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Sexta-feira, Março 09, 2001

Taliban in America

Estava eu aqui indicando ataques anti-cristãos em Cuba, e Gary DeMar, no WND, lembra que não é preciso procurar na ilha-prisão de Fidel: basta olhar no dito "centro do mundo livre", o país supostamente mais civilizado do mundo, os EUA.

Lá os ataques dos esquerdistas ateus aos cristãos, com o apoio da máfia togada, levaram uma cidade a proibir um hospital católico de erigir uma cruz em seu próprio pátio, uma outra cidade a mudar o seu selo postal para exluir a frase "Deus reina", uma outra a remover símbols religiosos dos edifícios públicos - e assim por diante. E cadê os protestos da UNESCO?
postado por Alvaro Velloso 4:55 PM

Jonah Goldberg vs. LewRockwell.com

No artigo linkado acima, David Dieteman dá - com muita elegância - a palavra final na divertida briga entre o editor da National Review Online e alguns colunistas do LRC.

Tudo começou com um artigo de Jonah Goldberg listando os principais livros conservadores, e incluindo entre eles "O caminho da servidão", de Hayek, ao mesmo tempo que confessava nunca ter lido Von Mises. Dieteman escreveu que, primeiro, "O caminho da servidão" era um livro menor de Hayek (cuja principal obra são os três volumes de "Law and liberty") e, segundo, que Hayek não era um conservador. Depois, Myles Kantor escreveu que era ridículo Goldberg pretender indicar os principais livros do movimento conservador e admitir nunca ter lido o principal teórico liberal do século.

Seguiu-se uma troca de insultos e algumas discussões de detalhes pouco interessantes, mas o curioso é que a National Review mostrou que continua a adotar o tom papal que marcou suas origens. O que Bill Buckley fez, ao fundar a revista, foi estabelecer um cânone direitista e quem divergisse dele era imediatamente considerado anti-semita, ou racista, ou insano, ou extremista, ou tudo isso junto (mais sobre essa separação entre a antiga direita e a direita neo-conservadora, social-democrata e imperialista, neste artigo de Rothbard). O mais recente exemplo de excomunhão promovida por Buckley foi a expulsão de Joe Sobran (que, sozinho, é mais brilhante do que todos os colaboradores da NR juntos e multiplicados por vinte) da revista, pelo crime de criticar Israel; um expurgo semelhante foi promovido pelos neo-conservadores para expulsar Sam Francis do "Washington Times", pelo crime de defender controles de imigração mais rígidos - na época, Linda Chavez (essa que quase foi ministra do trabalho do gov. Bush) proclamou que Francis deveria ser "expulso da sociedade educada".

Pois bem: o tom que Goldberg usou para criticar os colunistas do LRC - e o próprio site, de uma maneira geral - foi esse mesmo tom papal: eles ousavam criticar Lincoln, o imperialismo americano, a CIA?! Então têm de ser "expulsos da sociedade educada"!

Mas a coisa é um pouco pior: Goldberg é inteiramente incapaz de produzir um único argumento intelectualmente respeitável. Ele nem discute se Lincoln era mesmo um tirano, ou se o sul tinha mesmo direito de secessão, mas toma as opiniões contrárias às do establishment republicano como indignas que qualquer pessoa educada. E se põe a proferir impropérios, insultos e piadas sem graça. O triste é constatar o seguinte: por piores que sejam as idéias centristas de Bill Buckley, Irving Kristol e Norman Podhoretz, eles ao menos leram livros inteiros, sabem escrever em inglês (ok, isso pode ser discutido, no caso de Buckley...) e sabem argumentar. Como é que o site da National Review pode ter como editor um semi-analfabeto juvenil como Jonah Goldberg?! Isso é um sinal de senilidade do movimento conservador centrista americano, e não é à toa que eles estejam perdendo a batalha de idéias.
postado por Alvaro Velloso 4:49 PM

Quinta-feira, Março 08, 2001

Preferências religiosas

Suponhamos três situações: primeiro, um "artista" faz um quadro parodiando a Santa Ceia com ela mesma no lugar do Cristo; segundo, outro "artista" faz uma paródia insultando símbolos budistas; terceiro, ainda outro "artista" escreve um livro insultando o Islam.

Sabemos bem o que acontece nos três casos: quando a vítima é o cristianismo, a mídia faz um escarcéu para defender a "liberdade de expressão" ou a "liberdade artística", meia dúzia de cristãos protestam e são imediatamente ridicularizados. Quando a vítima é o budismo, nenhum budista protesta, mas a mídia só falta pedir a cabeça do "artista" em questão. Já, no caso do ataque ao Islam, a mídia tem a mesma posição do ataque ao cristianismo, mas a posição dos próprios muçulmanos é bem diferente da posição dos cristãos: o tal artista tem muita sorte se continuar vivo.

