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Nat Hentoff e a liberdade de expressãoOs que assistiram a "Sweet and lowdown", de Woody Allen, talvez se lembrem de Nat Hentoff: ele é o crítico de jazz de barba branca que aparece comentando a "vida" e a "obra" da personagem fictícia de Sean Penn.
Hentoff é um membro da extrema esquerda americana, defensor de Ralph Nader, que conquistou a simpatia dos direitistas e a antipatia dos esquerdistas mainstream ao opor-se ao aborto e ao criticar a erosão da liberdade de expressão nos campi universitários, por cortesia do movimento politicamente correto.
Seu recente artigo no Village Voice mostra por que essa simpatia direitista é indevida. Em síntese, o problema é o seguinte: sua defesa da liberdade de expressão é contraproducente e perigosa não apenas para os demais direitos, como para os próprios direitos de livre expressão. Explico.
O caso de que ele trata é o do jornalista Evan Gahr, que tinha uma coluna no site de David Horowitz, Front Page Mag, e enviou para publicação um artigo dizendo que o líder religioso conservador Paul Weyrich era um anti-semita, porque Weyrich teria dito, durante a Páscoa, que o Cristo foi morto pelos judeus.
Não entrarei em detalhes nessa discussão, porque ela é extremamente tediosa e óbvia. É óbvio que foram judeus que mataram o Cristo, e atribuir o crime aos romanos, como fazem Gahr e Hentoff, é um ridículo sofisma; ao mesmo tempo, é óbvio que não foram todos os judeus que mataram o Cristo, mas aqueles específicos líderes judaicos vivos naquele tempo. É inacreditável que se perca tanto tempo com essa discussão, mas, infelizmente, o anticristianismo está tão difundido que hoje em dia querem até proibir o Evangelho de São João, por supostamente ser "anti-semita".
Seja como for, Horowitz - que é judeu - percebeu que o artigo de Gahr era inteiramente absurdo, e vetou sua publicação no Front Page. Gahr então enviou o artigo para a American Spectator - que anda tão no desespero que publica qualquer porcaria - e mandou alguns e-mails malcriados para Horowitz, que respondeu terminando a coluna de Gahr. Tanto melhor: um colunista ilegível a menos no Front Page, que tem vários deles.
Mas voltemos a Hentoff. Ele não apenas defende as insanas teses de Gahr, como acusa Horowitz de ter violado sua liberdade de expressão ao vetar a publicação de seu artigo e ao demiti-lo do site:
"Gahr, who had been writing for David Horowitz's FrontPage Web site, has also been fired by that very paladin of free speech, who so vigorously attacked those college newspaper editors who refused to run the Horowitz ad denouncing reparations for slavery."
E aqui está o problema com a versão hentoffiana - e esquerdista em geral - da defesa da "liberdade de expressão". Ora, como tentei demonstrar no artigo "Expressão e propriedade", a liberdade de expressão só existe como um derivado do direito de propriedade. Eu não tenho o direito de, alegando o direito ao livre discurso, violar o direito de propriedade alheio. Eu não posso exigir que o Front Page Mag publique um artigo meu, e Evan Gahr também não pode, porque o site tem um dono, que, exercendo seu direito de propriedade, atua como editor e seleciona o que será e o que não será publicado no site. Ao rejeitar o artigo de Gahr, Horowitz não estava violando a livre expressão de ninguém: estava, na verdade, exercendo sua livre expressão, já que seu ato de cancelar a coluna de Gahr também é um tipo de expressão.
Mas - e aqui entra outro problema - equívoco semelhante ao de Hentoff foi cometido - embora não pelo próprio Horowitz - por vários que o defenderam em sua polêmica contra os jornais universitários que recusaram a publicação de sua propaganda contra as reparações raciais. Vários acusaram esses jornais de violar a Primeira Emenda da Constituição americana, sem lembrar-se de que essa emenda refere-se ao Congresso americano, não a jornais universitários. Um jornal, afinal, tem o direito de publicar o que bem desejar; é o Estado que não tem esse direito.
Considere-se, ademais, a seguinte questão: supondo que a versão hentoffiana/absolutista de direito à livre expressão. Assim, um sujeito poderia exigir que outros forneçam um fórum para publicação e divulgação de suas opiniões. Um jornal não poderia mais selecionar sua linha editorial; editoras de livros não poderiam mais optar pelos livros que querem e os que não querem publicar; religiões seriam obrigadas a dar igual espaço, em suas cerimônias, a seus defensores e seus detratores - e assim por diante. Uma igreja católica, por exemplo, seria acusada de violar os direitos de livre expressão de Nat Hentoff, se se recusasse a dar-lhe lugar no púlpito para explicar por que o Evangelho de São João é anti-semita!
