon are being axed, while the social protection measures agreed at the same time to keep the Left happy are meeting no resistance.
"Several burdensome new regulations are going ahead - such as the new information and consultation directive that forces British firms with as few as 20 employees to give workers a say in management decisions and set up a body with enforced union recognition - with little to compensate."
postado por Alvaro Velloso 2:27 PM
Nada é sagrado?Porca miséria, até que ponto vai o desrespeito à Igreja - inclusive pela própria Igreja - e a descristianização geral do mundo?!
Leio na coluna social da Veja que um "babalorixá" baiano promoveu, com baianas paramentadas, dança e cantoria, uma "lavagem" nas escadarias de Sacré Coeur, que começou com um pedido de licença a Exu.
Ora, eu sei que essa mistura de satanismo e cristianismo é comum na Bahia, mas eles precisavam exportar a própria demência para um país que, pelo menos até algum tempo atrás, era um dos mais católicos do mundo (ao contrário do nosso, que é o maior país macumbeiro do mundo)? E como é que não aparece nenhum padre, nenhum cristão, para expulsar os satanistas do templo, para dizer-lhes que voltem a fazer suas macumbas na Bahia e que deixem Sacré Coeur em paz?
postado por Alvaro Velloso 2:18 PM
Police remove seven children from their homeOs tribunais canadenses não sabem ao certo se os pais têm ou não o direito de bater em seus filhos - aliás, não vejo por que teriam, já que hoje em dia se considera que a função de educá-los pertence ao Estado e não as pais - e, por via das dúvidas, a polícia seqüestrou nove filhos de uma família religiosa que se recusou a mentir para a polícia e prometer que nunca mais bateria nas crianças.
E não se espantem com o uso do termo "seqüestro": estamos por demais acostumados à novilíngua estatal, a ponto que aceitamos como normal o monopólio do crime que o Estado se arroga. As crianças foram levadas contra sua própria vontade e contra a vontade dos pais; nenhum envolvido cometeu nenhum crime além de irritar as sensibilidades politicamente corretas de assistentes sociais comunistas. Não há outra palavra para descrever a tomada das crianças que não "seqüestro".
"Seven children aged 6 to 14 have been removed from their home in Aylmer, Ont., because their parents, who accept the literal truth of the Bible, refuse to promise they will never again hit them with switches if they disobey. Their pastor, Rev. Henry Hildebrandt of the Aylmer Church of God, said the couple have resorted to corporal punishment in the past, believing it is wrong to spare the rod if other methods fail.
"He said police, acting on a request from child-welfare workers, called in reinforcements on Wednesday and carried the children from the house after friends and relatives tried to prevent them from being taken
"'They didn't want to go. As they were coming out I was standing out there in the parking lot and the children just put their arms out and they said, 'Help me, help me!' I said I would gladly do it, but I can't.'
(...)
"The permissibility of spanking and other physical punishment has long been a matter of dispute. (...) As it stands, the Criminal Code says: 'Every schoolteacher, parent or person standing in the place of a parent is justified in using force by way of correction toward a pupil or child, as the case may be, who is under his care, if the force does not exceed what is reasonable under the circumstances'."
Os policiais e as assistentes sociais certamente se aproveitarão do qualificativo vago ("se a força não excede o que for razoável nas circunstâncias") para justificar seu ato criminoso. Eis a tirânica arrogância do Estado socialista em ação.
postado por Alvaro Velloso 2:05 PM
Direitos dos animaisEnquanto na Flórida um grupo de defensores dos direitos animais está em campanha por uma emenda constitucional garantindo os direitos humanos dos porcos (porque "pigs confined in gestation crates experience chronic stress, frustration, depression, and other psychological disorders"), na Suécia uma mulher recebeu uma multa de 460 dólares por ter cuidado de um pássaro que encontrara ferido numa estrada.
"Nordkvist had been nursing the goshawk for six months while it learned to fly again when police came to her home in the town of Gavle, 100 miles north of Stockholm."
A polícia matou o pássaro e multou Nordkvist.
" 'One must under no circumstances take wild animals into safe keeping,' public prosecutor Micael Dahlberg told a local newspaper."
postado por Alvaro Velloso 1:49 PM
BastiatUma falha grave de meu artigo sobre Bastiat, semana passada, foi não ter indicado onde ler seus livros na internet.
Nesse site - Library of Economics and Liberty - mantido pelo Liberty Fund, é possível ler não apenas "A Lei" (em duas traduções diferentes para o inglês, ambas melhores do que a brasileira), como os outros livros de Bastiat traduzidos para o inglês - "Economic Sophisms", "Economic Harmonies" e "Selected Essays on Political Economy". Coisa de altíssimo nível.
postado por Alvaro Velloso 11:26 AM
De volta à academiaDo artigo de hoje de Olavo de Carvalho no Jornal da Tarde:
"Esse joguinho de esconde-esconde pelo qual uma consciência comodista finge que não vê aquilo que vê perfeitamente bem é hoje o padrão mesmo da mentalidade do mundo acadêmico. A prestidigitação que legitima a psicanálise da religião é só um exemplo. Outro é a sucessão de "releituras" com que se arranjam ex post facto significações mais aceitáveis para teorias desacreditadas. Os intelectuais marxistas vivem disso - e, pior ainda, crêem que é uma atividade perfeitamente respeitável. E não é preciso mencionar a legião de estruturalistas, desconstrucionistas, adeptos da estética-da-recepção e outros pelo gênero, que já tratam de introduzir a ambigüidade na própria formulação originária de suas doutrinas, prevendo a inevitabilidade das futuras acomodações semânticas.
"Quem busque medir a extensão dominada por charlatães, vigaristas, palhaços e loucos furiosos no mundo acadêmico verificará, com espanto, que ela não apenas supera o perímetro ocupado pelos pesquisadores sérios, mas também abrange as áreas mais elevadas e valorizadas do terreno: os farsantes não se encontram predominantemente entre os cientistas e docentes anônimos, mas entre os nomes de maior destaque em cada área."
postado por Alvaro Velloso 7:04 PM
O Alfaiate do PanamáA maior parte dos críticos que escreveram sobre o novo filme de John Boorman disseram que o filme era "interessante" ou "competente". Acho que eles não viram o filme.
Interessante e competente, afinal, são termos que costumamos usar para filmes medianos, razoáveis, que podem passar sem problemas na Sessão da Tarde. Mas "O Alfaiate do Panamá" não é nada disso; pelo contrário, trata-se do mais original e brilhante filme de espionagem das últimas décadas.
