
NOTÍCIAS
O
Indivíduo
Acton Institute
AntiWar
Arts & Letters Daily
The Atlantic
BBC News
Chronicles
Drudge Report
Época
Free Republic
Front
Page Mag
Independent
International Herald Tribune
Jornal da Tarde
Jornal do Brasil
LewRockwell.com
Mises Institute
Nanny Culture
Net2One
- France
New York
Press
Slate
Spectator
Sunday Times
Electronic
Telegraph
Daily
Telegraph
Town Hall
UOL - ?timas not?as
Weekly
Standard
WorldNetDaily
Yahoo! News
COLUNISTAS
William Anderson
Walter Block
Alan
Bock
James
Bovard
Christopher
Caldwell
Gene
Callahan
Olavo de Carvalho
Godfrey Cheshire
Alexander Cockburn
Thomas Fleming
Philip Hensher
Hans-Herman Hoppe
David Horowitz
Michelle
Malkin
Wendy McElroy
Ilana Mercer
Gary
North
Robert
Novak
William Pfaff
Justin Raimondo
Fred Reed
Charley
Reese
Paul
Craig Roberts
Lew
Rockwell
Phyllis
Schlafly
Frank Shostak
Joseph
Sobran
Thomas
Sowell
Bill
Steigerwald
Mark Steyn
Joseph
Stromberg
Jacob
Sullum
Taki
Jude
Wanniski
Walter
Williams
E-mail:
alvaro@avelloso.com
Este site s?de ser visto adequadamente com o Internet Explorer 4.0+
Surpresa! Cresce a segurança privada"Existe um setor da economia brasileira que avança em ritmo saudável, imune a solavancos do câmbio, das taxas de juro ou a crises externas. É o que oferece segurança particular. A atividade abrange serviços variados, como a contratação de vigilantes, a venda de armas de fogo ou a blindagem de carros e residências. Entre 1995 e 2000, o ramo cresceu 50%. No ano passado, movimentou US$ 2,5 bilhões, impulsionado pelo aumento da violência nos centros urbanos e pela epidemia de medo."
Na verdade, isso só pode ser surpresa para os socialistas que habitam as burocracias estatais e as redações de jornais e revistas. A coisa funciona da seguinte maneira: o sistema de segurança público é pago com dinheiro confiscado através de impostos e controlado não por aqueles que o financiam, mas por membros da mesma instituição: o Estado; seus membros têm todas as garantias e benesses que os empregos públicos garantem. O resultado é que, primeiro, não há nenhum controle efetivo do funcionamento do sistema, senão por um ou outro procurador bem-intencionado (mas com poucos meios de atuação); segundo, se o sistema é ineficiente, não será possível demitir funcionários ineficientes, não será possível deixar de financiá-lo e buscar alternativas.
Por outro lado, se contrato alguém para vigiar minha rua à noite, e os assaltos continuam, eu simplesmente o demito e contrato outra pessoa, ou outra firma. Ao mesmo tempo, essas firmas privadas de segurança permitem que eu tome precauções próprias de segurança, como a blindagem dos carros; e ainda posso tomar outras precauções, como aprender a atirar e comprar uma arma. É óbvio que esse sistema privado será muito mais eficiente; e é óbvio que, à medida que a ineficiência do sistema público se torna mais evidente, ele tenderá a crescer, porque as pessoas estarão mais dispostas a investir na própria segurança. É simplesmente assim que o mundo funciona.
Numa nota de 13 de março contei minha própria experiência com a segurança privada:
"morei durante três anos na rua Rainha Guilhermina, no Leblon. Logo que cheguei lá, todas as esquinas da rua eram povoadas por mendigos e, toda noite, flanelinhas bêbados e drogados importunavam quem estivesse chegando a casa. Alguns meses depois, a rua inteira organizou uma 'vaquinha' e passou a recolher uma mensalidade para pagar uma empresa de segurança privada. Os mendigos se mudaram para outras ruas, os flanelinhas desapareceram e nunca se ouviu falar de assaltos na rua", e notei que essa - junto com o porte de armas - era a única solução razoável para o problema da segurança.Eu não sabia na época, mas estava apenas repetindo uma lição do grade economista belga Gustave de Molinari, que escreveu em 1849:
"If there is one well-established truth in political economy, it is this: That in all cases, for all commodities that serve to provide for the tangible or intangible need of the consumer, it is in the consumer's best interest that labor and trade remain free, because the freedom of labor and trade have as their necessary and permanent result the maximum reduction of price. And this: That the interests of the consumer of any commodity whatsoever should always prevail over the interests of the producer. Now, in pursuing these principles, one arrives at this rigorous conclusion: That the production of security should, in the interest of consumers of this intangible commodity, remain subject to the law of free competition. Whence it follows: That no government should have the right (...) to require consumers of security to come exclusively to it for this commodity."
No entanto, como eu já notava na nota referida, o Estado odeia concorrência, afinal, "suas políticas de segurança são destinadas a garantir o bem-estar dos bandidos e a insegurança da população, e ele não admite que ninguém tente executar o mesmo - ahem - serviço."
E já aparecem, na matéria da Época, os pseudo-intelectuais de plantão defendendo a própria mamata estatal, alertando para "os riscos" do poerte de armas, para a necessidade de "combatermos as causas do crime" (claro, com mais intervenções estatais) e o resto do papo vazio que temos ouvido há décadas - e que deu os resultados conhecidos.
postado por Alvaro Velloso 12:04 PM
Euro chaos after Irish pollNo mesmo dia da eleição de Tony Blair, o New Labour e seus defensores europeus já sofreram um constrangimento, com a sensacional votação dos irlandeses contra a expansão da UE.
"Plans for the expansion of the European Union were thrown into chaos last night as the Irish Republic voted to reject the Treaty of Nice.
