No. 47 - 02/02/01

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Parem as máquinas! Hollywood fez um filme anti-comunista!

Esperem mais um pouco, há mais! A mídia descobriu que o trabalho de um rapper tem uma mensagem nociva e destrutiva para seus ouvintes, mormente jovens!

Vamos com calma.

O filme em questão se chama "Before night falls", o segundo trabalho de Julian Schnabel, e é a adaptação da auto-biografia do poeta e escritor cubano Reinaldo Arenas, que de entusiasta e participante - ahem... - ativo da revolução passou a exilado e, partindo para Nova Iorque em 1980, num dos navios de estupradores e ladrões que Fidel costumava mandar para os Estados Unidos, pegou AIDS e se suicidou na Big Apple.

Mas, segundo David Denby, na New Yorker (não, eu não vi o filme), as partes finais da vida de Arenas praticamente não aparecem. O que interessa ao diretor é mostrar como, durante os anos iniciais da revolução, Cuba foi o verdadeiro paraíso na Terra, com sexo amplo, geral e irrestrito ("pessoas se tocam e se beijam e se olham francamente, homens vão e vêm em sua homossexualidade, e a câmera passeia pelas cenas como um convidado numa festa de fim de noite"), até que o malvado Fidel resolveu fechar o paraíso ("ouvimos um arrepiante discurso oficial no qual a homossexualidade é denunciada como um aspecto contra-revolucionário do capitalismo"; as citações são do artigo de Denby).

Moral da história: os poetas e homossexuais tiveram de deixar a ilha, porque a arte e o sexo são perigosos para os tiranos, que sempre buscam controlá-los e proibi-los.

Já o rapper em questão se chama Eminem (numa alusão aos chocolates M&Ms), e suas letras são cheias de palavrões, descrições de atos sexuais, ataques às mulheres (entre as quais a sua própria mãe, que, no momento, está processando-o por tê-la acusado de cheirar mais cocaína do que ele), apologia do uso de drogas e incitações à violência.

OK, mas qual a novidade? Este também não é o caso das letras dos demais rappers - que, ademais, nunca hesitaram em viver o conteúdo de suas letras e usar toneladas de drogas, estuprar mulheres e atacar policiais?

Ah, mas há um detalhe: Eminem também ataca os homossexuais. Suas letras não são apenas racistas, sexistas e de baixíssimo calão: elas, ainda por cima, são homofóbicas. Nossa, que absurdo!, exclamam os críticos de música, aqueles mesmos que dizem que o que o Wu Tang Clan e o Snoopy Doggy Dog fazem é arte, é a expressão mais legítima da vida no gueto.

Então, neste ponto, o leitor, que não é bobo nem nada, já ligou os pontos e percebeu que essas duas notícias não revelam um momento de lucidez das trupes esquerdistas, mas revelam o status sacrossanto que o homossexualismo assumiu em nossos dias.

Temos, então, o primeiro filme hollywoodiano frontalmente contrário ao comunismo em muitos anos, um dos poucos a tratar de um drama que se desenrolou no reinado tirânico de Fidel, e qual é o foco do filme? O homossexualismo!

Notem que a perseguição imposta por Fidel aos cristãos, ou aos ricos, ou aos pensadores independentes, continua até hoje e foi infinitamente mais extensa e mais grave do que a imposta aos homossexuais e aos poetas, mas quem ousaria fazer, em Hollywood, um filme em que os heróis são católicos devotos e o vilão é um tirano comunista?

O próprio crítico da New Yorker percebeu a frivolidade absurda do filme, e escreveu: "muitas coisas menos na moda do que arte e homossexualismo ameaçam tiranos". Mas ele mesmo, escrevendo numa revista relativamente de esquerda, não tem coragem de dar nome aos bois: o que mais ameaça os tiranos é a religião, porque as pessoas religiosas não aceitam o tirano como a encarnação de Deus na Terra; porque as pessoas religiosas sabem que existe uma instância superior que julga os atos humanos e que a legitimidade de um governo depende de sua obediência às leis divinas.

Não é por outro motivo que tiranos e autoritários de todas as persuasões políticas - de Voltaire e Robespierre a Karl Marx e Stálin - buscaram varrer a Igreja da face da Terra, e não é por outro motivo que o século mais pródigo em ditaduras da história humana foi também o mais pródigo em perseguições aos católicos.

E essa perseguição continua em Hollywood e na imprensa esquerdista, e é por isso que ninguém vai filmar o clássico de Armando Valladares, "Contra toda a esperança", mas um sujeito conseguiu fazer uma adaptação super-badalada da autobiografia de um poeta gay.