Não li o livro de John Le Carré que inspirou o filme, mas li "Nosso homem em Havana", o livro de Graham Greene que inspirou Le Carré, e a premissa é basicamente a mesma: um sujeito é procurado pelo serviço secreto britânico para fornecer informações sobre o país e, não sabendo nada, começa a inventar histórias. O serviço secreto o leva a sério, e começa a elaborar planos de ação.
No filme de Boorman, o sujeito é um alfaiate interpretado - brilhantemente, como sempre - por Geoffrey Rush, e o agente secreto é Pierce Brosnan, que constrói um 007 com toda a lascívia e sem nada do glamour. Como diz George McCartney, na sua brilhante resenha do filme:
"This is the real 007: irredeemably vulgar and unspeakably callous, a man who routinely intimidates and beats others into submission. Ian Fleming once said he conceived of Bond as a blunt instrument wielded by the state to defend its interests. Osnard shows us the consequences of being a blunt instrument both to others and to himself. He wears a permanent sneer, consumes pornography, and carries a hip flask from which he steadily nips. He’s clearly determined to anesthetize himself against any vestiges of human feeling. For others, he can only afford to feel contempt."
A história do filme se desenvolve no contraste entre a ambição beirando a sociopatia do agente secreto (que quer aproveitar a situação para trair a Inglaterra e faturar com o plano que surge das histórias do alfaiate) e a ingenuidade e as boas intenções, temperadas com inúmeras mentiras, do alfaiate (que sinceramente deseja que se forme no país um movimento de oposição como o que ele descreve ao agente secreto). Citando novamente McCartney:
"As the respective lamb and tiger of The Tailor of Panama, Pendel and Osnard perfectly express Blake’s fearful symmetry. They are two poles of human behavior–devotion and betrayal–which God, in His mysterious way, has permitted to coexist. The question is: Which will prevail?"
E, no meio desse contraste, há impagáveis observações sobre a política imperialista americana no Panamá.
John Boorman não costuma ser levado em muita consideração pelos críticos, que logo se esquecem de que o homem que fez "Deliverance" e "Excalibur" não vai nunca desaprender a fazer cinema de uma hora para outra, mas com este filme ele reafirma sua posição como um dos melhores diretores das últimas três décadas - mesmo que os críticos não o reconheçam.
postado por Alvaro Velloso 6:52 PM
This War is UnwinnableExistem alguns bons motivos para que nós, brasileiros, apoiemos o intervencionismo americano e inglês na Colômbia: enquanto as guerrilhas esquerdistas colombianas estiverem ocupadas numa guerra contra as duas maiores potências ocidentais, elas dificilmente terão organização ou recursos suficientes para ajudar a esquerda brasileira a fazer a revolução.
É um delírio megalômano, no entanto, imaginar que a guerra às drogas na Colômbia pode ser vencida por essa intervenção militar (unida a polpudas subvenções monetárias). Sir Keith Morris, embaixador inglês na Colômbia de 1990 a 1994, passou admitir que a guerra é invencível, e acho que a vale a pena ouvi-lo.
"I was appointed ambassador to Colombia in 1990 knowing I had much to learn about the drugs trade. The Colombia I returned to 20 years after my first posting there had changed greatly, mostly for the better, with steady growth and substantial spending on education and health. Along with the end of the cold war, this should have helped bring about a negotiated end to the low intensity communist insurgency that had plagued the country from the mid-60s.
"But instead of peace, Colombia saw a dramatic increase in violence and corruption as prohibition made cocaine a profitable commodity. Slumbering Marxist guerrillas prospered on the money the drug traffickers paid them to protect the cocaine laboratories. The traffickers also hired assassins to kill and intimidate, and paramilitaries to defend their ranches from the very guerrillas to whom they were paying protection money. (...)
"So as I arrived in Colombia, the war on drugs seemed like self-defense. The US, the UK and other Europeans had just started to give help in training and equipment to the Colombians to counter the direct threat to the state that Escobar represented. It was meant to be part of a deal: as well as helping tackle supply we - the consumer countries - would crack down on the supply of precursor chemicals, check money laundering and reduce demand at home. At the time, we really believed that the war was winnable."
Mas os esforços e as inúmeras vidas perdidas não resultaram em muito: "After so much effort and many lives lost, the trade was still as great as ever. I began to wonder about the chances of success and also about the obsessive attitudes of our leading ally."
"Colombia has now been involved in anti-narcotics efforts under US pressure for 30 years: against marijuana in the 70s, cocaine in the 80s and 90s, and heroin in the 90s. And for the past 12 years there has been intense international cooperation. But as General Serrano, the highly respected former commander of the Colombian police told me in March, in spite of all that the flow of drugs has increased. The cost: tens of thousands dead, more than a million displaced people, political and economic stability undermined and the country's image ruined.
"The attack on the supply side of the drugs trade was always bound to fail if the other elements - precursor chemicals, money laundering and demand - were not tackled too. But there seems to be no shortage of chemicals reaching the traffickers; there have been no striking results on stopping money flows; and demand has grown, with the habit now spreading to the producer countries too. There has been a cultural change which has led to the recreational use of drugs being seen by the younger generation as normal. It is now part of a global consumer society that demands instant gratification. Laws cannot change that. All they can do is create a $500bn criminal industry with devastating effects worldwide. It must be time to start discussing how drugs could be controlled more effectively within a legal framework."
postado por Alvaro Velloso 6:31 PM
Europe in crisis, says presidentEnquanto o sr. Romano Prodi pede desculpas por seu acesso de arrogância (quando afirmou, diante do resultado do plebiscito na Irlanda, que os países não precisavam ratificar o Tratado de Nice), o novo presidente da União Européia está preocupado com a perda de popularidade da organização.
"THE European Union was accused of being in 'deep trouble' and out of touch with ordinary people in an extraordinary outburst by the Belgian premier - just days after his country took over the EU presidency. Guy Verhofstadt, whose country only assumed the presidency on Sunday, plunged the institution into turmoil at a crucial stage in its development.
"He told the European Parliament the EU had 'an identity crisis' and said individual governments should redouble their efforts to make it more democratic and more relevant to its citizens before enlarging to include the former communist countries of the East."
