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Sábado, Maio 05, 2001

Who Killed Free Trade?

"Should free enterprise stop at the border? Of course not, and the attempt to make it so can drive us to ruin. Yet politicians are hammering free trade. Long-refuted myths are back in full force, and the voters are getting a mis-education in the economics of autarky."

Assim Lew Rockwell começou uma análise, em 1996, do ressurgimento do protecionismo em suas diversas formas, um dos tipos de ataques mais diretos e mais populares ao livre mercado, especialmente num país decididamente anticapitalista como o Brasil.

"The whole point of free trade is that the private sector (producers and consumers) should have peaceful and voluntary commercial relations with the world, and the U.S. government should have nothing to say about it."

Mas o que Rockwell notava então, e que poucos notam hoje, é que os mais formidáveis inimigos do livre comércio são os ditos acordos de livre comércio, que criam regulações supranacionais para regular as economias dos países envolvidos:

"Free trade has an even more conspicuous killer in the Nafta and Gatt treaties. Though advertised as free trade, Nafta set up supranational boards, expanded bad laws to the entire region, gave billions in direct subsidies to Mexico, benefited government-connected big businesses and hurt small and medium-size firms, and linked the dollar to the peso via a 'stabilization' fund, thus foreordaining the bailout of Mexico.

"The Gatt treaty created a Keynes-inspired, Geneva-based World Trade Organization. Here was a trade deal that was openly touted, along with the IMF and the World Bank, as the third pillar of the New World Order. It had a Secretariat, a General Council, a Ministerial Conference, dozens of committees and councils, and dispute settlement bodies. Signers had to vow to pursue Keynesian fiscal and ILO-style labor policies.

"Every statist from Wilson to Carter had tried to create a world trade tribunal, but none had succeeded. We were better off for it. In the post-war era trade was becoming freer, tariffs lower, and the international economy less and less regulated by governments. Protectionism and tariffs were a problem, but increasingly less so. (...)

"Both treaties have been a disaster, and every one of the rosy economic forecasts has proven wrong. Experienced businessmen tell stories of mountains of paperwork and having to attend classes to plow through new regulations. There are new fines, fees, waiting lists, quotas, and every other kind of roadblock. These treaties didn't make trade freer – and even if they had, it would have been the wrong means to a worthy end – but only increased government oppression of enterprise."

No caso do Nafta, a intervenção externa em assuntos internos era bastante evidente, porque eram tempos de Bill Clinton e inúmeras obrigações ambientais foram impostas ao México. Essa intervenção é menos clara na Alca, mas este acordo também tem seus "side agreements" e suas imposições políticas, como a ambígua e perigosa cláusula obrigando os participantes a ser "democracias" (termo que, como eu argumentei no meu artigo desta semana, pode mudar de sentido de uma administração americana para outra).

O resultado da confusão entre esse tipo de tratado neoprotecionista e o livre mercado foi o surgimento de um movimento organizado contra a própria idéia de livre mercado e propondo um socialismo global com redistribuição de renda do Primeiro para o Terceiro Mundo.

Cada um à sua maneira, tanto os governantes quanto os manifestantes em Quebec (em situação análoga, aliás, ao Fórum de Davos e o Fórum de Porto Alegre) constituem perigosas ameaças à liberdade e à autodeterminação dos países americanos. Em 1996, Rockwell via no Nafta uma ameaça à liberdade e à prosperidade. Cinco anos depois, a formação na América de uma entidade supranacional nos moldes da União Européia constitui ameaça infinitamente mais grave.
postado por Alvaro Velloso 1:07 PM

Sexta-feira, Maio 04, 2001

BIG-GOVERNMENT LIBERTARIANS

Este é um magnífico artigo de Murray Rothbard sobre a adesão dos "libertários" ao quase todos os programas estatizantes promovidos pela esquerda e pelos neoconservadores. O ódio desses libertários esquerdistas à cultura tradicional e à cristandade, argumenta Rothbard, fez que eles embarcassem em causas absurdas como os "direitos dos gays" e os "direitos civis de minorias" (e, mais recentemente, ao absurdo ataque aos símbolos locais do sul americano), e suas tentativas de ser "práticos" fez que eles aderissem a programas semi-estatizantes como a substituição do imposto de renda por um imposto nacional sobre o consumo (e não simplesmente a abolição do imposto de renda) e os "vouchers" educacionais (que, sob o pretexto de aumentar a escolha dos pais, aumentam o papel do Estado na educação).