O que quero dizer é o seguinte: o budismo tem quem o defenda e os muçulmanos - de forma meio brutal - se defendem a si mesmos; mas quem fala em favor do cristianismo? Nem os próprios cristãos.

Um exemplo claríssimo disso é a histeria mundial por causa da destruição das estátuas budistas pelo governo do Afeganistão. Tudo bem que queiram preservar as tais estátuas, mas por que é que nunca ouvimos reclamações semelhantes quando governos tirânicos promovem destruição de igrejas e de símbolos sagrados cristãos? Ainda recentemente, no ataque da OTAN aos sérvios, igrejas foram bombardeadas pelos países "civilizados", os "líderes do mundo livre", e mosteiros foram invadidos e freiras estupradas pelos rebeldes traficantes de drogas que a OTAN estava protegendo (o tal "Kosovo Liberation Army").

E agora temos esta notícia da crescente perseguição aos católicos na terra de Fidel, mas o silêncio a respeito dela na mídia e nas entidades de "direitos humanos" é ensurdecedor. Alguém aí vai ter a cara de pau de dizer que os talibãs são piores que Fidel Castro?!

"CUBA: COMUNISTAS DESTRUYEN CRUCIFIJO Y GOLPEAN A SEGLAR CATÓLICA

"LA HABANA, Mar. 7, 2001 (Destaque Internacional) - Miembros del Departamento de Asuntos Religiosos del Partido Comunista en Palma Soriano, Santiago de Cuba, invadieron violentamente la casa de la seglar católica Elena Macías, agrediéndola físicamente y destrozando una imagen de Jesucristo cuyos restos lanzaron contra su rostro. Se trata de 'uno de los más feroces actos anti-católicos de los últimos tiempos en Cuba', aseveraron reporteros de la Agencia Católica de Informaciones (ACI).

"Otra seglar católica, Maritza Lugo Fernández, en mensaje que consiguió hacer filtrar desde la Prisión de Mujeres Manto Negro, acusa 'al gobierno dictatorial implantado en Cuba y a su brazo represivo, la Seguridad del Estado, por las injusticias y abusos que cometen contra el pueblo cubano, contra la población penal y muy en especial contra los presos políticos y de conciencia'. 'Yo
acuso a los cobardes y miserables que haciendo uso de la fuerza cometen todo tipo de violaciones contra los derechos humanos, sin que nada los detenga cuando se trata de defender una falsa revolución construida y mantenida sobre una base de mentiras y de infamias', añade la Sra. Lugo, considerada prisionera de conciencia por Amnistía Internacional.

"Radio Vaticano denunció que en las cárceles cubanas se sigue prohibiendo la asistencia espiritual a los presos políticos, citando el caso de Arturo Suárez Ramos, detenido en la cárcel habanera Combinado del Este, un católico por cuya liberación Juan Pablo II, durante su visita a Cuba en enero de 1998, intercedió infructuosamente ante el régimen comunista. Por su parte, monseñor Flavio Roberto Carraro, obispo de Verona y presidente de la Comisión para la Evangelización de los Pueblos, de la Conferencia Episcopal Italiana, a su regreso de una visita a Cuba ha declarado al diario Avennire que 'la situación de la Iglesia en Cuba es de sufrimiento', citando un documento confidencial del comité central del Partido Comunista de La Habana donde se dan instrucciones para destruir el sentimiento religioso latente en muchos cubanos y se usan expresiones como 'despapar' a Cuba."
postado por Alvaro Velloso 2:48 PM

Terça-feira, Março 06, 2001

Loucuras ambientalistas

Creio que em nenhum outro país o movimento ambientalista tem avançado tanto quanto nos EUA. É uma das desvantagens de ser um país muito rico: eles podem se dar ao luxo de custear insanidades esquerdistas que rapidamente quebrariam países mais pobres.

Anyway, os caras agora querem não apenas desapropriar terras em nome de direitos dos bichos ou das plantas, mas não querem pagar nada por isso. Jacob Sullum conta nesse artigo a bizarra história do sujeito que é impedido pela agência ambiental de seu estado de construir qualquer coisa em suas terras, mas que, segundo essa agência, não tem direito a nenhuma compensação financeira por isso. Chamemos isso pelo nome: estatização dos meios de produção - mas para não produzir!

Enquanto isso, aqui no Brasil, ecologistas fizeram inúmeras campanhas para defender a onça pintada, ameaçada de extinção, e o resultado é que agora existe, nas nossas florestas, uma superpopulação de onças, com a qual os ecologistas não fazem a menor idéia de como lidar. O mais engraçado é que essa superpopulação ameaça outras espécies em extinção - e aí, o que fazer?