O problema de Eminem é exatamente o mesmo. Quando um sujeito urinou numa estátua do Cristo; quando um outro, com dinheiro estatal, fez uma exposição de fotos com homens com guarda-chuvas enfiados em seus ânus; quando apareceu um tal de Marilyn Manson fazendo homenagem a um serial killer satanista e enchendo suas letras de referências a Satã; quando a cidade de Nova Iorque patrocinou uma exposição que continha uma figura de Nossa Senhora coberta de excremento bovino - quando tudo isso aconteceu, as vozes da sensatez fizeram discursos denunciando uma cultura anti-cristã, anti-humana, uma cultura baseada na degradação de tudo o que há de nobre e elevado no espírito humano.

E o que responderam esses que hoje querem ver Eminem banido? Que isso tudo era "arte" e, portanto, deveria ser reverenciado, e que as vozes da sensatez eram as vozes do atraso, que queriam o retorno da escravidão, do apedrejamento das adúlteras e não sei mais o quê.
Agora, temos os defensores da pornografia, das drogas, da depravação, da violência atacar as letras de um rapper - e por quê?

Porque ele atacou um dos últimos "valores" que ainda restam na cultura contemporânea: a opção sexual dos gays. Este não é mais o amor que não ousa dizer seu nome; é o amor que não pára de dizer seu nome, que não se cansa de gritar e berrar todas as suas formas, todas as suas manifestações possíveis, e que não admite, em hipótese alguma, ser criticado.

A minha impressão é que, daqui a cinco mil anos, se ainda existir um mundo e se alguém estiver interessado em estudar a história do final do século XX e início do século XXI, esse suposto historiador futuro notará, estupefato, o tamanho da desorientação moral de uma época que não consegue conceber nada mais sacrossanto do que uma preferência sexual.

 

ORTODOXIA

A cada vez mais ridícula revista The Economist publica, na edição desta semana, uma análise mercadológica da Igreja Católica, aplicando os princípios da administração moderna à Igreja.

A revista conclui que a Igreja não tem prosperado porque ainda está presa ao "paradigma antigo": sua administração é excessivamente centralizada e, portanto, não é capaz de responder à necessidade de mudanças de seus consumidores; como o centro de poder da Igreja está em Roma, distante das comunidades, a Igreja não é capaz de implementar as mudanças doutrinais que essas comunidades exigem - em matérias como (vocês já devem ter adivinhado) o celibato, o aborto e o controle populacional.

(Se eu ganhasse um centavo de dólar por cada matéria que saiu nos últimos cinco anos na imprensa mundial atacando a posição da Igreja em relação ao celibato, ao aborto e ao controle populacional, estaria mais rico que Bill Gates.)

A falta de discernimento científico das classes falantes contemporâneas é uma dessas aberrações modernas que me fascinam. Como diabos alguém pode praticar a "ciência" da administração sem saber que ela só se aplica a determinados objetos, que ela não tem aplicação universal?

Alguém já ouviu um matemático propor - para usar o exemplo de Edmund Husserl - o estudo da trigonometria dos leões? Alguém já ouviu um biólogo propor o estudo da embriologia dos triângulos? Pois quem propõe um estudo mercadológico e administrativo da Igreja Católica está propondo absurdidade semelhante.

Um estudo dos efeitos mercadológicos da administração só é possível se a empresa ou instituição estudada tem objetivos mercadológicos, ou seja, é voltada para o atendimento de consumidores e precisa, portanto, otimizar sua administração para melhor atendê-los.Para entender isso, não é preciso ter mais do que um QI em torno de 12,5 ou 13 - mas isso parece, admitamos, um pouco acima da média dos colaboradores da The Economist.

Portanto, não é que o estudo da revista esteja certo ou errado; ele simplesmente não se aplica a seu objeto. Os conceitos da administração de empresas não se aplicam à Igreja Católica, simplesmente porque a Igreja Católica não é a IBM nem a Microsoft; assim como os conceitos da trigonometria não se aplicam aos leões, porque os leões não são triângulos.

A Igreja não mede seu sucesso ou fracasso pelo número de adeptos, e não é uma instituição democrática, maleável ao sabor dos ventos da moda midiática; é uma instituição de origem divina, com uma doutrina revelada à qual seus membros devem obediência. Os economistas da revista americana podem até achar absurdas as pretensões católicas, mas têm a obrigação, ao menos, de saber que é dentro destes parâmetros que a Igreja age, e não dentro de vulgares considerações de "satisfação dos consumidores".