Um dos problemas centrais apontados por Rothbard é facilmente perceptível por quem quer que leia regularmente as publicações do mainstream do movimento libertário: a total ignorância dos temas culturais e históricos.

"Libertarianism is logically consistent with almost any attitude toward culture, society, religion, or moral principle. In strict logic, libertarian political doctrine can be severed from all other considerations; logically one can be – and indeed most libertarians in fact are: hedonists, libertines, immoralists, militant enemies of religion in general and Christianity in particular – and still be consistent adherents of libertarian politics. In fact, in strict logic, one can be a consistent devotee of property rights politically and be a moocher, a scamster, and a petty crook and racketeer in practice, as all too many libertarians turn out to be. Strictly logically, one can do these things, but psychologically, sociologically, and in practice, it simply doesn't work that way.

"Thus, Justin Raimondo pointed out, in pondering what went wrong with the libertarian movement, that the early movement of the 1970s grievously erred by deliberately cutting itself off from any sort of right-wing or any other culture or tradition in the United States. Following the spirit of Ayn Rand, of whom most libertarians had been ardent followers, libertarians claimed to be genuine individualists and revolutionaries, totally separate from the right-wing, and bringing to the world their own brand new political revelation. And indeed, the libertarian movement has always been almost willfully ignorant of any history or any aspect of foreign affairs. Arcane syllogisms of libertarian theory, science fiction, rock music, and the intricacies of computers, have been the sum and substance of their knowledge and their interest."

Assim, eles acabaram adotando um igualitarismo cultural:

"To be specific, one important aspect of the recent shift toward statism and Big Government consists of a spill-over, of an infection, of libertarians' political views by their deep-seated egalitarianism. Scratch an egalitarian, and you will inevitably find a statist. How does the libertarians' burgeoning and pervasive egalitarianism square with their supposed belief in individualism, and for allowing every person to rise by his own merit unhobbled by government? The resolution of this problem is much the same as other, more common versions of Political Correctness.

"Libertarians are fervently committed to the notion that, while each individual might not be 'equal' to every other, that every conceivable group, ethnic contingent, race, gender, or, in some cases, species, are in fact and must be made 'equal,' that each one has 'rights' that must not be subject to curtailment by any form of 'discrimination.'"

"And so, flying in the face of their former supposed devotion to the absolute rights of private property, the libertarian movement has embraced almost every phony and left-wing 'right' that has been manufactured in recent decades."

Um dos aspectos mais interessantes dessa adesão libertária ao estatismo é seu apoio dos acordos comerciais e suas inúmeras cláusulas de limitações políticas ao comércio (com a uniformização de legislações ambientais e trabalhistas), como o NAFTA e, agora, a ALCA.

Uma das coisas mais importantes que se precisa notar a respeito da ALCA é que não se trata de um acordo de livre mercado, nem de liberalização, mas de um acordo de restrições ao livre mercado, de regulamentação do mercado, e não de sua liberalização. O que Rothbard diz do Nafta também se aplica à Alca:

"(...) One of the most disgraceful performances of virtually all free-market think-tanks, and of all Official Libertarian journals and institutions, was their falling into line like the many sheep to agitate on behalf of Nafta, and now for the proposed World Trade Organization. The Canadian Fraser Institute managed, with no resistance, to herd almost every free-market think-tank in this country into what they called the 'Nafta Network,' which devoted an unprecedented amount of resources to almost continual agitation, propaganda, and so-called 'research,' in behalf of the passage of Nafta. And not only the think-tanks: they were also joined by the considerable number of libertarians and libertarian sympathizers among syndicated columnists, writers, and assorted pundits.

