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Sábado, Abril 07, 2001

Homem representativo

Por baixo de seu estilo oblíquo e quase sempre indecifrável, Wilson Martins fez, no seu artigo de hoje, uma brilhante observação a respeito da natureza da social-democracia, o "consenso democrático" neste início de século.

Martins comenta a transição política da obra de Miguel Reale (do integralismo para a social-democracia), e mostra como o integralismo surgiu num período em que havia um consenso estatizante e anticapitalista. Dentro desse consenso, Reale escolheu o "socialismo de direita" representado pelo integralismo. Martins acrescenta:

"De fato, os modelos políticos e ideológicos da época inscreviam-se no interior de um triângulo em cujos vértices estavam os nomes de Mussolini, Stalin e Roosevelt, variando, para cada pessoa, o valor simbólico e programático atribuído a cada um deles. Ao contrário das simplificações simplórias, os regimes que representavam derivavam da idéia socialista e definiam-se mais pelo que tinham em comum do que pelo que os separava. Eram aparentemente antagônicos por serem rivais, isto é, semelhantes.

"Tanto assim que continham o germe do que em nossos dias recebeu o nome de social-democracia ou democracia social, posição que Miguel Reale expressamente reivindica como homem representativo do século XX: 'Desde que considerei encerrada a trajetória integralista, o que se deu por volta de 1940 (...) a minha posição sempre se situou naquilo que chamo de democracia social'."

Seria preciso, apenas, fazer uma correção: a social-democracia, tal como praticada hoje, deriva diretamente do New Deal, do vértice Roosevelt no triângulo. Esse vértice faz uma espécie de síntese entre os outros dois: abarca, em si, fascismo e socialismo, mas deixa um pequeno espaço para a sociedade respirar (justamente porque sem isso seria impossível financiar a burocracia que rege o sistema). Há, pois, o corporativismo e a associação entre Estado e grandes empresas do fascismo, e a ênfase no papel social do Estado e no igualitarismo do socialismo.

Martins dá a entender, sem dizê-lo explicitamente, que Reale, no fim das contas, passou do socialismo de direita para o socialismo de centro; de Mussolini para Roosevelt. E não foi apenas Reale: foi praticamente o mundo ocidental inteiro ao longo do século XX, mesmo que o welfare state tenha sido ligeiramente afrouxado para impedir a implosão do sistema.
postado por Alvaro Velloso 3:48 PM

Krugman

Paul Krugman já escreveu mais de 547 colunas contra o corte de impostos de Bush, e O Globo traduziu cada uma delas. Ele é o expert em economia socialista que saiu do MIT para o NY Times, e, por algum motivo inexplicável, ele é considerado um grande sábio no nosso pobre país.

Não creio, porém, que depois dessas 547 colunas alguém além da Míriam Leitão ainda o leia: afinal, o assunto é sempre o mesmo, os argumentos são sempre os mesmos, a babaquice esquerdista é sempre a mesma.

Essa coluna mais recente, talvez já prevendo a aprovação do corte de impostos pelo Senado americano, termina em tom apocalíptico:

"Enquanto isso, o grande aperto já começou. Bush espera apressar o corte de impostos antes que alguém dê uma boa olhada em seu plano de gastos, mas alguns detalhes começam a emergir: o Departamento de Saúde e Serviços Sociais pretende, entre outras coisas, podar as despesas com saúde rural, prevenção de doenças e ajuda a cidadãos idosos. E podemos estar certos de que isso é apenas o início.

"Será que Bush acabará aceitando um plano tributário revisto, que seja menos enviesado em favor dos abastados? Duvido."

Depois de passar um ano inteiro tentando influenciar a opinião pública americana, e usando a mais influente das tribunas para isso, Krugman deveria reconhecer o fracasso e voltar para a academia. Aliás, Krguman deveria consultar seu colega Peter Singer. Parece que ele tem um estábulo cheio de animais, capaz de garantir com diversão suficiente para que Krugman deixe de nos aborrecer com seus apelos anticapitalistas...
postado por Alvaro Velloso 3:35 PM

Bizarra equivalência

Afirmação espantosa de um leitor na seção de cartas da Época desta semana: "Melhor considerar capitalismo e socialismo apenas como regimes político-econômicos, ambos abomináveis, por sinal."

Deixe-me ver se entendi: um regime que tirou populações inteiras da miséria, que gerou um nível inédito de prosperidade no mundo, que é perfeitamente compatível com culturas as mais diversas possíveis, que estimula o livre empreendimento e a livre troca de mercadorias e conhecimentos, é tão "abominável" quanto um regime que matou diretamente cem milhões de pessoas, indiretamente outros cem milhões - graças a sua inépcia econômica, que provocou miséria e fome em todos os lugares em que foi adotado - que destruiu culturas locais, que perseguiu religiões, que causou o surgimento de um grau de opressão inédito na história humana?

É preciso ser insano, idiota ou sem-vergonha para afirmar a equivalência desses dois regimes.
postado por Alvaro Velloso 3:19 PM

"Rebirthing" death video leaves jurors in tears

Vale a pena ler a terrível descrição do assassinato de uma menina de 10 anos por dois terapeutas de "renascimento". Essa é uma técnica usada para curar crianças consideradas hiper-ativas, uma das centenas de técnicas "alternativas" inventadas pelas seitas New Age americanas. Vale a pena ler para nos lembrarmos das palavras do grande Richard Weaver: idéias têm conseqüências.

