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Sábado, Abril 14, 2001

Boy on race charge over 'name-calling in playground'

Se alguém ainda precisa de um exemplo da total insanidade do movimento politicamente correto, ei-lo, vindo do país que hoje ostenta um dos Estados mais monstruosos do mundo, a Inglaterra: um garoto de 11 anos de idade será processado por injúria agravada por racismo por ter xingado um colega paquistanês depois que esse colega o insultou.

Todo o aparato persecutório do Estado inglês será, então, voltado contra esse perigoso racista que tinha dez anos de idade quando proferiu esse ataque terrível a um garoto paquistanês, e, assim, ameaçou toda a harmonia racial britânica!
postado por Alvaro Velloso 11:24 AM

Yahoo To Stop Selling Porn

Essa é uma história curiosa: quando O Indivíduo foi lançado na internet, quatro anos atrás, ele foi hospedado no Geocities. Na época, uma das políticas expressas do site era a proibição a imagens eróticas ou pornográficas. Dois anos depois, o Geocities foi comprado pelo Yahoo!, que não apenas piorou sensivelmente o serviço de hospedagem (parece-me, porém, que hoje os problemas já foram resolvidos), como liberou a pornografia e mudou a política familiar do Geocities.

Semana passada, discretamente, o Yahoo!, tentando sanar os prejuízos do Geocities, resolveu abrir uma espécie de megastore pornográfica, tornando-se, como disse a matéria do Los Angeles Times que divulgou a história, o primeiro grupo de ponta da internet a associar-se à única indústria para a qual não existe nenhuma crise na internet, a pornográfica.

Aparentemente, a idéia teve o efeito contrário, e gerou um excesso de publicidade negativa (aliás, não é para menos...), daí o presidente do Yahoo! ter anunciado ontem que o site abandonaria a venda de produtos pornográficos.
postado por Alvaro Velloso 11:05 AM

CatolicaNet - O Portal da Família

Certa vez, alguém me disse que desejava ter filhos para "perpetuar a fé", ao que eu respondi que me parecia mais importante e urgente ter fé para perpetuar.

Esse é exatamente o problema das campanhas de evangelização organizadas pelas lideranças católicas brasileiras. Elas estão cheias de boas intenções, mas vazias de conteúdo.

Esse site, CatolicaNet, é apresentado como o principal instrumento de evangelização através da internet, e basta acessá-lo para perceber que aqueles que estão encarregados de perpetuar e divulgar a Fé não sabem direito o que divulgar. Falta-lhes conteúdo, substância, doutrina.

De proveitoso, o site tem o "santo do dia", sem muitas informações, e algumas notícias sobre o Vaticano. De resto, há uma seção de "documentos" sem documentos da Igreja, mas com os bizarros documentos do antro de comunismo chamado CNBB e os grotescos documentos de Medellin e Puebla; um monte de perfumarias inúteis (enquetes, fotos, webcards, bate papo, fórum); e o costumeiro desfile de aberrações circenses que forma o cenário da ala "carismática" da Igreja brasileira (Marcelo Rossi, Antonio Maria, Quevedo...).
postado por Alvaro Velloso 10:54 AM

Quinta-feira, Abril 12, 2001

Bastiat Was Right

Esse belo artigo do Lew Rockwell traz a fundamentação daquilo que eu disse implicitamente na minha nota de segunda-feira sobre Rupert Murdoch e a China.

Quando existem relações comerciais intensas entre dois países, há menos possibilidades de que esses países entrem em guerra, por um motivo muito simples: existem interesses comerciais de parte a parte, e a guerra prejudica esses interesses. Por isso um bilionário como Murdoch (por quem não tenho, aliás, a menor simpatia, principalmente por causa do apoio incondicional do seu "The Sun" a Tony Blair) tem um papel louvável num momento de crise entre a China e os EUA: com um endurecimento dos dois lados, haveria uma retração das relações comerciais, o que prejudicaria o comércio - daí Murdoch fazer lobby em favor da paz.