"The unfolding process provided us with some grisly amusement. The original line of these left-libertarians and freemarketeers was the Clinton-Bush line: namely, that Nafta was promoting, indeed was indispensable to, the lovely concept of free trade, which had become an article of conservative Republican faith during the Reagan administration. The only opposition to Nafta, therefore, by definition, came from an alliance of confused or more likely evil protectionists, who were either socialistic union leaders, the hated Ralph Nader, or were inefficient domestic manufacturers seeking protective tariffs or were their hirelings. Even worse, were their allies the hate-filled protectionist xenophobes, racists, sexists, and heterosexists, such as Pat Buchanan.

"At that point, Pat Buchanan pulled off a master stroke, totally discombobulating the pro-Nafta forces. He pointed out that ardent and purist free-traders such as Lew Rockwell, myself, and the Mises Institute, and people at the Competitive Enterprise Institute, opposed Nafta because it was a phony free-trade measure, and because it piled numerous new government restrictions upon trade, including socialistic labor and environmental controls. And further, that these restrictions were particularly dangerous because they added on international, inter-governmental restrictions, to be imposed by new inter-governmental agencies accountable to no one and to the voters of no nation. (...)

"(...) As far as I'm concerned, it should be almost self-evident to any libertarian that the piling up of larger and higher levels of government can only add to the scope and intensity of despotism, and that the higher these levels go, the less they are subject to check, curtailment, or removal by the subject population."

Exatamente. É uma afronta ao bom senso dizer que o crescimento das entidades internacionais, das regulamentações impostas aos países por grupos supra-nacionais é um crescimento do liberalismo. Como diz Rothbard:

"To call such people 'libertarians,' much as to call Nafta propagandists 'free traders,' stretches those words beyond all meaning or sense. As in the case of the deconstructionists, with left-libertarians we are plunged into a Humpty Dumpty world, where words mean just what they choose them to mean, and the real question is who is to be master."
postado por Alvaro Velloso 1:10 PM

Brain-and-Mouth Disease

Lionel Tiger comenta um polêmico estudo de Gary Taubes, publicado na revista Science, que mostra que a relação causal entre a redução no consumo de gordura e o aumento na expectativa de vida:

"As [Gary] Taubes points out, 50 years of mainstream nutritional research and hundreds of millions of research dollars have not proved that if you eat a low-fat diet you will live longer. Certainly your cholesterol levels will be lower. But the link between diet and longevity remains undemonstrated.

"The individual steps of what happens in your body when you have cheese or a steak are well known. Your cholesterol levels will elevate. This increases the likelihood that the cholesterol will congeal and attach itself to your arteries and hence clog them–a malady called atherosclerosis. In turn, this will increase the risk of heart disease and heart attacks, which will diminish your expectancy of life. (...)

"However, while the individual steps of the effect of fat have been demonstrated, the whole chain of events and their impact has not been. Among people not already at risk for heart disease (like enthusiastic smokers with high blood pressure), according to Taubes and the research of which he is the accountant, the evidence is weak that sharply reduced consumption of saturated fats will increase longevity more than a few weeks, perhaps as much as three months. As long ago as 1969, the National Heart Institute stated plainly, 'It is not known whether dietary manipulation has any effect whatsoever on coronary heart disease.'"

O relatório desse instituto do coração dizia ainda mais: a redução do consumo de gordura pode ser pior do que o próprio consumo:

"In fact, the authors of the report in which this was the conclusive sentence were concerned that, because fat is so important to cell membranes and the brain (which is 70 percent fat), too little fat could be a more serious medical deficit than too much. There is some evidence that very low cholesterol levels are associated with increased risk for auto accidents and aggressive interaction. Japanese physicians have found that low levels were associated with hemorrhagic stroke, and may counsel their patients to raise their levels."

O pior é que as dietas gordurosas foram substituídas por dietas com fibras e carbohidratos, que podem ter contribuído para o aumento da obesidade americana, já que:

"The term 'fat-free' on a product appears to provide permission to consume large portions of it, producing an intake well beyond what seems to be necessary to balance energy consumed and energy used."