Ao longo das últimas décadas, todo tipo de idéia insana e absurda se desenvolveu sob o rótulo de "espiritualidade", e sob o pretexto de nos libertar da opressão da "ciência ocidental". Este caso é um exemplo das conseqüências disso.
postado por Alvaro Velloso 2:58 PM

Quinta-feira, Abril 05, 2001

Santo Tomás e o modo de estudar

Para edificar e iluminar os leitores, eis os conselhos de Santo Tomás a um jovem frade que lhe escreveu pedindo indicações sobre o modo como se deve estudar. Notem que sua visão da educação e do estudo está nas antípodas da nossa versão moderna de uma pseudo-educação fragmentada e instrumental, e notem como ele enfatiza a importância da solidão, do recolhimento e do silêncio.

Depois de indicar ao frei João que ele deve ir do mais simples ao mais complexo, na vida intelectual ("optar pelos riachos e não por entrar diretamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil"), Santo Tomás dá os seguintes conselhos: (A tradução é de Luiz Jean Lauand, incluída na sua excelente coletânea "Cultura e educação na Idade Média", editada em 1998 pela Martins Fontes):

"1. Exorto-te a ser tardo para falar e lento para ir ao locutório.

"2. Abraça a pureza de consciência.

"3. Não deixes de aplicar-te à oração.

"4. Ama freqüentar tua cela, se queres ser conduzido à adega do vinho da sabedoria.

"5. Mostra-te amável com todos, ou, pelo menos, esforça-te nesse sentido; mas, com ninguém permitas excesso de familiaridades, pois a excessiva familiaridade produz o desprezo e suscita ocasiões de atraso no estudo. [Obviamente, este conselho refere-se diretamente aos que vivem uma vida monástica, e apenas indiretamente aos homens comuns, que têm famílias etc. - AVC.]

"6. Não te metas em questões e ditos mundanos.

"7. Evita, sobretudo, a dispersão intelectual.

"8. Não descuides do seguimento do exemplo dos homens santos e honrados.

"9. Não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e, isto, confia-o à memória.

"10. Faz por entender o que lês e por certificar-te do que for duvidoso.

"11. Esforça-te por abastecer o depósito de tua mente, como quem anseia por encher o máximo possível um cântaro.

"12. Não busques o que está acima de teu alcance.

"13. Segue as pegadas daquele santo Domingos que, enquanto teve vida, produziu folhas, frutos e flores na vinha do Senhor dos exércitos.

"Se seguires estes conselhos, poderás atingir o que queres."
postado por Alvaro Velloso 3:33 PM

Vida inteligente

Para que vocês não pensem que só loucos e comunistas me mandam e-mails, eis alguns trechos de uma mensagem brilhante que recebi recentemente de Marcello Tostes (e não, eu não estou dizendo que o e-mail é brilhante só porque ele contém elogios ao meu artigo sobre o Traffic, embora seja verdade que eu tenha gostado dessa parte...):

"Traffic / Anos 60 (Alvaro Velloso nº 53): Bravo! Sua análise sobre o filme Traffic e a influência da geração dos anos 60 (a geração que ia mudar o mundo) sobre a nossa geração é brilhante. Hoje, muita gente nova vê os anos 60 como uma espécie de época de ouro da liberdade e da rebeldia. Todos nós tivemos professores de história e geografia comunistas e ex-hippies, mesmo em escolas tradicionais. O meu período na faculdade de Economia (UFRJ, 92-97) foi um curso intensivo em todas as escolas esquerdistas, do Keynesianismo ao Marxismo, passando por pós-modernos malucos. A maioria dos professores estava mais interessada em política e em ideologia do que em entender e ensinar alguma coisa sobre o mundo real (diga-se de passagem, às vezes eu chego a pensar que para eles o mundo real não existe! [pode ter certeza! - AVC]). As escolas econômicas
"de direita" que são ensinadas nas faculdades de economia, além, é claro, de clássicos inevitáveis como Adam Smith e Stuart Mill, são aquelas que fazem uso intensivo do aparato matemático e econométrico para descrever o mundo real (outra alucinação), e, por isso mesmo, são mais fáceis de refutar. Escola austríaca?Simplismente não existe!

"Estou lendo o livro 'A Rebelião das Massas', de Ortega y Gasset, que, apesar de ter sido escrito em 1929, fala de problemas que tornaram-se cada vez mais profundos desde então. Dê uma olhada nestas passagens:

"'(...) vivemos num tempo que se sente fabulosamente capaz de realizar, mas não sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido em sua própria abundância. Mesmo tendo mais meios, mais saber, mais técnicas do que nunca, o mundo atual acaba indo como o mais infeliz que possa ter havido: simplismente à deriva.'"

"'Nas escolas que foram motivo de orgulho para o século passado, não foi possível fazer mais do que ensinar às massas as técnicas da vida moderna, mas não se conseguiu educá-las. Foram dados a elas instrumentos para viverem intensamente, mas não a sensibilidade para os grandes deveres históricos; nelas se inocularam, atropeladamente, o orgulho e o poder dos meios modernos, mas não o espírito. Por isso não se interessam pelo espírito, e as novas gerações dispõem-se a tomar a direção do mundo como se o mundo fosse um paraíso sem pegadas antigas, sem problemas tradicionais e complexos.'"