"The result will send shockwaves through the 15 member states, which hoped the treaty would launch the modernisation of the EU, allowing a string of eastern European countries to join the trading block.
"The result - 53.87 per cent against and 46.13 per cent in favour - will be acutely felt in Britain - one the countries most in favour of further expansion.
"To further embarrass the new Labour government, which has made no secret of its pro-single currency leanings, the pound fell more than a cent to $1.3775 - its lowest for 15 years - following the resignation of Eurosceptic William Hague."
O resultado, aliás, é consistente com os plebiscitos em vários outros países europeus (Dinamarca, Suécia, Noruega) contra o euro e contra o aumento dos poderes de Bruxelas, e certamente o recém-reeleito governo britânico já deve estar preocupado com os resultados do plebiscito futuro.
Mas não esperem que os eurocomunas se curvem à "vontade popular". A reação do primeiro ministro irlandês é extremamente significativa da cara-de-pau dessa gente:
"Bertie Ahern, the Taoiseach, said he 'fully respected' the outcome, but said the government remained committed to enlargement by the 2004 deadline.
" 'The result will come as an unexpected shock to our partners and to the applicant countries, who are due to meet in Gothenburg at the end of next week, and who now face a potential additional obstacle to the timetable for enlargement.
" 'I am convinced, nevertheless, that the Irish people welcome enlargement,' he said."
postado por Alvaro Velloso 11:37 AM
World [socialist] leaders hail Blair victoryAs reações dos eurocomunas à vitória de Blair são extremamente elucidativas.
Nicole Fontaine, presidente do Parlamento europeu: "Thanks to the strengthened legitimacy that the universal suffrage has conferred upon you, I particularly wish that the UK, under your direction, can, in years to come, take the step of joining the single currency."
Romano Prodi, presidente da Comissão européia: "The European Commission looks forward to working with you and your colleagues in meeting the many challenges which face us as Europeans. Let us turn these challenges into opportunities for all our countries and citizens."
Goeran Persson, primeiro-ministro da Suécia: "There are many signs now that Labour will act for Britain to become part of European economic monetary union."
Guy Verhofstadt, primeiro-ministro da Bélgica: "I am very pleased with the result because it is also a result which shows that many people in Britain are pro-Europe - also the (good) result of the Liberal Democrats, the most pro-European political party in Britain."
A ênfase é sempre no euro e na expansão da União Européia. Alguns comentaristas conservadores ingleses notaram, nas recentes semanas de campanha, que os esforços de Blair eram no sentido de extinguir toda possibilidade de oposição política. Não há melhor maneira de fazê-lo do que expandir a UE, porque, feita essa expansão, várias das questões cruciais da política interna deixarão de estar sob controle da administração local, e serão transferidas para a administração de Bruxelas - que governará sob um dos argumentos preferidos dos estatólatras, o de que suas decisões não são políticas, mas "administrativas" - isto é, tomadas não a partir de critérios ideológicos, mas a partir de critérios "científicos" de eficiência e modernidade.
Todos os esforços de Blair, nesse segundo mandato, serão no sentido da expansão da União Européia, como as saudações dos principais líderes socialistas europeus demonstram; ao mesmo tempo, o unanimismo socialista da UE fica reforçado com sua reeleição. Não são bons, portanto, os presságios para o futuro britânico. Não estou entre os admiradores de Peggy Noonan, mas ele definiu bem a situação, em seu artigo sobre a eleição britânica:
"Mrs. Thatcher is a Tory, and it is clear from her recent speeches that she thinks the modern Labour Party and the cunning and cheery-looking Mr. Blair are in fact aiming to outlaw England: to slowly, subtly take from it its Englishness. You start with the House of Lords, say, or fox hunting, and soon enough you're on to abolishing the pound and relinquishing autonomous nationhood as you rush to join Europe.
"Why would any leader, any great political party, aggressively follow a course that would ultimately lessen its own power? Because it won't. It will lessen England, but it will raise up those like Mr. Blair and his followers who will go on to lead the new Europe. This is the rise of the Third Way boomers, the liberal intellectual and media establishment. It's probably the kind of world the folks at AOL Time Warner would like, as they'd have only one big power to make deals with and not a dozen dinky little ones with strange rules and languages. And anyway, the point is: AOL Time Warner folk are culturally and in their politics like Mr. Blair, like Mr. Clinton, like the men and women who would rule the new Europe. They'll be right at home.
"One of the results of a new and fully confederated Europe would be a more homogenized Europe, one in which France is not so French and Germany not so German (yes, this would not be all bad), Greece so Greek, Ireland so Irish. A big Blairite blur of a continent, with the strings of power held in Brussels by bureaucrats whose loyalty is not to a nation or a national idea but to each other. To liberal bureaucratism. To being 50 years old and in power and shaping the new world as it ought to be shaped, which is along the lines you like--modern lines, leftist lines. Big state, big power, big pleasure."
Ainda uma observação sobre Blair: sabemos que os editoriais do O Globo (ninguém nunca me respondeu quem é o porquinho-da-índia que os escreve; tenho uma suspeita, mas não conto) estão sempre prontos a apoiar qualquer novo promotor da Nova Ordem Mundial, mas o de ontem, sobre Blair, foi um pouco além da babação habitual. O editorialista notou que os "órgãos da imprensa conservadora", como The Economist e o London Times, apoiaram Blair. "Imprensa conservadora"?! Give me a break! O Times não é conservador - ele sempre foi famoso por sua imparcialidade; nessas eleições, ele abandonou até essa imparcialidade para fazer propaganda descarada do New Labour, por dois motivos principais: primeiro, seu editor Peter Strothard odeia William Hague; segundo, seu dono, Rupert Murdoch, deixou de ser eurocético e agora não vê mais nenhum problema na adoção do euro, o que levou seus jornais britânicos (o Times e o Sun) a amenizar enormemente sua oposição à UE. Quanto à Economist, é uma piada chamar de "conservadora" a revista que está na linha de frente da defesa da economia dirigista e rigidamente controlada por entidades internacionais da Nova Ordem Mundial. A Economist apóia quem quer que favoreça o globalismo, e cria campanhas de difamação contra quem quer que o ameace minimamente. Essa não é propriamente uma posição conservadora.