(Claro, as onças também ameaçam os seres humanos que vivem perto delas, mas isso está longe de ser motivo de preocupação para os ecologistas. Uma onça matou um homem? Ah, quem mandou invadir o ambiente natural de outra espécie?!)

Lady Devonshire, no seu diário para a "Spectator" de 17 de fevereiro, conta um problema semelhante: "The banks of the canal in the garden here are being mended. This has necessitated emptying some of the water so that the retaining wall can be rebuilt. Crowds of crayfish live there. In spite of a notice in Heronese saying ‘Don’t touch the crayfish. They are a protected species’, the opportunistic herons, also protected, have thoroughly enjoyed some free lunches. I wonder how the nature people deal with these little local difficulties."
postado por Alvaro Velloso 1:13 PM

Cardinal damned for reviving Satan

Então, chegamos, na Igreja moderna, ao ponto ridículo em que um cardeal não pode mais falar em Satã.

Vejamos, porém, a mais absurda das críticas contra o cardeal Tettamanzi (o principal candidato "conservador" ao posto de próximo papa): a de que menções ao diabo encorajam as pessoas a esquecer a responsabilidade pessoal pelo pecado.

Ora, o papel do diabo não é o de pecar para a pessoa, mas o de incentivar a pessoa a pecar; é o papel de tentador, não de pecador substituto. É óbvio que o sujeito que sucumbe à tentação é responsável por sucumbir - e, justamente para evitar isso, o cardeal recomenda a oração, a vigilância, a mortificação, i.e., as receitas tradicionais da Igreja.
postado por Alvaro Velloso 12:50 PM

Switzerland rejects closer ties with Europe

As projeções dos resultados do plebiscito na Suíça sobre a participação na União Européia deram 80% de votos "não".

O país teve a sabedoria de não participar de nenhuma das guerras que abalaram a Europa no século XX, e agora mantém sua tradição de neutralidade evitando se submeter ao reinado dos burocratas de Bruxelas - que, aliás, não andaram mostrando suas garras apenas para o heróico ministro da economia da Irlanda, mas também para os candidatos da direita nas próximas eleições italianas, sinal de que a UE não respeitará o direito dos países de determinar as próprias cargas tributárias nem o de escolher seus próprios dirigentes!

Nada mais sensato, portanto, que os suíços não queiram ter nada a ver com uma aliança inter-continental que poderia minar suas tradições de democracia direta (praticamente tudo é decidido por plebiscito na Suíça) e de forte sigilo bancário.
postado por Alvaro Velloso 1:40 AM

Aprendam com P. D. James!

Nessa entrevista ao Daily Telegraph, a grande dama do romance criminal, uma figura admirável, diz como foi importante só começar a escrever aos 40 anos de idade: "Eu tinha lido mais, eu tinha pensado mais, eu tinha vivido mais."

Hear, hear.

O que não falta no Brasil são escritores publicando seus primeiros romances aos vinte, vinte e cinco anos, sem terem lido, pensado e vivido. Esses romances trazem marcas evidentes de diletantismo e de amadorismo, seus temas são quase sempre tolos e seus autores mostram tremendas dificuldades no trato com a língua. E, como eles não leram quase nada, imaginam revolucionar a literatura brasileira usando truques estilísticos banais e já gastos.

A mesmíssima coisa vale para a multidão de poetas jovens que andam publicando livros, quase sempre em verso livre e com temática masturbatória.

Essa moda de publicações precoces não só enche o mercado editorial de bobagens, mas também pode abortar talentos verdadeiros, que deveriam ter tido mais tempo para se desenvolver e germinar.
postado por Alvaro Velloso 1:31 AM

Hutus vs. Tutsis

Rothbard, de novo.

Seu artigo - de 1994 - sobre o conflito entre tutsis e hutus é mais inteligente e mais elucidativo do que a maioria das coisas publicadas sobre o assunto, e contém esta pérola sobre a colonização e descolonização da África:

"European imperialism, however, artificially incorporated various clashing tribes into one "country," and, on the other hand, split up the same tribes imposing artificial "borders" within their territory. Setting the stage, of course, inevitably, for bitter conflicts and warfare after the imperialists pulled out after World War II. The manner of pulling out made things worse: for the retiring European empires turned over these "countries" to Marxoid bureaucratic elites who had been detribalized and had been educated – or better, "trained" – in the Marxist-dominated elite universities of the imperial capitals: London, Paris, Brussels, or Lisbon."
postado por Alvaro Velloso 1:19 AM