"'Isso nos leva a apontar no diagrama psicológico do homem-massa atual dois primeiros traços: a livre expansão de seus desejos vitais, portanto, de sua pessoa, e a radical ingratidão para tudo que tornou possível a facilidade de sua existência.(...). Herdeiro de um passado longo e genial - genial de inspirações e de esforços -, o novo vulgo foi mimado pelo mundo à sua volta. Mimar é não limitar os desejos, dar uma impressão de que tudo lhe é permitido, que não é obrigado a nada. A criatura submetida a esse regime não tem noção de seus próprios limites'."

"Essa é a geração dos anos 60 e, por inércia, a nossa! Gasset escreveu sobre a primeira metade do século XX, mas a foi a geração que nasceu no pós-segunda guerra que pôde desfrutar com tranqüilidade da abundância econômica."

[Nota: Foi, em grande parte, inspirado pela análise de Ortega do homem-massa - que, por sua vez, inspirou a análise de Carpeaux sobre as universidades - que escrevi o artigo sobre a relação entre a decadência cultural e o funk e, mais recentemente, a análise da pesquisa de David Brooks com os jovens em Princeton. Os ensinamentos da "Rebelião das Massas" são mais atuais que nunca e, se o Brasil não os absorver, continuará a ser um dos países culturalmente mais irrelevantes da história humana. - AVC]

---

"Responsabilidade fiscal: Não foi só o juiz cara-de-pau que não gostou da Lei de Responsabilidade Fiscal. Veja só a sanha keynesiana de Aloizio Mercadante ao defender o 'aperfeiçoamento' da lei em artigo recente no Globo: 'ao contrário do que preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal, o setor público não tem que que gerar superávit em todas as esferas e em todos os exercícios (nem as grandes empresas atuam dessa forma). Ao contrário, ele tem que preservar sua capacidade de atuação anticíclica, podendo gerar déficts financiáveis para dinamizar a economia ou para melhorar as condições sociais'. Ele, é claro, não prova que o governo possui tais habilidades mágicas. Além disso, poupa o leitor de saber quem vai financiar suas aventuras (mas nós já sabemos!)."

[Propaganda: mais sobre o debate brasileiro a respeito da Reponsabilidade Fiscal no meu artigo de amanhã! - AVC]
postado por Alvaro Velloso 3:21 PM

Quarta-feira, Abril 04, 2001

Pravda.RU

Você já se perguntou que sites gente como Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder e Emir Sader freqüenta na web?

Pois aqui está a resposta para suas indagações: Pravda.RU é o site dos dissidentes do órgão oficial do Kremlin, que montaram o site horrorizados depois que o jornal original foi vendido para um grupo de gregos.

Nada como a boa desinformatzia comunista em ação, para agradar aos nossos comunas preferidos.
postado por Alvaro Velloso 4:14 PM

Review of book on bestiality earns Polly -- The Washington Times

Um artigo de Peter Singer, professor de ética(!!) de Princeton e o principal teórico dos direitos dos animais, ganhou o prêmio Polly do Intercollegiate Studies Institute (uma organização que visa a restaurar os parâmetros clássicos na vida acadêmica americana) de melhor exemplo de insanidade politicamente correta.

Singer ganhou notoriedade ao escrever que, às vezes, é preferível matar um bebê ou um idoso a matar um rato, e que dizer o contrário seria "especieismo", ou admitir que uma espécie animal pode ser superior à outra - o que, para ele e para os adeptos de seu movimento, é o supremo absurdo. O ensaio em questão foi publicado no site pornô-soft Nerve.com, e é uma resenha elogiosa do livro de Midas Dekkers, "Dearest Pet: On Bestiality", uma defesa do bestialismo. Em certo ponto, Singer escreve (e este é o homem de quem se diz que revigorou o pensamento esquerdista depois da débacle do marxismo!):

"Who has not been at a social occasion disrupted by the household dog gripping the legs of a visitor and vigorously rubbing its penis against them? In private not everyone objects to being used by her or his dog in this way, and occasionally mutually satisfying activities may develop."

A matéria do Washington Times ainda traz alguns outros vencedores do prêmio Polly, como a Universidade de Oregon, onde um jornal de um grupo ligado ao Animal Liberation Front (pago com dinheiro dos demais estudantes!) publicou um guia completo de como realizar uma "sabotagem econômica" - com atos de vandalismo - a laboratórios que façam testes em animais. O guia incluía os nomes e os endereços dos professores da Universidade que fazem pesquisas com animais.
postado por Alvaro Velloso 4:11 PM

Anticonservadorismo no London Times

Segundo Stephen Glover, o Times londrino está correndo o risco de perder sua reputação de jornal independente e neutro, ao publicar repetidos ataques ao líder conservador William Hague e ao esconder escândalos do Governo Blair.

O problema, diz Glover, é que Peter Strothard, o editor do jornal, é um libertário e não suporta os desvios social-democratas de Hague. Não posso culpá-lo: quem agüenta esses políticos pseudo-conservadores que prometem aumentar os gastos públicos em saúde, educação, armamentos militares, e não sei mais o quê? Eles acabam se tornando cópias um pouco aperfeiçoadas de seus opositores esquerdistas: certamente Hague é menos repugnante, mais honesto e mais sensato do que Blair, mas as diferenças entre eles não são tão profundas quanto seriam se o líder conservador fosse outro. Talvez sejam sinais dos tempos: há pouca sobrevivência política fora do "centrão" social-democrata hoje em dia.

Pena que a justa repugnância a isso leve o Times a perder a imparcialidade, e, além disso, a optar pelo mal maior em vez de, temporariamente, contentar-se com uma adesão crítica ao mal menor.