Tiger não endossa completamente o estudo de Taubes, mas admite:

"Nevertheless, humans evolved as omnivores, and we seem well-equipped to eat well-balanced and moderate diets of the foods that were in our environment as we evolved–animals, fish, legumes, fruits, vegetables, nuts, berries and honey when we could get it. Ample fruits, vegetables and nuts may deliver protective impacts, and are obviously one sign of the current good gastronomic fortune of North Americans–our temperate climate provides us with a good cross-section of an ideal grocery store. And it would be irresponsible to avoid stressing exercise as a factor in healthy nutrition–we were born to run for our dinner."
postado por Alvaro Velloso 12:45 PM

Terça-feira, Maio 01, 2001

Perfil do consumidor

Segundo matéria recente do Christian Science Monitor, a principal característica dos blogs é o rompimento da tradicional diferença entre os jornalistas que escreviam para publicação em jornais e revistas e os jornalistas que mantinham diários ("journals"), mais ou menos privados. Isto porque a maior parte dos blogs tem elementos pessoais, com descrições de eventos e fatos ocorridos com seus autores, e não apenas opiniões e indicações de links.

De minha parte, não tenho o menor interesse em manter um diário público, e acho, ademais, que ninguém tem o menor interesse em que eu o faça. Esta página é bastante pessoal, pela natureza das opiniões expressas nela, não pela descrição de fatos da vida diária. Mesmo assim, para meu divertimento pessoal e para a satisfação dos mais curiosos, eis o "perfil do consumidor" de seu editor e autor.

Nome completo: Alvaro Rosário Velloso de Carvalho

Pergunta que mais lhe fizeram por e-mail: "Você é parente do Olavo de Carvalho?" [Não, não sou.]

Comida favorita: Qualquer uma, de japonesa a mexicana, de baiana a indiana, dependendo do meu humor. Mas animais ameaçados de extinção entram bem em qualquer ocasião, especialmente tartarugas.

Bebida preferida: Café forte e com pouco açúcar; água mineral gasosa num segundo lugar bem próximo ao primeiro.

Animais preferidos: Gatos, sem dúvida. Cachorros num distante segundo lugar.

Cigarros preferidos: Sou o fumante mais esporádico do mundo, a prova viva de que cigarros, por si sós, não viciam ninguém. Mas já que é para fumar, que se faça isso direito, com cigarros fortes - Gauloises Caporal, de preferência.

Esporte preferido: Futebol, com o futebol americano e o basquete americano como menções honrosas. Basquete de qualquer outro país é uma chatice, e basquete feminino é uma abominação. Idem, futebol e boxe femininos. Antes do advento das irmãs Williams, o tênis feminino era preferível ao masculino, porque tinha mais variações de jogadas e exigia mais talento das jogadoras; depois delas, tudo passou a se resumir a quem dá uma porrada mais forte na bola.

Time de futebol: Vasco, apesar de ter nascido numa família de flamenguistas. Deve ser minha iconoclastia natural, ou simples espírito de porco.

Presidente brasileiro preferido: Já que estamos sendo ultra politicamente incorretos, General Castelo Branco (já estou ouvindo a tropa de linchamento marchando pra cá...). Mas o resto do regime militar foi um desastre.

Século preferido: XII e XIII, o ponto máximo da história ocidental. Daí em diante, foi só decadência. Muitas coisas me irritam, mas uma das principais é ler nas apostilas de história da minha irmã (que estuda num popular pré-vestibular carioca) os contos da carochinha de como o Iluminismo representou uma nova era de liberdade e sabedoria para a humanidade, porque só a partir daí o uso da razão humana foi considerado legítimo por cientistas e filósofos, depois de muitos séculos de trevas e ignorância, e só a partir daí surgiram teorias contra a tirania estatal e foi fundada essa verdadeira maravilha chamada Estado moderno. Que palhaçada, que ignorância monumental!!

Livro preferido: a Bíblia, claro. E mais não digo, porque teríamos de entrar em mil distinções e observações.