Mas O Globo partia do apoio desses órgãos "conservadores" a Blair para afirmar que só uma coisa o justificava: a grande "competência" do primeiro-ministro inglês. Eu tenho algumas objeções ao conceito de "competência" quando aplicado a políticos, mas deixemo-las temporariamente de lado e adotemos os critérios da nossa imprensa. "Competência" em quê? Blair reformou o sistema de saúde inglês, o mais socialista (e, portanto, ineficiente) da Europa? Não. Melhorou o sistema de educação, igualmente socialista e decadente? Não, e pelo contrário: quando seu indicado para o posto de fiscal das escolas apresentou relatórios com críticas duras ao ensino e aos professores, Blair cedeu às pressões do professorado e demitiu o fiscal. Mas, e a economia? Blair herdou um orçamento do governo conservador, com um rigoroso equilíbrio fiscal, e simplesmente o manteve.
A única coisa em que o New Labour foi realmente competente foi na promoção publicitária das próprias virtudes - a tal ponto que idiotas em jornalecos do outro lado do Atlântico se prontificam a repetir suas mentiras.
postado por Alvaro Velloso 11:28 AM
It's all over bar the votingO que é que se pode dizer das eleições inglesas? A hiena sorridente será reeleita com facilidade, e com uma diferença de votos ainda maior do que na sua histórica vitória de 1997, numa eleição que provavelmente terá o maior nível de abstenção do século e será também o pior resultado eleitoral da história do Partido Conservador.
Peter Hitchens, na Spectator, atribui a popularidade de Blair ao materialismo da classe média, incapaz de pensar a longo prazo e de defender qualquer princípio político, mais preocupada em manter a relativa estabilidade econômica que o governo Thatcher iniciou, o governo Major consolidou e o governo Blair herdou (e atribuiu aos próprios esforços). Seus comentários foram complementados por Geoff Harrison, segundo quem:
"We have now a major slice of British society, fundamentally well-off, who look to the state to take care of their health and welfare needs; who live for today rather than defer pleasures until tomorrow; whose cultural values are no different from the uneducated."
Parece ser essa classe média rica, autocentrada, imediatista e sem desejo de assumir a responsabilidade por pagar a própria saúde e a própria educação o grande contingente eleitoral de Blair, aqueles que antes votavam nos Tories e agora votam no New Labour. Esse é um dos dramas da democracia, quando o Estado se substitui à iniciativa privada no provimento da saúde, da educação, da aposentadoria: primeiro, ela divide a sociedade nos grupos daqueles que pagam impostos e aqueles que se beneficiam dos impostos alheios, e como estes são sempre mais numerosos, a tendência é que sejam eleitos os políticos que lhes prometem ainda mais benefícios; segundo, como diz Hans-Hermann Hoppe, "by increasingly relieving individuals of the responsibility of having to provide for their own health, safety, and old age, the range and temporal horizon of private provisionary action have been systematically reduced" - isto é, as pessoas se tornam mais imediatistas e tendem a depender mais do Estado para o provimento de suas necessidades futuras.
Enquanto Blair parece ter-se beneficiado dessa dependência do Estado, os conservadores ficaram perdidos. Um observador americano notou, impressionado, que a mídia inglesa chamava o líder dos tories, William Hague, de ultradireitista, mas suas propostas fiscais são à esquerda de Ralph Nader, o candidado ultra-esquerdista do Partido Verde americano. Isso porque, acreditando no consenso estatizante, ele não ousou falar em redução do Estado, e propôs ao mesmo tempo uma redução de impostos e um aumento nos gastos em saúde e educação!
Quem quer que tenha visto Hague discursar sabe que ele é infinitamente mais inteligente e preparado do que Blair, mas sua oposição não é uma oposição autêntica, não se funda em princípios diferentes dos de Blair - inclusive porque em alguns assuntos em que essa oposição seria autêntica, como o crime, Blair assumiu para si o discurso dos conservadores - e, assim sendo, é perfeitamente natural que não empolgue os eleitores. Mesmo em relação à União Européia, Hague adotou um discurso ambíguo ("in Europe, but not ruled by Europe").
É, no entanto, a questão européia - especiamente a questão do Euro - que pode ser decisiva para os tories, não na eleição, mas nos próximos anos. Existe uma divisão a respeito da Europa no New Labour, e, na campanha atual, ganhou a parte que preferia manter a questão distante do debate público - porque a maioria da população é eurocética. Mas mais cedo ou mais tarde Blair terá de convocar um plebiscito sobre a adesão ao euro - e, conseqüentemente, a adesão ao controle europeu sobre as finanças britânicas. Se ele ganhar, e a maioria votar em favor da adesão, sua vitória estará completa e a Inglaterra estará bem próxima da extinção; no entanto, se ele perder - e é bem provável que isso aconteça - terá sido derrotado numa questão crucial e terá um governo deslegitimado e desmoralizado. Essa é a chance para os conservadores, se os eurocéticos dentre eles resolverem abandonar a ambigüidade e afirmar sua oposição à UE.