PS- Curiosos sobre o último escândalo financeiro do governo Blair, leiam o artigo de Bruce Anderson no mesmo site do artigo de Glover, já que o Daily Mail, que revelou a história, não tem site que mereça ser visitado.
postado por Alvaro Velloso 3:46 PM

Outdated New York Review of Books: Radical Chic Forever

Bom artigo de Fred Siegel sobre a principal fonte de inspiração da nossa imprensa cultural (especialmente a paulista), a revista fundada pelo casal Jason e Barbara Epstein na década de 1960.

Siegel faz críticas muito pertinentes ao esquerdismo extremado da revista, aos seus inspiradores intelectuais (a Escola de Frankfurt e Hannah Arendt), à sua adesão ao pessimismo extremado de farsantes como Paul Kennedy, à sua prontidão em defender qualquer causa esquerdista maluca com argumentos absurdos (como no caso da redução do crime realizada pelo prefeito Giuliani). Enfim, a revista permaneceu como um bastião da esquerda caviar ("radical chic"), e acabou perdendo muito de sua influência (embora não no Brasil...).

O ponto fraco do artigo são as críticas ao único ponto forte da NYRB: a cobertura do Oriente Médio, e sua disposição de falar a verdade sobre Israel, coisa que a maioria dos órgãos de imprensa americanos não tem coragem de fazer. Seigel usa um artifício desonesto ao falar da influência de Heidegger sobre a revista (chamando-o de "Nazi philosopher", o que dá a entender que ele fosse um teórico do movimento nazista, quando, na verdade, ele era apenas um simpatizante e sua obra pouco tem a ver com política), e é mais desonesto ainda ao falar de Edward Said.

Ele diz que Said advoga o extremismo palestino, quando ele advoga apenas o direito de resitência dos palestinos aos seus ocupantes, diz que Said "se opôs à Guerra do Golfo", como se isso fosse algum crime, e repete a mentira - que circulou recentemente na imprensa nova-iorquina - de que Said foi fotografado "no Líbano atirando pedras em Israel" - na verdade, Said foi recentemente visitar as ruínas de um forte israelense, depois da desocupação do Líbano, e atirou uma pedra nessas ruínas, para celebrar a libertação dos libaneses (v., a respeito, artigo do próprio Said e artigo de Alex Cockburn). O que há de errado nisso?
postado por Alvaro Velloso 3:37 PM

Terça-feira, Abril 03, 2001

Glucose and oxygen give good food for thought

"BREATHING oxygen or taking glucose just before using the brain can significantly increase ability, according to new research. (...) Dr Andrew Scholey, director of the human cognitive neuroscience unit at Northumbria University, Newcastle upon Tyne, said 'thought fuel' did improve mental performance."

Será, então, que se o dr. Emir Sader receber glicose e oxigênio antes de escrever seu próximo artigo, conseguirá produzir um silogismo completo? (O prof. Leandro Konder, infelizmente, já é um caso perdido...)
postado por Alvaro Velloso 1:12 PM

Stalin World opens to visitors

Esqueçam a Disney World; este é o lugar para levar seus filhos: Viliumas Malinauskas, cujo pai foi prisioneiro na Sibéria por dez anos, acaba de inaugurar sua recriação do gulag.

"Known locally as Stalin World, its 500-acre grounds are dominated by more than 60 statues of Lenin, Stalin and other communist icons, some up to 30ft tall and weighing up to 75 tons. To recreate the horror of the Soviet gulag, Viliumas Malinauskas has circled the park with barbed wire, guard towers and speakers blaring patriotic Soviet songs and has laid foundations for prison camp barracks in 'the style of the times'."
postado por Alvaro Velloso 1:01 PM

EU mission to save Kyoto deal faces snub by Bush

O que dizer de um grupo que inclui o Ministro do Meio-Ambiente da Suécia (um dos países mais monstruosos do mundo), Gorbachev, Jimmy Carter e George Soros?

Como eu disse ontem, mesmo que Bush não tivesse boas razões para rejeitar Kyoto, ele passaria a tê-las ao fazer inimigos como esses...
postado por Alvaro Velloso 12:55 PM

Animal rights leader hopes disease comes to U.S.

Ingrid Newkirk, co-fundadora e ex-presidente da PETA, a principal organização de "direitos dos animais" nos EUA:

"I openly hope that it comes here. It will bring economic harm only for those who profit from giving people heart attacks and giving animals a concentration camp-like existence. It would be good for animals, good for human health and good for the environment."

Mas o que mais me diverte é a "imparcialidade" da Reuters. Mesmo diante de uma das principais representates da PETA dizendo que gostaria que os EUA tivessem uma epidemia de febre aftosa para que as pessoas parassem de comer carne, tudo que o repórter consegue dizer é que "algumas pessoas" consideram os métodos e as opiniões da PETA "extremados".

E logo depois de dizer isso nota que o novo alvo da PETA é uma organização filantrópica que dá parte de sua receita para organizações que fazem experimentos de remédios em animais. A PETA, deduz-se, prefere que esses experimentos sejam feitos diretamente nas pessoas - assim como no edificante exemplo da Talidomida.