Romancista preferido: Dostoievski, os ingleses - Evelyn Waugh, Henry James, Graham Greene, Dickens - e Bernanos. Para fins de passatempo, romances policiais, especialmente P.D. James, Raymond Chandler, Simenon e, sim, eu admito, James Ellroy.

Poeta preferido: Dante, John Donne, Hopkins, Camões, Bandeira.

Cientista social preferido: Ludwig von Mises, Tocqueville (óbvio!), Robert Nisbet, o heróico Henry Hazlitt, Max Weber, Huizinga, Bertrand de Jouvenel, Murray Rothbard.

Revista preferida: Spectator londrina e New Yorker (apesar do esquerdismo).

Diretor de cinema preferido: Hitchcock, Orson Welles, Tarkovsky, Bergman, Billy Wilder, Carl Dreyer. Dos vivos, Kiarostami, Zhang Yimou, Anh Hung Tran, Steven Soderbergh e, pode acreditar, Clint Eastwood. Ang Lee e Steven Spielberg poderiam estar na lista, mas Lee ainda nos deve um grande filme (principalmente depois do fraco "O tigre e o dragão"), e Spielberg, apesar de recentemente ter feito dois filmes magníficos ("Amistad" e "Saving Private Ryan"), ainda precisa fazer outros para resgatar o débito de ter cometido verdadeiros crimes cinematográficos como "Hook", "Always", "ET", "Jurassic Park" e "The Colour Purple".

Compositor preferido: Deixando Bach fora da conversa, Bruckner, Beethoven, Schubert, Richard Strauss.

Regente preferido: Celibidache.

Pianista preferido: Claudio Arrau, o Celibidache do piano.

Disco pop preferido: Os songbooks de Ella Fitzgerald na Verve são a melhor coisa que já se fez em música popular, em todos os tempos. It just doesn't get better than that. Menção honrosa para o disco de Sinatra, "Songs for swinging lovers".

Jazzista preferido: Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Oscar Peterson, Bill Evans e, sim, John Coltrane. Dos vivos, Shirley Horn, Madeleine Peyroux (que parece a reencarnação da Billie Holiday), Nicholas Payton.

Programa de TV preferido: Vejo mais TV do que deveria, mas pelo menos não sou daqueles que dizem que não vêem TV e depois descobrimos que eles querem dizer que não vêem TV - com exceção dos telejornais, da novela das oito, do "Show do Milhão", do Linha Direta, do programa do Gugu etc. etc. Not me; eu admito: assisto às séries do David E. Kelley ("Ally McBeal", "Boston Public", "O Desafio"), aos melhores sitcoms (dos quais "Frasier" é o supra-sumo, se deixarmos "Seinfeld" fora da conversa; ademais, tenho uma identificação pessoal com "Becker"), a quaisquer documentários sobre felinos e sobre comunistas (de resto, não sou fã de documentários; quem quiser mesmo aprender alguma coisa deve ler livros, não assistir ao GNT; ademais, abomino documentários sobre guerras), e assisto, I'm not ashamed to say, a "C.S.I." e "Dark Angel".
postado por Alvaro Velloso 8:15 PM

Segunda-feira, Abril 30, 2001

N.Y. Gun Ruling Could Have National Impact

Os advogados dos dois lados saíram cantando vitória depois da decisão unânime da Suprema Corte nova-iorquina de não exigir dos fabricantes de armas que indenizem as vítimas de crimes. Os advogados dos fabricantes dizem que essa decisão servirá de precedente para os demais casos ao redor do país; os advogados das "vítimas" dizem que a decisão mostra o caminho das pedras para que eles tenham melhor sucesso nos demais casos.

O bom senso dos juízes me surpreendeu, mas a verdade é que a decisão é ambígua o suficiente para justificar as reações de ambos os lados:

"Writing for the court, Judge Richard Wesley said lawyers for the gunshot victims alluded to 'broad' and 'general' ways that gun manufacturers are liable for handgun injuries, but they failed to show specifically how their sales and marketing led to their guns getting into the wrong hands.