O problema é que os próprios conservadores também estão divididos em relação à União Européia, e se aqueles mais abertamente favoráveis à adesão britânica ao euro - liderados por Kenneth Clarke - aproveitarem o fiasco de Hague nas urnas para assumir o controle do partido, não apenas os conservadores ficarão enfraquecidos como forças políticas, como a Inglaterra deixará de ter uma oposição consistente à União Européia. E isso é tudo que os eurocomunistas em Bruxelas - e no New Labour - desejam.
postado por Alvaro Velloso 1:03 PM
Casey at the courtJá que nós gostamos de copiar leis malucas dos americanos, vale a pena notar o mais recente absurdo causados pelo famoso ADA ("American with Desabilities Act"), uma lei ultra-politicamente correta de defesa dos deficientes físicos.
O golfista Casey Martin tem uma disfunção na sua circulação sangüínea que torna qualquer caminhada difícil e perigosa, e só consegue jogar golfe se movimentando com um carrinho. No entanto, o regulamento da principal associação profissional de golfe - a PGA - impede que os jogadores utilizem carrinhos nas partidas. Martin pediu à PGA que abrisse uma exceção, a PGA negou e ele foi à Suprema Corte americana.
A discussão da causa girou em torno da definição do golfe: o esporte consiste apenas nas tacadas ou as caminhadas são também uma parte essencial (e, neste caso, permitir que um jogador utilize o carrinho seria conferir-lhe uma vantagem indevida). Lendas do golfe como Arnold Palmer e Jack Nicklaus testemunharam que o cansaço causado pelas caminhadas é um teste de resistência que pode ser decisivo nos torneios. Mas a Suprema Corte não deu muita importância a esses testemunhos, baseando sua decisão no testemunho de um professor de fisiologia, segundo o qual a caminhada no golfe queima pouquíssimas calorias.
O juiz John Paul Stevens escreveu, justificando a decisão da maioria: "the use of carts is not in itself inconsistent with the fundamental character of the game of golf. From early on, the essence of the game has been shot-making -- using clubs to cause a ball to progress from the teeing ground to a hole some distance away with as few strokes as possible."
Como disse Jacob Sullum (de cujo artigo tirei parte dessas informações), sem dúvida alguma Jack Nicklaus e a PGA ficaram muito agradecidos pela aula sobre golfe que a Suprema Corte lhes deu, mas por que diabos a Suprema Corte estava decidindo sobre a natureza do golfe? A resposta é o ADA:
"The ADA requires 'reasonable modifications' to make 'public accommodations' accessible to people with disabilities. It allows an exception when 'making such modifications would fundamentally alter the nature of (the) goods, services, facilities, privileges, advantages, or accommodations' being offered. Hence the debate about the fundamental nature of golf."
A Corte teve, portanto, de analisar por conta própria a natureza do golfe, para garantir que a alteração no regulamento da PGA não significaria uma alteração na natureza do esporte. O juiz Scalia, quase sempre a voz da sensatez na Corte, foi acompanhado em seu dissenso apenas por Clarence Thomas, e afirmou:
"In my view today's opinion exercises a benevolent compassion that the law does not place it within our power to impose…there is one set of rules that is fair with respect to the able-bodied, but individualized rules ... for talented but disabled athletes. [The law] mandates no such ridiculous thing."
Por sensata que seja essa opinião, parece que o ADA realmente exige tal coisa ridícula - violando direitos de propriedade e de livre associação, e introduzindo o controle estatal nas mais mínimas áreas da vida social. Esse, na verdade, é o problema desse julgamento: ele evidencia o ponto quase totalitário de regulamentação e intrusão a que chegou o Estado americano.
Claro que o único juízo sensato seria aquele imaginado por Joseph Sobran, no seu excelente artigo sobre o assunto:
"The Court should have told Martin: 'No government agency should presume to dictate the rules of a sport, and the federal government in particular has no constitutional authority to do so. Setting aside the practical consideration that a group of people who make a living at golf are probably more competent to formulate its rules than we are, the ruling you seek simply isn’t ours to make. Were we to make it, we would be guilty of what the authors of the Constitution would have called a tyrannical usurpation of power'."
Mas justamente esse poder extraconstitucional e tirânico foi atribuído aos tribunais pelo ADA. O problema, como diz o próprio Sobran, é que os americanos - e, obviamente, não só eles - passaram a aceitar intromissões estatais que seus antepassados achariam inaceitáveis:
"Former Senator Daniel Patrick Moynihan says we have 'defined deviancy downward' – tolerating the formerly intolerable, removing stigma from irresponsibility. We have also defined tyranny downward, meekly accepting impositions of government that would once have spurred Americans to angry resistance. A tyrant who stops short of mass murder is no longer considered a tyrant."
postado por Alvaro Velloso 12:21 PM
Britain snatched babies' bodies for nuclear labsNum discurso famoso, Ronald Reagan corretamente caracterizou a União Soviética como o "império do mal". Mas há um efeito negativo que essa caracterização pode causar: a impressão de que o fim da União Soviética representou também o fim do "império do mal", a vitória definitiva da liberdade sobre a tirania, porque, por oposição, os países ocidentais seriam o "império do bem". Não é só a União Soviética o "império do mal"; todo o desprezo contemporâneo pela vida e pelos direitos naturais são também parte do "império do mal", toda a "cultura da morte" propagada pela cultura decadente dos países ocidentais é também parte do "império do mal". A tirania não acabou - ela só assumiu novos disfarces, alguns deles até mais sedutores.
Querem exemplo melhor disso do que essa notícia de que a Inglaterra roubou corpos de bebês mortos e enviou-os para os EUA, para serem utilizados em testes nucleares?
"Britain's nuclear industry was involved in a top secret international operation to steal dead babies for up to three decades, according to newly declassified documents. (...) The papers, released by the American Department of Energy, show that scientists from the UK Atomic Energy Authority removed children's bones and bodies to ship to the United States for classified nuclear experiments.