É fácil perceber que essa situação - na qual a livre expressão não é mais tomada como derivada da propriedade, mas como valor absoluto que pode legitimar a violação da propriedade - levaria não apenas ao totalitarismo, como, paradoxalmente, ao fim da liberdade de expressão. Porque a liberdade de excluir também é parte da liberdade de expressão.
Eis aí por que um esquerdista cético em relação aos direitos de propriedade não pode ser um defensor consistente da liberdade de expressão. Como diz Ilana Mercer, em magistral artigo sobre por que são infundadas as preocupações com as "ameaças à liberdade de expressão" causadas pela concentração de boa parte da mídia nas mãos de um mesmo empresário:
"Free speech is not suppressed when certain opinions are expunged from privately owned media. Government alone has the power to violate speech rights by using the force of the law. When government bans a publication or an opinion, it disappears or goes underground. You procure the publication or voice the opinion at your peril! A private outlet has no such power. Unless we presume we have a right to his property, Izzy Asper's misguided editorial strictures are entirely his affair."
postado por Alvaro Velloso 2:45 AM
Bring Back JusticeTratando da questão do controle externo do FBI, Paul Craig Roberts volta rapidamente, no seu artigo dessa semana, ao tema de seu importante livro "The tyranny of good intentions": a erosão dos direitos individuais no sistema jurídico americano, depois da - natural e, em princípio, legítima - reação do movimento de "lei e ordem" aos abusos e excessos dos juízes e advogados esquerdistas que estavam culpando a sociedade pelos crimes de indivíduos.
"Unfortunately, as time passed liberal judges could not be content with their power to protect our civil liberties from police and prosecutors. They had to go further, abuse their judicial discretion and blame society for the criminals' crimes. This produced a reaction that has gone too far in the opposite direction.
"The 'law and order' era has pushed aside the McNabb doctrine [que permitia aos juízes 'supervisionar' os atos dos agentes do sistema criminal federal e do FBI]. The concern to deter government misconduct and preserve judicial integrity has given way to punishing criminals at all costs. The 'harmless error' doctrine brushes police and prosecutorial misconduct under the rug unless a convicted defendant can prove that he was convicted on the basis of the government's misconduct.
"As the 'harmless error' rule prevents the convicted from obtaining an evidentiary hearing and forcing open the government's hidden files, the restraint that judges exercised over police and prosecutorial misconduct in criminal cases has been erased. [Passou-se, portanto, de um extremo ao outro.]
"Judges lost their supervisory role precisely at the time police and prosecutors ceased to give suspects a fair shake. Today, the criminal justice system is driven by career and budget needs. Closing cases and gaining convictions have become more important than getting the right man, and it is often easier to frame the innocent than to find and convict the guilty.
"Consequently, wrongful convictions are on the rise. The proportion of innocent men on death row has become scandalous. When capital crimes are not carefully and conscientiously investigated and prosecuted, neither are lesser crimes."
Falando nisso, a reação ao artigo recente em que tratei desse tema ("A importância das formas") me decepcionou: só recebi elogios, a maioria deles notando minha "coragem" em dizer algo que certamente provocaria inúmeras reações indignadas. Pois lá estava eu, me sentindo corajoso por dizer o óbvio, esperando as tropas de linchamento, e elas nunca vieram. Moral da história: nunca se deve subestimar a inteligência dos leitores de O Indivíduo.
postado por Alvaro Velloso 2:07 AM
Phone HozeImpagáveis observações de John Strausbaugh sobre a proibição nova-iorquina aos celulares no trânsito, da qual falei ontem [notem, por favor, a distinção entre o "não deveriam" e o "deveriam ser proibidos de", isto é, entre a recriminação moral e a vedação legal; essa distinção crucial anda praticamente esquecida dos debates públicos]:
"Personally, I believe you can legislate behavior but you can’t legislate brains. My impression has always been that the majority of people allowed behind the wheels of automobiles are too stupid to drive anyway–hence the many really stupid crashes you see people get into–and so of course they shouldn’t be gabbing on the phone while they drive. That’s different from saying they shouldn’t be allowed to. There are already plenty of laws on the books regarding reckless driving, under which cellphone use that causes accidents surely falls."