Curiosamente, a receita do sr. Verhofstadt para diminuir a sensação de distância entre a UE e o povo é passar ainda mais por cima dos governos locais e expandir o contato direto da UE com o povo. Talvez eu seja antiquado ao acreditar em federalismo e em subsidiaridade, mas a questão me parece simples: quanto mais local e próximo das pessoas o governo, mais as pessoas se sentirão em contato com ele e mais poderes de controle sobre ele elas terão - e, portanto, menos chances terá o Poder de transformar-se em tirania. Daí, justamente, deriva o princípio segundo o qual questões que possam ser resolvidas localmente devem sê-lo; daí o grande princípio do federalismo, que, como recentemente escreveu Clyde Wilson, não significa que o poder central delega certas tarefas aos poderes locais, mas que os poderes locais limitam e regulam o poder central, e delegam a ele questões que não têm condições de resolver (depois disso, alguém ainda precisa explicar por que nunca tivemos federalismo autêntico no Brasil?).
Quando, por outro lado, se forma um megagoverno, em outro país, e este governo resolve assumir poderes para decidir todo tipo de questões - de tributos a questões de política criminal - criando uma situação em que, como disse Mendo Castro Henriques, o Estado nacional regula nos mínimos detalhes questões irrelevantes, enquanto abdica de toda possibilidade de decidir sobre as questões mais importantes; uma situação em que todas as decisões importantes serão tomadas por esse megagoverno exterior, é perfeitamente natural e sensato que as pessoas se sintam alijadas do sistema político, que sintam que estão sendo governadas por burocratas em torres de marfim. É normal e sensato porque isso é efetivamente o que está acontecendo na Europa, e as propostas do novo presidente para resolver o problema só têm a tendência de agravá-lo.
Depois do plebiscito irlandês, os euroburocratas deram um show de arrogância, do qual eles agora começam a se retratar. Eles agora passaram a buscar novos métodos para impor suas idéias à população européia - mas só seus métodos se tornaram menos arrogantes; eles continuam convictos de que representam a única esperança da Europa para um futuro glorioso.
postado por Alvaro Velloso 4:11 PM
Life is too short to spend it in the company of cowardsUfa! Foi alarme falso: Charley Reese não está se aposentando. Ele apenas está se aposentando do Orlando Sentinel, o jornal no qual trabalhou durante 30 anos. Sua coluna continuará a ser distribuída por seu sindicato, o "King's Features" (os colunistas americanos são, em grande parte, "sindicalizados": isso significa que eles são empregados diretos de uma empresa que distribui sua coluna para todos os jornais que desejarem publicá-la, como a "Creators" e a "King's Features), e o LewRockwell.com anuncia hoje que passará a publicá-la na internet.
Uma boa noção do que se estaria perdendo com a aposentadoria de Reese é dada por sua coluna de hoje, que suponho seja sua última no Orlando Sentinel, e que parece ser uma resposta aos temores politicamente corretos do jornal que acabaram levando à sua aposentadoria (a "convite" do jornal). Alguns trechos:
"One of the interesting things I've learned about growing old is that I haven't mellowed. On the contrary, I've grown more intolerant. I never could think of many reasons to suffer fools -- lightly or otherwise -- and now I can't think of a single one."
E, depois de comentar a ridícula controvérsia em torno da Bandeira dos Confederados:
"You would think, at this late date in the history of the human race, folks would know that when you give in to blackmail, you get more blackmail. You would think that people would know there is no such thing as a 'right to be not offended.' You would think sensible folks would realize that someone who says he is offended by an inanimate object is simply revealing his own neuroses.
"Being offended (which means insulted) is a subjective feeling. When we look at an inanimate object, our subjective feelings will be the result of experiences and memories associated with the object. If there are none, we will feel nothing, just as I feel nothing when I look at the flags of most foreign nations. They are, to me, meaningless. If our memories and experiences are positive, we will feel good. If they are negative, we might get our dander up. But whether we feel nothing, good or bad, is entirely internal and subjective and gives us no reason to make a public issue of our personal feelings. There's nothing about feelings in the Bill of Rights. (...)
"You have to be a pretty sorry, worthless human being to cave in to threats or unreasonable demands. I've always believed that the best reason to do something is because somebody tells you not to do it. Nobody has the right to censor American history. Nobody has the right to commit cultural genocide. Nobody has the right to insult the memory of those who died bravely in a noble cause."
Depois de lamentar o medo dos sulistas americanos em defender a própria cultura, ele termina o artigo comentando o que fará agora que está livre do jornal:
"I will soon be writing from the old homestead or from on the road. My personal office is equipped with my decrepit, inherited dog, a glass of Rebel Yell, my .45 and a Cuban cigar, about the only thing that thug, Fidel Castro, hasn't ruined.
"There are many fine folks -- brave and principled people, people not afraid to defy tyranny, people who will speak truth to power, people who lead instead of following the crowd. I'm thinking of true Southrons, Cuban exiles, Palestinians, Armenians and all the rest of the courageous people who truly care about the kind of world we will leave our children. What am I going to do in retirement? I'm going to enjoy the company of the finest people on Earth.
"I'm going to avoid the company of cowards and of those who think the most important things on Earth are the National Basketball Association draft picks and who may win an Academy Award.
"As for the column, I'm going to continue the practice of H.L. Mencken of 'comforting the uncomfortable and discomforting the comfortable'."
Bravo, Charley Reese!
postado por Alvaro Velloso 12:19 PM
America’s Untermenschen, or Independence Day BluesVale a pena complementar minhas observações de ontem sobre a "guerra às drogas", quando critiquei o "especialista" Torgny Peterson, com as brilhantes observações de Myles Kantor em artigo recente:
"Vincent Bugliosi observes, 'By making the use of drugs a crime, the anomaly is created of the perpetrator and victim of the crime being one and the same person.' Immense treasure and police power are thus paternalistically deployed to smash a personal indulgence. Bugliosi concludes, '[T]he only rationale for making the use of drugs illegal is that we want to protect people from themselves'."