 

DESINFORMATZIA

Míriam Leitão apresentou, semana passada, sua forte candidatura ao prêmio de desinformata do ano, com um ataque ridículo ao futuro Secretário de Justiça da administração Bush, John Ashcroft.

Segundo a colunista de fofocas econômicas do Globo, a nomeação de Ashcroft representa um "atraso" na vida política americana, depois do governo iluminado de Bill e Hillary Clinton e Janet Reno, porque Ashcroft é contra a affirmative action e o aborto.

Porca miséria, onde é que essa senhora está com a cabeça?!

Não é só John Ashcroft que é contra a affirmative action: é praticamente todo mundo, com exceção dos setores mais extremados do movimento negro americano. O sistema de quotas torna os negros dependentes do paternalismo estatal, discrimina os asiático-americanos (que têm notas mais altas que as outras minorias, mas não ocupam o número de vagas a que teriam direito), introduz um privilégio racial no lugar das considerações de mérito e aumenta as desconfianças entre as raças. Sua adoção foi, desde o começo, um desastre, e vários estados americanos já as aboliram.

Para defender um sistema absurdo desses, é preciso ser um líder político interesseiro com muito a ganhar (como Jesse Jackson e Al Sharpton) ou um jornalista brasileiro, grupo que se dedica a não saber e a não deixar que os leitores saibam o que se passa no mundo.

Não vou discutir de novo a questão do aborto, mas vale lembrar que, sete anos atrás, em 1993, o governo iluminado dos Clintons e de dona Janet Reno, antecessor de Ashcroft no cargo, estava prestes a queimar 80 homens, mulheres e crianças em Waco, usando contra cidadãos americanos uma substância química cujo uso contra populações estrangeiras em guerras é proibido por convenções internacionais; vale lembrar que, em 2000, dona Reno, acostumada a matar crianças para protegê-las, mandou homens armados invadir a casa dos tios de Elián González em Miami e seqüestrar o garoto para devolvê-lo ao regime tirânico de Fidel; e vale lembrar que estes são apenas os dois momentos mais memoráveis de um Governo que aumentou assustadoramente a população das penitenciárias e inventou uma quantidade assombrosa de novas restrições penais.

Se a criminosa de guerra Janet Reno representa o progresso, a inovação e, como deseja Miriam Leitão, um "novo papel para as mulheres", então, por favor, que venham o atraso e o conservadorismo.

Vale notar ainda que, quando o leitor Cláudio Rodrigues notou, na seção de cartas do Globo, que não há nada de inusitado e absurdo na posição de John Ashcroft em relação ao aborto, Leitão respondeu que o leitor não podia opinar a respeito do assunto, porque é homem, e esta é uma questão que "deve ser deixada às mulheres" - resposta que simplesmente não é digna de consideração racional.

Para não dizerem que só critico a nossa imprensa, cito como digno de nota - apesar do tom excessivamente comedido - o editorial do Jornal do Brasil do dia 31/01 sobre o palhaço frances José Bové, que veio participar dessa gigantesca palhacada chamada Forum Social Mundial:

"Os franceses morrem de orgulho por seu país, sua cultura e sua língua. Imagine-se o que fariam se um sindicalista brasileiro, com visto de turista, invadisse a sede de uma empresa em Paris e ajudasse a destruir suas instalações. O manifestante estrangeiro seria inapelavelmente preso, levado ao aeroporto mais próximo e expulso da França. Foi exatamente o que a Polícia Federal quis fazer com o ativista francês José Bové, que participou da destruição de uma plantação de soja transgênica da multinacional Monsanto, durante manifestação promovida pelo MST.

"Bové ganhou fama ao atacar uma loja do McDonalds na cidade de Millau, em agosto de 1999, e veio ao Brasil como convidado do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Isso não lhe dava salvo-conduto para liderar badernas. Agiu bem a Polícia Federal, ao aplicar a lei, e também merece elogios o Ministro da Justiça, José Gregori, que não se intimidou com a repercussão do episódio Bové. Não há o que discutir: o ativista francês violou sua condição de turista. E só escapou da punição graças ao habeas-corpus concedido pela Justiça Federal.

"Os grupos de esquerda cometem grave equívoco ao entenderem a decisão de expulsar Bové como represália ao Forum Social Mundial. O governo brasileiro não teve alternativa. Nao é possível aceitar que cidadãos estrangeiros se comportem como hunos em nosso território. A norma se aplica à direita e à esquerda.