postado por Alvaro Velloso 1:51 AM
The Anti-Gun, Anti-Boy Scout AMAExcelente observação de Jeff Elkins sobre a Associação Médica Americana, que recentemente adotou duas causas ultra-politicamente corretas: o ataque aos escoteiros por sua rejeição de instrutores homossexuais (responda rápido: você ficaria feliz em saber que seu filho está num acampamento no mato com um adulto que pode ter interesses sexuais nele? Aliás, é exatamente por isso que não existem instrutores homens nos grupos de bandeirantes) e o ataque às armas (suponho que, agora, os detentores de armas passarão a ser tratados como doentes, exatamente como nos sonhos dourados dos tiranetes de plantão...):
"What the heck’s going on at the AMA anyway? The mental picture most of us generate when we even think about that organization is a bunch of staid old men harumphing at us clueless lay people: 'You need to exercise more and switch to a low fat diet. Quit smoking. Now, excuse me, I’m late for my tee-time.' Now they’re coming out of the closet for a sodomy merit badge and they want to take our guns besides. Probably to keep us from shooting gay scoutmasters.'
postado por Alvaro Velloso 1:43 AM
On Jonah Goldberg’s Youthful PhaseOs que estão acompanhando a discussão entre os libertários do LewRockwell.com e o neoconservador juvenil Jonah Goldberg, editor da National Review Online, não devem perder esse artigo de Stephen Kinsella, que não deixa pedra sobre pedra ao demolir o monumento de idiotices construído por Goldberg.
Alguns se lembrarão de que esta não é a primeira discussão entre o LRC e o sr. Goldberg: o jovem editor da NRO chamara a atenção dos libertários anteriormente ao escrever, numa lista dos principais livros sobre liberalismo político, que simplesmente não conhecia a obra do principal representante do liberalismo no século XX, Ludwig von Mises.
O artigo de Goldberg dessa vez é tão tolo que nem saberia por onde começar a comentá-lo; mas não há mais nada a dizer depois do artigo de Kinsella (que, aliás, tem um ótimo website).
Independentemente dessa discussão, no entanto, vale citar a nova forma proposta por Kinsella para a velha e estúpida frase segundo a qual quem tem 20 anos e não é comunista não tem coração, e quem tem mais de 40 anos e ainda é comunista não tem cérebro:
"The first half is clearly bunk. It seems designed to assuage the guilty consciences of former lefties who, like David Horowitz, whitewash the evil of their earlier leftism by describing it as 'noble' and 'high-minded', albeit naive. This part of the adage ought to be replaced with something like, 'If you’re not a liberal in your youth, you’re not an economic illiterate herd-follower run solely by emotion'."
postado por Alvaro Velloso 1:36 AM
Jean LauandEsse é o site do prof. Jean Lauand, do departamento de educação da USP, que tem feito um trabalho extraordinário de tradução de textos medievais para a Martins Fontes. O site tem algumas publicações, bons links, seu curriculum vitae e a lista de publicaçoes para as quais ele contribui.
O heróico professor conseguiu que, pela primeira vez em seus 67 anos de existência, a USP organizasse um seminário dedicado ao pensamento cristão, sob a direção do Grupo de Estudos Clássicos e Medievais da Faculdade de Educação. Interessados encontrarão todas as informações aqui.
Infelizmente, não posso recomendar de forma entusiástica todas as palestras do seminário (serão quatro, ao todo), porque as presenças - com grande destaque - de correspondentes e do próprio editor do Correio da Cidadania (Plínio de Arruda Sampaio) no segundo dia e da notória professora gramsciana Maria Benevides no primeiro garantem que pelo menos algumas delas serão dedicadas ao oba-oba esquerdista de sempre. Mas tudo indica que os outros dias valerão a pena - e os que lá forem, com esquerdismo e tudo, estarão presenciando um evento histórico.
postado por Alvaro Velloso 5:11 PM
Demissão hipócritaEntão, O Globo resolveu, por unanimidade de seus editores, demitir Ricardo Boechat porque ele discutiu uma nota com um empresário, antes de publicá-la. É impressão minha, ou esse é o supra-sumo da hipocrisia?
Alega-se que a nota favoreceu o empresário, mas nem se discute a questão central: o conteúdo da nota era verdadeiro ou não? Ninguém chegou nem mesmo a insinuar que não era. Onde está, portanto, a violação da ética jornalística? Onde está o grande pecado de Boechat?