Vale lembrar que o sr. Peterson negava expressamente o direito de propriedade sobre o próprio corpo, e afirmava a necessidade de o Estado impor um estilo de vida saudável sobre os indivíduos. Esse é, na verdade, o grande problema da "guerra às drogas". E, como diz Kantor:
"As citizens, we are all affected when our government enacts laws that deny our self-ownership and renders a class of Americans inferior for innocuously using their elemental property (i.e., their bodies). An anti-drug law, in other words, threatens enslavement for a certain exercise of self-ownership. (Murray Rothbard described such policies as a 'totalitarian cage' for a reason.)"
postado por Alvaro Velloso 12:08 PM
Catholics to pope: Kick out lawmakersHá tempos eu não ficava sabendo de uma proposta tão sensata e empolgante quanto essa: um grupo de duas mil pessoas estão preparando uma petição, a ser enviada para o Vaticano, pedindo a excomunhão de políticos que, mesmo se dizendo católicos, apóiam a legalização do aborto.
"'Be it the Defendants enabling of the genocidal attack of the abortionists upon our Black and Hispanic population or the acquiescence to, or promotion of, anti-family homosexual movements, the result is the same: a great loss of faith, the diminution of the Catholic Church in the eyes of both Christians and non-Christians, and the unspeakable spiritual and physical woe of living in a society formed in law by the Defendants,' the unprecedented petition states."
Os autores da petição lembram que, pelo direito canônico, a participação em um aborto implica a pena de excomunhão, e lembram as palavras do Papa João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae:
"the Church makes clear that abortion is a most serious and dangerous crime, thereby encouraging those who commit it to seek without delay the path of conversion. In the Church the purpose of the penalty of excommunication is to make an individual fully aware of the gravity of a certain sin and then to foster genuine conversion and repentance. … No circumstance, no purpose, no law whatsoever can ever make licit an act which is intrinsically illicit, since it is contrary to the Law of God which is written in every human heart, knowable by reason itself, and proclaimed by the Church."
Eu espero que a moda pegue, que surjam petições pedindo excomunhões de bispos que não acreditam na Presença Real e que apóiam o comunismo, e que o Papa divulgue, algum dia, um "listão" de excomungados. Esse seria um dia de júbilo.
postado por Alvaro Velloso 12:02 PM
Como se criaram as bestas-ferasComo alguém que já mais de uma vez quase atropelou um motociclista que avançava imprudentemente à frente do carro, simpatizo com as críticas do sr. Mauro Chaves à atuação das motos no trânsito, trafegando entre os carros. O que me parece inteiramente descabido e absurdo no seu artigo (além da estranha sugestão de que exista um "poderoso lobby" de motociclistas!) é que ele pretende mudar a situação através da inserção de um artigo no Código de Trânsito.
O Código inicialmente previa a proibição à "a passagem [de motociclistas e similares] entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela", artigo que foi vetado pelo então ministro da justiça. É claro que eu vetaria o código inteiro, mas esse é outro problema. A questão, aqui, é como o sr. Mauro Chaves desejaria que essa proibição fosse efetivada? Teríamos de pôr um guarda em cada rua, pronto para perseguir e multar motociclistas que, por um instante, andassem entre as pistas. A proposta é simplesmente fantasiosa.
Ele argumentará, então, que nos demais países do mundo é assim que os motoristas se comportam. A resposta é simples: é assim que eles se comportam não por determinação legal, mas por constume espontâneo. Essa é uma questão cultural que simplesmente não pode ser resolvida por decreto legal. Mas existe, especialmente em pessoas do meio jurídico, a presunção de que a lei é onipotente, de que basta um comando estatal para revogar hábitos culturais e até leis da natureza (não temos, afinal, um dispositivo constitucional que exige que os juros sejam de no máximo 12% ao ano?).
Qual é, então, minha proposta? Não tenho proposta. É preciso reconhecer que certos problemas estão além dos poderes da autoridade central e que o melhor que ela tem a fazer é calar a boca e esperar que, com o tempo, as pessoas se ajustem e façam acordos por conta própria.
postado por Alvaro Velloso 11:52 AM
The Power of EvilExcelente trecho de um excelente artigo de David Dieteman:
"The Federalist Papers famously argue that 'If men were angels, there would be no need for government.' This is: a) bad theology, and b) bad political philosophy.
"First, the angels have a government. The last time I heard a church hymn not written by a hippie or someone who could not tell God from Gaia, it contained stanzas describing angels, for example, bowing down to Christ the King. Hmm. King. Sounds like government and sovereignty to me.
"Second, precisely because men are not angels, government is a very dangerous thing. Forget warning labels on cigarettes and alcohol. There should be warning labels on voting booths and "civics" textbooks. Look at it this way: since men are not angels, why would anyone in their right mind give some men (politicians; think of Bill Clinton) the power of life and death – power from which there is no appeal?
"Is it any wonder that more people have been killed by their governments than by any other cause? Of course not. Once a human government – operated by fallible human beings, prone to temptation and mistakes – is freed from any constitutional, legal or moral restraints on what it can do, you can be sure that there is killing to be done.
"In that regard, there is work to be done by those who value liberty, and who do not wish to see their fellow human beings treated like cattle à la Waco, the Holocaust, Wounded Knee, and Sherman’s March to the Sea (this list is not meant to be exclusive). The State must be rolled back to within safe limits."
No mesmo artigo, ele ainda faz uma admirável citação do padre jesuíta Henry Davis sobre o voto dos católicos:
"It is the duty of all citizens who have the right to vote, to exercise that right when the common good of the State or the good of religion and morals require their votes, and when their voting is useful. It is sinful to vote for the enemies of religion or liberty, except to exclude a worse candidate, or unless compelled by fear of great personal harm, relatively greater than the public harm at stake."
Mesmo que não existissem os inúmeros problemas teológicos que existem com os bispos brasileiros, já seria possível considerar 90% deles apóstatas simplesmente por seu apoio a partidos comunistas - os inimigos da religião e da liberdade por excelência.
postado por Alvaro Velloso 12:25 PM
Temple Terrace won't hire smokersAcha que a histeria antitabagista já foi longe demais, especialmente depois das proibições, nos EUA, ao fumo em locais abertos e das ameaças, no Brasil, de demissão a professores que fumem nas escolas? Você não viu nada ainda.
Na cidade de Temple Terrace, a prefeitura decidiu que não contratará mais nenhum fumante e que demitirá os atuais empregados fumantes - mesmo que eles só fumem em casa!
"The city has adopted a policy banning the hiring of smokers. And if you light up, even at home, you could be fired.
" 'Basically, we're trying to establish a healthier work force, and with insurance rates skyrocketing, it's something we feel we need to do,' said Woody Hubbard, director of human resources."