Foi justamente a força das relações comerciais entre China e EUA que impediu uma escalada das tensões, e é por isso que "falcões" e "warmongers" (como se traduziria isso? "jingoísta" quer dizer praticamente mas não exatamente a mesma coisa...) gostam tanto de defender barreiras protecionistas e sanções comerciais.
postado por Alvaro Velloso 8:32 PM

Itamar diz que FH comete insensatez ao insistir na venda de Furnas

"- É preciso mostrar ao país aonde eles querem levar a privatização do setor energético nacional. A privatização terá um reflexo muito negativo, particularmente para os mineiros." (Itamar Franco)

Nada como uma promessa de aumento na eficiência para que os defensores dos aspones e dos burocratas subam nas tamancas. Itamar Franco devia lembrar que o presidente não depende, como ele, dos votos dos funcionários públicos mineiros, e calar a boca.
postado por Alvaro Velloso 8:10 PM

EU goes global as Patten chases superpower role

Este é um assunto a respeito do qual ainda se ouvirão muitos lamúrios entre os conservadores anglo-americanos: a busca, pela União Européia, de uma influência mundial crescente.

Todos sabem que eu não simpatizo nem um pouco com a UE, acho que ela será deletéria para os países envolvidos, que estarão abdicando de sua autonomia, e acho que ela está cheia de burocratas do tipo que Taki descreveu em seu artigo dessa semana (v. a segunda nota de ontem). Mas vejo essa busca crescente de influência geopolítica da UE com bons olhos, porque ela pode representar o surgimento de uma voz em condições de contrapor-se à hegemonia americana. Diversidade de poderes é sempre uma boa notícia para a liberdade.

Embora em temas econômicos e sociais a UE tenha posicionamentos infinitamente menos sensatos do que os americanos, ela ao menos parece sinalizar tendências mais comerciais e menos jingoístas e imperialistas, e pode contrabalançar as absurdas posições americanas em relação ao Iraque, à Coréia do Norte e, principalmente, a Israel.
postado por Alvaro Velloso 8:01 PM

Quarta-feira, Abril 11, 2001

Cuba apoiou guerrilha já no governo Jânio

De matéria de Mário Magalhães, publicada domingo na "Folha" (obrigado a Cledson Ramos por ter-ma enviado):

"Até agora, os historiadores acreditaram que o suporte do regime nascido com a Revolução Cubana de 1959 a esquerdistas brasileiros começou durante o governo João Goulart (61-64), intensificando-se após o movimento militar de 64. Na verdade, o apoio veio de antes.

"Em maio de 1961, o dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro) Jover Telles escreveu quatro páginas intituladas 'Relatório à Comissão Executiva sobre minhas atividades em Cuba'.

"No documento, endereçado ao núcleo supremo do CC (Comitê Central) do partido, ele detalhou o dia-a-dia da sua missão. Telles chegou a Havana em 30 de abril de 1961. Deixou a cidade em 23 de maio. No item 12 do relatório, Telles escreveu: 'Curso político-militar: levantei a questão. Estão dispostos a fazer. Mandar nomes, biografia e aguardar a ordem de embarque'.

"Na mesma época, o líder das Ligas Camponesas, Francisco Julião (1915-99), estava em Havana tratando do apoio cubano à luta armada. No item 13, Telles contou que 'Julião começou a falar em pedido de armas etc. (...) Dei opinião contrária, por dois motivos: a) poderia ser o pretexto para uma grande provocação e para o rompimento de Jânio com Cuba; b) o assunto não estava em boas mãos. Que discutissem o assunto com Prestes (Luís Carlos Prestes, secretário-geral do PCB), quando lá fosse'.

"Em maio de 1961, também estava em Cuba, conforme o relato de Jover Telles, um dos precursores da guerrilha socialista no Brasil, Clodomir dos Santos Morais, advogado que comandava um grupo de líderes das Ligas Camponesas e pregava -sem sucesso- a adesão do PCB à luta armada. Acabou expulso do partido.