Salta aos olhos que mentir a respeito de um assunto para favorecer alguém é uma coisa; dizer a verdade e, por conseqüência, favorecer alguém é completamente diferente, e ninguém está acusando Boechat de ter mentido, apenas de ter conversado com o favorecido.
Mas, repito, qual é o pecado de um jornalista que consulta algumas das próprias fontes? O contrário é que me espantaria!
Isso não é tudo. A demissão é de uma hipocrisia sem par. O melhor jornalista do Globo é demitido porque uma revista publicou uma conversa sua com um empresário; mas O Globo é um jornal com notórias ligações governistas, e vários de seus colunistas têm notórias ligações com partidos políticos. As matérias "sugeridas" por membros do governo; as colunas que favorecem determinados partidos aos quais os colunistas estão ligados - nada disso é considerado digno de atenção; mas uma conversa do principal colunista do jornal com um empresário é causa de demissão. Os envolvidos nela deveriam ter vergonha.
postado por Alvaro Velloso 4:56 PM
Media silent as doubts emerge over disco bombingLembra o escândalo da mídia mundial quando do atentado supostamente cometido por um ativista palestino numa danceteria em Israel? Agora veja se você encontra algum dos relatórios seguintes no seu jornal local:
- "A Palestinian with links to Israeli intelligence unwittingly acted as a driver for the suicide bomber responsible for the devastating explosion that killed 22 people outside a Tel Aviv discotheque." (Uzi Mahnaimi, "Disco Bomber Used Israeli Mole As Driver," Sunday Times, June 24, 2001)
- "The bomber of a Tel Aviv discotheque who killed himself and 20 others had entered Israel from Jordan on an Israeli visa and had no ties with the Palestinian National Authority, an Israeli Arab MP said Wednesday. Mohammed Barakei, a communist member of parliament, told AFP the information came from Palestinian leader Yasser Arafat, whom he and fellow Israeli Arab MP Issam Mahlul met Wednesday afternoon in the West Bank town of Ramallah." ("Tel Aviv Bomber Arrived from Jordan with Israeli Visa," AFP, June 06, 2001)
- Joe Vialls, a Private Investigator based in Western Australia, with thirty years direct experience of international military and multinational operations, reports: "Grim-faced Jewish intelligence experts are claiming that the bombing outside Pacha's Disco which killed 18 and wounded 100 was the work of Israeli fanatics rather than Islamic Jihad or a new (media invented) organization described as 'Palestinian Hizbollah'." ("Descendents of Stern Gang Massacre Israeli Children in Media Spectacular," June 2, 2001)
"The victims of the disco bombing, according to Israel Shamir, an immigrant Russian journalist based in Jaffa, Israel, were mostly Russian immigrants--the girls often married Palestinians. Mr. Shamir says, 'Few of them are Jews by any reasonable criteria, and Israeli radio informed that it would be quite impossible to bury the victims in the hallowed ground of the Jewish cemetery.... If they perish, they are buried beyond the fence, together with suicides.'"
Foi, então, um grupo radical de sionistas que sacrificou imigrantes russos na danceteria, para justificar o endurecimento em relação aos palestinos? Seja como for, não leremos a respeito nos grandes jornais (nem ouviremos a respeito na Globo News - v. abaixo). E, independentemente dessas especulações, não custa lembrar os dados recentemente lembrados por Charley Reese:
"Since the beginning of the current Palestinian uprising, Israel has killed 500 Palestinians, injured 23,000, and destroyed 27,000 trees and 3,200 buildings, including 1,200 homes. The Israeli toll is 106 killed and 760 injured."
postado por Alvaro Velloso 4:44 PM
Bye, bye, EmirEmir Sader foi demitido da Globo News, e eu nem estou tão feliz quanto gostaria de estar. Por mais que deteste o sociólogo adepto do stalinismo light e por mais que eu ache que o sr. Drault Ernanny Filho, autor do artigo que comenta a demissão de Emir, só pode estar tentando fazer comédia ao dizer que ele era um comentarista "talentoso e equilibrado", não posso deixar de lamentar a causa da demissão.
Afinal, depois de anos apoiando qualquer legislação comunoglobalista, depois de anos de comentários ocos e imbecis, depois de anos de aplausos para ditadores comunistas, Emir foi demitido por cometer o único "crime de pensamento" que não se admite nem de pseudointelectuais de esquerda: criticar Israel.