O pior é que a moda está pegando nacionalmente:
"The policy appears to be catching on nationally, Hubbard said, as municipalities grapple with the cost of employee health insurance. Austin, Texas, and Springfield, Mo., have similar policies. Last year, the state attorney's office in Orlando announced it no longer would hire smokers.
"'A lot of cities are talking about it. I think it's a trend,' Hubbard said. 'We had a sharp increase in health costs last year. And they've proven that even secondhand smoke is connected to various medical problems'."
O curioso é que quem instituiu a discriminação oficial foi, em todos os casos, o Estado. Empresas privadas poderiam pensar em fazê-lo, mas teriam de pensar duas vezes, porque criar uma política irracional de discriminação é correr o risco de contratar funcionários menos eficientes e de perder dinheiro. Como o Estado não tem essa preocupação, como não é uma força produtiva, mas uma força destrutiva, pode discriminar à vontade.
As cortes têm decidido que essa discriminação é legal.
Se fosse feita por empresas privadas, seria mesmo, porque seria um simples exercício do direito de propriedade e da livre associação - mas não custa lembrar que essas mesmas cortes tornaram ilegal o exercício desses direitos, em função de pressões de grupos de minorias. Essa pressão é tão forte que as cortes européias proíbem igrejas de recusar-se a contratar gays para trabalhar nelas.
Feita pelo Estado, que, supostamente, tem o dever constitucional de tratar com igualdade seus cidadãos e não pode instituir políticas oficiais de racismo (a não ser que ele seja o Estado de Israel), a prática me parece inteiramente ilegal e descabida. Isso, afinal, é a "isonomia", a igualdade legal, que normalmente se entende como um dos pilares da democracia moderna. Mas a discriminação que as cortes tornaram ilegal no caso das empresas, elas mesmas tornaram legal no caso do Estado - e efetivamente transformaram os fumantes em cidadãos de segunda classe.
postado por Alvaro Velloso 12:12 PM
Especialista condena legalização das drogasA presença no Rio do sueco Torgny Peterson para aconselhar o Governo do Estado sobre a política de controle das drogas parece ser má notícia. Em termos de argumentação, esse "especialista" não parece ser dos mais brilhantes:
"No afã de resolver a questão das drogas, as pessoas propõem sua legalização. Se a legalidade fosse solução, há muito tempo estaria resolvido o problema do alcoolismo."
Ele proporia, então, a proibição do álcool também? O que mais me espanta é que se parte para a discussão do COMO resolver o problema da dependência de drogas sem antes se discutir SE é possível resolvê-lo. Ora, é claro que ainda existem dependentes de álcool, mas não existem "traficantes de álcool", com um governo paralelo no qual eles aplicam uma lei própria a ferro e fogo; e os dependentes de álcool podem ir por conta própria, ou por imposição da família, a hospitais para tratamento, sem ir para a cadeia por isso.
Enquanto isso, graças à proibição das outras drogas, aqueles que trabalham para atender à demanda têm de exercer a lei por conta própria para sustentar os negócios, e criam uma poderosíssima organização criminosa contra a qual a polícia é impotente.
O "especialista" ainda defendeu a proibição em termos adorados pelas babás oficiais:
"Não pode haver direito humano que garanta a destruição do ser humano, da sua família. Direito humano é ter respeito com o próprio indivíduo."
Ainda que esse "respeito" com o próprio indivíduo lhe seja imposto pelo Estado? É, então, função estatal obrigar todos a viver uma vida moral e saudável? Se é, por que não dizê-lo em termos claros, em vez de refugiar-se em evasivas vazias e em eufemismos?
A mesma mentalidade se encontra num artigo de Luiza Nagib Eluf no Jornal da Tarde de hoje. Ela aceita a obviedade de que a aplicação de pena de prisão para viciados em drogas é uma arbitrariedade que não atinge o objetivo pretendido, e propõe um juizado especial para drogados, no qual os juízes poderiam acompanhar o tratamento dos dependentes, a partir do modelo americano:
"Em geral, os participantes do programa devem comparecer em juízo com regularidade para conversar com o magistrado pessoalmente (podem estar acompanhados de defensor, psicólogo, assistente social) e ser submetidos a exame de urina que irá investigar a persistência ou não no uso de substâncias entorpecentes. Se ocorrer uma recaída e for constatada a presença de drogas no organismo, o juiz poderá determinar uma punição específica, inclusive a prisão por alguns dias, se julgar conveniente."
Sua proposta vai no sentido do "novo paradigma" das leis sobre drogas: passamos da punição para o tratamento. E passamos de um erro a outro, embora este seja menos ruim. Deixemos, por um instante, de lado a seriíssima questão a respeito da necessidade de criação de OUTRA divisão na Justiça brasileira, como se o Estado brasileiro precisasse crescer ainda mais. O ponto central é que a proposta já parte do pressuposto de que é função do Estado "tratar" seus súditos, cuidar da saúde eles e até acompanhar seu tratamento!
Já nem se discute o Estado terapeuta, o Estado que interfere na liberdade e na propriedade dos indivíduos para determinar o que eles devem ou não devem ingerir. Ele já é o pressuposto da discussão. Mas é um pressuposto inaceitável para quem acredite em autodeterminação, em liberdade e em direito de propriedade sobre o próprio corpo. E, se já não acreditamos em liberdade, em autodeterminação e em direito de propriedade sobre o próprio corpo, vamos logo legalizar a escravidão e a servidão!
postado por Alvaro Velloso 12:00 PM
Preparem os passaportesEscrevi a nota de ontem sobre a prontidão da população brasileira em aceitar qualquer mentira e acreditar em qualquer idiotice antes de ver os dados divulgados pela Veja desta semana. Eles mostram que a situação é infinitamente pior do que eu pensava.
78% dos brasileiros acreditam que o Brasil precisa de maior presença do Estado na economia;
55% acreditam que o Brasil precisa de uma revolução socialista para resolver seus problemas;
50% acreditam que o socialismo deveria ser implantado no Brasil [e aqui não sei se a pesquisa foi incrivelmente mal feita ou se os 5% que concordaram com a opinião acima e discordaram desta são idiotas a ponto de acreditar que é possível fazer uma revolução socialista SEM implantar o socialismo];
49% acreditam que o governo deve estatizar as empresas particulares de determinados "setores estratégicos" [e, mais uma vez, não sei como é possível socialismo e revolução socialista sem estatização de empresas particulares].