"Among the hundreds of pages of documents released are letters exchanged between American and British government scientists in which they discuss levels of radiation in the ribs of stillborn babies and lists of dead children's bodies obtained from the Middlesex Hospital and spirited to American nuclear laboratories. The human 'guinea pigs' are not named, but assigned codenames as part of tight security surrounding the experiments. Baby B-1102, for example, is listed as a boy who died aged eight months. Baby B-595 was a girl who was 13 months old when she died. The report listing them - stamped 'top secret' - acknowledges the help of doctors at the Central Middlesex Hospital's Department of Morbid Anatomy and Histology. (...)
"British scientists collaborated with the project from the outset in the early Fifties, the documents show. Correspondence between them and their American counterparts at the US Atomic Energy Commission includes a letter from the UK Atomic Energy Authority giving information about stillborn children whose bones had been experimented on in Britain. Other reports compare bodies obtained in England - known as 'Area Five' by the project's controllers - and in San Francisco. One paper says parts from British babies and children up to the age of 10 years were 'readily available'.
"At the same time as supplying the Americans, British scientists from Harwell and the Medical Research Council conducted their own research on dead children. Between 1955 and 1970, they collected around 6,000 bodies."
Autorização dos pais? Para quê?!
"Jean Prichard, whose baby died in 1957, said her child's legs were removed by hospital doctors and taken to Harwell without permission. To prevent her from finding out what had happened, she says she was forbidden to dress her daughter for her funeral. 'I asked if I could put her christening robe on her, but I wasn't allowed to, and that upset me terribly because she wasn't christened. No one asked me about doing things like that, taking bits and pieces from her.'"
postado por Alvaro Velloso 12:37 PM
What to Do About Hollywood, Tobacco's Smoldering AffairO fanático antitabagista Stanton Glantz está convencido de que existe um acordo maligno entre Hollywood e as indústrias de tabaco, de que as pessoas só fumam porque Hollywood glamouriza o fumo - e de que, portanto, filmes em que pessoas aparecem fumando devem ser proibidos para menores de 18 anos desacompanhados dos pais (a classificação "R" no sistema americano).
Não lhe ocorre que as pessoas fumem porque queiram, nem que os filmes mostrem pessoas fumando porque pessoas fumam na vida real, porque cigarro é parte da vida humana; não, tudo são tenebrosos interesses comerciais. Daí sua bizarra proposta (que equivale a dizer: "mostrem o sexo e a violência que quiserem, mas não mostrem cigarros!!"). Mas ele faz outras. Ele também quer que Hollywood seja obrigada a obedecer aos seguintes mandamentos:
" * Certify in the end credits that nobody on the production received anything of value--cash, loans, smokes, publicity, nada--in exchange for using or displaying tobacco.
* Require genuinely strong anti-tobacco advertisements--not produced by the tobacco industry or its fronts--to run before films with any tobacco presence. This will help immunize audiences without intruding on the film's content.
* Stop identifying brands. For leads like Nicolas Cage, Angelina Jolie, Brad Pitt or Julia Roberts to smoke a Marlboro or any other brand on screen is worth far, far more to Big Tobacco than a traditional advertisement."Pronto, aí todos estaremos livres das terríveis ameaças das grandes empresas de fumo, essas "mercadoras da morte" que invadem nossas mentes, pervertem nossa vontade e manipulam nossa imaginação. Agradeçamos, pois, ao sr. Glantz.
postado por Alvaro Velloso 12:25 PM
Call for slavery payback hits U.N.Continuam os debates sobre a proposta dos países africanos de incluir a exigência de reparações a ser pagas pelas nações européias e pelos EUA às nações africanas na conferência da ONU sobre racismo:
"Many poor nations are hoping to use the Durban conference to win increased funding from wealthy industrialized countries for development, saying that the slave trade devastated their countries, and that those who benefited from the practice should make amends. The rift has grown so intractable that several diplomats in New York and Geneva warn that the issue could pit North against South and white against black in a graphic confrontation that benefits no one."
Seria bom se essa divergência paralizasse a conferência, levasse alguns países a boicotá-la e nos deixasse livres dos "remédios" que os conferencistas acabarão encontrando para o "racismo", remédios que certamente envolverão infrações aos direitos de propriedade, através de quotas raciais, ação afirmativa, "discriminação positiva", restrições à liberdade de expressão, legislações de "hate crimes"...
As reparações são apenas o lado mais extremo de uma agenda inspirada pelo que podemos chamar de "socialismo racial". O problema é que as reparações são uma proposta tão insana que, perto dela, as demais parecem sensatas - e com essa concentração do debate nas reparações, acabaremos aceitando as demais sem muita ponderação. Essa é uma velha estratégia comunista (fazer uma proposta inteiramente absurda e várias razoavelmente absurdas, concentrar o debate na primeira e aprovar as demais como "compensação"), e o mundo está tão louco que poderá acabar aceitando até a proposta inteiramente absurda. Essa é a estrutura da proposta:
"The working draft of the anti-racism declaration calls for the 'provision of effective remedies, recourse, redress, [compensatory] and other measures at the national, regional and international levels.'"
Enquanto se discute o que o termo "compensatório" significa, e se ele deve ficar ou não na proposta (por isso os colchetes), os demais "remédios" vão sendo impostos a todas as nações do mundo...
postado por Alvaro Velloso 12:08 PM
Fist festPara aqueles que acham que o estilo de vida gay é eminentemente saudável e que condenáveis são aqueles que os condenam:
"This weekend, hundreds of homosexuals will gather at the Cathedral City Boys Club, a homosexual resort in Cathedral City, California to attend 'FistFest 2001,' which is being billed as a 'weekend of the hottest fisting in the U.S. Hot men--hot days--hot hands and hot h__s'. (Interestingly enough, a spokesman for this homosexual sex orgy club has denied the event is happening, but FistFest is listed on the club's own web site and the club held a similar FistFest last June.)