"Emir estava voltando de uma viagem quando um subchefe comunicou-lhe o desligamento. A demissão teria sido uma exigência da comunidade judaica com o Banco Safra à frente."
Ficamos livres de Emir Sader na Globo News, mas não há muito para celebrar; alguém tão esquerdista o substituirá, com o agravante de que não poderá nem mesmo copiar Sader no seu único ponto forte: a dissidência da linha oficial a respeito de Israel. Nunca pensei que escreveria isso, mas a demissão de Emir Sader foi, paradoxalmente, uma derrota para a objetividade jornalística.
postado por Alvaro Velloso 4:36 PM
Nicole Kidman vai zombar da fé de Tom CruiseGo, Nicole, go!
"Está nas mãos de Nicole Kidman o roteiro do filme que faz paródia escrachada da Igreja da Cientologia, da qual seu ex-marido, Tom Cruise, é fiel freqüentador e garoto-propaganda.
"A atriz australiana, que é católica, estaria em negociações para trabalhar no longa, uma adaptação para o cinema do livro Survivor, de Chuck Palahniuk [autor de 'O Clube da Luta'], lançado nos EUA em 1999.
"A obra é sobre o culto fictício Creedish Church, cujos membros são adeptos de práticas bizarras, como cerimônias em necrotérios. Não se sabe ainda quando o filme começa a ser rodado, nem quem vai ser o diretor."
Vale lembrar que uma das causas do rompimento de Nicole Kidman e Tom Cruise era o desejo dela de educar seus filhos na Igreja Católica, ao que ele objetava.
Uma sátira divertida da cientologia está no filme "Os picaretas" (o título original é "Bowfinger"), no qual Steve Martin faz um diretor de cinema picareta que dirige um filme no qual Eddie Murphy, um grande astro hollywoodiano, é o ator principal - sem que este saiba! As cenas mais engraçadas do filme são as que retratam as sessões de Murphy com seu "guru", dentro de uma seita que em tudo se parece com a cientologia.
Não vi "Battlefield Earth", a adaptação de John Travolta (outro cientologista famoso) do livro de ficção científica do criador da cientologia, mas relatos a respeito indicam que essa é outra sátira à cientologia - mesmo que involuntária.
postado por Alvaro Velloso 4:25 PM
New York passes first state ban on mobilesO Estado babá à brasileira chega a Nova Iorque:
"New York was expected last night to become the first American state to ban drivers from using hand-held mobile phones.Legislators were passing a bill that would force drivers to use plug-in headsets or more sophisticated hands-free equip-ment. From 1 December, anyone caught making a hand-held call while driving would face a $100 (£70) fine."
Mas eles pelo menos tiveram o bom senso de criar algumas exceções, que não existem no nosso insano Código de Trânsito:
"The only loopholes would be for emergency calls and for first-time offenders who proved within three months of being fined that they had bought hands-free equipment."
E outros estados tiveram o bom senso adicional de abandonar suas proibições por insuficiência de pesquisas que provem que o celular é realmente uma distração (não digo que se houvesse essas pesquisas essa proibição seria menos estúpida; apenas que é interessante ver governos que não agem de forma imperial, sem consultar ninguém, ao contrário do Estado brasileiro):
"This year, 41 American states have introduced bills to regulate the use of hand-held phones. Most of the measures have been dropped, with many states deciding more research is neededto decide to what extent mobile phones act as a distraction. The mobile phone industry has spent millions of dollars on a campaign to convince people that education,not regulation, is the solution."
postado por Alvaro Velloso 4:11 PM
Augusto Pinochet vira nome de vinho"Você beberia um vinho chamado 'Augusto Pinochet'?", perguntava, beirando a histeria, a chamada no site do Estadão.
Resposta: não só beberia, como, dada a qualidade crescente da indústria de vinhos chilena, beberia entusiasticamente! Aliás, acho heróica a idéia de um filho mais velho de Pinochet de dar o nome de seu pai a uma marca de vinhos que ele pode vir a lançar: seu pai, afinal, salvou o povo chileno de um regime ao estilo cubano, e seria absurdo que qualquer membro da família se envergonhasse disso.