"O fundamental da narrativa de Jover Telles é a concordância dos cubanos em promover cursos militares. Embora inédita, essa não é uma informação de todo surpreendente.

" 'Desde o início (1959) os cubanos estavam convictos de que a luta armada era o caminho da revolução', diz o historiador Jacob Gorender, 78, que em 1961 era membro do CC do PCB. 'Para mim, porém, o relatório é novidade. Deve ter circulado por poucas pessoas'."

E aí, durante quanto tempo mais os "historiadores" manipuladores esquerdistas, os santificadores dos terroristas, vão continuar a dizer que a guerrilha foi uma "reação desesperada" aos "excessos" do regime militar? Durante quanto tempo mais veremos embelezamentos da guerrilha na TV, dando a entender que aqueles "jovens heróicos" estavam lutando pela liberdade e pela democracia?

Diz ainda a matéria da "Folha":

"Na política de 'exportação da revolução' implementada por Cuba, o Brasil, maior país latino-americano, tinha um lugar importante. Jover Telles foi recebido por Fidel Castro (até o hoje o dirigente máximo cubano), Che Guevara e outros quadros. O brasileiro teve um encontro reservado com o embaixador da atualmente extinta União Soviética, potência comunista que se opunha à política guerrilheira.

"Enquanto conspirava com militantes brasileiros oferecendo cursos militares -e talvez já fornecendo o apoio material que, com certeza, chegaria ao país a partir de 1962-, Cuba tinha em Jânio Quadros um aliado contra a campanha dos EUA para derrubar o governo de Fidel Castro."

Ainda existe apoio cubano a nossas esquerdas? Ainda existe esse tipo de intercâmbio entre os países? Não sei, mas eis aí uma boa matéria de investigação. Mas a paixão revolucionária não morreu, e temos, por toda parte, militantes dispostos a colaborar com a implantação do regime cubano por aqui. Mesmo que Cuba tenha desistido - talvez por simples falta de recursos materiais - de "exportar a revolução", o Brasil certamente ainda não desistiu de importá-la.
postado por Alvaro Velloso 5:18 PM

Taki's Top Drawer

Artigos excelentes no "Top Drawer" - coluna semanal no New York Press com Taki e alguns de seus jornalistas preferidos - desta semana.

De Claus von Bulow (sim, aquele Claus von Bulow do "Reverso da fortuna", um dos bilionários mais detestados do mundo), sobre a reencenação, em Londres, de "Les justes", de Albert Camus:

"[The play is] a timely reminder of Camus’ rejection of Stalinism, which provoked such anger from Sartre and other trendy fellow travelers. One is reminded of the rage of many American journalists when Nixon had the temerity to prosecute Alger Hiss. I have not to date seen any of those brave hacks utter an apology now that Soviet files have revealed the guilt of Hiss as a traitor."

Não só não pediram desculpas, como fazem mais: há um site esquerdista americano aberto recentemente que insiste em dizer que Hiss era inocente!!

Ainda Bulow, sobre o governo inglês (e todos os outros governos):

"The government is committed to eradicating anything to do with history. Therefore millennium celebrations did not refer to a date 2000 years ago, which happened to be the date for the birth of Christ. The teaching of history has already disappeared from the state school curriculum, and a recently published government report recommends that studying Shakespeare be optional for high school students. With no heroes in literature or history there will be no one tomorrow’s young voters can compare their government ministers with. The spin doctors have read Huxley’s Brave New World. Dumb down the voters with inane television."

E, quando não erradicam o ensino de história, pervertem-no a tal ponto que toda a grandeza humana, todo heroísmo, toda bravura, toda santidade ficam sumariamente excluídas da história, substituídas por "forças econômicas" e "forças políticas" impessoais.