"FistFest attendees will receive lubricants, gloves, paper towels, and other tools to engage in a weekend of bizarre and dangerous sexual practices. The FistFest is being sponsored by a homosexual group called the 'Red Hankies of San Diego.' Its founder, Bill Freyer, says he founded the Red Hankies so homosexuals who enjoy fisting could meet one another and engage in unrestrained sex orgies.
"For those unfamiliar with various homosexual sexual behaviors, fisting is the practice of achieving sexual satisfaction by shoving one's arm and hand up the rectum of one's sexual partner."
Curiosamente, graças ao controle politicamente correto do discurso, hoje em dia é abominável falar a respeito dessas práticas, mas é lindo realizá-las.
postado por Alvaro Velloso 11:55 AM
Pró-animais e antipessoasExiste gente mais desprezível do que os manifestantes radicais de "direitos dos animais"? Existe um grupo maior de chantagistas, terroristas, fanáticos e sociopatas? Uma pessoa que não é capaz de perceber a diferença específica entre seres humanos e animais irracionais não é capaz de perceber o que existe de mais elementar, de mais óbvio; não tem intuição nem do que existe de mais patente no mundo natural; é um debilóide, um retardado. E é esse conjunto de debilóides e retardados que se propõe a fechar fábricas, a atacar cientistas, a destruir empresas de pesquisas, a ameaçar restaurantes.
Peter Oborne, na Spectator da semana passada, mostrou como os covardes investidores britânicos cederam à chantagem terrorista e deixaram de investir no laboratório inglês Huntington, um dos mais importantes laboratórios de pesquisas de efeitos de remédios, que acabou sendo salvo da covardia britânica por um investidor americano, o Bank of New York.
Observações interessantes sobre a atuação desses terroristas aqui no Brasil - assim como dos opositores dos alimentos transgênicos - foram feitas por um leitor em e-mail recente (mantive a mensagem sem acentos, exceto nos pontos em que poderia haver ambigüidade):
"Minha area de atuacao profissional e' a pesquisa medica. Assim, conheco de perto a histeria obscurantista dos movimentos de 'defesa dos animais'. Estes ignorantes nao sabem que a utilizacao de animais na pesquisa medica é absolutamente fundamental para o desenvolvimento com seguranca de qualquer novo medicamento ou procedimento terapeutico. Gracas à utilizacao de animais (que sao criados unica e exclusivamente para fins de pesquisa) todos nós (os manifestantes destes movimentos inclusive) podemos tomar com seguranca medicamentos quando estamos doentes, e podemos viver alguns anos a mais. Quem combate a pesquisa em animais é um inimigo da saude humana.
"Para empatar com a burrice destes movimentos, só os integrantes do desgraçado governo Olivio Dutra aqui no RS (quando este pesadelo vai acabar???). Um ignorante que nunca poderia ter chegado a nenhuma posicao de responsabilidade é o Secretario da Agricultura, e ele adora aparecer no jornal queimando plantacoes experimentais de sementes transgenicas. Os alimentos transgenicos tem sido consumidos por milhoes de pessoas todos os dias em varias partes do mundo, por pelo menos duas decadas, sem que haja NENHUM RELATO DE EFEITO ADVERSO. Nos EUA 50% dos alimentos no supermercado sao transgenicos e nao sao requer rotulados. Nao há nenhum motivo concreto para uma histeria em torno disso, mas o poder e mistificacao das ONGs ambientalistas é impressionate. Aqui, como os nazistas que queimavam livros, como os ludistas que quebravam maquinas na Revolucao Industrial, um secretario de estado proibe a plantacao e o consumo de transgenicos e queima plantacoes experimentais."
postado por Alvaro Velloso 1:39 PM
Lutando contra a própria privacidadeReclamação dos gays num site dedicado à "luta contra a discriminação" no Brasil (devo ao leitor Cláudio Rodrigues a indicação desse bizarro trecho do site):
"Está lançado o Censo 2000. E como já era esperado, mais uma vez os homossexuais ficam de fora, como fantasmas que não participam da população brasileira, pelo menos nas estatísticas oficiais do IBGE. Mas se você vive com alguém, pode mostrar de outra forma sua orientação sexual. Há perguntas sobre a cor, profissão, se o indivíduo é deficiente físico, se tem microondas, e nada sobre um aspecto fundamental de sua existência: se é homossexual, bissexual ou heterossexual."
O site prossegue dando dicas ao leitor gay sobre maneiras alternativas de informar ao censo a própria opção sexual.
Essa maluquice é um indicador da insana traição do movimento gay aos próprios propósitos. Poucos se lembra disso, mas esse movimento começou como um protesto organizado às leis que proibiam a sodomia; era, portanto, um movimento em favor do direito à privacidade e à intimidade, e, portanto, contrário à intervenção estatal na vida privada.
Conquistado esse objetivo, entretanto, o movimento foi ficando cada vez mais agressivo e tirânico, ehoje exige não apenas que o homossexualismo seja tolerado, mas que ele seja celebrado, que todas as organizações que se opõem a ele sejam postas na clandestinidade, que todos os críticos do homossexualismo sejam presos, que os gays tenham direitos especiais e tratamento preferencial oferecido pelo Estado - e assim por diante. E que traição maior pode haver à defesa do direito de privacidade que essa proclamação dos gays de DIZER ao Estado qual é sua opção sexual?! Por que diabos eles acham que o Estado tem o dever de saber isso - quando não tem nem mesmo o direito?!