Décadas de revolução grasciana e penetração esquerdista nas escolas, na mídia e na "assistência social" teriam mesmo de dar esse resultado. O pior é que os entrevistados são tão burros que apóiam o socialismo sem saber precisamente do que se trata:
"Ouvidas 600 pessoas, representantes de todos os segmentos do eleitorado, chegou-se à conclusão previsível de que 'socialismo', na acepção popular, nada tem a ver com marxismo, Mao Tsé-tung ou Che Guevara. Para os brasileiros ouvidos na pesquisa do Ibope, socialismo é sinônimo de 'união', 'amizade', 'comunhão', 'partilha', 'respeito', 'solidariedade' e 'justiça'. Da mesma forma, 'revolução socialista' não tem nenhum parentesco com Cuba nem com a guerrilha do Araguaia. Conforme o levantamento, trata-se de uma 'mudança social', 'ampliação das oportunidades de emprego', 'diminuição da corrupção'. Não importa muito que haja uma confusão dos entrevistados, baseada em falta de informação. O que importa, segundo Ney Figueiredo, é que 'o PT é o partido que os entrevistados mais associam aos ideais que admiram'."
O socialismo (ou ainda mais socialismo do que já temos) trará precisamente o oposto de cada uma dessas coisas que os eleitores supostamente desejam - mudança social, ampliação das oportunidades de emprego e diminuição da corrupção. Uma revolução comunista, com planificação da economia, impediria a mobilidade social e reduziria todos ao denominador comum da pobreza e da miséria, eternizaria no poder uma burocracia tirânica, e esses 'apparatchiks' monopolizariam não apenas as decisões econômicas e toda a riqueza nacional, criando, como se criou em todos os países comunistas, um abismo de riqueza entre governantes e governados e uma onda de corrupção que faria Barbalho e os anões do orçamento se assemelhar à Madre Teresa.
Tudo isso é óbvio, mas a habilidade de manipulação do vocabulário se soma à burrice da população brasileira para fazer que todos entendam precisamente o contrário. Por que, aliás, temos medo de dizer isso? É preciso que se diga: a população brasileira é burra, iletrada e despreparada, e, assim, é presa fácil para mentiras esquerdistas; nenhum país tem como intelectuais de proa figuras ridículas como Marilena Chauí, Leandro Konder e Emir Sader impunemente.
Assim, a corrupção dos políticos num Estado que não se cansa de tomar dinheiro dos cidadãos em nome de "programas sociais" é atribuída ao "capitalismo", e não à abundância de dinheiro e cargos públicos; crises de emprego causadas por excessiva rigidez da legislação trabalhista, da legislação ambiental e da legislação tributária - que se unem para tornar quase impossível empreender um negócio privado - são atribuídas ao "capitalismo" e não ao socialismo que inspirou essas legislações; problemas no fornecimento energético causados pela quase impossibilidade, criada pelo Estado, de investimentos privados no setor e pela incapacidade do Estado em alocar recursos de forma eficiente - porque não está sujeito ao controle do mercado - são atribuídos à iniciativa privada, que o Estado mal deixou agir; planificação da economia no setor energético e na exploração de minérios é chamada de "privatização", e esta privatização supostamente liberal é culpada por problemas da planificação socialista. E assim por diante, numa absurda sucessão de inversões e mentiras que a lavagem cerebral gramsciana preparou a população para aceitar.
Outro aspecto dessa lavagem cerebral foi a associação de sentimentos e aspirações nobres - solidariedade, justiça, união - à centralização estatal. Ora, se alguém deseja ser solidário, deve dar esmolas, deve trabalhar como volutário em favelas, deve montar escolas, qualquer coisa assim; mas defender o uso do Estado - isto é, da força - para tomar o dinheiro de quem produz para distribui-lo a quem não produz é perverter a justiça e a solidariedade, e transformá-las em legitimadoras do roubo e da tirania. Mas é exatamente através dessa perversão de belas idéias que o monstro comunista levantará sua cabeça no Brasil. É bom abrirmos o olho.
postado por Alvaro Velloso 4:32 PM
Marta demonstra irritação com jornalistas sobre queda de sua popularidadeO óbvio ululante está acontecendo: a população paulista percebeu que Marta Suplicy não tem a mais mínima capacidade de administrar a cidade, o índice de reprovação da prefeita foi às alturas, e ela está estressadinha, insultando jornalistas.
"O índice de reprovação à administração da petista Marta Suplicy chegou a 42% e ultrapassou até mesmo o obtido pelo ex-prefeito Celso Pitta (PTN) em seu primeiro semestre na Prefeitura de São Paulo (36%).
"A parcela de paulistanos que considera o governo ruim ou péssimo subiu 26 pontos percentuais em dois meses (era de 14% na pesquisa realizada no final de abril)."
postado por Alvaro Velloso 4:06 PM
Irritando as pessoas certasNão tenho dados nem conhecimentos suficientes para comentar o plano econômico do ministro das Finanças do Japão, mas tudo indica que ele está no caminho certo. Primeiro, porque sua receita inclui desregulamentação da economia, incentivos à poupança, fim dos gastos com obras públicas e regras mais rígidas para os empréstimos bancários. Segundo, porque o ministro irritou cretinos como Paul Krugman e Jeffrey Sachs, que já prevêem recessão e miséria para o Japão, como fazem sempre que alguém propõe diminuir o papel do Estado na economia.
A conclusão é simples: qualquer projeto político que irrite Paul Krugman deve ser coisa boa. Go, Shiokawa, go!
postado por Alvaro Velloso 3:53 PM
Cacem as baleias!Japão e Noruega estão provocando crises histéricas nos ambientalistas, porque crêem que o direito das pessoas de explorar uma atividade econômica - a pesca - e o de outras pessoas de ter acesso aos alimentos que desejam - baleias, no caso - são superiores aos "direitos" de animais irracionais. (Há, ainda, o detalhe adicional de que se a proibição da pesca não for revista, poderá haver uma superpopulação de baleias, como há uma superpopulação de elefantes em alguns países africanos.)