"A 'more tangible' direct link is needed to show how the gun makers contributed to the injuries of gunshot victims and that the manufacturers 'were realistically in a position to prevent the wrongs,' Wesley wrote.

"Wesley explicitly ended his ruling by noting that a different marketing negligence claim involving a different set of circumstances might well win the next time around."

Ou seja, o juiz chega a admitir a possibilidade ridícula de que os fabricantes possam ser responsáveis pelas mortes causadas por seus produtos em virtude de suas "vendas negligentes"! Verdade, também, que a exigência estabelecida pelo juiz (a demonstração de que os fabricantes fossem realmente capazes de impedir os danos) é praticamente impossível de ser atendida, e os advogados devem estar exercitando sua ginástica verbal para tentar encontrar meios de fazê-lo nos próximos processos.

Quem não gostou muito da decisão nova-iorquina foi o Governo do Rio, que ingressou com ação idêntica - usando até os mesmos advogados - para tentar indenizações para os crimes no Estado, i.e., para tentar faturar uma graninha com o furor litigante americano. Ao que tudo indica, essa tentativa de extorsão por via judicial também dará errado.
postado por Alvaro Velloso 1:00 PM

Sociologists Challenge Data on Gay Parenting

Principais descobertas de um estudo dos sociólogos Judith Stacey e Timothy Biblarz com filhos criados por casais de lésbicas:

"Compared with the daughters of heterosexual mothers, the daughters of lesbians more frequently dress, play and behave in ways that don't conform to sex-typed cultural norms. They show greater interest in activities with both masculine and feminine qualities. They have higher aspirations to occupations that are not traditionally female.

"In terms of aggression and play, sons of lesbians behave in less traditionally masculine ways. They are likely to be more nurturing and affectionate than their counterparts in heterosexual families.

"Another study indicated that a significantly greater proportion of young adult children raised by lesbians had engaged in a same-sex relationship (six of 25 interviewed) than those raised by a heterosexual mother (none of 20 interviewed).

"Those raised by lesbian mothers were also more likely to consider a homosexual relationship. But they were not statistically more likely to identify as lesbian, gay or bisexual. Teenage and young adult girls raised by lesbian mothers appear to be more sexually adventurous and less chaste than girls raised by heterosexual mothers. Sons, on the other hand, were somewhat less sexually adventurous and more chaste than boys raised by heterosexuals."

O estudo parece derrubar de vez o mito de que não há diferença alguma, em relação às "opções sexuais", entre crianças criadas por heterossexuais e as criadas por homossexuais. Mas, nestes tempos efeminados, é possível que as diferenças apontadas sirvam de argumentos a favor da criação de crianças por homossexuais...
postado por Alvaro Velloso 12:49 PM

Alarm at superstate plan

A Alemanha, através de um projeto elaborado por seu Primeiro Ministro Gerhard Schröder, começa a deixar claro aquilo de que todos já suspeitavam: sua intenção é transformar a União Européia num mega-estado.

"A report in today's edition of the news magazine, Der Spiegel, says that the draft envisages turning the unelected European commission into a government with wide-ranging powers.

"It would be headed by a president chosen by one or both of the chambers in a remodelled European parliament. The existing legislature would become the lower house. The council of ministers, the existing forum for national governments, would become an upper house.

"National governments would choose representatives to speak for them in the upper house so that national leaders like the British prime minister and the French president would, in effect, become Euro-senators. The European parliament as a whole would have 'full control' over the central government's spending."

Oposição ao projeto? Como de costume, dos conservadores ingleses (que preferem a submissão aos EUA...), e dos países que já não participam da UE, como a heróica Suíça. Os demais - França, Espanha, Suécia, Finlândia etc. - têm "pequenas objeções", porque o projeto alemão é radical demais. Essa, porém, é uma estratégia antiga: inventar uma proposta ultra-radical (como a alemã, que elimina completamente a autonomia dos países europeus), para que qualquer outra com o mesmo objetivo mas um pouco mais moderada pareça a solução mais racional.
postado por Alvaro Velloso 12:43 PM

Domingo, Abril 29, 2001

As linhas da irregularidade

"Levantamento feito por repórteres do GLOBO, que viajaram mais de 11 horas nos ônibus da cidade, constatou que uma infração é cometida a cada quatro minutos: nos trajetos de nova linhas municipais, as normas de trânsito foram desrespeitadas 157 vezes."