Vão me desculpar, mas "extremado" não dá nem uma vaga idéia do que é a PETA. Eles não são extremados: são chantagistas e assassinos, e são adeptos das teorias monstruosas de Peter Singer, que dizem que a vida humana vale tanto quanto a de qualquer inseto, e que é mais ético fazer experiências científicas em fetos e bebês do que em ratos e coelhos.
postado por Alvaro Velloso 12:47 PM

Tucanos na Folha

Quem disse que este site é adepto do "pensamento único"? Se é verdade que, aí do lado, a maioria dos links é para sites relativamente direitistas, aqui estamos, dando um exemplo de pluralismo e de tolerância, e recomendando um artigo do... Correio da Cidadania!!

Pois é, nem tudo são idiotices no site da esquerda "católica". Há, no link acima, um bom artigo de Luiz Antonio Magalhães (que eu nem mesmo sei quem é) sobre as reportagens da Folha de São Paulo sobre as próximas eleições presidenciais. Há que se descontar, claro, as críticas de Magalhães a um suposto "anticomunismo exacerbado" da Veja (ah, nada como ser um comunista e poder rechaçar críticas acusando o adversário de ser "anticomunista exacerbado"; é a famosa estratégia do anti-anticomunismo...), há que se descontar o fato de que ele é a favor do Lula, e há que se descontar sua crítica tolinha às matérias de Josias de Souza denunciando o MST, mas, de resto, sua análise é bastante pertinente. É verdade que esse "resto" não é muita coisa, mas, ao menos, vale a pena.

É o seguinte: há dois cenários básicos na pesquisa do Datafolha, com Lula e sem Lula:

"Se o líder petista decidir concorrer, sai com quase 30% de apoio. Os demais candidatos, em todas as simulações em que Lula aparece, permanecem praticamente nas mesmas posições, com exceção de José Serra – um degrau acima de seus companheiros tucanos (Alckmin e Tasso), que aparecem na vexaminosa condição de lanterninhas, ao lado do inefável Enéas Carneiro."

Sem Lula, Ciro Gomes passa à frente, mas com pouco mais de 20% dos votos, e, abaixo dele, ficam todos os outros, embolados.

Magalhães prefere não se lembrar das notórias dificuldades que o Lula sempre tem para passar desses 30% (que é, afinal de contas, o percentual que ele teve na última eleição), e de que, no Brasil, só costumam aparecer os favoritos na reta final, às vezes vindos do nada, às vezes aparecendo em virtude de algum fato novo - em suma, de que é cedo demais para fazer previsões.

Mas ele aponta muito bem para o objetivo da Folha ao produzir essa matéria: "Tudo somado, o que a Folha preferiu destacar? A 'excelente' performance de José Serra! Traduzindo a notícia: habemus candidatus..."

Exatamente. A notícia da Folha foi uma tentativa de influenciar o debate interno do PSDB, e realmente reflete, como diz Magalhães, o fato de que existem íntimas ligações entre o lado "serrista" do PSDB e a Folha. Caberia ressaltar outro órgão de imprensa que participa dessa promiscuidade tucana: a revista República e seu site Primeira Página.

Claro que a mesma promiscuidade existe entre os setores "lulistas" do PT e o Correio da Cidadania, mas, pelo menos, o Correio não tenta escondê-la, nem tenta aparecer como um órgão imparcial e acima das paixões políticas.
postado por Alvaro Velloso 12:32 PM

Against stupidity, the gods themselves contend in vain

Ótimo artigo de Philip Hensher sobre a mudança de sentido das palavras. Ele defende uma tese de Kingsley Amis sobre como essas mudanças acontecem:

"A writer uses an unusual word correctly; a second writer reads it and, not knowing the exact meaning of the word, conflates it with a similar word that means something quite different, and uses the word in the incorrect sense. A third writer reads that, and has no basis to think that the usage is anything but correct; and soon it will be."

Em parte, essa análise é correta, sendo que o "segundo escritor" é normalmente alguém da imprensa. Mas um caso brasileiro ilustra bem a possibilidade de que o primeiro escritor já use a expressão de forma incorreta, e isso se propague a partir daí: o famoso "posto que" usado por Vinícius de Morais no "soneto da infidelidade". Vinícius inverteu o sentido do "posto que" (que de sinônimo de "embora" virou sinônimo de "porque"), e o uso se propagou - a ponto que, hoje em dia, o emprego da expressão pode causar ambigüidades insolúveis.

Claro que a linguagem muda, e as expressões vão adquirindo novos sentidos, mas o problema, aqui, é uma perda do poder expressivo da língua, porque, como diz Hensher, "em muitos casos, a mudança não resulta no enriquecimento da língua, mas num empobrecimento, quando uma palavra útil e precisa se transforma num sinônimo exato de uma outra palavra já existente."

Ele cita o caso de "pristine" (puro, incorrupto), que virou sinônimo de "clean" (limpo) - perdeu-se, aí, uma importante gradação de significados, e a língua certamente ficou mais pobre.
postado por Alvaro Velloso 12:10 PM

Segunda-feira, Abril 02, 2001

Interessante estatística

De uma entrevista com o Cardeal Ratzinger (e agradeço ao Alexandre Bastos por me tê-la enviado):

"C.B. — Há uma estatística que impressiona os bispos da França: num total de 120 padres ordenados por ano, incluindo todas as tendências possíveis, da Fraternidade S. Pio X aos mais progressistas, 20 a 25 % - portanto 1/5 - são ordenados no rito tradicional. E, dos 4/5 restantes, 2/5 são muito sensíveis à liturgia tradicional. Nos seminários de Paris ou de Ars, uma parte não desprezível (às vezes, um pouco mais da metade dos seminaristas) pensaram em se formar num seminário da Fraternidade S. Pedro ou da Fraternidade S. Pio X. Não o fizeram porque isto reduziria e marginalisaria seu apostolado. Não seria, então, o momento de mudar alguma coisa no terreno litúrgico paroquial?"
postado por Alvaro Velloso 2:12 PM

God bless America!