"Mesmo com a proibição de 1986, os navios baleeiros da Noruega e do Japão continuaram em atividade. No primeiro caso, os responsáveis pela matança simplesmente ignoraram o acordo internacional e seguiram pescando nas proximidades do litoral da Noruega. Já os barcos japoneses valeram-se de uma brecha legal. Como forma de manter viva a indústria baleeira, uma das mais tradicionais do país, o governo local conseguiu permissão para que os navios permanecessem em atividade, realizando pesquisas científicas nos limites do continente antártico. Em conjunto, estima-se que japoneses e noruegueses mataram no ano passado mais de 800 minkes. Depois de abatidas, boa parte delas chega em forma de filé ao Japão, onde há muitos apreciadores da iguaria. De coloração vermelha, ela é quase tão saborosa quanto a carne bovina, na opinião dos gourmets politicamente incorretos."
postado por Alvaro Velloso 3:46 PM
Common Sense About Drunk DrivingO NannyCulture.com destaca um artigo do Columbus Dispatch contra os limites ridículos estabelecidos nas leis contra o consumo de álcool antes de dirigir. "A 0.08 percent [blood alcohol] limit would mostly serve to make criminals out of drivers who may have had a drink or two but are not intoxicated.", diz o artigo. Os editores do site acrescentam:
"And if you think .08 is where this movement to criminalize social drinkers will end, consider what's happening "down under." Today the Australian province of Victoria begins enforcing a new law which prohibits driving with a blood alcohol content of .05 percent. Victoria Police spokesman Bob Hastings told the Australian Associated Press that officers are being instructed to show zero tolerance and no leniency. 'Tough luck,' he said. 'If you're .05 or over, you'll be prosecuted'."
A discussão, no entanto, me parece superficial. É evidente que os limites legais são ridiculamente baixos, mas esse não é o problema: o problema é a própria proibição. Eu sei que não pega bem dizer isso, tanto que nem mesmo um site libertário chega a dizê-lo, mas algo não se torna menos verdadeiro por não corresponder aos preconceitos da moda contemporânea.
Ora, eu já dirigi alcoolizado bem acima do limite legal - e tenho certeza de que a vasta maioria da população masculina pode dizer o mesmo - e nada aconteceu; mas sempre tive a preocupação de não consumir álcool em quantidade suficiente para reduzir meu nível de consciência. O que importa não é quanto álcool se consome, mas o grau de consciência que se mantém, a noção perfeita do que se está fazendo.
É óbvio que beber ao ponto de inconsciência e dirigir é uma irresponsabilidade, mas desde quando começamos a penalizar a irresponsabilidade? Vamos, então, instaurar um policial em cada casa para que as pessoas não se cortem com facas de cozinha, para que fios desemcapados não ameacem a saúde das crianças da casa? Ou, ficando simplesmente no caso da direção, vamos proibir as pessoas de dirigir depois de brigar com os namorados, ou depois de perder o emprego - isto é, dirigir irritadas ou tristes? Ou não achamos que isso tem o mesmo - ou talvez maior - potencial de provocar acidentes do que dirigir alcoolizado?
A questão é que o ato de dirigir alcoolizado pode causar acidentes: mas não vai necessariamente causar, e, aliás, não causará na maioria das vezes, porque na maioria das vezes a pessoa que dirige alcoolizada está ainda mais atenta e preocupada do que normalmente, e dirigirá ainda com mais cuidado. O Estado, então, pune uma possibilidade remota, ao mesmo tempo que silencia a respeito de possibilidades semelhantes ou talvez maiores!
Ora, se um sujeito, dirigindo bêbado, causa um acidente e prejudica a pessoa ou a propriedade de alguém, que se puna esse sujeito. Mas que não se institua uma tirânica e irracional punição prévia, uma versão estatal da "medicina preventiva"!
Como disse Lew Rockwell num artigo sobre o assunto:
"Government in a free society should not deal in probabilities. The law should deal in actions and actions alone, and only insofar as they damage person or property. Probabilities are something for insurance companies to assess on a competitive and voluntary basis."
[É curioso, aliás, que enquanto o Estado legisla sobre probabilidades, o cálculo delas pelas empresas de seguro tem sido cada vez mais restringido pela jurisprudência...]
A legislação de trânsito, ademais, se baseia numa ficção - uma taxa genérica de consumo a partir da qual é proibido dirigir - apesar de, como é simples dado de senso comum, os efeitos desse consumo variem de acordo com o organismo de cada indivíduo.
Há, ainda, o problema levantado por Rockwell no artigo supracitado: o que está sendo efetivamente criminalizado é uma determinada quantidade de um produto na corrente sangüínea do indivíduo, e se isso não é intrusão tirânica, não sei o que é. E, como diz Rockwell:
"Bank robbers may tend to wear masks, but the crime they commit has nothing to do with the mask. In the same way, drunk drivers cause accidents but so do sober drivers, and many drunk drivers cause no accidents at all. The law should focus on violations of person and property, not scientific oddities like blood content."
postado por Alvaro Velloso 9:01 PM
Menos luz [e mais burrice] até marçoInformanção da coluna de hoje da Dora Kramer (minha colunista de política preferia na imprensa brasileira), sobre os motivos do Governo para prorrogar do racionamento de luz até março:
"Essa possibilidade começou a ser levada em conta, muito em função da adesão da sociedade, considerada de proporções inéditas até mesmo mundialmente. Os dados de pesquisa revelam que cerca de 65% das pessoas acham que o racionamento vai atingir o objetivo de superação da crise e 95% dos consultados disseram que aderiram às medidas."
Eu entendo 95% das pessoas aderirem às medidas: ninguém quer pagar o dobro ou triplo do preço na conta de luz, nem deseja ter sua luz cortada. O que me espanta é o outro dado: 65% das pessoas acreditam que o racionamento é suficiente para resolver o problema! Mãe do céu, o que está acontecendo com a população brasileira? Reduziu-se ao estado de gado, de vaca de presépio? Está pronta e diposta a acreditar em qualquer mentira divulgada na televisão?
Não se fala em acelerar as privatizações, em desregulamentar o setor de eletricidade, em reduzir o controle estatal sobre as fornecedoras e distribuidoras de energia, nada disso. Só se fala em aumentar esse controle, em paralisar a privatização e em aumentar os investimentos estatais - exatamente tudo aquilo que causou o problema energético! Para piorar, o Governo agora fala até em "fontes alternativas de energia", uma das maiores ficções do movimento ambientalista. E, enquanto isso, a população espera que reduzir o consumo e rezar para chover nas represas das hidrelétricas é o que basta para solucionar o problema.