"Há que fazer, porém, um comentário a respeito do convite dos organizadores do Fórum a José Bové. Como se sabe, o francês representa a Confederação Camponesa, que reune os criadores de ovelhas da região central de seu país. Defende o queijo roquefort, o patê de foie gras e principalmente os subsídios do governo francês à agricultura. Tentem os gaúchos exportar vinho para a França e terão contra si a ira de Bové & cia.

"Não satisfeita com os subsídios, a Confederação Camponesa não se cansa de exigir de Jacques Chirac e Lionel Jospin que levantem barreiras alfandegárias aos produtos agrícolas. Ao atacar a Monsanto e arrancar um pé de soja transgênica, José Bové foi coerente com seu discurso protecionista. O Brasil é grande exportador de soja e os
agricultores europeus nos vêem como adversários a abater. Causa espanto, portanto, a estratégia do MST. Em lugar de defender a produção agrícola nacional (transgênica ou não), o MST atira na direção errada e faz o jogo que interessa aos Estados Unidos e à Europa. Num mundo cada vez mais competitivo e globalizado, dissensões
internas só servem para fragilizar os países que tentam abrir espaço
no mercado."

Sobre o Fórum Social Mundial e seu parentesco com o Fórum de Davos, vale repetir o comentário de Olavo de Carvalho na Época:

"Mas, no Fórum Social de Porto Alegre, a imagem adquiriu corpo, vida e movimento: entre vaias e apupos à Nova Ordem Mundial, a ilustrada assembléia manifestou seu amor ao direito trabalhista global, ao desarmamento civil, às quotas raciais preferenciais e ao controle da internet – quatro quintos do programa da Nova Ordem Mundial. O quinto restante foi objeto de debates só porque os participantes querem fazer tudo isso com os métodos econômicos de Cuba, do Vietnã e da Coréia do Norte, o que certamente não será motivo de discussão por muito tempo, já que a Nova Ordem Mundial sabe respeitar a independência das nações e largá-las sozinhas, num arrabalde infecto, quando elas fazem uma opção preferencial pelo suicídio. Com a maior tranqüilidade, ela virou as costas aos povos da África, que gritavam de revolta contra o capitalismo internacional que não os largava e hoje espumam de ódio contra o capitalismo internacional que os abandonou. No futuro Brasil socialista, quando estivermos disputando a tapa uma perna de rato, Olívio Dutra, exibindo indignado uma lata de Coca-Cola vazia, dirá que é tudo culpa da maldita Ford que o deixou na mão quando ele mais precisava dela."

 

POLITICAGENS

O Brasil tem assumido posições vergonhosas no cenário internacional, posições que deveriam envergonhar os representantes da nação se estes ainda tivessem alguma vergonha na cara.

Primeiro, nossos diplomatas foram alguns dos defensores mais entusiastas do nefasto Acordo de Kyoto, que, sob o falso pretexto de prevenir o aquecimento global, visava a exigir dos países ricos um corte no uso de determinados combustíveis. Sim, vocês leram certo: dos países ricos.

Tratava-se, claro, de um esquema extorsivo para tirar dinheiro dos países mais ricos, que teriam de cumprir uma política ambiental da qual os países pobres, que produzem tanta poluição quanto os ricos, estariam isentos.

O Brasil, portanto, teve o descaramento de defender a adoção de um tratado que não teria nenhum efeito sobre o Brasil, mas que causaria problema às economias de outros países. Pimenta nos olhos dos outros...

Agora, temos o sr. Armínio Fraga apelando ao presidente norte-americano que intensifique a repressão ao que ele chama de "paraísos fiscais" - países com baixas taxas de impostos, ou seja, países nos quais os políticos e burocratas mantêm num patamar mínimo as taxas de extorsão das quais vivem.

O sr. Armínio Fraga não imagina que, por suposição, se o Brasil reduzisse seus impostos e simplificasse sua cobrança, não estaria perdendo investimento para "paraísos fiscais", nem teria taxas de sonegação e evasão fiscais tão altas. Ele não consegue conceber que, talvez, o nosso Estado esteja abusando do direito de tomar dinheiro de seus cidadãos para financiar burocracias gigantescas.

A única solução que ocorre a nosso amável burocrata é interferir na soberania de pequenas ilhas espalhadas pelo mundo e obrigar seus governantes a adotar as mesmas políticas socialistas e as mesmas taxas sufocantes do Estado brasileiro.

 


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