"Augusto Pinochet Hiriart disse ao jornal La Tercera que deseja usar a marca comercial com o nome de seu pai em vários produtos vitivinícolas. Segundo o filho do ex-ditador chileno, as garrafas de vinho Augusto Pinochet serão vendidas principalmente em supermercados de Miami."
postado por Alvaro Velloso 4:04 PM
Espetáculo de tiraniaPoucas vezes se viu um empreendimento de manipulação popular tão espalhafatoso quanto a destruição de cem mil armas pela polícia carioca ontem na Praia do Flamengo.
Agora que essas armas foram destruídas, o que acontece? Estaremos todos mais seguros? O número de crimes diminuirá? Haverá menos criminosos nas ruas?
A resposta a todas essas perguntas é obviamente não. Mas essas são as únicas perguntas que interessam. O significado "simbólico" de um ato do Estado só pode interessar àqueles que acham que o Estado deve agir por meio de símbolos e que deve, portanto, moldar a imaginação popular - isto é, aqueles que conferem ao Estado um status religioso e sagrado.
No que ele tem de realmente significativo, esse ato "simbólico" emite horripilantes sinais de que a tirania estatal está crescendo, por dois motivos principais.
Primeiro, não se faz celebração semelhante quando os criminosos são presos e condenados. Não se sabe nem que fim levaram aqueles que cometeram os crimes com as armas destruídas ontem - eles foram presos ou continuam nas ruas, roubando, matando, estuprando? Um dos sinais simbólicos emitidos pelo ato de ontem, portanto, indica que as armas são consideradas MAIS responsáveis pelos crimes do que aqueles que as usaram, o que não é apenas um raciocínio cretino: é uma verdadeira inversão moral, consistindo na atribuição de responsabilidade consciente a objetos inanimados.
Segundo, aproveitando que a raiva popular passou a ser canalizada não em direção aos bandidos, mas em direção às armas, o Estado usou a palhaçada de ontem para predispor ainda mais a imaginação popular para a proibição total do porte privado de armas. Isso significa que as duas classes que mais cometem crimes - a polícia e os bandidos - passarão a ter o monopólio das armas, e que o cidadão comum dependerá de uma delas - seja ela qual for - para defendê-lo da outra. A possibilidade de que ele mesmo defenda sua vida e sua propriedade será, assim, abolida - com aplausos dele mesmo. A frase "como ovelhas para o matadouro" vem à mente.
A ocasião foi aproveitada pela prostituta de plantão Rubem César Fernandes para divulgar uma pesquisa segundo a qual 78% da população é favorável a leis que proíbam a produção e venda de armas, o que ele deve imaginar é o argumento definitivo a favor de seu projeto tirânico. De qualquer maneira, estaremos diante de uma das curiosas questões da democracia: se 80% da população é a favor do estupro ou do confisco da propriedade dos outros 20%, seus desejos devem ser atendidos? A previsão de "direitos constitucionais", em princípio, significa que não. Mas e quando esses "direitos constitucionais" são escritos em linguagem "fluida" e ambígua, e ninguém lhes dá mesmo muita atenção, e quando ninguém nem mesmo concebe a noção de direitos "pré-constitucionais", que não precisam ser reconhecidos pelo Estado, a resposta pode ser outra. É nela que gente como Garotinho, Rubem César e José Gregori aposta.
postado por Alvaro Velloso 3:03 PM
Jasper Gerard entrevista Iain Duncan SmithApesar de defensor do nefasto "relacionamento especial" que subordina toda a política externa britânica à americana, Iain Duncan Smith é o mais interessante dos candidatos à liderança do Partido Conservador.
Ele é o único verdadeiro eurocético - votou contra o Tratado de Maastricht - e é o único a questionar o consenso socialista britânico no que diz respeito à provisão estatal de saúde e educação. Ademais, Smith está longe dos eufemismos ("na Europa, mas não regido pela Europa") e das insanidades (redução de impostos E aumento de gastos nos serviços públicos) de Hague e Portillo.
Alguns trechos da entrevista:
- Sobre os imigrantes:
"Is Britishness threatened by multiculturalism, I ask, expecting vigorous nods. 'The funny thing about being British is that it has always been a growth industry. Our language is a bastard tongue. Left to their own devices, people will keep some of their old culture, but will also fit in.' This is certainly a change from Hague's 'foreign land' rhetoric."
- Sobre a mania de Michael Portillo de copiar a retórica e os trejeitos do New Labour:
"The question is whether we think Labour is a success story, and whether you can only be elected by being like them. He talks about this journey and this change, but I am still struggling to know how far it goes."