Só para causar essa histeria em socialistas e ambientalistas ao redor do mundo, já valeu a pena a eleição de George W. Bush!

A respeito do protocolo de Kyoto, vale lembrar alguns detalhes que a nossa imprensa (e a européia) tem esquecido. Primeiro, não foi de Bush que partiu a rejeição do tratado. Alguns anos atrás, Clinton o propôs ao senado americano, e perdeu por 94 a zero. Repito: a zero. Nem Ted Kennedy votou para ratificar o tratado, e justamente por isso Clinton, embora o tenha assinado algum tempo depois, nunca o enviou novamente para ratificação. Segundo, não existe nenhuma evidência do aquecimento global, simplesmente porque a ONU, ao comparar o clima no mundo até o séc. XIX com o clima no séc. XX, usou um método para a primeira parte da medição e outro método para a segunda parte. Terceiro, não há nenhuma evidência de que, se existe aquecimento global, os 5% de dióxido de carbono produzido pelos homens tenham mais influência sobre ele do que os 95% produzidos pela própria natureza. Quarto, o tratado era prejudicial à economia americana, ao exigir dela que reduzisse as taxas de poluição sem fazer exigências semelhantes aos países de terceiro mundo (e por isso eu já disse que a adesão entusiástica do Brasil a esse tratado demonstra uma certa cara-de-pau).

Mas mesmo que não houvesse essas razões, é inesquecível ver repórteres mocorongos protestando contra os EUA e o Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro engrossando o coro. Kudos para Bush.
postado por Alvaro Velloso 2:08 PM

Nem só de comunas senis vive O Globo

Tirando a reprise do artigo do Leandro Konder, a página de opinião do Globo de hoje está altamente recomendável.

No artigo principal, Eduardo Gouvêa Vieira diz que a absurda proposta do Governo a respeito do FGTS é uma metáfora da disposição anti-empresarial e contrária ao desenvolvimento econômico que pervade o Brasil:

"A idéia de se transferir a conta do FGTS para as empresas é parte deste amplo quadro de incoerência. É uma grande metáfora da percepção que se tem hoje do papel do empresário nacional. Ele não chega sequer a constituir objeto de consulta. É sempre lembrado pelas exceções desonrosas e desabonadoras, não pelos inúmeros exemplos de empresários vitoriosos e sinceramente preocupados com o desenvolvimento nacional. O empresário é sempre a caricatura, o estereótipo. Na hora de retratá-lo se mostra o abastado, raramente um cidadão angustiado pela responsabilidade de fechar as contas do fim do mês, pagar em dia os salários de seus funcionários, honrar seus empréstimos bancários, enfim, manter vivo seu empreendimento."

Gouvêa lembra, ainda, que quem faz girar a roda da economia, quem produz empregos e produtos para o consumo geral não é o Estado, e sim os empresários - que tantos se dedicam a odiar - e que eles ainda têm de enfrentar uma legislação tributária extorsiva e uma legislação trabalhista "irracional e injusta".

Só discordo, no artigo, da preocupação xenófoba com a compra de empresas brasileiras por empresários estrangeiros (fenômeno perfeitamente normal em tempos globalizantes), e do estilo meio capenga de Gouvêa, que abusa dos pontos finais e das frases curtas.

O fato é que a economia brasileira cresce enquanto o Estado dorme e sempre que a burocracia não consegue atrapalhar, e o melhor que há a fazer, diz Sandra Cavalcanti no outro artigo da página de opinião, é "deixá-los [os três poderes] brigar à vontade" e tentarmos "arranjar meios e modos de ir sobrevivendo."

Sandra trata da crise energética e diz que, para a Região Sudeste, o melhor reforço energético que podemos ter é a finalização da construção de Angra III, sem nos deixarmos levar pela retórica ambientalista demagógica:

"O dinheiro público não pode mais ser desperdiçado por causa de vaidades ou posições ideológicas. O projeto que, no menor prazo, tem condições de trazer reforço de energia para a Região Sudeste, onde vai ocorrer a maior demanda nos próximos anos, é terminar Angra III. É lógico, o mais conveniente e o mais barato. Angra III significa injetar 1.300 MW de oferta de energia para o desenvolvimento da região e alivia o resto da rede. (...)

"Sem argumentos objetivos contra a retomada da construção de Angra III, seus opositores tentam apavorar as pessoas com a questão do lixo nuclear. Como já vimos, em artigo anterior, esse é o único lixo, no mundo de hoje, que se consegue monitorar, fiscalizar, acompanhar, quantificar, classificar e guardar de forma segura, em endereço conhecido."

Só discordo de um ponto: acho que a iniciativa privada, e não o Estado, deveria estar à frente do processo, como nos EUA. Quanto à questão do lixo atômico, essa questão é tão superada que na Europa já até se reutiliza energia atômica, o que era anátema para os ambientalistas até algum tempo atrás.
postado por Alvaro Velloso 2:00 PM

Konder no Globo

Acabo de enviar a seguinte cartinha à redação do "Globo":

"Prezados senhores,

"O artigo 'Os quatro calcanhares', publicado na página de opinião da edição de hoje, não apenas é uma peça tola e desonesta, como já foi publicada anteriormente no mesmo espaço. Todos sabemos que o prof. Leandro Konder está velho e senil, e é perfeitamente natural que ele lhes tenha enviado de novo o mesmo texto. Espantoso é que nenhum editor tenha tido o bom senso de não permitir o repeteco, o que faz 'O Globo' se assemelhar a qualquer desorganizado e desestruturado jornaleco interiorano."