Logo abaixo, o próprio Taki, depois de fazer suas piadas habituais contra Marc Rich, comenta a ameaça de alguns membros da União Européia de impor sanções contra o governo italiano, caso, como se espera, a direita ganhe as próximas eleições:

"And speaking of lowlifes, the Belgian foreign minister, Louis Michel, has said that the European Union should boycott Italy if, as expected, the right-wing coalition wins the elections next month. Louis Michel is a typical socialist politician, a lunch-bucket pilferer and smiling wallet-lifter par excellence. Michel is particularly exercised, as are many Euro politicians, by the fact that the leader of the Northern League, Umberto Bossi, will enter government. Bossi, according to the body snatchers, is a fascist, which is a name given to all those who do not like socialists and Marxists. Bossi is nothing of the kind; he simply believes in a Europe of the regions and not in a superstate. The Belgian is self-important, bossy and thinks he knows what’s good for the rest of us.

"According to the wallet-lifter, the same treatment should be meted out to Italy as was given to Austria last year when Haider’s party took part in the ruling coalition–even though that caused the Danes to support the right-wing People’s Party and the Swiss to vote against the European Union altogether. (Incidentally, Umberto Bossi is widely deemed a fascist in Euro circles because he opposes the adoption of children by homosexual couples and supports traditional family values. Which means most of the rest of the world is also fascist, unexpected good news for Benito Mussolini, wherever he may be as of this writing.)"

A coluna continua com um artigo de Toby Young afirmando que a decisão de Tony Blair de postergar a data das eleições (na Inglaterra, o Primeiro Ministro pode convocar eleições gerais no dia que quiser, dentro de seus cinco anos de mandato) foi uma pequena vitória para o enfraquecido Partido Conservador, e com um elogio de George Szamuely a Milosevic, acompanhado de críticas à OTAN e à prisão do ex-presidente iugoslavo.

Young tem razão: Blair fraquejou, ao mudar a data das eleições locais (e, portanto, presume-se, também a das eleições gerais) para junho e abandonar a data que vinha defendendo há tempos (3 de maio), depois dos apelos de vários setores da sociedade para que o Governo esqueça as eleições e trate da crise de febre aftosa. Blair venceria com certeza se as eleições fossem em maio, mas parece ter ficado preocupado em não transmitir uma imagem de político insensível às dores dos fazendeiros. Ainda assim, depois de sucessivas crises, demissões de ministros, demonstrações inacreditáveis de incompetência, escândalos financeiros, é quase um milagre que Blair continue com uma vantagem tão grande nas pesquisas. Meu palpite - e o de muitos analistas políticos britânicos - é que ou o povo britânico emburreceu de vez, ou, o mais provável, o semi-conservador William Hague é um candidato fraco demais, com pouca consistência e nenhum apelo popular. Um candidato melhorzinho e os "tories" talvez tivessem alguma chance, principalmente com as eleições sendo mudadas para junho.

O artigo de Szamuely tem as costumeiras virtudes e os costumeiros defeitos: ele tem toda razão em atacar a captura de Milosevic para que o enviem à Haia para ser julgado por crimes de guerra que seus opositores também cometeram, mas é, no mínimo, um exagero dizer que Milosevic era um pacifista, e é simplesmente falso dizer que ele não era um tirano comunista. A verdade é que o povo iugoslavo foi duplamente prejudicado - por Milosevic, um tirano local, e pelas potências internacionais reunidas na OTAN - mas o ataque da OTAN trouxe muito mais prejuízo e caos do que a tirania de Milosevic.
postado por Alvaro Velloso 5:02 PM

Terça-feira, Abril 10, 2001

Ainda a crise da internet

Não é só a NBC, como dissemos ontem. Da coluna de Cristina De Luca no caderno de informática do Globo:

"ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS o conteúdo totalmente gratuito na internet. Muitos dos fornecedores que nos últimos anos abandonaram o modelo de assinatura em função do aumento de audiência necessário para a exploração comercial via venda de banners estão voltando atrás. O melhor exemplo é o do New York Times, que nasceu vendendo assinaturas, cresceu adotando um modelo misto, mantendo sob cadastro o acesso internacional, apenas, e depois o acesso ao conteúdo de arquivo, e que agora passará a cobrar por conteúdo premium, diferenciado. 'A assinatura é a chave do nosso futuro', declara Martin Nisenholtz, CEO da New York Times Digital, para logo depois explicar que a maior parte deste conteúdo é novo, criado a partir das necessidades de seus mais de 15 milhões de usuários registrados."

Segundo De Luca, também a Enciclopédia Britânica vai reservar parte de seu conteúdo para pagantes.

E, atualmente, uma crise semelhante perturba as contas do grupo Pearson, dono do Financial Times e da Economist. Embora ao longo do ano passado o jornal tenha tido lucro de £81 milhões, ele foi tudo sugado pelo site, que custou, ao longo ao ano, £113 milhões. As perdas acumuladas do grupo Pearson na internet, desde 1999, foram de £196 milhões - o que não deixa de ser irônico pelo fato de as próprias publicações do grupo advertirem incessantemente contra a onda da internet.

A questão é: o que fazer? Como lucrar? Confesso que nunca entendi o entusiasmo dos grupos de notícia pela internet, porque a primeira vez que acessei a rede, uns quatro anos atrás, comentei com alguém que não via jeito de alguém lucrar com um jornal ali, a não ser que fizesse como o Wall Street Journal: site fechado, para um segmento específico, com informações relevantes. Na época, o NYTimes também era fechado, mas quem ia pagar para ler a mesma coisa da edição impressa? É capaz de o novo modelo do Times nova-iorquino dar certo, justamente porque traz conteúdo novo.

De resto - banners?! Quem clica em banners?! Talvez a única idéia marketeira mais absurda do a propaganda por banners na internet seja o marketing por telefone (que só serve para criar mais antipatia pela empresa...).

Mas notem como são complicadas as coisas na internet: o site do WSJ é um sucesso, com 500 mil assinantes, o que não é muito. O próprio FT.com, cheio de dívidas, tem 1,7 milhão de usuários, mas eles só pagam para retirar algumas informações específicas dos arquivos, não para acessar determinada área do site.

A tendência é que os sites nababescos se dividam entre os úteis e os inúteis, e os primeiros (como FT.com, o Washington Post, o NY Times) sobrevivam com assinaturas, e os outros (Salon, Slate etc.) despareçam. O curioso é notar que, enquanto isso, sites mais simples e interessantes, como Drudge, AntiWar e FreeRepublic, nunca tiveram crise nenhuma, justamente porque não tentaram dar um salto maior do que a perna.

Quanto ao Globo.com, tema de capa de duas revistas na semana passada, se ele afundar mesmo, será merecido: o site é um desastre total, desde o começo!
postado por Alvaro Velloso 3:56 PM

A morte da razão

Do editorial do Daily Telegraph:

"Médicos têm muitos direitos, mas em países civilizados eles não costumam ter o direito de matar seus pacientes. Isso pode estar prestes a mudar. Hoje, na Haia, o Estado-Geral deverá aprovar a legalização da eutanásia.

"A Holanda, assim, se tornará o primeiro país a consagrar a eutanásia na lei. Os holandeses levaram apenas três décadas para reverter quase dois milênios e meio de progresso médico. Desde Hipócrates, o dever de preservar a vida tem sido proeminente - exceto na Alemanha nazista e em outros estados policiais."