- Sobre o sistema de saúde britânico (o mais estatista da Europa):
"Where Duncan Smith differs from Hague-Portillo is that he does not promise tax cuts and improved state provision. 'We want to find solutions [to poor health and education], but we don't believe they lie in the system we've got.' He wants to dismantle the public services; not simply to starve them of resources, but to create a market where hospitals fight for patients.
"'The private sector should have a massively larger role. It is frankly stupid that we are the only country that believes the Soviet system works.(...) That is why we must challenge the dead consensus that you mustn't question the health service, except in terms of how much money you put in.'"
- Sobre as drogas:
"There are ways of dealing with it. Policing should be concerned with clearing drugs off the street to leave people free to get on with their lives; not raiding people in their houses. There are margins of tolerance. There is a difference between usage and dealing."
postado por Alvaro Velloso 2:36 PM
QuadrinhosO JB fez recentemente um "downsizing" em seus quadrinhos, certamente em função da crise financeira do jornal. O curioso é que, reduzida a apenas três tirinhas, a seção ficou melhor do que nunca: afinal, quem precisa de mais do que Frank & Ernest, O Mago de Id e Garfield?
Acrescentem Andy Capp (a mais politicamente incorreta das personagens de tirinhas) e Dilbert, e terão um "dream team" dos quadrinhos diários, o extremo oposto daquela coleção de cartunistas brasileiros pretensiosos e esquerdistas que enche a seção da Folha de São Paulo.
postado por Alvaro Velloso 2:21 PM
Verso livreLloyd Evans, sobre os poemas que recebe na "Spectator":
"About a third of the submissions were written in ‘free verse’ or, as I prefer to think of it, ‘hobbled prose’. It amazes me that anyone still bothers with this alphabetti spaghetti. Craftsmanship is one of the essential qualities of poetry, and the opportunity to display skill and ingenuity within an ordered scheme of rhythm and rhyme is the poet’s great adventure, his great fulfilment. The mind seeks regularity, it has a natural affinity with repeated cadences, it hungers for marshalled patterns of stresses and sounds. A poet exploits this desire for supervised noise by playing on the expectant mind like a musical instrument, stimulating it, soothing it, confounding it, enchanting it. To ignore all this, to throw it all away and pretend that the reader’s unconscious instincts are of no concern to the poet is either great madness or great brilliance. Seldom the latter."
O problema é muito mais grave no Brasil: uma geração inteira tem sido deseducada a escrever em verso livre e ignorar as exigências formais e rítmicas da poesia. O importante, dizem, é "se expressar", não importa como.
Mas é claro que o "como" é todo o motivo da poesia. Uma coisa é dizer que estou com saudades da minha amada que morreu e que espero que, no céu, ela não se esqueça de mim e rogue a Deus para que eu me una logo a ela; outra é dizer "Alma minha gentil, que te partiste / tão cedo desta vida descontente, / repousa lá no Céu eternamente, / e viva eu cá na terra sempre triste" e assim por diante. A história é completamente diferente, porque neste caso estou saindo da banalidade da linguagem corrente para a elevação quase mágica da linguagem poética - através da forma poética.
Esquecer essa distinção é esquecer o que há de mais elementar em relação à poesia, mas esse esquecimento está na base da maior parte da poesia brasileira atual, e é justamente por isso que nosos jovens "poetas" preferem a cretinice e os zumbidos da música de Caetano Veloso a Camões e outros poetas de verdade.
Isso não apenas torna toda essa produção poética feia e inexpressiva ao extremo, como tem o horror adicional de tornar mais fácil o ofício poético e aumentar a quantidade de "poetas". Como disse uma vez o Bruno Tolentino, nos últimos anos têm pululado poetas brasileiros como gafanhotos - só que a maioria deles é mais gafanhoto do que poeta.
postado por Alvaro Velloso 6:30 PM
No Shock at The New York TimesO Globo publicou ontem (perdoem-me por não procurar o link, mas realmente não vale a pena) uma matéria pequena e ridícula sobre a nomeação de Gail Collins para a edição da página de Opinião do NY Times, tratando quase exclusivamente da rixa entre Collins e a tola colunista Maureen Dowd (que o jornal chamava de "uma das penas mais temidas de Washington" - temidas por quem?! Os artigos de Dowd parecem escritos por um adolescente que passa o dia inteiro ouvindo música pop).