Qual é, afinal, o direito dos gays que está sendo violado, quando o Estado não busca informar-se de sua "opção sexual"?! Qual é o motivo do drama?! Nos primórdios do movimento, em que tudo que os gays queriam - com justiça - era ser deixados em paz, a ausência dessa pergunta no censo seria causa de celebração. Hoje, eles trabalham contra a própria privacidade, porque estão tomados de um desejo histérico de publicidade e propaganda.
postado por Alvaro Velloso 1:23 PM
Mentiras orgânicasIsso não é nenhuma novidade, mas é curioso que a agência britânica especializada em propaganda enganosa o reconheça:
"The Advertising Standards Authority (ASA), Great Britain's watchdog agency for deceptive ads, ruled this week that Friends of the Earth (FoE) is engaging in unwarranted scare tactics with its latest fund-raising push. FoE's campaign asked the public 'Do you really know what you're eating?' before warning that 'today's food is laced with dangerous hidden ingredients.' Since the leaflets and mailers in question explicitly endorsed organic food alternatives, ASA concluded that FoE lied by implying that pesticide residues used on conventional fruits and vegetables were somehow more harmful than manure residues left on organically-grown produce."
postado por Alvaro Velloso 1:06 PM
Eu quero uma babá!Ótima carta no Globo de ontem sobre a nova cruzada neonazista de José Serra:
"É realmente difícil de entender as medidas tomadas pelo Ministério da Saúde. O ministro José Serra determinou a veiculação de fotos no mínimo 'assustadoras' nos maços de cigarro. Será que ele realmente acredita que isso venha a modificar o hábito dos fumantes, que antes de tudo optaram pelo vício? O máximo que tal medida pode provocar é que as embalagens do produto se tornem anti-estéticas. Enquanto o ministro se preocupa em lesar uma indústria que movimenta aproximadamente 5 bilhões/ano e gera em torno de cinco mil empregos diretos, a população brasileira continua morrendo por falta de atendimento hospitalar."
Excelente observação sobre a natureza anticapitalista e destrutiva dos direitos de propriedade da atividade do ministro, embora talvez falte observar que não apenas a lei não terá o efeito de diminuir o consumo, como que antes de mais nada, essa não deveria ser uma preocupação do Estado.
Quanto à incapacidade do Estado de solucionar problemas mais graves na área de saúde, é perfeitamente normal que isso aconteça num sistema estatizado, que não tem o controle do mercado para avaliar custos e benefícios e, portanto, jamais conseguirá ser eficiente.
E agora vem a observação que eu não gostaria de fazer: encontrei a resposta para o porquê desse tipo de medida na coluna "Panorama político" do Globo de hoje:
"Quanto aos resultados da campanha de combate ao fumo, o ministro [Serra], um antitabagista ferrenho, fica exultante. São totalmente a favor da campanha do ministério 88% dos não fumantes e 76% dos fumantes. Outro dado surpreendente: a total proibição de venda de cigarros é defendida por 78% dos fumantes e 43% dos fumantes."
Porca miséria, que tipo de insanidade é essa que pervade esse país?! Uns estão prontos a usar o Estado para interferir na vida alheia, e defendem na maior cara-de-pau a proibição dos hábitos dos outros que lhe desagradam; outros querem ficar perpetuamente na infância, com alguém para tomar conta deles e não deixar que eles façam mal a si mesmos. Um grupo doido para ser babá, o outro doido para ter uma babá: receita de tirania por via democrática.
postado por Alvaro Velloso 5:09 PM
Puritanismo anti-álcoolA melhor observação sobre o "crime" da filha do presidente Bush foi, surpreendentemente, de Andrey Slivka, um colunista esquerdista do NY Press.
Ele notou que é óbvio que a menina não fez nada de errado - não apenas todo mundo, nos lugares em que há leis anti-álcool - usa identidades alheias para comprar bebidas nos lugares em que isso não é permitido, como é inteiramente absurdo que uma menina de 19 anos seja proibida de comprar álcool.
Esse é o tipo de pseudocrime criado pelo Estado-babá que praticamente convida à contravenção: nos lugares mais civilizados os barmen simplesmente ignoram a lei, como nos lugares em que eles não o fazem os adolescentes encontram maneiras de burlá-la. É assim, e sempre será - ainda bem, porque cabe às próprias pessoas, e não ao Estado, decidir se devem ou não beber álcool.
O curioso, porém, na situação de Jenna Bush, são as terríveis conseqüências que a legislação imbecil de "three strikes you're out" podem trazer. Além dessa vez - em que ela usou uma identidade falsa para comprar bebida - ela tem outra "infração" no currículo, a de ter bebido uma cerveja numa boate. O resultado curioso é que, como diz Slivka:
"Here's the thing, though. If Jenna gets popped for this infraction, then the next time she gets caught committing such a nasty crime against humanity as drinking a beer, she might wind up spending six months in jail under Texas' moronic three-strikes-and-you're-out laws. There will be a bitter sort of comedy in watching her father and other suburban Sun Belt right-wing politicians suddenly turn against the brutal sentencing measures they've always supported, and start arguing for leniency in the punishment of underage drug users. Like Jenna Bush."
postado por Alvaro Velloso 4:55 PM
Federal Agencies and the Myth of Your PrivacyEsqueçam as maluquices de Derrida. Para uma análise mais séria e consistente da invasão de privacidade através de legislações federais, leiam esse artigo de Steven Yates, que nota um ponto importantíssimo: o papel decisivo da Receita Federal e do imposto de renda na erosão da privacidade.