Com a nova lei, qualquer paciente a partir dos doze anos de idade (neste caso, com consentimento dos pais) terá o direito de pedir a eutanásia. O editorial acrescenta:

"As atrações da eutanásia, numa era de longevidade sem precedentes, são superficiais. Quando se oferecem a pacientes com doenças incuráveis os paliativos adequados, eles não solicitam eutanásia. Há evidências, no entanto, de que a prática da eutanásia na Holanda reduziu a prontidão dos médicos em realizar os tratamentos paliativos. Em cerca de um terço dos casos de eutanásia analisados no relatório Remmelink, de 1991, o paciente não dera seu consentimento. Como a legalização remove as inibições restantes, pode-se esperar que a incidência de eutanásia involuntária aumente.

"Mesmo a eutanásia voluntária é enganadora. Tribunais holandeses sustentaram que pacientes fisicamente saudáveis sofrendo de depressão podem solicitar injeções letais. Os mortos não podem mudar de idéia. Não importa quantas salvaguardas legais haja, algumas famílias pressionarão parentes doentes ou idosos, que já temem tornar-se um peso. A eutanásia voluntária é, amplamente, um mito."

Como, aliás, mostra o fato de que entre seus defensores encontrem-se pouquíssimos anciãos e muitos manifestantes entre 30 e 50 anos de idade...
postado por Alvaro Velloso 3:17 PM

Corte na nova versão de "O planeta dos macacos"

"Executivos da 20th Century Fox resolveram cortar uma cena de 'O planeta dos macacos', a refilmagem de Tim Burton para o marco da ficção-científica de 1968. A nova versão trazia uma cena de sexo entre o humano Leo Davidson (Mark Whalberg) e a símia Ari (Helena Bonham-Carter), mas os produtores teriam ficado chocados e mantiveram apenas um casto beijo entre os personagens."

Para desespero de Peter Singer e alívio de todos os seres humanos normais. (E, aliás, que palhaçada é essa de pôr a Helena Bonham-Carter para interpretar uma macaca?!)
postado por Alvaro Velloso 3:00 PM

Segunda-feira, Abril 09, 2001

'Human Rights Resolution Diminishes Chances For Mideast Peace'

A Comissão de Direitos Humanos da ONU expediu uma decisão reafirmando o "direito inalienável, permanente e inqualificado do povo palestino à auto-determinação, invluindo seu direito de estabelecer um Estado Palestino soberano e independente", e dizendo que a ONU aguardava para breve o cumprimento desse direito.

Essa é mais uma das decisões da ONU condenando as políticas genocidas do Estado de Israel, e só os EUA e a Guatemala votaram contra (Canadá e Romênia se abstiveram). Mas isso não terá efeito nenhum, porque o lobby israelense nos EUA já está dizendo coisas como a frase do título: que a afirmação do direito de auto-determinação dos palestinos prejudica o processo de paz! Mas, se não é para garantir a autonomia palestina, para que serve esse processo de paz??

O que essa declaração da ONU e as outras resoluções no mesmo sentido prejudicam, sim, é o status preferencial de Israel, é a determinação desse país em se manter nas terras dos palestinos e em continuar a considerar os palestinos cidadãos de segunda ou terceira classe.
postado por Alvaro Velloso 2:12 PM

NBC Is Shutting Down NBC Internet

Depois de prejuízos estrondosos (perda de 245 milhões de dólares sobre um investimento de 31 milhões, só no último trimeste de 2000), a NBC resolveu fechar seu site. Quanto tempo até que outras emissoras de TV sigam o mesmo caminho?
postado por Alvaro Velloso 2:00 PM

Kilshaws lose internet babies case

O casal inglês que comprou um bebê, para adoção, via internet foi obrigado, por decisão judicial pronunciada hoje, a devolvê-lo aos EUA - apesar das transações terem todas sido feitas dentro da lei.