É, estamos mesmo prontos para a revolução comunista. Eu ia escrever que talvez estejamos até merecendo-a. Mas nenhum povo, por mais idiota e por mais que tenha implorado por isso, merece sofrer opressão e genocídio.
postado por Alvaro Velloso 8:34 PM
Carga tributária sobe para 32% no ano 2001Boa matéria do JB mostrando como a carga tributária brasileira subiu desde a ascensão do tucanato ao posto imperial.
"Foram 12 tentativas e nada de reforma tributária. O tema sempre esteve presente na agenda oficial e o governo chegou a encaminhar algumas propostas ao Congresso, mas com o igual empenho tratou de sepultá-las. O motivo é simples: medo de perder receitas. Afinal, desde que chegou ao poder, o presidente Fernando Henrique Cardoso elevou a carga tributária - total de impostos pagos - do Brasil de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para mais de 30%. Para isso, recorreu a todos os artifícios possíveis: congelou a tabela do imposto de renda, instituiu tributos cumulativos e regressivos, contrariando o disposto na Constituição."
Os repórteres parecem conscientes dos horrores dos aumentos de impostos, mas estão mais preocupados em criticar o Governo por não ter instituído impostos progressivos e por não se ter empenhado em aumentar a eficiência das cobranças.
Bah - roubar dinheiro da classe média ou dos ricos não faz muita diferença: o roubo institucionalizado está aumentando de qualquer maneira. E os efeitos sobre a economia de impostos progressivos são piores, porque eles atacam diretamente os agentes mais produtivos - e, portanto, mais geradores de empregos e produtos - e desestimulam a produção.
Aliás, o absurdo aumento na carga do imposto de renda relatado pelos repórteres mostra que o Governo tem-se empenhado em roubar de todos igualmente.
Quanto à eficiência, cito as palavras de Murray Rothbard, de quem sempre podemos encontrar uma boa citação quando se trata de pilhagem estatal:
"The basic assumption of national income and GNP is that all government operations are productive, that they contribute their expenses to the national output and the common weal. But if we truly believe in freedom and private property, we must conclude that many of these operations are not social 'services' at all but disservices to the economy and society, 'bads' rather than 'goods'. It is important to realize that if a government activity is a bad rather than a good, we would want its exercise, so long as it exists, to be as inefficient rather than as efficient as possible. One of the most hated organizations in early modern Europe was the 'tax farmer', who purchased from the king the right to collect taxes for a certain term of years. We might consider: would we want income taxes privatized, and collected, fully armed with state power, by IBM or McDonald's rather than the IRS? The industrialist Charles F. Kettering is supposed to have cheered up a friend in the hospital, who was complaining about the accelerated growth of government: 'Cheer up, Jim, thank God we don't get as much government as we pay for.'"
Pois é: ainda bem que o tucanato não consegue aplicar toda a grana que confisca do setor produtivo em projetos "sociais" de lavagem cerebral das massas - afinal, sempre há aquela parcela desviada para uma obra de irrigação na fazenda de um senador, aquela parcela desviada para "agradecer" aos aliados seu papel numa ou outra votação, e assim por diante...
postado por Alvaro Velloso 8:22 PM
WorldNetDaily: A U.N. 'gay' threat to 1st Amendment?Existe uma "ameaça gay" à liberdade de expressão? Antes de responder, é preciso lembrar que a ONU representa uma ameaça a TODOS os direitos, não apenas o de livre expressão. Os megaprojetos de legislações globalizadas criadas por burocratas que não têm de responder por seus atos a ninguém, que não foram eleitos por ninguém e que nem mesmo são conhecidos por ninguém sempre levam o mundo na direção de maior centralização, maior estatização, maior socialização - e menos direitos. As legislações ambientais e trabalhistas já praticamente extinguiram o direito de propriedade, e as legislações tributárias estão indo no mesmo sentido. O controle de jornais e revistas pode estar muito longe?
Pelo contrário, essa matéria do WND indica que, com a conferência sobre racismo, ele está cada vez mais perto. Essa conferência levantou algumas "questões" sobre o "racismo" na mídia:
"How can the media be used more effectively to promote tolerance and respect?
"Are there best practices with regard to balancing of freedom of expression with the use of new technologies, such as the Internet, to promote racist beliefs and attitudes?
"How can freedom of the press best be balanced with the duty not to incite racial hatred?
"How can the U.N. human rights system assist in the process of balancing competing rights?"
Não se trata, pois, de uma "ameaça gay", mas de uma ameaça politicamente correta e globalista - muito mais ampla e perigosa. A ONU se julga no direito, em nome da "proteção" às sensibilidades e frescuras de "minorias", de determinar o que se pode e o que não se pode publicar nos jornais e revistas (e sites) do mundo e de decidir como a imprensa "deve ser utilizada".
Uma entidade supragovernamental decidindo "como a imprensa deve ser utilizada". Porca miséria, estaremos prestes a ver toda a imprensa do mundo se tornar órgão estatal?!
postado por Alvaro Velloso 8:05 PM
Frankly O'Hara?!Há um erro hilário e grosseiro na seção de frases da Veja do dia 20 de junho - a mesma edição em que a seção ironiza a "Época" porque a manchete do site da revista dizia, depois da morte de Marcelo Fromer, que o guitarrista estava "em estado grave".
Ora, da Época é absurdo, dada a grande quantidade de funcionários do site, mas foi simplesmente em função da demora desses funcionários em atualziar o site. Os editores e revisores da Veja tiveram uma semana inteira para revisar a seção de frases, e ainda assim não foram capazes de notar a seguinte aberração: a seção de frases dessa edição trazia o resultado de uma pesquisa inglesa com 2000 espectadores sobre as dez frases mais marcantes da história do cinema. Pode-se até discutir a decisão editorial de destacar uma pesquisa feita com tão pouca gente, mas o problema não é esse. Lá no quarto lugar (depois de "Play it, Sam"; "I'll be back"; e "My name is Bond, James Bond" - e se você não sabe de que filmes são essas frases, você deve morar na lua) estava "Frankly, my dear, I don't give a damn", a frase final de "E o vento levou", quando Rhett Butler abandona Scarlett O'Hara.
E qual foi a tradução da Veja? "Frankly, meu querido, eu não estou nem aí". Francamente, essa tradução está no mesmo nível de "o boi está berrando de dor" e demais traduções de piada. Não sei o que é pior: o fato de os editores nunca terem visto "E o vento levou" ou se o fato de imaginarem que alguém no mundo de língua inglesa se chama "Frankly".
postado por Alvaro Velloso 7:56 PM