Mais diretamente ao ponto vão as observações de Russ Smith:
"Yesterday’s announcement that Gail Collins, the featherweight New York Times op-ed columnist, will succeed Howell Raines as editorial page editor of the paper this September, was surprising only because she hadn’t been widely mentioned as a contender. But considering publisher Arthur Sulzberger Jr.’s dysfunctional, take-the-family-business-straight-to-the-gutter tactics, I reacted with a shrug of the shoulders. Sulzberger earns a gold star from the Times’ hardcore constituency: Collins is not only a woman, class-warfare-enthusiast and Teddy Kennedy liberal, but also an honorary black, gay and homeless person. When a paper’s identity is formed by the likes of Raines, Maureen Dowd, Paul Krugman, Richard Berke, Adam Clymer, Jon Pareles and Thomas Friedman, such a promotion is par for the course.
"A buddy of mine, in an e-mail this morning, wasn’t nearly so cavalier. He wrote: 'The choice of Collins is a not particularly funny joke. On the one hand, it does make it impossible for the Times to criticize Bush administration appointments, since her ascension is such an incredible embarrassment that it can never be lived down. On the other hand, it makes Howell Raines the de facto editor of the paper and the editorial pages. Which is really bad news.'"
postado por Alvaro Velloso 6:14 PM
Talk like a sissy - but be toughCaio Blinder se desmancha em elogios a Michael Portillo, o angustiado e transviado candidato a líder do Partido Conservador britânico (na verdade, a coluna de Blinder é menos sobre Portillo do que sobre o fato de que Andrew Sullivan, que talvez por ser gay é o mais superestimado e celebrado dos jornalistas pseudoconservadores, escreveu sobre Portillo, de cuja, ahem, ambigüidade sexual Sullivan partilha).
Mas imaginar que o ambíguo (e aqui eu não estou falando de opção sexual, mas de opções políticas) Portillo é a salvação dos tories é inteiramente absurdo. Aliás, acho difícil imaginar qualquer salvação para o partido entre os dois candidatos principais, Portillo e Clarke. Como disse Mark Steyn, numa brilhante síntese sobre a situação dos tories [desde então, Anne Widdecombe desistiu da briga]:
"Of the various candidates vying to succeed the Skinhead as the next unelectable leader of the Conservatives, what’s striking is how little they have in common with each other or what’s left of their party: Widdecombe, Portillo and Clarke, the Iron Maiden, the Experimental Bi-Guy and the Euro-Bloke, are all effectively trying to invent a party from scratch. I’m a social conservative — I think abortion is an abomination — but there’s no social conservative constituency in Britain. Maybe you could create one, but I doubt that Miss Widdecombe is the person to do it. And, even if you buy into Mister Inclusive’s shtick, so what? Once you’ve hung a shingle on the street saying ‘Blacks, Gays, Transgendered All Welcome’, then what? What will Portillo’s party have to offer not just transsexuals in general but conservative transsexuals in particular? As for Mr Clarke, he would be inviting what’s left of the Tories’ rank-and-file to work for the extinction of everything they hold dear. Britain’s Conservatives are now as flounderingly squishy as Canada’s oxymoronic ‘Progressive Conservatives’: Canada’s Tories won’t be coming back; there’s no reason at present why Britain’s should."
postado por Alvaro Velloso 6:09 PM
oindividuo.com - 08/06/01Quem leu a edição de duas semanas atrás do Indivíduo não viu nada de novo no caderno Idéias de ontem: naquela edição, linkamos para a matéria de capa de Stephen Schwartz na Weekly Standard, na qual ele relatava suas pesquisas sobre a mal-explicada morte de Walter Benjamin, indicando que o pensador marxista poderia ter sido assassinado por agentes de Stálin. O Idéias ontem dedicou três páginas ao mesmo assunto, com base na matéria referida.
Outra coincidência foi a menção de Luís Fernando Veríssimo, meio a contragosto, ao fato de que dois esquerdistas proeminentes - Gore Vidal e Alexander Cockburn - são dois dos maiores defensores da tese (ou do simples fato histórico, já arquicomprovado) de que Roosevelt sabia antecipadamente do ataque japonês a Pearl Harbor. Linkamos para resenhas do livro de Vidal sobre o assunto logo que ele saiu, cerca de um ano atrás, e semana passada linkamos para o excelente artigo de Cockburn no NY Press. (Ele também escreveu a respeito, com maior riqueza de detalhes, em sua coluna no AntiWar.)
Moral da história: leiam O Indivíduo.
postado por Alvaro Velloso 5:59 PM