Mas, claro, seria o supremo absurdo um casal poder adotar um bebê sem que o Estado intervenha, sem que assistentes sociais debilóides e cheias de noções pseudo-psicológicas povoando suas cabeças ocas dêem seu aval, sem que burocratas possam fiscalizar. Isso a não ser que o casal Kilshaw fosse um casal gay - porque, aí, tomar o bebê deles seria uma horrível discriminação - mas Alan e Judith não deram essa sorte.
postado por Alvaro Velloso 1:56 PM

Murdoch's business interests seem to have declawed the New York Post

Essa aí é a opinião de Tunku Varadarajan, um dos guerreiros de laptop de plantão no Wall Street Journal, daqueles que acham que os EUA têm de invadir o mundo inteiro para garantir o "progresso das instituições democráticas" (como o welfare state, as quotas raciais, o controle do porte de armas e outras maravilhas americanas...).

Ora, se os interesses comerciais de Murdoch na China impedem que seus jornais façam campanha para que os EUA entrem em guerra com a China, tanto melhor para todos! É certamente mais benéfico que a política externa americana seja influenciada por interesses comerciais (e, portanto, de troca de mercadorias e benefícios mútuos) do que pelas ideologias assassinas dos neoconservadores que povoam o Wall Street Journal e a Heritage Foundation.
postado por Alvaro Velloso 1:50 PM

Honra ao mérito

Deu no Boechat:

"A Attac, associação pela taxação das movimentações financeiras, conquistou o Prêmio Sofia, para causas humanistas, criado pelo escritor norueguês Jostein Gaardner, autor de 'O mundo de Sofia'."

Tomar o dinheiro alheio. Que magnífica causa humanitária!!
postado por Alvaro Velloso 1:41 PM

Domingo, Abril 08, 2001

Questão cultural

Uma diferença curiosa entre os pacotes que chegam, com livros, da França e dos EUA: os pacotes americanos têm uma etiqueta pequenina com a "descrição do produto" e o preço, e o remetente escreve "Book" (mesmo quando também há CDs no pacote) e põe um valor qualquer, normalmente dez dólares, como quem cumpre uma formalidade que ele sabe ser inútil e que ninguém vai fiscalizar com muito cuidado; os pacotes franceses vêm com uma espécie de "bolso" de plástico, com uma nota de alfândega em papel A4 dobrado ao meio e em duas vias, com a descrição detalhada do conteúdo do pacote, o custo, o código alfandegário do produto, o peso do pacote, a razão para a exportação, os termos da venda, o valor do seguro, o código no correio aéreo do pacote, e dois códigos indecifráveis (SIRET e APE, provavelmente controles internos da alfândega e da receita federal francesa).

Curiosamente, nós, brasileiros, por razões históricas persistentes, achamos que o modelo francês, burocratizante, é muito mais civilizado e adulto do que o modelo americano, e devotamos nossos esforços a implantar por aqui o mesmo grau elevado de fiscalização burocrática da França, enquanto consideramos os americanos bárbaros filisteus. Nem mesmo os fatos de na França ter acontecido uma das revoluções mais sangrentas da história e de a França não conseguir sustentar o mesmo regime constitucional por mais de vinte anos diminuem nossa francofilia, e os franceses, dando claras amostras de sua decadência cultural, nos retribuem adorando a capoeira e o samba. Uma verdadeira maravilha esse "intercâmbio cultural" franco-brasileiro.

**

Falando em questões culturais e em americanofobia, não é curioso como as mesmas pessoas que vivem criticando a globalização por ela ser um ataque às soberanias estatais instantaneamente assumem o discurso globalista quando o objetivo é criticar o Presidente Bush e sua decisão (aliás, não sua, mas de todo o corpo político americano) de não assinar o Protocolo de Kyoto?

Os mesmos que reclamam - e, freqüentemente, com razão - que o Brasil está cedendo sua autonomia para entidades globalistas, tornam-se ferrenhos opositores da soberania e da autonomia nacionais quando quem as está exercendo são os EUA!