A matéria é interessante, e quem quer que tenha andado no trânsito carioca - de ônibus, táxi ou carro - sabe que os ônibus cariocas são verdadeiras ameaças à integridade física alheia, mas há um ponto fraco que tem sido costume em quase todas as "denúncias" da imprensa, que é a incapacidade de fazer distinções.

Da mesma maneira como as denúncias de escravização de crianças ficam enfraquecidas quando entidades esquerdistas igualam a prisão de crianças para realizar trabalhos forçados não-remunerados à contratação de crianças por salários baixos para realizar trabalhos em fábricas, a denúncia da baderna provocada pelos ônibus no trânsito fica enfraquecida porque as repórteres consideram como do mesmo tipo infrações graves como furar o sinal, não parar para idosos e estudantes nos pontos, apostar corrida com outro ônibus da mesma linha, e pseudo-infrações como deixar passageiros fora do ponto (a pedido dos próprios passageiros), pegar passageiros fora do ponto e a cobradora conversas com o motorista.

Essas últimas são simples questões de convivência humana, de acordos mútuos. Que mal faz que o ônibus, se há alguém acenando fora do ponto, pare para deixá-lo entrar? Ou que o motorista deixe que um dos passageiros desça no sinal, quando este está fechado?

Essa capacidade de dobrar ligeiramente as leis em favor do bom senso, de criar exceções razoáveis à regra geral, de, enfim, adaptar-se com sabedoria às circunstâncias é parte do gênio nacional, é parte do que existe de melhor na psicologia brasileira. Nós sabemos que não é razoável exigir de um motorista que pare no sinal vermelho às duas horas da madrugada quando não há nenhum carro por perto; nós sabemos que não é razoável exigir de uma família de seis pessoas que obedeça à regra do Código de Trânsito que exige que só andem cinco pessoas num carro; nós sabemos que não é razoável exigir de uma cidade pequena o mesmo rigor na aplicação das regras de trânsito que o Rio de Janeiro ou São Paulo; nós certamente sabemos que, apesar do aviso "não converse com o motorista", a cobradora que bate um papo com ele não está cometendo nenhuma infração grave. E ainda bem que sabemos tudo isso, porque isso torna nosso convívio social mais amável, mais agradável, mais cordato.

Existem duas maneiras de perverter essa instintiva sabedoria brasileira e, conseqüentemente, perverter o nosso convívio social. A primeira é radicalizar essa aplicação maleável das regras e instituir o "vale tudo", em que nenhuma regra mais é aplicável e reina a imoralidade geral; a outra é radicalizar no sentido oposto, como faz a matéria do O Globo (e como têm feito boa parte dos meios de comunicação, em seus esforços moralistas), e criar na população brasileira um ódio a si própria, uma raiva do próprio bom senso, tentando, a força, nos transformar todos em suecos ou noruegueses, em legalistas estritos e implacáveis.
postado por Alvaro Velloso 1:33 PM

That's my boy, says the guru who inspired Bush

Não há dúvidas de que os cem dias da administração Bush foram bem superiores ao que seus críticos esperavam, tanto que até esses críticos estão tendo dificuldades em elaborar retratos negativos do odiado presidente republicano.

Myron Magnet, que inspirou várias das políticas de Bush, faz alguns comentários interessantes nessa entrevista ao Sunday Times:

"'I love watching the consternation - people are so bewildered,' said Magnet, who helped Bush formulate his election ideas. 'If the guy is such a moron, how come he never puts a foot wrong?'

"Magnet, a Dickensian figure sporting mutton-chop whiskers, bow tie and braces, described Bush as a potentially revolutionary president who had shown he was 'not afraid to be conservative' and who had 'no piety about liberal elites - and that includes Europe'."