"The upshot of all this is that arguments about a 'right to privacy,' Constitutional or otherwise, are decades behind the times. The federal colossus has been gathering information on you for years. Private corporations are more than willing to assist, if the price is right. Given the form I received, the information gathering goes back at least to my years as a teenager in the 1970s, and no one really believes it started then. One could argue credibly that federal control over money and finances goes back to 1913, the year the Federal Reserve Act was passed. This Act unconstitutionally authorized a private corporation, the Federal Reserve, to control of the money supply and, working in close partnership with the central government, micromanage the U.S. economy. Between this and the creation of the Internal Revenue Service following the 16th Amendment (which an increasing number of people are claiming was never legally ratified), the central government had set up the basic machinery it needed to begin monitoring every working person’s finances. One of its key advantages the federal colossus of today has is that the number of people old enough to remember a time when things were different is now negligible. Moreover, with the brainwashing of much of the public through the government schools and the infotainment industry, it is easy to dismiss critics of expansionist government reflexively as 'right-wing extremists' or simply as 'kooks.' And so the information gathering continues. During the 1990s, it accelerated at a frightening pace. While the politicians and media were all crowing about how great the economy supposedly was and tallying up 'surpluses' that didn’t exist, the potential for information-based tyranny was being laid in place."
postado por Alvaro Velloso 4:45 PM
Derrida e a "hospitalidade"Como o homem é tratado como um deus na academia brasileira, suponho que a publicação de um artigo de Derrida num jornal brasileiro seja um grande acontecimento, um desses marcos históricos que todos os envolvidos ficarão orgulhosos em relatar a seus netos. Dei-me, pois, o trabalho de ler "A hospitalidade e as novas tecnologias", no Caderno Idéias de ontem.
Derrida leva dois terços do artigo explicando que a interceptação, pelo Estado, de e-mails, telefonemas e faxes é uma invasão de privacidade (jura?!) porque esses elementos fazem parte da própria casa do cidadão (é mesmo?!). Mas ele tem termos próprios para tratar do assunto:
"Meu 'em casa' também era constituído pelo campo de acesso da minha linha telefônica (graças à qual posso dar meu tempo, minha palavra, minha amizade, meu amor, meu socorro a quem eu quero, convidar, pois, quem eu quiser a entrar em casa, primeiramente no meu ouvido, quando eu quiser, a qualquer hora do dia e da noite, quer o outro seja meu vizinho de andar, um concidadão ou outro amigo ou apenas um desconhecido no outro extremo do mundo). Ora, se meu 'em casa', em princípio inviolável, é também constituído, e de maneira cada vez mais essencial, interna, pela minha linha telefônica, mas também por meu e-mail, mas também por meu fax, mas também por meu acesso à internet, a intervenção do Estado torna-se uma violação do inviolável, no lugar em que a inviolável imunidade mantém-se a condição da hospitalidade."
Mas ele vai além de simplesmente dizer que a invasão estatal do espaço privado do indivíduo é uma violação de privacidade. Para ele, a reação a essa invasão é a causa da xenofobia e do fim da hospitalidade:
"Todas essas possibilidades tecnocientíficas ameaçam a interioridade do 'em casa' e na verdade até mesmo a integralidade do espaço íntimo, da ipseidade. Essas possibilidades são percebidas como ameaças que pesam sobre o próprio território do privado e sobre o direito de propriedade privada. Elas estão evidentemente na origem de todas as reações e de todos os ressentimentos purificadores. Em qualquer lugar em que o 'em casa' é violado, pode-se prever uma reação privatizante, até mesmo familiarista, e mesmo, alargando ainda mais o círculo, etnocêntrica e nacionalista e, por isso, virtualmente xenófoba: não dirigida contra o estrangeiro como tal, mas, paradoxalmente, contra o domínio técnico anônimo (estranho à língua ou à religião, tanto quanto à família e à nação) que ameaça, com o 'em casa', as condições tradicionais da hospitalidade. A perversão, a pervertibilidade dessa lei, é que a gente pode tornar-se virtualmente xenófobo para proteger ou pretender proteger sua própria hospitabilidade, o próprio 'em casa' que torna possível sua própria hospitabilidade."
Fiz uma citação longa assim porque o próprio texto revela suas fraquezas de forma muito melhor do que meus possíveis comentários. É óbvio, para quem quer que leia com um mínimo de atenção as últimas frases, que o nosso "gênio" está fazendo um joguinho de palavras, mudando o sentido de "xenofobia" para incluir uma estranhíssima "xenofobia virtual", que, num primeiro momento, parece voltada apenas à tecnologia, mas, depois, torna-se também ódio ao estrangeiro (porque, do contrário, não destruiria nossas condições de hospitabilidade). As confusões provocadas por esse joguinho são inúmeras: a invasão estatal vira invasão tecnológica; as tecnologias de intromissão estatal se tornam "as novas tecnologias" (em geral!); a defesa do próprio direito de propriedade vira inospitalidade (inospitalidade porque rejeito um hóspede que não convidei?!); o horror à invasão estatal vira horror ao estrangeiro.
A essência da maluquice do artigo está, justamente, no termo "xenófobo virtual", porque ele permite a Derrida saltar de uma natural reação de defesa da própria propriedade e da própria intimidade contra a intromissão do Estado para deduzir daí uma atitude negativista em relação ao estrangeiro e a tudo que é novo. Ele vê aí um paradoxo, porque lhe desagradam as políticas estatais, mas lhe desagrada muito mais as reações a essas políticas - que ele não chama mais de políticas, mas de "novas tecnologias". Só que não há paradoxo algum além do inventado pelo próprio Derrida. Assim como as tecnologias de invasão estatal não são todas as "novas tecnologias", a hospitalidade e a xenofobia não têm absolutamente nada a ver com as novas tecnologias de intrusão estatal (Echelon etc.); basta desfazer essa confusão e tudo que havia de "misterioso" e "paradoxal" no artigo se desfaz junto.
Agora, vocês me perguntam: como é que tal idiotice pueril pode fazer tanto sucesso no meio acadêmico brasileiro? E eu respondo que a pergunta já traz sua própria resposta: justamente porque é uma idiotice pueril. E é exatamente esse tipo de "análise" que Derrida traz para um seminário no Planetário da Gávea, como se vê pelos títulos das palestras: "O futuro do homem face à tecnologia" e "Amizade e hospitalidade".
postado por Alvaro Velloso 1:01 PM