No Globo de hoje, um leitor reclama de que a imagem passada por Bush é "conflitante com o modelo globalizado contemporâneo". Uai, mas não era esse modelo o alvo de todo o nosso ódio??
postado por Alvaro Velloso 1:34 PM

Flanelinhas estatais

Ricardo Boechat só descobriu agora que, na Gávea, existe uma rotação entre os guardadores de carro do Vaga Certa e os flanelinhas "autônomos". Deixe-me espantá-lo ainda mais, então, caro Boechat: não é só na Gávea, é no Rio de Janeiro inteiro.

E é perfeitamente normal que seja assim, porque o Vaga Certa é uma tentativa de estatizar os flanelinhas e, portanto, é acometido de todos os problemas de incompetência que acometem os esforços estatais. O mais básico deles é que simplesmente não há recursos estatais para distribuir os guardadores do Vaga Certa pela cidade inteira - e, portanto, os flanelinhas privados assumem o serviço nos lugares em que eles não estão.

Ademais, como os burocratas não precisam mostrar serviço para receber seu dinheiro dos donos dos carros, já que têm o aparato repressivo estatal a resguardá-los, eles não estão minimamente preocupados em parecer que servem para alguma coisa, e sua atuação é marcada pela indolência. O resultado é que eles abandonam algumas ruas, ou ignoram a preseça de carros em outras, e abrem caminho para a presença dos flanelinhas.

Outra marca dessa indolência é o fato de que eles só ficam no local até determinada hora, e, por exemplo, se eu paro num lugar às dez horas da noite para sair em torno de duas horas da manhã, já sei que, na hora que eu sair, o sujeito do Vaga Certa não estará lá, e que, portanto, é melhor procurar um flanelinha propriamente dito.

Que ninguém confunda essas observações com um apelo ao aumento da fiscalização e a um aperfeiçoamento do sistema do Vaga Certa. Essas observações são apenas para mostrar a estupidez e a inutilidade da tentativa de estatização dos flanelinhas, mais um exemplo de intervencionismo estatal que, como sempre, não atinge os resultados desejados por seus mentores.
postado por Alvaro Velloso 1:16 PM

US hawks push Bush to get tough on China

A história é incrível: um avião espião americano choca-se com um avião chinês, cai em território chinês, e a multidão de imbecis defensores da supremacia militar americana (os "falcões" do neoconservadorismo) reclama que o Presidente americano não está sendo duro o suficiente com o regime chinês - que cometeu o "escandaloso" ato de reter um avião que caiu em seu próprio território e que estava espionando para transmitir informações a seus vizinhos hostis!!

Como disse o ex-capitão na aeronáutica americana Dale Brown, se o evento houvesse acontecido nos EUA, os americanos fariam a mesma coisa - e também teriam razão.

Na matéria do Sunday Times, a mãe de um dos pilotos reclama da atitude do presidente americano, por não demonstrar o "vigor necessário" e não ter coragem de obrigar os chineses a devolver seu filho (que, aliás, está são e salvo, ao contrário do piloto chinês). Todos simpatizamos com uma mãe que está vendo seu filho prisioneiro de um regime tirânico, mas vale lembrar, primeiro, que se a atitude de Bush fosse mais diplomática e ele pedisse as desculpas que os chineses querem (e às quais têm direito, sejam quais forem os detalhes do choque entre os aviões), o rapaz provavelmente já não seria prisioneiro, e, segundo, que a atitude desse rapaz e seus colegas não foi propriamente heróica: como ressaltou Michael Peirce, em tempos normais, os soldados teriam dado suas vidas para resguardar os segredos militares confiados à sua guarda, e teriam manobrado o avião para que ele caísse no mar, mas os rapazes em questão puseram sua segurança pessoal acima do seu dever militar, o que certamente não é uma boa notícia para os falcões que desejam ver os EUA envolvidos em guerras intervencionistas no mundo inteiro. Esse incidente sugere que o resultado da política clintonista de realizar modificações politicamente corretas no Exército americano foi que os EUA ficaram com uma força enorme, em termos quantitativos - mas também enormemente incompetente.
postado por Alvaro Velloso 12:58 PM