Não é incrível que um jornal como O Globo cometa um equívoco desses? O artigo em questão (que, infelizmente, não está disponível no site do jornal) é a costumeira idiotice konderiana: uma croniqueta difamatória. Já expliquei em um artigo por que esse gênero de argumentação é desonesto (porque visa a impossibilitar a discussão), mas existem alguns detalhes curiosos nesta crônica específica.

Konder diz que Alberto, o sapateiro anarquista (seu alter-ego) teve um aluno de família rica e de "princípios radicalmente reacionários" chamado Benito Adolfo, e relata uma conversa de Alberto e Benito durante a qual este fala do aumento do perigo comunista no mundo, mesmo depois da queda do muro de Berlim, diz que a esquerda está inflitrada na imprensa, e afirma que soube de uma conspiração esquerdista para matá-lo.

Anteriormente, o artigo foi publicado uma semana depois que O Globo publicou uma entrevista com o prof. Olavo de Carvalho em que ele contava a história de sua viagem para a Romênia depois que soube de um complô de um grupo esquerdista extremado para matá-lo. Não chega, portanto, a ser um mistério quem é a personagem Benito Adolfo em questão...

Vou deixar de lado o fato de que não é digno de um primata desenvolvido chamar de fascista alguém que escreveu que intervir na sociedade através do Estado foi o caminho equivocado que manchou de sangue todas as ideologias modernas, e vou notar apenas um detalhe curioso do artigo: na crônica de Konder, ele mesmo, Konder, é um pobre sapateiro, enquanto o Olavo é filho de família rica; na vida real, Konder é membro de uma família rica e tradicionalíssima, enquanto o Olavo é filho de uma lavadeira. Dava para escrever um tratado inteiro de psicologia esquerdista a respeito dessa inversão imaginativa produzida pelo comuna senil (e cada vez mais constrangedor) de plantão no Globo e na PUC.
postado por Alvaro Velloso 1:37 PM

Domingo, Abril 01, 2001

Discussão "akadêmica"

Não pretendia trazer isto ao conhecimento do leitor, já que há coisas mais importantes para tratarmos aqui, mas acho que pelo menos será ocasião de diversão para todos. Eis o e-mail que recebi de um tal Francisco Nixexé (I could never make this up...) - "ortografia" e pontuação mantidas:

"Gostaria de saber porque você é contra o ensino acadêmico, seria porque seu guru Olavo de Carvalho não tem formação acadêmica, é rejeitado por tudo que é instituição (inclusive o "INSTITUTO LIBERAL"), e os livros do Olavo não são academicamicamente levados a serio

"Por isso que o Olavo foi parar na UniverCidade, aquilo sim que não deve ser chamado de Universidade, de academia, é apenas um balcão de diplomas, um antro, onde reside detritos humanos como Olavo de Carvalho, Pedro Sette Câmara, tendo como dono o famoso 'locupletador poupanceiro delfínico' o grande Levinsohn

"Cresça e vire gente"

Não ia responder nada, até porque tenho mais o que fazer do que ficar dando bom dia a orangotango, mas hoje recebi um e-mail ainda mais edificante do mesmo remetente - editei a última palavra:

"Responde seu covarde, seu racista filho da p*#$%"

Como o nosso amigo parece muito ansioso por uma resposta, ei-la.

1) Não sou contra o ensino acadêmico, e não sei de onde o sr. Nixexé tirou isso. Sou contra o ensino fragmentado e instrumental que se difundiu na akademia, seja em sua versão profissionalizante de luxo, seja em sua versão de propaganda esquerdista. Esse foi o tema do meu último artigo, e as idiotices que proliferam nesse ambiente são o tema de vários artigos na seção "Akademia" desta página. É sintomático, aliás, que um defensor entusiasmado desse ambiente escreva coisas como "gostaria de saber porque você é contra..." e "onde reside detritos humanos..." - sintoma de que nem gramática nossos akadêmicos sabem.

2) A última vez que olhei, não só o site do Instituto Liberal vendia os livros do Olavo, como uma das publicações do IL trazia um artigo dele. Mas isso não vem ao caso: só um caipira ignorante pode julgar que o valor de uma obra se expressa pelo reconhecimento acadêmico que ela recebe ao ser publicada. A seriedade intelectual exige de nós que julguemos qualquer obra por seu valor, e não pelo juízo que faz dela o meio acadêmico - e, se o meio acadêmico rejeita uma obra de valor, pior para ele.

3) Eu mesmo fiz críticas duras às universidades particulares brasileiras, inclusive à da Cidade, que eu freqüento tanto quanto meu amigo Sette Câmara: duas vezes por mês, para assistir às aulas do Olavo - que, aliás, nem mora no Rio. Nóis, detritos humanos, num reside lá não, sr. Nixexé. Nóis só vai lá de quando em vez.

4) Já passei da fase de crescimento.
postado por Alvaro Velloso 1:33 PM

Controle de preços

Da coluna de hoje da Míriam Leitão, sobre a possível crise energética brasileira:

"Há um impasse nas termelétricas. Só estão saindo as termelétricas feitas pela Petrobrás.