Essa ausência de preocupação com a opinião das elites esquerdistas, na Europa e nos EUA, foi certamente a principal virtude do presidente até aqui. Magnet é parte da inspiração para o conservadorismo cultural de Bush:

"Magnet first came to Bush's attention in the mid-1990s after he published a book, The Dream and the Nightmare: The Sixties Legacy to the Underclass, which argued that expensive welfare programmes had failed to alleviate poverty. Bush declared the book the second most important thing he had read after the Bible.

"He was particularly impressed with Magnet's claim that unfashionable virtues such as faith, hope, hard work, sobriety and sexual restraint were the keys to eradicating misery.

"'I said to George W when he was still thinking of running for president that, if you talk about these cultural matters, The New York Times will call you an asshole,' said Magnet.

"'But he's a rejection of the liberal consensus. And just as George W doesn't care what The New York Times thinks, he really doesn't care what the Europeans think. I can see him thinking that there [in Europe] is another part of the liberal orthodoxy, all of those bureaucrats in Brussels . . . surely these are not the guys to be listening to on how to structure the world.' "

O problema é que, embora Bush rejeite o welfare state tradicional, ele não rejeita o welfare state em si; sua proposta de incentivar as entidades de caridade religiosas é certamente muito bem intencionada, e vem da percepção de que as iniciativas religiosas contra a pobreza são muito mais eficientes e úteis do que as iniciativas estatais, mas o resultado da proposta seria desastroso, porque poria as entidades religiosas à mercê do Estado. Como disse, em excelente análise, Donald Muhammad, chefe da Mesquita de Boston da Nação do Islã (grupo liderado por Louis Farrakhan):

"Any faith-based organization (church, mosque, synagogue, etc.), that is sincere in the propagation of its faith and its mission to reach individuals spiritually and assist in the providing of other basic essentials must act in an autonomous fashion. There's no way that a faith-based organization can provide effective services in the community and remain within a spiritual realm if co-opted with government money and the government oversight that comes with it.

"Affording a pool of money from the government for faith-based initiatives will only create a feeding frenzy for opportunists who have no substantive track record in providing services to the community, which is evident by some of those already associated with that initiative."

Esta é, digamos assim, uma crítica à direita da proposta de Bush; o problema é que as ridículas críticas esquerdistas - de que o Estado estará sancionando as religiões, e abolindo a divisão entre Estado e Igreja - poderão se tornar o centro do debate, e a proposta acabará parecendo mais sensata do que realmente é.

Outro defeito que começa a aparecer na administração Bush é seu trato com temas ambientais. Apesar de sua firmeza na oposição ao Tratado de Kyoto, Bush, semana passada, começou a cair em algumas armadilhas deixadas a ele por Bill Clinton, como a lei regulando a quantidade de arsênico na água. Clinton nunca fez nada a respeito em oito anos de governo; nas últimas semanas de mandato, porém, deixou uma regulação reduzindo a quantidade de arsênico para ser aprovada pelo próximo presidente. Bush, inicialmente, manifestou-se contra, mas lhe faltou firmeza quando choveram protestos de toda a mídia americana, e ele voltou atrás. Este foi apenas um dos inúmeros decretos ambientais malucos que Clinton deixou como legado e que, depois de alguns resultados negativos em pesquisas de opinião, Bush passou a apoiar. Segundo Bob Novak, a administração Bush tem-se aliado a ativistas verdes de esquerda, prontos a passar tratados e leis anti-econômicas e sem muita fundamentação senão a velha histeria ecológica. Novak conclui seu artigo com um aviso sobre o perigo dessa fraqueza ambientalista de Bush:

"Nobody has yet won or lost the presidency on the environment, but Bush's performance exposes a political vulnerability. The assault on his pro-economic growth positions generated polls showing trouble among suburban swing voters, which in turn led to his abandonment of friends and appeasement of enemies. Does that suggest a blueprint for neutering the Bush presidency?"
postado por Alvaro Velloso 1:10 PM