"A Petrobrás tem as reservas na Bolívia, o gasoduto e a usina. Extrai, produz, transporta, e faz a energia. Ela é que faz o preço. E estabeleceu que não faz por menos de US$ 40/MWH. O custo de uma hidrelétrica no máximo atinge US$ 32.

"A distribuidora teria que pagar esta energia em dólar, mas não pode cobrar em dólar. E só pode repassar uma vez por ano.

"- Isto estrangula as distribuidoras, que foi o mesmo que aconteceu na Califórnia onde os poucos geradores têm preços livres e os distribuidores têm tarifa controlada. Deu no que deu - afirma um empresário.

"As distribuidoras querem o direito de repassar este custo para o consumidor e trimestralmente. O governo é contra, com razão."

Também o Elio Gaspari ataca, hoje, a possibilidade de aumento de preços, e defende o racionamento como alternativa mais democrática, porque o aumento "mete a mão no fundo do bolso do andar de baixo e alisa o andar de cima, onde a conta de luz dói menos no orçamento."

Gaspari está apenas exercendo seu papel de sempre, de palpiteiro comuna. Não se poderia mesmo cobrar dele um argumento economicamente razoável. Mas que a colunista de economia do Globo não saiba que controle de preços inevitavelmente leva a uma crise de fornecimento, é simplesmente escandaloso.

(PS- O empresário citado por Míriam Leitão tem toda razão a respeito da crise energética na Califórnia. Leia mais a respeito em artigo de Thomas Sowell. Enquanto isso, nós, brasileiros, podemos acabar ficando no escuro por uma mistura de intervencionismo e ambientalismo - duas das mais perversas doutrinas da esquerda.)
postado por Alvaro Velloso 1:06 PM

Extrema direita?

Como se sabe, a direita é sempre extrema. Estou para ver um jornalista brasileiro dizer que alguém é de "centro-direita" ou da "direita moderada". Não: a direita é sempre "extrema direita", porque assim qualquer liberal, qualquer republicano, qualquer neoconservador fica imediatamente associado ao nazi-fascismo e é posto para fora do debate civilizado.

Assim, Caio Blinder, um dos nossos desinformatas de plantão, diz na sua coluna de hoje que David Horowitz era de extrema esquerda e agora é de extrema direita. A primeira parte é verdade (Horowitz foi um dos principais teóricos da New Left: elaborou interpretações trotskystas de Marx, editou a Ramparts - uma das principais revistas da New Left - e colaborou diretamente com os bandidos dos Black Panthers), mas a segunda é absurda. Horowitz é um republicano moderado, a favor do welfare state moderado, da imigração, do aborto (até certo ponto), dos direitos dos gays.

Na verdade, as idéias de Horowitz se distinguem pouco do mainstream do movimento neoconservador americano. Não é isso que o torna interessante. Ele é interessante porque, embora não tenha mais idéias de esquerda, ainda mantém, para lutar contra a esquerda, algumas das táticas da própria esquerda. Como ele mesmo diz, ele fala com a esquerda no mesmo tom de superioridade moral que a esquerda usa contra seus adversários. E por isso ele cria tanta irritação.

O episódio de que Blinder fala, e que foi assunto de todos os órgãos de imprensa americanos, é um exemplo de seu modus operandi. Ele enviou a todos os principais jornais universitários, em forma de anúncio, um artigo contra as reparações raciais que publicara na Salon no ano passado. A reação era inteiramente previsível: a maioria dos jornais não publicaria o anúncio, e os que publicassem provocariam a maior gritaria. E assim foi.

Nos campi dos poucos jornais que publicaram o anúncio (14 dos 48), houve manifestações iradas de defensores das minorias, e alguns dos jornais chegaram a desculpar-se pela publicação.

Horowitz conseguiu o que queria: demonstrar que a atmosfera das universidades americanas é inteiramente dominada pelo politicamente correto, e que qualquer debate político é impossível nesses ambientes. É óbvio que o fato de um jornal não publicar um anúncio que lhe foi enviado não constitui censura, apenas o exercício do direito de edição do jornal, mas esse tipo de edição por ideologia não condiz com a descrição de si mesmos que fazem os jornais universitários e mostra que, embora o neguem, eles não apenas têm uma linha ideológica definida, como se se desviarem dela, sofrerão pressões insuportáveis dentro do campus. (Para mais sobre a atmosfera nas universidades americanas - que é rigorosamente igual à das brasileiras, como posso atestar por experiência própria - leiam o magnífico artigo de John Leo, "Debate on college campuses is now seen as assault".)

Quanto ao anúncio em si mesmo, ele criou muita polêmica com os defensores da reparação, principalmente porque Horowitz afirma que, se, como dizem esses defensores, a escravidão beneficiou os americanos, então ela beneficiou a todos os americanos - inclusive os negros. Isso é logicamente irrefutável, e os negros americanos têm vidas infinitamente melhores do que seus antepassados que ficaram na África (e muitos dos quais foram os escravizadores de seus antepassados, como os defensores das reparações convenientemente esquecem).

De resto, eu já escrevi, e reafirmo, que a idéia de reparações é uma das mais cretinas que já passou por qualquer mente humana, e os argumentos usados para defendê-la são de uma pobreza impressionante. Mas o pior é que o Caio Blinder promete tratar diretamente do tema num próximo artigo...
postado por Alvaro Velloso 12:55 PM